MAIS POTENTES, MAIS RÁPIDAS, MAIS PERIGOSAS

EXPRESSO DIÁRIO | 27-05-2014

 
Relatório europeu alerta para uma mudança acelerada no mercado de estupefacientes, cada vez mais dominado por drogas sintéticas muito potentes, feitas em laboratório. Mas até a clássica marijuana está mais forte do que era .
 
O mundo está a mudar depressa, mas essa mudança é ainda mais vertiginosa no submundo das drogas. Apesar de realçar uma redução generalizada do consumo de estupefacientes nos últimos anos por quase toda a Europa, o relatório anual de 2014 do Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência (EMCDDA), divulgado hoje, alerta para um fenómeno persistente, com consequências ainda imprevisíveis a longo prazo: o surgimento contínuo de novas drogas, produzidas em laboratório, aumentando a oferta constantemente renovada de alternativas sintéticas. Mais poderosas e potencialmente mais perigosas.  
 
Só em 2013 o sistema de alerta rápido da União Europeia deu conta de 81 novas substâncias psicoativas, aumentando para 350 o número de drogas que estão sob vigilância pelas autoridades nos 28 Estados-membros da UE que, juntamente com a Noruega e a, são contemplados no relatório do EMCDDA. “Deve ser para nós motivo de grande preocupação o recente aparecimento de novas substâncias opiáceas e alucinogénicas, tão ativas do ponto vista farmacológico que, mesmo em quantidades diminutas, podem ser utilizadas para produzir múltiplas doses”, alertam Wolfgand Götz, diretor do EMCDDA, e João Goulão, o português que atualmente preside ao conselho de administração do observatório europeu. “O mercado de droga europeu não só está a sofrer grandes alterações como estas ocorrem num ritmo cada vez mais rápido.”  
 
A concorrência feroz lançada por uma nova vaga de substâncias sintéticas já contaminou, inclusive, a mais popular das drogas tradicionais na Europa. “A canábis é um exemplo notório em que as novas técnicas de produção estão a afetar a potência tanto da resina (haxixe) como dos produtos herbáceos” (vulgarmente conhecida como erva).  
 
UM GRAMA, 100 MIL DOSES  
 
A potência tem sido, aparentemente, uma das apostas dos produtores e traficantes de estupefacientes. Como exemplo, o relatório faz a comparação: para produzir 10 mil doses de MDMA (ecstasy) são precisas 750 gramas de substância ativa, mas para 10 mil doses de carfentanil, um opiáceo sintético usado legalmente como um analgésico para cavalos e que substitui a heroína, são precisos apenas 0,1 gramas. Ou seja, com um grama é possível fazer 100 mil doses.  
 
81 Novas drogas identificadas na Europa só durante 2013  
 
As redes de produção e tráfico sabem o que estão a fazer. Tornaram o trabalho das autoridades policiais e de saúde pública um autêntico puzzle, com muitas peças soltas. “A elevada potência de algumas substâncias sintéticas dificulta ainda mais a sua deteção, dado que estão presentes no sangue em concentrações muito baixas. A emergência de substâncias sintéticas extraordinariamente potentes tem igualmente implicações ao nível da aplicação da lei, na medida em que mesmo pequenas quantidades destas drogas podem dar origem a inúmeras doses”.  
 
E as dores de cabeça não ficam por aí: como a maior parte das overdoses ocorre atualmente com indivíduos que misturam diversas substâncias, muitas delas desconhecidas, é cada vez mais difícil determinar com rigor a causa de morte. O facto de serem drogas sintéticas está, por outro lado, a alterar profundamente a logística e a geografia do crime organizado. Segundo o observatório, as redes criminosas têm expandido o negócio na Europa à custa de um gigantesco mercado ilegal da canábis, reinvestindo os lucros em laboratórios clandestinos para sintetizar novas substâncias. Ao contrário da cocaína e da heroína, estas drogas não precisam de ter na origem plantações de coca ou de papoila de ópio.  
 
Existem “indícios de uma oferta crescente de metanfetaminas na Europa”, produzida internamente, na Europa Central e do Norte, diz o relatório. É citado “o desmantelamento na Bélgica das duas maiores instalações de produção de droga alguma vez localizadas na União Europeia, com capacidade para produzir em muito pouco tempo grandes quantidades de MDMA (ecstasy)”.  
 
MELHORES DO QUE OS OUTROS  
 
Com uma prevalência de consumo de substâncias ilícitas menor do que na maioria dos outros países europeus, Portugal é citado no relatório do EMCDDA por ter adotado em 2013 uma lei a proibir a venda das chamadas “legal highs”, drogas sintéticas que os portugueses podiam, até aí, comprar em lojas devido a um vazio legal. De resto, e tirando o caso da heroína, onde a situação em Portugal é pior do que a média europeia (tendo em conta o número de consumidores que começaram um programa de tratamento), na maior parte dos parâmetros o nosso país apresenta valores de consumo de drogas inferiores a boa parte dos nossos parceiros.  
 
Nas anfetaminas, por exemplo, 0,5% dos portugueses terão consumido pelo menos uma vez na vida este tipo de estimulantes, contra 3,5% de média para o universo dos 28 estados-membros da UE. O fosso é ainda maior em relação ao consumo de anfetaminas nos últimos 12 meses por jovens adultos (até aos 34 anos): 0,1% em Portugal contra 0,9% na Europa.  
 
Esses valores têm depois reflexo nas mortes por overdose. Houve 29 óbitos ao longo de 2012 em Portugal relacionados com o consumo de drogas, o que dá 4,2 casos por cada milhão de habitantes, quatro vezes menos do que na Europa como um todo (17,1) e muito longe dos 191 registados na Estónia, dos 63 na Suécia ou das 71 overdoses por cada milhão de habitantes na Irlanda. O mesmo não se pode dizer em relação à Sida. Houve 56 casos diagnosticados de HIV em Portugal em consumidores de drogas injetadas. Embora distante do cenário de rápida degradação vivido na Grécia, com 484 contágios num só ano, esse valor coloca o nosso país ligeiramente acima da média europeia.

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Fonte (Foto): http://3.bp.blogspot.com/-v1orBmfZO98/UkQv2bi7duI/AAAAAAAAT_Q/ji3uJRRvv6M/s1600/drogas.jpg

 

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EUROPA APOIA “SALAS DE CHUTO” EM LISBOA

Expresso | 22-05-2014

Saúde. Observatório Europeu sublinha vantagens de sala de consumo assistido, que está pronta para avançar na Mouraria. Reúne consenso dos técnicos, mas não é pacífica na Câmara  
 
A criação de uma ‘sala de chuto’ em Lisboa, prestes a avançar na zona da Mouraria, promete dar polémica, mas o Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência (OEDT) — organismo da União Europeia que monitoriza a situação da droga na Europa — é inequívoco quanto às vantagens do projeto. Se a cidade quiser reduzir os riscos associados ao uso de droga e melhorar a saúde e a ordem públicas, acabando com o consumo a céu aberto, a criação deste espaço é a forma mais eficaz de o conseguir, garante ao Expresso Dagmar Hedrich, diretora do Departamento de Boas Práticas e Intervenções Sociais e de Saúde .
 
A localização já está escolhida e o projeto tem o aval das autoridades de saúde e do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD), cujo parecer está agora a ser ultimado. Só falta mesmo a assinatura final do presidente da Câmara, António Costa.  
 
Apesar do consenso dos técnicos, o projeto não será pacífico na autarquia. António Proa, vereador do PSD, afirma que esta é uma questão “controversa e fraturante” no interior do partido, que ainda não tem uma posição formal sobre a matéria. “Não duvido que proteja a saúde dos toxicodependentes e a saúde e segurança públicas, ao reduzir o consumo a céu aberto, mas tenho uma oposição de princípio, já que um equipamento destes acaba, de alguma forma, por promover o consumo”, diz. 
 
A concretizar-se, a abertura na capital portuguesa de uma sala de consumo assistido está longe de ser um projeto de vanguarda. Em toda a Europa, há 86 espaços onde os toxicodependentes podem injetar-se com supervisão médica e em condições de higiene e segurança. E o primeiro já tem mais de um quarto de século: abriu na Suíça, em 1986. A experiência rapidamente saltou fronteiras, multiplicando-se em sete outros países — Holanda, Alemanha, Espanha, Luxemburgo, Noruega, Dinamarca e Grécia — sobretudo a partir de meados da década de 1990, quando o consumo de heroína atingiu o auge. Os estudos feitos ao longo dos anos demonstram o impacto positivo destes equipamentos e contrariam os principais receios dos opositores, nomeadamente quanto ao aumento do consumo e da insegurança, sublinha o Observatório Europeu.  
 
O diretor do SICAD, João Goulão, invoca igualmente os “bons resultados” conseguidos nas 58 cidades europeias onde existem salas de consumo assistido para defender a “bondade” de um projeto semelhante em Lisboa. “Estamos de acordo com a avaliação quanto à sua utilidade”, diz.  
 
Em Barcelona, por exemplo, os resultados são visíveis. “Praticamente deixámos de ver pessoas a injetar-se na rua. As overdoses baixaram muito, assim como as infeções por HIV. E mais toxicodependentes foram encaminhados para tratamento”, conta ao Expresso Dito Eningo, diretor de uma das sete salas de consumo assistido existentes na cidade e a primeira a abrir em Espanha, há já 21 anos.  
 
Como em todos os outros espaços existentes na Europa, os técnicos fornecem todo o material para o consumo da droga — sempre comprada fora —, mas só intervêm se houver sinal de overdose. De resto, fazem educação para a saúde e tentam encaminhar as pessoas para tratamento.  
 
A localização é essencial para o sucesso, corrobora Martin Luck, diretor de uma sala de consumo assistido em Zurique (Suíça). “A comunidade reage muitas vezes com desconfiança, pelo que é fundamental estabelecer um diálogo com a vizinhança e ter o cuidado de manter as imediações sempre limpas”, aconselha. Em Lisboa, a escolha do local parece não estar a levantar ondas entre os moradores, pelo menos para já. A Associação Renovar a Mouraria concorda com a criação do espaço, considerando que vai “melhorar significativamente a vida no bairro”, onde todos os dias muitos toxicodependentes se concentram para injetar heroína e fumar crack à vista de todos.  
 
Ainda que estejam previstas na lei desde 2001, as salas de consumo assistido nunca chegaram a avançar em Portugal. E não foi por falta de tentativas. Logo nesse ano, o então presidente da Câmara de Lisboa, João Soares, propôs a abertura de uma sala nas instalações de um antigo quartel em Campo de Ourique, mas o projeto foi fortemente contestado pelos moradores e comerciantes locais e não chegou a sair do papel. Em 2007, o tema voltou a estar na ordem do dia, quando o executivo, então liderado por Carmona Rodrigues, aprovou a criação de uma sala de injeção assistida. Na altura, a convocação de eleições antecipadas travou a concretização do projeto.  
 
Desta vez, a instalação está prevista para a Rua da Palma, junto ao Martim Moniz. Segundo a Câmara, a localização “cumpre todos os requisitos”: tem fácil acesso e fica próxima do Benformoso (Intendente), onde muitos toxicodependentes consomem a céu aberto, sendo ao mesmo tempo numa rua com poucos moradores, que não fica no coração do bairro. Segundo a lei, estes espaços não podem localizar-se em zonas muito residenciais e “não devem ser usados por mais de dez pessoas em simultâneo”. O ato de consumo “é da inteira responsabilidade” dos utentes. Todos têm de ser maiores de 18 anos e estar previamente registados, após a avaliação de um técnico de saúde que ateste a dependência.  
 
A diretora do Departamento de Boas Práticas e Intervenções Sociais e de Saúde do Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência (OEDT), sediado em Lisboa, garante que os espaços conhecidos como ‘salas de chuto’ não fazem aumentar o consumo nem o tráfico de estupefacientes, como receiam algumas pessoas. A responsável alemã apoia a criação de um espaço destes em Lisboa.  (Entrevista disponível na edição papel do Expresso)ImagemFonte (Foto): Expresso

RÁDIO DO SEIXAL | “Número de novos casos de toxicodependência e álcool aumentou 70% na última década”

Entrevista Cristina Lopes, Responsável Prevenção na Dianova sobre estes aumentos e como a campanha REAGE tem por objectivo sensibilizar os portugueses para os seus efeitos bem como transmitir uma mensagem de esperança face ao seu tratamento!

“DEPENDÊNCIAS” TARDE TEMÁTICA PARA A EDUCAÇÃO & PROMOÇÃO DE SAÚDE, 27 de Março, CHCB Covilhã

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“DEPENDÊNCIAS” TARDE TEMÁTICA PARA A EDUCAÇÃO & PROMOÇÃO DE SAÚDE

Centro Hospitalar Cova da Beira – Covilhã
27 de Março, 14h30 – 18h00

Decorre a 27 de Março entre as 14h30 e as 18h00 no Auditório do Centro Hospitalar Cova da Beira (Quinta do Alvito, Covilhã), a Tarde Temática para a Educação e Promoção de Saúde “DEPENDÊNCIAS”, organizada pelo Centro Hospitalar Cova da Beira em parceria com a Dianova Portugal.

O objectivo desta tarde é debater as questões relacionadas com a prevenção e o tratamento das toxicodependências, que regista um aumento de 8.492 novos toxicodependentes em tratamento ambulatório e um aumento dos consumos de drogas entre jovens estudantes (16% cannabis, 8% Outras drogas, 7% Ansiolíticos, 6% Inalantes), de acordo com dados oficiais respectivamente do IDT | SICAD e do ESPAD.

Dividida em dois eventos – Conferência e Workshop – esta Tarde temática dedicada ao tema da intervenção a nível da Prevenção e do Tratamento das Dependências destina-se a Técnicos de Saúde, Alunos de Medicina, Enfermagem, Psicologia e Sociologia da UBI – Universidade da Beira Interior, e ainda a Profissionais bem como Estudantes de Comunicação e Marketing da UBI – Universidade da Beira Interior.

Link Poster http://www.slideshare.net/Dianova/poster-covilha-2014 

14h30 | Conferência
Moderador: Dr. Vítor Sainhas, Director do Serviço de Psiquiatria e Saúde Mental do CHCB
Prelector: Dr. João Fatela, Coordenador do Centro de Respostas Integradas de Castelo Branco
Prelector: Dr.ª Cristina Lopes, Directora Técnica da Comunidade Terapêutica Quinta das Lapas da Dianova Portugal
Local: Auditório do CHCV

16h30 | Workshop “O Marketing na Prevenção das Toxicodependências”
Orador: Dr. Rui Martins, Director de Comunicação da Dianova Portugal
Local: Serviço de Ensino e Formação do CHCB

A participação é gratuita e a inscrição obrigatória junto do Gabinete de Eventos do CHCB para o email cme@chcbeira.min-saude.pt ou tel. 275 330 000 (ext. 10700)

Viagens ao Mundo da Destruição

Diário de Notícias | 16-02-2014 | Viagens ao Mundo da Destruição. As voltas que a heroína dá  
 
Dependência. O mundo da heroína funciona como um carrossel É uma viagem que volta, muitas vezes, ao ponto de partida. O ator norte-americano Philip Hoffman recaiu ao fim de 23 anos. Em Portugal, o fenómeno das recaídas está a aumentar. O DN revela histórias de quem voltou a uma realidade de destruição que julgava ter esquecido  
 
Começou a consumir aos 13… é um desafio à morte  
José, 35 anos, Em tratamento CRETA  
 
O fim de vida de José, nome que escolheu para esta história, bem podia ter sido igual ao do ator Philip Hoffman, recentemente encontrado morto no chão da sua casa de banho, com uma seringa no braço. José chegou a desejá-lo. Tinha vergonha de si. Não queria sentir nada.” Queria morrer. Rezava para que Deus me levasse. Lembro-me de estar a injetar-me, encher a seringa com a dose máxima e pedir para morrer, para que os meus filhos deixassem de sofrer.”  
 
Começou a consumir heroína ainda pré-adolescente, aos 13 anos. Primeiro o álcool, depois o haxixe, logo de seguida a heroína. Primeiro fumada e muito rapidamente injetada. “Estava num Renault 5 com alguns colegas mais velhos. Pediram-me o braço, amarraram-no e injetaram-me. Infelizmente, a sensação foi fantástica. Como se tivesse mil orgasmos juntos.” Oriundo de uma “família de classe média”, era fácil ter dinheiro para consumir. Deixou de estudar no 9.º ano.  
 
“Fui apanhado a injetar-me na casa de banho da escola. Expulsaram-me.” Os pais descobriram. Tentaram sucessivos programas de desintoxicação. “Começava no álcool e no haxixe e voltava à heroína.” José “vivia para consumir e consumia para viver”. O corpo e a cabeça só funcionavam se estivesse drogado: “Deitava-me pedrado e acordava com dores.” No Casal Ventoso, onde viveu, usava “as mistas”: heroína e cocaína. A ressaca era “um verdadeiro inferno: tinha dores horríveis, cólicas, arrepios.”  
 
Em 1998/99 entrou na clínica de tratamento CRETA. Correu bem. Até conseguiu concluir o 12.º ano. Aos poucos, conseguiu reconstruir a sua vida. “A situação financeira do País permitia a recuperação.” José manteve-se limpo durante 13 anos. “Ninguém esperava uma recaída.” Nem ele próprio. Trabalhava nas vendas, na área farmacêutica. Chegou a ganhar 12 mil euros por mês. “Vivia com muitos créditos, acima da média, com alguma megalomania.  
 
Ao mesmo tempo, afastei-me da psicoterapia, deixei de cuidar de mim.” Casou, foi pai duas vezes. “Pensava que só iria contar a história aos meus filhos se quisesse.” Eles souberam. E da pior forma. José perdeu o trabalho, a casa e foi obrigado a tirá-los do colégio. Afundado em créditos, não resistiu. “Lembro-me do dia em que recaí Andei na Mouraria e em Alfama à procura de traficantes. Nunca tinha comprado heroína em euros. Percorri vários quilómetros até encontrar quem me vendesse para injetar. Diziam-me que agora é tudo fumado”, recorda.  
 
Conseguiu, assim, adormecer os seus sentimentos. Voltou a sentir a dor de “uma doença incurável, progressiva e fatal”. Passava dias sem aparecer em casa. Trocou a mulher e os filhos pela heroína. A esposa conheceu um José “que era um bicho”. Quando há uma recaída” é pior ainda, sobretudo a nível da consciência”. É um peso difícil de suportar.” Tive amigos que se mataram para não voltarem a consumir.” José pediu novamente ajuda à CRETA, em 2012. “Estou a reerguer-me de novo, a tentar reconstruir os laços que destruí.” Vai uma vez por semana à clínica. Quer arranjar um trabalho. Diz que “a crise propicia as recaídas” e que as “pessoas que há 20 anos deixaram de usar heroína voltam quando veem a sua vida a desmoronar-se”.  
 
“Fiquei apenas com um colchão para dormir”  
Isabel Sorna, 37 anos, No Programa Terapêutico Lugar da Manhã  
 
Isabel Sorna tem 37 anos. Experimentou heroína aos 26. Até aí, tudo se proporcionou para ter uma vida digna. Esteve no exército e, quando saiu, arranjou trabalho. Casou e foi mãe três anos mais tarde. O marido consumia “drogas duras”. Perdeu a conta às vezes que lhe pediu que deixasse aquela vida. Ele não cedeu. Ela não resistiu.” Se é assim tão bom, dá-me que eu quero experimentar”, disse-lhe. Nunca mais parou. Gastavam pelo menos 50 euros por dia. Porque não havia mais. A casa ficou vazia. Venderam tudo o que tinham. “Fiquei apenas comum colchão para dormir.” Isso e uma dose eram o suficiente para sobreviver.  
 
Separou-se do marido e reencontrou o seu primeiro amor, “o dos 15 anos”. Engravidou. Consumiu metadona e heroína durante toda a gravidez. Afilha, agora com 10 anos, nasceu com 2,4 quilos. “Ficou nos cuidados intensivos durante 17 dias.” Nem isso a fez parar. Tentou vários tratamentos. “Saía e recaía no mesmo dia.”Esteve seis anos sem falar para a família. “Cheguei a roubá-los. Disseram-me que eu tinha morrido para eles. Fecharam-me as portas.”  
 
Isabel sempre firmou. Nunca injetou. Olha para o passado e dá graças por “nunca ter tido comportamentos de risco”, por não ter de lutar “contra hepatites ou VIH”, como tantas pessoas que conhece. Há 17 meses que se encontra em tratamento no Lugar da Manhã. Ou melhor, entrou em setembro de 2012. Saiu. Recaiu. Voltou há nove meses. Tenta agora “reconstruir os laços com a família”. Nunca tinha estado mais de um mês sem recair. “É uma vitória.” Na psicoterapia encontrou uma saída. “Não quero esta vida. Já chega. É tão bom acordar sem ressaca, sem dores no corpo…”  
 
A mãe, Maria Leonor, recorda o tempo em que a filha consumia: “Ela afastou-se da família e a família desligou-se dela.” Não havia outra saída. Viveram- se momentos “muito complicados”, que Maria tem dificuldade em falar. Em tribunal disputaram a guarda do filho mais velho de Isabel, agora com 15 anos, aos cuidados da avó. Todas as tentativas de a encaminhar para os tratamentos  
fracassaram. A mãe achou que a filha teria “de bater no fundo” para encontrar o seu caminho. “Chegou a pesar 40 quilos. Custou-me muito vê-la assim. Mas sei que fiz o melhor que consegui”, recorda.  
 
A determinada altura, Maria Leonor achou que Isabel ia morrer. “Comecei a preparar-me para isso.” Recorda ter visto a filha “caída no chão.” Lembra-se de estar deitada a pensar “onde é que ela estaria, se tinha frio, se estava bem”. Neste momento, sabe que Isabel “está protegida”. Isso conforta-a. Mas teme pelo amanhã. “Quando sair da clínica, terá de arranjar um emprego, uma casa, cuidar da filha [que ficou aos cuidados dos avós paternos]. Quando ela sair… é outra fase.”  
 
O vício que devora homens e mulheres destrói famílias. “Não perder a esperança” é essencial, diz o psicólogo Carlos Fugas, diretor clínico do Lugar da Manhã. O psicoterapeuta aconselha as famílias “a não desistirem deles, evitando soluções radicais que afastem o adicto dos seus vínculos familiares e acentuem o processo de marginalização, como pô-lo na rua ou cortar pontes de ligação”. Quem vive de perto o drama da maldita depara-se com um grande sentimento de impotência. “Devem encaminhá-los para estruturas de tratamento e encontrar mediadores que possam reaproximar a pessoa que recaiu da sua família.”  
 
Levada pelo amor, cedeu “à tentação”  
Ana Moreira, 54 anos, No Programa Terapêutico Lugar da Manhã  
 
Ana Moreira, 54 anos, dependente da heroína há 33. Está “limpa” há um. Primeiro veio a substituição. Entrou no Lugar da Manhã “viciada em metadona”, a tomar 125 miligramas por dia. Demorou seis meses a deixar. Conseguiu. E orgulha-se disso. “Tomo apenas um comprimido para dormir”, diz, ao DN. Para ela, “esta terapia [psicoterapia] faz todo o sentido e mais vale tarde do que nunca.” Tem uma história em tudo semelhante à de Isabel. Estudou e trabalhou até aos 22 anos.  
 
Problemas familiares, que prefere não recordar, fizeram-na sair de casa. Pediu, inclusive, um crédito para comprar uma casa. “Conheci o amor da minha vida.” E tudo se desmoronou. “Ele era toxicodependente, mas uma pessoa muito interessante. E eu cedi ã tentação.” Desde essa altura que Ana ficou dependente da heroína. Mais tarde, começou também a consumir cocaína. O consumo alternado das duas substâncias é bastante comum. O psiquiatra Rui Moreira explica porquê:”  
 
Como a heroína é depressora do sistema nervoso central, eles ficam a ‘bezerrar’ e muitas vezes alternam com a cocaína, que é um excitante. Uma deprime, a outra ativa.” Há, ainda, o speedball ou cocktail, uma preparação que junta as duas substâncias. Ana tem problemas em lidar com a rotina. “Incomoda-me. Estava a trabalhar numa loja, até gostava de lá estar, mas não tinha largado a metadona e com isso vieram outras coisas”, relembra.  
 
As últimas três décadas da sua vida foram vividas entre consumos, ressacas, programas de recuperação, recaídas.’ A família acreditou, por diversas vezes, e eu falhei sempre.” Espera que esta terapia funcione. O diretor clínico do Lugar da Manhã, Carlos Fugas, explica que o programa de tratamento que ali se faz “é baseado na psicoterapia, numa mudança interior e não exterior, como em muitos outros programas”. A população que por ali passa “quer conhecer-se melhor e viver de forma mais tolerante, sem stress e sem drogas”. Isto porque “a maior parte das recaídas dão-se por incapacidade de baixar os níveis de stress internos. A devoção às drogas aparece justamente para os diminuir”.  
 
“Trabalhava a consumir ou ressacava em casa”  
António, 43 anos, Na clínica de recuperação RAN  
 
António começou a beber aos 14 anos em festas de aniversário, depois aos fins de semana, até que passou a fazê-lo diariamente. Do álcool passou para os fármacos. Destes para o haxixe. E depois para a heroína. “Devia ter uns 18 ou 19 anos.” Tomou-se dependente. “Parei os consumos durante alguns tempos, tive períodos de abstinência, mas acabava sempre por consumir. O problema está lá.”  
 
Pouco tempo depois, a família encontrou-o em casa a consumir. Aí parou. Mas não por muito tempo. É natural de Lamego e em 1998 foi morar para Braga. “Fiz aquilo a que se chama ‘geográfica’, isto é, mudei de cidade. Também tentei internamentos em psiquiatria”, conta. Nada resultava. Arranjou trabalho como funcionário público, que ainda mantém. “Ou trabalhava a consumir ou ficava em casa a ressacar.” Dores físicas insuportáveis, “sintomas gripais, músculos presos – é muito doloroso”.  
 
A família achou que tinha deixado de consumir, tendo descoberto apenas em 2010 que a heroína continuava a consumir-lhe a vida. Nesse ano foi internado para o programa dos 12 passos, mas abandonou. A esposa viveu de perto todo o drama, assistiu à sua destruição. “E cansou-se. Estamos em processo de divórcio.” Aos 43 anos, António enfrenta um novo tratamento na clínica RAN, em Vila Real, onde já esteve entre junho e novembro do ano passado. “Recaí três dias depois de sair.” Os pais “questionam-se e cada vez têm menos confiança”, mas “têm apoiado sempre”.  
 
Estipulou uma dose para se matar. Faltou a coragem  
Maria, 50 anos, Associação Dianova – Comunidade Terapêutica Quinta das Lapas  
 
O primeiro tratamento de Maria, nome que escolheu para esta reportagem, foi feito em Espanha. Ao fim de dez anos de estabilidade emocional e laboral, houve uma reviravolta na sua vida. Esteve cinco anos na mesma empresa, mas foi dispensada “em troca de mão-de-obra indiferenciada e mais barata”. Viveu numa luta incansável por encontrar um emprego estável. Não conseguiu.  
Endividou-se para tentar a sua sorte na Suíça. Não correu bem. Regressou a Portugal com mais um problema: dívidas.  
 
Sentia-se “anulada, triste e desencantada com a vida”. Os sentimentos intensificaram-se e desejou “pôr fim à vida”. ‘Achei que com uma dose de heroína seria a melhor forma.” Regressou aos sítios que já tinha esquecido, reencontrou pessoas que já nada tinham que ver consigo. Estipulou a dose que queria para se matar. “Faltou-me a coragem para aquele ritual que eu já havia esquecido, de preparar um ‘chuto’ e aplicá-lo em mim própria.  
 
Decidi que perdida por cem perdida por mil. Comecei a fumar heroína diariamente até estar de novo dependente.” Maria tentava esquecer a dor profunda que sentia, apagar todos os sentimentos negativos que a assolavam, pensando que não interessava a ninguém. “Erro meu, erro crasso esse, de achar que não tinha valor e que a minha existência era indiferente à minha família.  
 
“A cada ‘não’ aproximava-me mais da recaída”  
Marco, 25 anos, Associação Dianova – Comunidade Terapêutica Quinta das Lapas  
 
Depois de muitos anos de dependência da heroína, dos quais não quer falar, Marco decidiu mudar de vida e integrar um programa terapêutico. Esteve internado 18 meses. Quando saiu, teve de enfrentar a dura realidade do desemprego. “O atual contexto laboral não contribuiu de forma alguma para ser bem-sucedido na fase em que me encontrava.” Arriscou mudar de cidade após assinar um contrato de nove meses em hotelaria. O vínculo acabou e foi dispensado.  
 
“Agarrado à minha vontade de me manter em recuperação, fui procurando investir em formação para me valorizar.” A motivação foi desaparecendo. Não arranjava emprego. Não tinha forma de se sustentar. Arriscou ir para a Suíça com a namorada, mas não conseguiram trabalho. Regressou. Voltou à casa dos pais e à cidade onde cresceu e onde começou a tratar por tu a heroína. E continuou a procurar emprego. “A cada ‘não’ que recebia aproximava-me mais da recaída.”  
 
Até que chegou um dia em que não aguentou e, na companhia de velhos amigos, voltou a usar heroína. À falta de trabalho, juntou-se a culpa e a revolta por ter voltado a consumir. Após vários meses, percebeu que não era aquilo que queria para ele, para a namorada e para a família. E voltou à Dianova. “Será que é desta que vou conseguir? Quero muito acreditar que sim…”  
 
 
Recaídas estão a aumentar nos últimos três anos  
 
Regresso Número de utentes readmitidos passou de 1631, em 2010, para 2487, em 2012. Muitos voltam a consumir depois de mais de uma década.  
 
O número de utentes readmitidos em instituições da rede pública por consumo de heroína tem vindo a aumentar. Em 2010, entraram no serviço 1631 consumidores de heroína. No ano seguinte o número de recaídas baixou para 1518, mas em2012 subiu para 2487, de acordo com o relatório anual do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD). Ainda não existem dados referentes ao ano de 2013, contudo, a manter-se a tendência, deverá assistir-se a um novo aumento. A crise é uma das explicações para o fenómeno.  
 
João Goulão, presidente do SICAD, considera difícil estabelecer uma relação causa-efeito entre a crise e o aumento do número de utentes readmitidos devido ao consumo de heroína. “Não é possível dizer que a maioria recaiu porque se viu com dificuldades acrescidas na vida. Contudo, um número significativo de testemunhos nos centros que apontam para problemas relacionados com a crise e o desemprego”, diz. As pessoas com problemas de dependência “transportam fragilidades em resistir às frustrações e à fragilidade”. O consumo de heroína está associado ” à alienação, ao alívio total do sofrimento”.  
 
O diretor clínico do programa terapêutico Lugar da Manhã, Carlos Fugas, admite que nos consumidores de heroína haja maior potencial para a recaída, mas considera que isso não está relacionado com as características da própria droga: “A heroína é uma droga que marginaliza, bem como o crack, em ascensão em Portugal. Está estigmatizada e é diabolizada. Quando as pessoas se isolam, o risco de recaída é maior.” O psicólogo indica algumas situações que potenciam esse stresse, consequentemente, a recaída: “Situações de desapontamento nas relações amorosas, perda de emprego, bulling profissional, morte de familiares, etc.”  
 
A responsável pela área de prevenção e tratamento da Comunidade Terapêutica Quinta das Lapas, Cristina Lopes, diz que “os últimos dois anos, especialmente 2013, nos trouxeram pessoas que já tinham uma vida organizada e estruturada, que estavam há muitos anos limpas”. A técnica fala de “pessoas que iniciaram os consumos na adolescência, fizeram tratamento, estiveram abstinentes durante muitos anos e agora enfrentam uma recaída”. Muitas das pessoas que bateram à porta do centro “viram-se numa situação de desemprego, com dívidas, e as situações de angústia e desorganização emocional potenciam as recaídas”.  
 
O risco de recaída” é uma realidade”, no entanto “quanto mais tempo passa, mais protegidas ficam”. O processo de tratamento da Comunidade da Quinta das Lapas “integra um processo de reintegração, de retoma do mercado de trabalho ou da vida académica”. O facto de há quatro anos existir “colocação laboral era uma proteção face à recaída”. Atualmente, há uma “dificuldade acrescida em inseri-los no mercado de trabalho”.  
 
O presidente do SICAD conta que hoje se assiste a um fenómeno curioso: ‘Alguns antigos consumidores vão ao serviço antes de recair, pedem ajuda antes de voltarem a consumir.” Nos anos 1980 houve o período da epidemia transversal a toda a sociedade, foi uma época marcada pela heroína. No início deste século, “a tendência foi de diminuição do número de novos consumidores”. Paralelamente ao aumento do número de recaídas, verifica-se uma diminuição no número de novos utentes: 784 em 2010,696 em 2011 e 430 em 2012. A heroína “é reconhecida como a droga geradora da desorganização e do sofrimento, conduz a degradação e dependência”, afirma João Goulão.  
 
 
4 PERGUNTAS A…  
 
“Em situações de ‘stress’, ficam em risco”  
 
RUI MOREIRA,  
Psiquiatra, diretor clinico da clinica de recuperação RAN e presidente da Sociedade Portuguesa de Alcoologia  
 
No caso concreto da heroína, há maior potencial para a recaída?  
Claro que sim. A heroína é um opiáceo muito alterador dos comportamentos. O consumidor fica muito desestruturado. Há uma desorganização interna. Os tratamentos são muitos demorados. Quanto tiramos o opiáceo, é necessário que o sujeito veja que existem muitos benefícios na abstinência. É uma droga que atuano sistema nervoso central, dá muito prazer, particularmente no início. Depois, há o consumo para baixar o desprazer.  
 
As situações de stress potenciam as recaídas?  
Grande parte das pessoas começam a consumir heroína muito jovens e ficam como que paradas no tempo, mais imaturas, mais impulsivas, mais dependentes. Em situações de stress, essas pessoas ficam em risco, porque têm menos ferramentas para lidar com as adversidades.  
 
É uma droga que deixa marcas para a vida?  
A heroína atua nos circuitos neuronais responsáveis pelo planeamento da vida. Os ditos consumidores pesados, mesmo após tratamento, têm dificuldades em planear e executar. Por exemplo, quando uma pessoa quer comprar um automóvel, planeia, vê recursos, eventuais empréstimos, faz contas e só depois executa. Um consumidor de heroína fica com dificuldades em planear e executar nos parâmetros normais, mesmo após tratamento. Daí que as pessoas tenham necessidade de apoio ao longo do tempo. As recaídas são uma bomba também na família, que fica destroçada. Da mesma maneira que os indivíduos sofrem, também os familiares devem ser alvo de ajuda e apoio. E os serviços de saúde têm descurado essa área do apoio às famílias.  
 
Como presidente da Sociedade Portuguesa de Alcoologia, considera que o aumento do número de recaídas é um fenómeno que também se verifica no álcool?  
O fenómeno do álcool é mais grave, porque é legal e o seu consumo é bastante fácil. É uma substância que está muito à mão para apaziguar, como se costuma dizer. Em situações de crise, ansiedade e stress, é um medicamento ao qual muitas pessoas recorrem. Se num momento ajuda, na continuidade conduz a um problema muito grave. Este é o problema mais grave do nosso país, não é a toxicodependência. E os nossos governos têm descurado a gravidade da questão do alcoolismo. Agora agrava-se. É uma substância lícita e em situações adversas, como a que se vive no País, há um aumento no consumo de álcool.

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Discussão Pública | Plano Nacional para a Redução dos Comportamentos Aditivos e das Dependências (PNRCAD) 2013 – 2020

É posto hoje à discussão pública, até dia 30 do mês de setembro, o Plano Nacional para a Redução dos Comportamentos Aditivos e das Dependências (PNRCAD) 2013 – 2020.

Ler+ http://www.idt.pt/PT/Paginas/MontraIDT.aspx

 

Ler+ http://www.idt.pt/PT/Documents/MontraIDT/2013/PNRCAD_2013_2020.pdf 

Trata-se da primeira versão de um documento estratégico, elaborado no âmbito da Estrutura de Coordenação para os Problemas da Droga, das Toxicodependências e do Uso Nocivo do Álcool, que contou, para a sua elaboração, com um vasto número de serviços e entidades, públicas e privadas, bem como de técnicos de vários domínios do conhecimento que têm contribuído para o desenho da política na área dos comportamentos aditivos e das dependências.

Este documento terá uma vigência até 2020 e teve uma apreciação e aprovação prévias do Senhor Secretário de Estado Adjunto do Ministro da Saúde.

O PNRCAD será operacionalizado através de dois Planos de Ação quadrienais, sendo o primeiro, referente ao período 2013-2016, elaborado a partir deste momento.

O Plano Nacional terá uma avaliação intercalar em 2016, coincidente com o fim do primeiro Plano de Ação, e uma no final do período da sua vigência.

É importante e desejável a participação de setores ainda não auscultados, bem como de cidadãos cujo contributo possa melhorar e adequar o desenvolvimento de estratégias que pretendem dar resposta a problemáticas ligadas aos comportamentos aditivos e às dependências.

Os comentários e sugestões devem ser remetidos para o seguinte endereço de correio eletrónico:

e-mail: planonacional.dependencias@sicad.min-saude.pt 

SGS confirma Manutenção da Certificação da Qualidade da Comunidade Terapêutica Quinta das Lapas

Pioneira em Portugal na implementação do Sistema de Gestão da Qualidade ISO 9001:2008 e na respectiva obtenção de Certificação pela SGS desde 2005, chancela de garantia da excelência de serviço na área da saúde alcançada e reiterada anualmente através de auditorias de fiscalização por uma entidade externa idónea a nível nacional e internacional (SGS), a Comunidade Terapêutica Quinta das Lapas, localizada em Monte Redondo – Torres Vedras, acaba de receber a confirmação por parte da SGS da Manutenção da Certificação do seu Sistema de Gestão da Qualidade ISO 9001:2008.

É de salientar que nos dois últimos anos consecutivos a CTQL mantém os alcançados 100% a nível da Satisfação de Cliente e de Recomendação do Serviço, dimensões críticas da positiva percepção pública e privada da excelência do serviço prestado, com programas residenciais de curta e longa duração para tratamento das toxicodependências lícitas (álcool) e ilícitas, com uma Equipa Multi e Interdisciplinar 24×7 (composta por Psiquiatra, Médico de Clínica Geral, Psicopedagogo, Psicólogos, Educadores Sociais, Técnico de Reinserção Social, Animadores Socioculturais, Monitores, Assessor Jurídico, Vigilantes e Pessoal Auxiliar).

Obrigado a todos os Clientes-Utentes e suas Famílias, bem como ao Sistema de Saúde nacional (com o qual mantém relações de proximidade e de respectivo licenciamento) pelo voto de confiança depositado na Comunidade Terapêutica Quinta das Lapas!