326 mil pessoas procuram emprego há mais de um ano

A taxa de desemprego manteve-se nos 10,6 por cento no segundo trimestre de 2010 e o número de desempregados até se reduziu ligeiramente face ao trimestre anterior, mas a economia portuguesa continua a ter sérias dificuldades em criar postos de trabalho para colocar os mais de 590 mil desempregados.

Os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), ontem divulgados, dão conta de uma realidade preocupante – mais de metade destes desempregados procura trabalho há mais de um ano e dificilmente conseguirá encontrar. É que uma parte significativa dos desempregados de longa duração tem baixas qualificações e mais de 44 anos de idade, um perfil que está completamente fora das exigências das empresas na hora de contratar.

A situação torna-se mais grave numa altura em que o Governo decidiu retirar alguns dos apoios extraordinários dados aos desempregados – como o prolongamento por seis meses do subsídio social de desemprego – e alterar as condições de atribuição dos apoios sociais. No segundo trimestre de 2010, e de acordo com o INE, 326 mil desempregados estavam nessa situação há mais de um ano (e entre estes 54 por cento procuravam trabalho há mais de dois anos). Trata-se de um aumento de 38,7 por cento face ao segundo trimestre de 2009.

Este elevado número de desempregados há mais de um ano representa já 55,3 por cento do total de desempregados, colocando a taxa de desemprego de longa duração no nível mais elevado de sempre: 5,8 por cento.

Pelo contrário, o desemprego de curta duração (há menos de 12 meses) recuou quatro por cento, sinal de que a entrada de novas pessoas no desemprego está a estancar, em contraste com os aumentos na ordem dos 50 por cento registados ao longo de todo o ano passado, quando a crise económica se estendeu ao mercado de trabalho, provocando um aumento dos despedimentos colectivos e do encerramento de empresas.

O próprio Governo admite que tem um grave problema entre mãos. Ontem, o secretário de Estado do Emprego, Valter Lemos, reconheceu que o desemprego de longa duração é a área “mais difícil” de recuperação do mercado de trabalho. “Temos nesse emprego de longa duração pessoas com baixa qualificação, em regra, e com idade já relativamente avançada e por isso, neste momento, essa é a zona de maior dificuldade”, disse o governante, acrescentando que “sem haver uma forte criação de emprego é muito difícil recolocar essas pessoas no mercado de trabalho”.

Ainda de acordo com os dados fornecidos ao PÚBLICO pelo INE, 74 por cento dos desempregados de longa duração não foram além do ensino básico (no total do desemprego essa proporção é de 73 por cento) e 37 por cento têm mais de 44 anos de idade (no total de desempregados a proporção é de 30 por cento). Público

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Governo destaca menos desemprego entre os jovens

O secretário de Estado Valter Lemos reagiu em nome do Governo aos números do INE sobre o desemprego.

Na primeira reacção de um membro do Executivo, Valter Lemos classificou os números do INE como um “sinal de estagnação do crescimento do desemprego” em Portugal. “Mais importante”, classificou, foi a quebra de 14% no desemprego entre a população jovem, “a maior descida desde há muitos anos”.

O relatório do INE hoje divulgado deu conta de uma taxa de desemprego de 10,6% em Portugal no segundo trimestre, um número idêntico ao verificado nos primeiros três meses do ano. Diário Económico

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Número de desempregados sobe 15% em Lisboa

O número de desempregados inscritos nos centros de emprego subiu 15 por cento em Lisboa e sete por cento no Porto, no mês de Junho.

Segundo os dados do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP), as duas principais cidades somavam em Junho 39.235 desempregados, de um total de 531.248 registados em Portugal continental.

O concelho de Vila Nova de Gaia continua a ser a área com maior número de desempregados. Em Junho, o número de pessoas inscritas nos centros de emprego subiu 16 por cento para 27.605.

Sintra (18.762), Guimarães (12.638) e Gondomar (12.240) são outros concelhos com maior índice de desemprego. Correio Manhã

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A crise já deixou de ser sentida apenas pelos que perderam o emprego

Neste ano e no próximo, ao contrário de 2009, Portugal vai ter uma inflação positiva, taxas de juro a subir e uma contenção salarial generalizada

Depois de criar milhares de novos desempregados, a crise está a chegar a quem conseguiu manter os seus empregos. A seguir a um ano de 2009 em que, apesar da forte contracção da economia e do emprego, os salários reais continuaram, em média, a subir e as taxas de juro estiveram em trajectória descendente, os portugueses vão passar, durante este ano e o próximo, por um período de contenção salarial, quebra do rendimento disponível e redução do consumo. A austeridade alarga-se à generalidade das famílias portuguesas e por isso, em 2011, a economia volta a abrandar, podendo mesmo cair de novo em recessão.

O cenário sombrio foi traçado ontem pelo Banco de Portugal no seu boletim económico de Verão. A instituição, agora liderada por Carlos Costa, até reconhece os resultados melhores que o esperado que se registaram no primeiro semestre deste ano, revendo em alta a sua estimativa de crescimento económico para 2010 de 0,4 para 0,9%.

No entanto, afirma logo a seguir que “o dinamismo da procura interna observado na primeira metade de 2010 não se deverá revelar sustentável”, concluindo que deverá acontecer “uma forte desaceleração da economia portuguesa já a partir do segundo semestre de 2010 e que se acentuará em 2011”. Para o próximo ano, o banco prevê agora um crescimento de apenas 0,2% (contra os 0,8% que antecipava em Março) e afirma que existe uma probabilidade superior a 50 por cento de o país reentrar mesmo em recessão.

O problema está principalmente naquilo que irá acontecer ao rendimento das famílias. É que depois de terem visto, em 2009, o seu rendimento disponível crescer em média, em termos reais, 1,9%, os portugueses vão ter de enfrentar, neste ano e no próximo, uma deterioração clara da sua situação financeira. Não só a inflação vai voltar a valores positivos (com uma ajuda do IVA de 0,4 pontos), como os salários vão crescer muito menos e as taxas de juro vão regressar a uma trajectória ascendente.

O rendimento disponível real deverá cair 1,3% em 2010 e 0,8% em 2011. A consequência óbvia é que haverá, mesmo para quem consegue manter o seu emprego, menos dinheiro para gastar. E o impacto no consumo das famílias é quase imediato. Este ano, o consumo privado ainda cresce a uma taxa de 1,3% mas, em 2011, a quebra projectada é de 0,9%. Público

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Portugal com 600 mil desempregados

A taxa de desemprego voltou a subir em Maio em Portugal, contrariando a tendência de redução patente entre os países membros da Organização para a Cooperação e do Desenvolvimento Económico (OCDE).

Segundo o relatório divulgado ontem, Portugal tinha, em Maio, uma taxa de desemprego de 10,9%, uma décima de ponto percentual acima do apurado para Abril. No conjunto dos países que integram a OCDE, aconteceu o contrário – uma quebra de 0,1% face aos 8,7% que tinha sido registados em Abril.

A organização estima que existiam, em Maio passado, 600 mil pessoas sem trabalho em Portugal, o que compara com os 560 mil desempregados reconhecido no início do ano.

No ranking da OCDE, os números de Portugal só são superados pela Irlanda (13,3%), pela Eslováquia (14,8%) e pela Espanha. O país vizinho viu a taxa crescer para 19,9%, o que equivale a 4,547 milhões de desempregados. Este valor absoluto é apenas superado, dentro da organização, pelos Estados Unidos, com quase 15 milhões de desempregados.

No conjunto da OCDE há 45 milhões de desempregados, segundo os dados que ontem foram revelados em Paris. Público

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Portugal perdeu 170 mil empregos

Criação de postos de trabalho tem que crescer 4% até ao final de 2011 para regressar a níveis do último trimestre de 2007.

Portugal precisa de 170 mil novos empregos para anular os efeitos da crise no mercado de trabalho. Segundo o relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) ontem divulgado, o emprego terá que crescer 4% em Portugal até ao final de 2011 para regressar a níveis do último trimestre de 2007. Para atingir o mesmo objectivo na União Europeia, o emprego terá que acelerar 2,7% e 3,1% na Zona Euro. No conjunto dos países da OCDE será necessário criar nada menos de 17,8 milhões de postos de trabalho, 4,6 milhões dos quais na UE.

Dos 31 países da OCDE, é a Irlanda que necessita fazer o maior esforço de criação de emprego (19,8%), seguida de Espanha (10,7%) e Grécia (7,1%). A Islândia surge em quarto lugar, tendo que subir o emprego em 7%, seguida dos EUA (5,5%), Dinamarca (4,7%), Suécia (4,2%) e só depois Portugal.

Os autores do relatório “Perspectivas de Emprego 2010” constatam que a recessão foi apenas um dos factores para a degradação do mercado de trabalho nos países da OCDE. Diário Notícias

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CGTP tem em marcha “Dia Nacional de Protesto e Luta”

A CGTP-IN decretou para esta quinta-feira o “Dia Nacional de Protesto e Luta”, que será assinalado com manifestações e greves por todo o país. Em causa, o aumento do desemprego, a precariedade, e os cortes nas políticas sociais e salários. Muitas das federações da central sindical emitiram pré-avisos de greve, caso dos trabalhadores dos correios e telecomunicações, do sector ferroviário e dos trabalhadores da administração local.

Manuel Carvalho da Silva, secretário-geral da CGTP-IN, acredita que os protestos, que deverão reunir “milhares de trabalhadores por todo o país, vão criar “dinâmicas de atenção na sociedade e motivar o diálogo por parte do Governo”.

“Vamos ter manifestações por todo o país, de grande dimensão, começando às 10h00 com duas grandes manifestações: uma em Viana do Castelo e outra em Setúbal e depois na parte da tarde em Lisboa e noutros distritos”, acrescentou o secretário-geral da Intersindical.

A manifestação em Lisboa, que terminara em São Bento, junto à residência oficial do primeiro-ministro, conta com a presença de Carvalho da Silva. Durante a manha, o secretário-geral da central sindical participa na manifestação que decorre em Viana do Castelo.

“A nossa preocupação é continuar uma linha que coloque na sociedade, três grandes preocupações: uma é a denúncia de injustiça e da incoerência das políticas que têm sido seguidas; a segunda é manifestar perante isso o protesto e a indignação das pessoas, combater o amorfismo e a indiferença, e evitar que sectores da sociedade caiam numa situação de ruptura e também de radicalismo”, frisou Carvalho da Silva

“E terceiro lugar vamos avançar com propostas alternativas, forçando a sociedade à discussão de caminhos futuros. Vamos ter muitos milhares de trabalhadores por todo o país”, rematou o líder sindical. RTP

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