Famílias cortam na comida e nos medicamentos devido à crise

Apesar destas reduções no orçamento, as famílias continuam a aguentar bens mais supérfluos, como telemóveis ou televisão por cabo.
Em tempo de crise é nas despesas de supermercado e de farmácia que os portugueses mais cortam. Só nos primeiros cinco meses do ano, a associação de defesa do consumidor Deco foi contactada 5500 famílias em situação de sobreendividamento.

Mas, apesar destas reduções no orçamento, as famílias continuam a aguentar bens mais supérfluos, como telemóveis ou televisão por cabo, tentando manter a aparência do mesmo estilo de vida.

“Na alimentação começam a optar por alimentos de marca branca e deixam de comprar alguns produtos mais caros”, explicou à Lusa Natália Nunes, responsável da Deco pelo apoio ao sobreendividamento,.

Confrontadas com menos dinheiro, as famílias cortam também nos medicamentos, deixando mesmo de adquirir remédios necessários e prescritos pelo médico.”Nem substituem os medicamentos.Pura e simplesmente deixam de os comprar”, frisa.

Já em serviços de telecomunicações e multimédia, as despesas tendem a manter-se. “Aparentemente, cortar na alimentação e nos medicamentos é mais fácil para as famílias, que tentam manter a mesma aparência de estilo de vida”, indica Natália Nunes.

Outro exemplo é a “grande resistência” em vender os automóveis: “Há quase sempre a tentativa de manter o mesmo tipo de vida”. Renascença

Novo governador pede moderação salarial e mais poupança

Para o novo governador, Portugal terá de baixar salários para ser competitivo, os portugueses terão de poupar mais e os bancos devem estar preparados para ser alvo de mais regulação – tudo para atrair mais poupança e reduzir o endividamento externo. “A combinação do agravamento das necessidades de financiamento externo de alguns estados- -membros do euro com a maior atenção dos mercados financeiros e o agravamento da restrição da oferta de financiamento externo constitui hoje o maior desafio com que se depara a área do euro e em particular a economia portuguesa”, afirmou Carlos Costa.

Portugal é um dos países mais visados pela desconfiança dos mercados e pelo menos no último mês tem sido o Banco Central Europeu a assegurar a maior parte do financiamento aos bancos portugueses, levando a alertas sérios sobre a sustentabilidade da economia por gestores da banca, como Fernando Ulrich, do BPI. Ontem, à margem da tomada de posse, o presidente da Associação Portuguesa de Bancos, António de Sousa (ex–governador), admitiu ser “impossível dizer” quando terminarão os problemas de liquidez nos mercados interbancários – problemas que já estão a tornar o crédito mais escasso e caro para a economia portuguesa.

Mais poupança, menos salário Este reforço da confiança é um dos caminhos para uma das armas contra o endividamento: a poupança. O consumo terá de ser o grande sacrificado, já que Carlos Costa, na linha de Vítor Constâncio, defende o ajustamento dos salários para ajudar a repor a competitividade das exportações – os portugueses interiorizaram mais depressa os benefícios do euro (juros e inflação baixos) que o preço imposto (salários contidos aos ganhos de produtividade), indicou o novo governador. Jornal I

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Portugal terá de apertar mais o cinto depois de 2011

Portugal terá de aprofundar ainda mais a dieta orçamental depois de 2011, alertou ontem Jean-Claude Juncker, presidente do Eurogrupo. Também o comissário europeu dos assuntos económicos, Olli Rehn, pediu ontem que se trabalhe em medidas adicionais para alcançar os objectivos para lá de 2011″, frisando a importância das reformas na área do trabalho. Estes são os primeiros avisos europeus desde o anúncio conjunto em Maio por José Sócrates e Pedro Passos Coelho do pacote de austeridade com medidas para reduzir o défice, o mais duro da democracia portuguesa – e surge no mesmo dia em que a Alemanha, a maior economia do euro, apresentou um plano de dieta financeira mais rigoroso desde o pós-guerra.

A mudança de tom da Europa acompanha as preocupações com a instabilidade nos mercados cambiais e de dívida (ver página 25), agravadas com a crise húngara. Ontem de manhã, o novo governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, admitia que as medidas de austeridade até agora tomadas pelo governo estavam de acordo “com as expectativas da União Europeia”, mas que estas “são em função daquilo que pensam os mercados”.

A dúvida sobre se serão precisas mais medidas em Portugal pairou na semana passada. Depois de Teixeira dos Santos ter deixado escapar um “esperemos que não seja necessário”, a propósito de um aperto adicional do cinto, foi a vez de José Sócrates indicar que o “aumento de impostos é suficiente para os objectivos orçamentais” até 2011. O plano até agora apresentado inclui subidas no IVA, IRS e IRC, assim como cortes nos benefícios sociais e no investimento público.  Jornal I

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Resposta à crise não é acabar com o SNS

Ministra defende cuidados públicos e acusa quem invoca a “livre escolha”

“Escondidos” atrás “de um conceito vago de livre escolha, com o Estado a pagar, concentram-se os que querem acabar com o acesso universal aos cuidados de saúde”. As palavras são de Ana Jorge, que receita como resposta uma gestão mais eficaz do SNS.

A ministra da Saúde fez ontem a sua mais empenhada defesa do Serviço Nacional de Saúde(SNS) desde que ocupa a pasta. Num simpósio sobre a relação entre a sustentabilidade do sistema de saúde e a segurança dos cuidados neste prestados, Ana Jorge classificou a universalidade deste serviço público como “uma das marcas de sucesso da democracia portuguesa”.

A ministra acusou mesmo “quem ache que os problemas do país se resolvem pondo em causa o serviço público de saúde de não compreender o alcance do SNS enquanto instrumento poderoso de coesão social”. Argumentando ainda sobre o panorama de crise, Ana Jorge repetiu o que já antes defendera: “Nestes tempos difíceis, a resposta não é desmantelar o SNS”. Jornal Notícias Online

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China: Mundo pode resvalar para uma segunda recessão

O Presidente chinês, Wen Jiabao, avisou hoje que o crescimento económico permanece vulnerável aos riscos de dívida soberana.

“Não é possível dizer com uma certeza absoluta, mas temos que observar a evolução dos mercados de perto e agir para preveni-la [uma segunda recessão mundial]”, afirmou Wen Jiabao, citado pela CNBC.

O Presidente da China disse ainda que é muito cedo para os países retirarem as medidas de estímulo às economias.

“Todos os países devem actuar juntos e reforçar as medidas de apoio à economia. Não pode haver a mínima descontracção”, defendeu. Economico Online

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Creches: até crianças vão pagar a crise

Nem as comparticipações às Instituições de Solidariedade Social escapam este ano à crise que o país vive. Os apoios a crianças, idosos ou deficientes até podiam cair, tendo em conta a actualização à taxa de inflação, mas afinal ficam congelados. Ou seja, o cenário até podia ser pior mas mesmo assim as creches e lares terão um aumento zero. Os dirigentes das IPSS preparam-se agora para assinar, dentro de dias, com o Ministério da Solidariedade Social, os termos do protocolo de cooperação para este ano. Agência Financeira

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De repente as empresas passaram a ser as salvadoras da pátria

“Em Novembro de 2000 a revista britânica The Economist dedicou a Portugal um extenso trabalho para apresentar ao mundo uma história de sucesso. “A economia está a crescer mais de 3,5 por cento ao ano. O desemprego está abaixo dos cinco por cento. Os padrões de vida aumentaram muito rapidamente”, lia-se. Sete anos depois, Portugal tinha perdido o fascínio e a revista lastimava “O novo doente da Europa”. O que tinha acontecido ao país vibrante de 2000?

Quando a euforia do gasto público e privado abrandou, a economia estagnou e o país empobreceu. O rendimento per capita passou de mais 80 por cento da média da União Europeia a 25 para 70 por cento. Portugal foi ultrapassado pela República Checa, Grécia, Malta e Eslovénia em termos de riqueza. Em 2003, já depois da entrada no euro, foi o primeiro país a violar o pacto de estabilidade e crescimento, que impõe limites para o défice e a dívida pública. O Governo de José Sócrates tentou responder a alguns desses problemas, aprovando um novo modelo de financiamento das pensões ou tentando travar o crescimento dos custos da função pública.

Mas as causas que limitam a capacidade de as empresas poderem ser mais concorrenciais não se alteraram. Apesar dos avisos, os custos laborais, empurrados pelo sector público ou pelas empresas que não se sujeitam à concorrência internacional, como a PT ou a EDP, continuaram a aumentar. As exportações permanecem abaixo dos 30 por cento do PIB, um valor muito reduzido para economias com a dimensão da portuguesa.

Nada será feito num estalar de dedos. O “ajustamento” do consumo e a redução dos gastos públicos serão “penosos e ainda se vão prolongar no tempo”, avisa o académico António Figueiredo. Desta vez, porém, não parece haver alternativa. Sem contenção nos gastos, sem que a subida dos salários seja compensada pelo aumento da produtividade, não há criação de riqueza. Os alemães sabem isso há muito. Os portugueses acabam de o aprender.”, Público

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