O consumo cai e o investimento mantém-se negativo. Portugal só sai da recessão em 2012, diz a Ernst & Young

A economia portuguesa só deverá sair da recessão em 2012, a confirmarem-se as previsões de Verão da Ernst & Young, a que o PÚBLICO teve acesso.

Apesar do “inesperado” crescimento de 1,1% registado no primeiro trimestre, avisa a consultora, esta dinâmica económica não irá manter-se no resto do ano nem no próximo, influenciada negativamente pela crise da dívida na zona euro e pelo programa de consolidação orçamental que o Governo colocou em curso.

O outlook para Portugal que a Ernst & Young hoje divulga aponta para um recuo de 1,1% do produto interno bruto (PIB) este ano, a que se seguirá uma recessão ainda mais profunda em 2011 (1,5%). O regresso a um cenário de crescimento só acontecerá em 2012, com a riqueza gerada em Portugal a conseguir um incremento de 1,1% face ao ano precedente.

Este quadro constitui um completo banho de água gelada face às previsões do Governo e do Banco de Portugal. No Plano de Estabilidade e Crescimento (PEC) que entregou em Bruxelas, o executivo aponta para um crescimento de 0,7% este ano e de 0,9% em 2011. Já o banco central é menos optimista, apontando para um ganho do PIB de 0,4% no ano em curso e de 0,8% no que vem.

Uma das ameaças que a Ernst salienta como entrave ao desenvolvimento do quadro macroeconómico é justamente o plano de austeridade que o Governo foi obrigado a implementar. A consultora refere que as medidas ao nível fiscal e social vão reduzir o rendimento disponível dos portugueses e, numa situação de desemprego a atingir o pico máximo de 11,8%, o consumo privado vai sofrer as naturais consequências. Público

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Presidente defende: façam férias no País

Turismo no estrangeiro agrava dívida externa.

“Aqueles que podem passar férias devem passá-las cá dentro”, defendeu o Presidente da República, Cavaco Silva, num discurso hoje em Albufeira, no qual disse que férias “cá dentro” ajudam a criar emprego e férias no estrangeiro significam “agravamento da dívida externa de Portugal”.
Fazer férias em Portugal, afirmou Cavaco Silva, segundo um excerto da intervenção divulgado pela TSF, “é uma ajuda preciosa para ultrapassar a situação difícil em que o País se encontra”, enquanto “turismo no estrangeiro significa importações de serviços e, consequentemente, agravamento da dívida externa de Portugal, que é um dos nossos maiores problemas.” PressTur

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De repente as empresas passaram a ser as salvadoras da pátria

“Em Novembro de 2000 a revista britânica The Economist dedicou a Portugal um extenso trabalho para apresentar ao mundo uma história de sucesso. “A economia está a crescer mais de 3,5 por cento ao ano. O desemprego está abaixo dos cinco por cento. Os padrões de vida aumentaram muito rapidamente”, lia-se. Sete anos depois, Portugal tinha perdido o fascínio e a revista lastimava “O novo doente da Europa”. O que tinha acontecido ao país vibrante de 2000?

Quando a euforia do gasto público e privado abrandou, a economia estagnou e o país empobreceu. O rendimento per capita passou de mais 80 por cento da média da União Europeia a 25 para 70 por cento. Portugal foi ultrapassado pela República Checa, Grécia, Malta e Eslovénia em termos de riqueza. Em 2003, já depois da entrada no euro, foi o primeiro país a violar o pacto de estabilidade e crescimento, que impõe limites para o défice e a dívida pública. O Governo de José Sócrates tentou responder a alguns desses problemas, aprovando um novo modelo de financiamento das pensões ou tentando travar o crescimento dos custos da função pública.

Mas as causas que limitam a capacidade de as empresas poderem ser mais concorrenciais não se alteraram. Apesar dos avisos, os custos laborais, empurrados pelo sector público ou pelas empresas que não se sujeitam à concorrência internacional, como a PT ou a EDP, continuaram a aumentar. As exportações permanecem abaixo dos 30 por cento do PIB, um valor muito reduzido para economias com a dimensão da portuguesa.

Nada será feito num estalar de dedos. O “ajustamento” do consumo e a redução dos gastos públicos serão “penosos e ainda se vão prolongar no tempo”, avisa o académico António Figueiredo. Desta vez, porém, não parece haver alternativa. Sem contenção nos gastos, sem que a subida dos salários seja compensada pelo aumento da produtividade, não há criação de riqueza. Os alemães sabem isso há muito. Os portugueses acabam de o aprender.”, Público

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