Prostitutas de rua pensam mais em suicídio

Estudo feito no Grande Porto será apresentado para a semana, na China, num congresso mundial sobre a matéria. O psicólogo Alexandre Teixeira está de partida para Pequim. Vai ao congresso da International Association for Suicide Prevention explicar que as prostitutas de rua pensam duas vezes mais em suicídio do que os jovens adultos. A comunicação resulta da tese de mestrado que defendeu, no ano passado, na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto.

Bateu as ruas do grande Porto, com técnicos de organizações que lidam com trabalhadoras do sexo, até já não haver portuguesas que com ele quisessem conversar. Metade das 52 entrevistadas conhecia alguém que já tentara o suicídio. Um quarto tinha familiares com histórias dessa natureza. Quase metade já o tentara também. À volta de 30 por cento já o tinham feito três ou mais vezes.

Não encontrou estudos semelhantes, apesar da sobreposição de factores de risco como o estigma, a violência familiar, a violência laboral, o uso de drogas, a doença mental. “Os que estudam suicídio pouco querem saber de prostituição; os que estudam prostituição pouco querem saber de suicídio”, nota. “As prostitutas de rua já estão no lugar mais baixo da hierarquia das mulheres, no lugar mais baixo da hierarquia das prostitutas. Estudar isto do suicídio é reforçar o estigma: além de prostitutas, ainda se matam.” Continuar a ler

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Violações em 2010 atingem número recorde de 424 casos registados

Os crimes de violação têm aumentado em Portugal, todos os anos, desde 2007. No ano passado, registaram-se 424, o valor mais elevado de sempre. Associados às violações estão, muitas vezes, os crimes de rapto, sequestro e tomada de reféns. Nos dois últimos anos, estes ilícitos ultrapassaram as cinco centenas anuais, acentuando-se assim um crescimento que se tem verificado na última década.

Os números relativos às violações, inscritos nas estatísticas do Ministério da Justiça, não contemplam os crimes sexuais de que são alvo os menores, mas, de acordo com fontes policiais contactadas, reflectem uma realidade criminal que começa a deixar de ser tabu. “Acreditamos que ainda há muita gente que, depois de violada, não apresenta queixa por vergonha. Há alguns anos, estimava-se que apenas uma em cada quatro vítimas se queixasse. Mas é um facto que nos últimos anos as participações têm aumentado, tal como aumentam os conhecimentos das vítimas, cada vez mais informadas acerca dos comportamentos a seguir após os crimes”, disse um investigador policial que solicitou o anonimato.

O mais recente caso de violação e posterior denúncia teve lugar na passada semana, em Lisboa. Uma turista italiana, que havia sido sequestrada na sexta-feira e que fora deixada em liberdade no final da tarde de domingo, conseguiu denunciar o caso à PSP. Os exames médicos a que foi submetida no Instituto Medicina Legal de Lisboa provaram a existência da violação e de agressões, mas, por circunstâncias ainda desconhecidas, o juiz de instrução criminal ao qual foi presente o suspeito, já na segunda-feira, não determinou a prisão preventiva. Esta medida de coacção, a mais grave do conjunto das cinco que podem ser aplicadas, não terá sido escolhida pelo facto de não ter sido considerada a existência de continuação da prática dos crimes, o perigo de fuga e a destruição de provas (interferência na investigação). Continuar a ler