EUA: Design colaborativo procura soluções para adolescentes sem-abrigo

shutterstock_5090809

 

É uma história ainda por encerrar, mas que começa a dar frutos. Entre eles, a mobilização, a troca de ideias de estudantes de Design e Arquitectura, adolescentes sem-abrigo que dormem nas ruas de Portland, no Estado de Oregon, e uma fundação que lhes prestam auxílio. O design colaborativo e interventivo quer impactar a comunidade de Portland, envolvendo-a e procurando soluções “inovadoras” para permitir que os sem-abrigo tenham uma melhor qualidade de vida, conta-nos Jody Turner, num artigo publicado na Stanford Social Innovation Review.

As razões para um adolescente abandonar a casa para ir morar para rua são várias. Entre elas, uma das mais comuns é o sentimento de se ser um outsider.

Recentemente, a fundação Outside In (a operar na área da saúde, junto dos sem-abrigo) juntou-se à Portland State University (PSU) para “repensar o alojamento para os sem-abrigo adolescentes”. Ou seja, pensar em soluções como sistemas sociais, a partir de um quadro do design interventivo e colaborativo, saídas de conversas entre designers desta universidade, dos próprios adolescentes em situação de sem-abrigo e de quem os auxilia no terreno.

Este assunto não é propriamente novo ou estranho a Sergio Palleroni, arquitecto e professor no Institute For Sustainable Solutions, da PSU, activista social e ambiental, empenhado em encontrar soluções de design para a comunidade. Palleroni esteve envolvido na exposição “Design With the Other 90%: CITIES”, que propõe 60 soluções urbanas para cidadãos a viverem em instalações temporárias em todo mundo – foi o “ponto de apoio”, concebendo conteúdos para a exposição e ajudando os estudantes a desenvolver as suas próprias soluções.

E foi precisamente esta exposição que serviu de inspiração e de ignição para o arranque do projecto Portland Teen Homeless.

 

Nove soluções, rumo à conexão e segurança dos sem-abrigo

Com Teddy Cruz, Palleroni ajudou os seus alunos do Mestrado de Architecture Design a definirem nove soluções “sólidas e bem ponderadas” dirigidas aos sem-abrigo adolescentes da cidade de Portland.

Cada proposta teve como princípio encarar o abrigo como um “’organismo’ que conecta os adolescentes com as suas ‘famílias de rua’ ou as tribos sociais de apoio”. Segundo esta lógica, o foco deveria estar, portanto, na criação de “estabilidade para a juventude sem-abrigo que se sente desconfortável com a sociedade” e na melhoria da “comunicação com uma sociedade desconfortável com os sem-abrigo”, lembra Jody Turner no artigo que publicou ontem na Stanford Social Innovation Review. Artigo no qual destaca este projecto como paradigma de uma “mudança no design rumo à colaboração”. “Uma tendência” que a fundadora da Culture Of Future, uma consultora de estratégia de marca e mercado, diz começar “a emergir dentro das empresas, entre os empreendedores e nos currículos das escolas de Design”.

 

Convite à participação da comunidade de Portland

As maquetes resultantes destas propostas pretendem apresentar os abrigos como sistemas sociais projectados para “conectar adolescentes física e emocionalmente, literal e figurativamente, através de ‘espaços abertos’ e pontos de intersecção onde estes se possam reunir e sentir-se seguros”.

Na próxima etapa do processo, os estudantes vão obter o feedback da comunidade de Portland acerca das suas propostas.

Sergio Palleroni afirmou, na primeira apresentação pública das nove sugestões dos seus mestrandos da PSU, que o grupo que está a desenvolver este projecto planeia “continuar este processo público de design durante este ano com brainstormings abertos ao público e workshops”. Depois deste estímulo público, “o nosso objectivo é ver algumas das melhores ideias generalizadas em estúdio e fora dele”, afirmou o professor-activista.

 

Anúncios

Como “desafiar a angariação de fundos tradicional”?

shutterstock_28318237

“As organizações sem fins lucrativos têm que se adaptar às dinâmicas em mudança” no terceiro sector, se querem ser “bem-sucedidas”, e essa adaptação passa por uma “transformação” no ramo da angariação de fundos, defende Jim Coe, num artigo de opinião no jornal britânico The Guardian. No mesmo diário, Nicolle Wilkinson, gestora na NESTA, explica, recorrendo a exemplos de projectos em marcha, como se pode “desafiar a angariação tradicional” com a ajuda de um fundo de inovação.

Segundo um relatório recente da Charities Aid Foundation, o terceiro sector enfrenta vários desafios. Um dos mais prementes é responder às quebras de receitas através da angariação de fundos. Uma das potenciais explicações para este estado da arte é que “na prática, a integração da campanha e do marketing é alvo de uma fraca estratégia, sendo mal implementada”, na opinião de Jim Coe, comentador versado em Campanhas e Mudança Social e Política, que em Dezembro de 2012 assinou, no The Guardian, o artigo As Tendências sociais, tecnológicas e políticas estão a transformar a Angariação de Fundos.

Nicolle Wilkinson, gestora de desenvolvimento em “Innovation in Giving” na NESTA, por sua vez, inicia o seu artigo As Instituições de Solidariedade Social de topo estão a descobrir formas inovadoras de Angariação de Fundos com perguntas. “Como podem [estas organizações] atrair novos doadores, manter o envolvimento dos actuais doadores e obter doações mais regulares?”. “Desafiando a angariação de fundos tradicional”, responde. O ponto de chegada das campanhas, esse, mantém-se intacto, de acordo com Wilkinson: “envolver mais pessoas” [e incitá-las] a contribuírem com o seu tempo, as suas competências, com dinheiro e recursos “com o objectivo final de escalar o seu impacto de beneficência.

 

Envelhecimento activo: Jardinar em troca de uma doação para a Age UK

Neste contexto, Wilkinson cita dez exemplos de instituições que estão a levar a cabo projectos de “inovação social”, com o apoio de um fundo da NESTA e do “cabinet office” do governo britânico.

Entre elas está a Age UK, que se aliou à plataforma de partilha Ecomodo para desenvolver uma nova plataforma de doação, com vista a responder a dois desafios: captar novos contribuintes para apoiar os seus serviços e encorajar as pessoas acima dos 50 anos a envolverem-se na prática da angariação de fundos. Uma prática possível: um jardineiro reformado pode oferecer algumas horas de serviços de jardinagem em troca de uma doação à Age UK pelo dono do jardim.

Também o “The Big Family Day Off”, projecto da National Trust, está a ser co-financiado pela NESTA e pelo governo britânico, como forma de dar resposta à já diagnosticada relutância dos britânicos em dispensarem o “tempo precioso da família” para o voluntariado. Em que é que consiste este “Grande Dia”? Os empregadores que aderirem a esta iniciativa dispensarão os seus empregados um dia por ano para fazerem voluntariado com a sua família num projecto de solidariedade social local. “Além de ajudar a instituição, e potencialmente outras, esta [acção] dá a oportunidade às famílias de passarem mais tempo de qualidade juntos e adquirirem novas competências”.

 

O poder de “adaptação” de novos movimentos sociais

“Várias ONGs estão atentas às tendências, algumas estão a trabalhar efectivamente com novos movimentos” e novos procedimentos, estando já a “operar segundo modelos mais adaptáveis”, defende Jim Coe, num artigo em que não poupa este tipo de organizações.

Por outro lado, o comentador cita, neste contexto, novas formas de comunicar e de promover campanhas, através de movimentos sociais ou plataformas onlineUK Uncut, Change.org e MoveYourMoney – que estão a “introduzir mudanças fundamentais no ‘quadro completo’ das campanhas, trazendo consigo desafios, mas também oportunidades”. Outro exemplo mencionado é o do movimento Occupy, que, segundo o autor, “opera de uma maneira diferente e mais convincente: pessoas à procura de soluções nas suas próprias mãos”.

O autor defende ainda uma atenção redobrada aos social media, que “oferecem possibilidades de respostas radicalmente diferentes, e formas de trabalhar mais rápidas e mais descentralizadas”. Entre outras virtudes destes novos meios estão, para Coe, a amplificação na difusão de ideias e a possibilidade de fazer novas conexões, que antes não eram comuns.

A fechar o artigo, é reforçada a ideia de que mantém-se “uma necessidade primordial” para o sector das ONGs: adaptar-se a novos modelos que permitam uma eficácia maior da campanha a nível interno e ligar-se mais efectivamente a novos movimentos [responsáveis por novas] campanhas”.

Terceiro Sector | 5 tendências tecnológicas para 2013

technology

 

Mark Tobias, presidente da Pantheon – empresa especializada em tecnologia, com conhecimentos profundos nas áreas da saúde, da educação e do impacto social –, destaca, num artigo para a Stanford Social Innovation Review, dez tendências tecnológicas para 2013. As organizações sem fins lucrativos, alega Tobias, devem considerá-las, quando estiverem a desenvolver a sua estratégia tecnológica para o ano que se aproxima. Mas, defende, “é importante distinguir o que está na moda do que é verdadeiramente útil”. A Dianova dá, nesta peça, “voz” a cinco das dez tendências alistadas.

 

Avaliação e transparência: O que é medido, pode ser melhorado. O relatório “2012 NCQA ‘State Of Health Care Quality” revela que quanto mais as pessoas conhecem a qualidade do sistema de saúde, mais poder têm para fazer escolhas informadas e apoiar os sistemas que funcionam.

As organizações sem fins lucrativos não devem apenas  registar os dados sobre o seu próprio desempenho para reflectir internamente. Partilhar esses dados com quem recorre aos seus serviços pode afectar positivamente as suas áreas de trabalho.

 

Dispor de dados para responder a dúvidas mais urgentes: Pensem além do vosso painel de web analytics. Em vez disso, respondam à pergunta ‘quais são as questões centrais a que a nossa organização quer responder?’. Um exemplo: O Google queria saber se os gestores faziam realmente a diferença e utilizou “métricas” para concluir que, de facto, faziam. A partir daí, a empresa decidiu investir em procurar saber o que faz um bom gestor.

Uma investigação revela que as organizações sem fins lucrativos recolhem toneladas de dados, mas que não estão a utilizá-los. Na próxima reunião de equipa, concluam as discussões sobre como fazer aumentar a retenção de membros, que palavra usar no e-mail de angariação de fundos, e qual a melhor altura para fazer um Tweet. Deixem os dados ajudar-vos a decidir.

 

Telemóvel “Plus”: Cada vez mais organizações estão a criar sites “telemóvel-friendly”, mas o futuro do telemóvel está a encontrar maneiras de as pessoas realizarem [conexões] quando estão longe dos seus computadores.

Uma grande inovação é a aplicação “State of the Air”, da American Lung Association, que permite aos utilizadores terem acesso a informação acerca da qualidade do ar corrente em qualquer ponto dos Estados Unidos.

Estes dados ajudam as pessoas com asma ou com uma função do pulmão comprometida a descobrirem onde é que o ar está mais limpo e os defensores do ambiente limpo a terem métricas tangíveis para fazer aumentar a consciencialização acerca da poluição.

 

Conferências sem grilhões: Ao reconhecer que o mundo e os orçamentos para viajar estão a mudar, as organizações sem fins lucrativos serão perspicazes o suficiente para repensar e reformular as conferências.

A Faster Cures, uma organização que procura melhorar a investigação médica, tem um modelo de conferência excelente. A que chamaram ‘Paretening For Cures’, uma conferência que recorre à P4C Connect –  uma plataforma semelhante ao LinkedIn, que permite os participantes fazerem uma análise dos perfis dos participantes e agendar reuniões com potenciais parceiros, através de um computador ou de um dispositivo móvel. O P4C Connect faz o ‘networking’ antes, durante e depois da conferência muito mais eficiente e valioso.

 

Uma “food-ification” integral: É orgânico! As organizações sem fins lucrativos estão a aprender lentamente a não tratar o seu site e a tecnologia como o fazem com os relatórios anuais – projectos que são refinados e completos.

Cada vez mais organizações estão a adaptar-se confortavelmente às reconfigurações da rotina e ao teste permanente. Mudanças e aperfeiçoamentos graduais baseados no feedback e na experiência são uma abordagem significativamente melhor do que um pedido de proposta a cada cinco anos para fazer um ‘redesign’ do site dispendioso.”

Ler artigo integral (em inglês) aqui.

Austrália: Guia para organizações sociais sobre nova agência de regulação do 3º sector

shutterstock_5090809

 

A Austrália conta, desde 3 de Dezembro, com uma comissão reguladora do terceiro sector, a Australian Charities and Not-for-profits Commission (ACNC). Neste âmbito, a revista especializada Third Sector (Australia) preparou um guia para as organizações sem fins lucrativos, com o objectivo de ajudá-las a conhecer quais as principais funções desta nova agência governamental e saber se estão em conformidade com a lei.  

De acordo com o Ministério da Inclusão Social, o objectivo deste regulador “moderno” é “promover uma sustentabilidade a longo-prazo” do terceiro sector – assente numa boa governance, transparência e accountability – e “criar uma regulamentação mais eficaz e simplificada”.

A redução da burocracia pretendida vai, segundo a nova agência governamental, “permitir as organizações de sector dispensarem mais tempo a prestar serviços essenciais, em vez de estarem a gerir as suas subvenções”.

Uma promessa é assumida na introdução a este guia, assinada por Mark Butler, ministro para a Inclusão Social: “A ACNC não será um regulador de ‘mão pesada’”.

A ACNC é agora responsável pelo registo das organizações como pertencentes ao terceiro sector, comprometendo-se a ajudá-las a compreender as suas obrigações, através de informação e aconselhamento, tendo ainda como função “monitorizar e investigar potenciais actividades ilícitas das organizações sem fins lucrativos”. Trabalha ainda com o Estado e com várias agências governamentais, no sentido de desenvolver um relatório nacional, com a contribuição das organizações a operar no terceiro sector.

Ao longo deste “Third Sector’s Complete Guide to the ACNC”, respondem-se a várias questões sobre as novidades nesta matéria. Exemplos: Quais as vantagens de se registar uma organização do terceiro sector? Como é que é a ACNC vai determinar se uma organização é uma charity? O sector necessita, de facto, de uma regulação mais apertada?

É possível aceder ainda, neste guia, a uma lista de recomendações da ACNC às charities, entre as quais “a compilação de todos os documentos necessários para um registo bem-sucedido na ACNC”, a manutenção da “comunicação com os funcionários da ACNC aberta a promover a transparência e a conformidade” ou “a leitura e a distribuição de materiais educativos reunidos” pela comissão.

 

Como medir a eficácia do desempenho das direcções no 3º sector?

 

As organizações sem fins lucrativos devem encontrar “maneiras eficazes” de medir a governance, defendem os consultores Hilary Barnard e Ruth Lesirge, num artigo assinado a meias para o jornal britânico The Guardian. O que deve passar por uma avaliação menos numérica e mais qualitativa, sugerem os autores.

 

Se a governance tem como objectivo assegurar que é acrescentado valor nas organizações do terceiro sector, é “importante que sejam encontrados meios eficazes de medir o seu contributo”. Uma tarefa que “não é fácil de realizar” e face à qual há “frequentemente alguma resistência”. É este o ponto de partida de um artigo de opinião na secção Guardian Professional, no qual os dois consultores da HBRL Consulting recomendam um enfoque numa avaliação qualitativa do desempenho das direcções das organizações do sector não lucrativo.

 

Quais as vantagens deste “exercício” de medição? “Encontrar modos razoáveis para medir o desempenho da governance é uma maneira potencialmente útil de responsabilizar [a organização] perante os principais stakeholders [partes interessadas]. Mas Barnard e Lesirg lembram que nem todos os resultados desta avaliação têm que ser de domínio público.

 

 

Menos números, mais indicadores qualitativos

A medição da eficácia das direcções de organizações do terceiro sector não pode seguir a tendência frequente de exibir “um rol interminável de números e percentagens”. Estes são apenas uma forma indicativa de “quão bem as coisas estão a correr”, advertem os consultores britânicos. “Avaliar a governance precisa de ser um exercício mais qualitativo”, sendo que no terceiro sector o seu enfoque tem que ser “largamente mais do que uma alocação de recursos”.

Segue-se uma lista de perguntas que Barnard e Lesirge consideram fulcrais para orientar uma medição mais qualitativa. Entre as quais “O que é que tem escrutinado a direcção na prática?” ou “Com que indicadores de produtividade tem a direcção gerido a sua agenda nas reuniões?”. Outras questões: “Está a direcção, na sua totalidade, activamente empenhada no plano estratégico?”, “Tem sido assegurado que há dados operacionais, uma estratégia consistente e confiável e informação para a medição?” ou “Que passos têm sido dados no sentido de assegurar um planeamento eficaz da sucessão do director-geral e do presidente?”.

 

Da auto-avaliação à aplicação do “Balance Scoreboard” para medir desempenho

Medir e avaliar “voluntariamente” a performance é revelador de uma direcção confiante, “sem medo de aprender coisas”, mesmo quando este procedimento pode não ser “completamente confortável”, refere o artigo. “A auto-avaliação é uma parte essencial do processo, mas geralmente não é suficiente”. A análise externa, experiente, “pode oferecer um sistema mais claro para avaliar a eficácia da direcção”, acrescentam.

Neste sentido, é sugerida à governance do terceiro sector a aplicação da metodologia “Balanced Scorecard” (Indicadores de Balanceados de Desempenho), desenvolvida na Harvard Business School na década de 1990 para o sector empresarial. E por quê este método? “Um balanced scorecard para organizações sem fins lucrativos pode ajudar a clarificar as responsabilidades da direcção, ajudar a traçar objectivos e a analisar a performance, ilustrar onde e como é que a estratégia está a acrescentar valor, bem como o sucesso da organização em encontrar valores, resultados organizacionais e financeiros”.

Os conteúdos a integrar o balanced scorecard podem “equilibrar perspectivas de empenho externo com os stakeholders, os membros da direcção, as competências e os comportamentos, e os processos de direcção”. Por exemplo, através desta metodologia, pode-se “testar como é que a dinâmica das reuniões de direcção contribuem para um desempenho eficaz da organização”.

O artigo fecha com a ideia de que a heterogeneidade do sector e as circunstâncias de cada organização devem ser tomadas em conta nesta medição. “A falta de uniformidade não é um obstáculo para o aperfeiçoamento [do desempenho das direcções], uma vez que modelos e abordagens diferentes podem ‘aprender’ com outros [modelos e abordagens], consoante a experiência aumenta”.

 

Reino Unido: 1/3 dos jovens adultos pondera a função de “trustee” no 3º Sector

 

Uma sondagem da ComRes realizada junto de 1005 jovens britânicos entre os 18 e os 35 anos mostra que 36% destes consideraria desempenhar a função de “trustee” [administrador]. O número sobe para 49% quando lhes é dito o que envolve ter este cargo no terceiro sector. Os dados são avançados pelo portal britânico Third Sector.

Cerca de três quartos dos inquiridos no último mês (73%) para a Charities Aid Foundation acreditam que ter mais jovens num cargo de administração no sector ajudaria as organizações sociais a empenharem “melhor” as pessoas da sua geração nas causas do sector.

O estudo avança ainda que dois terços dos entrevistados estão convictos que os mais jovens estariam mais aptos a relacionarem-se “mais” com estas organizações, se estas tivessem pessoas dentro da sua faixa etária na função de administrador.

Na sequência destes resultados, Paul Rees, director executivo da Charities Aid Foundation, defendeu que há mais jovens com vontade de entrar nas administrações das instituições do terceiro sector do que é assumido geralmente: “Muita gente presumirá que os jovens não estarão interessados em fazer carreira na administração de uma instituição de solidariedade. A nossa sondagem arrasa esse mito: há, na verdade, milhões de jovens que estão já lá ou querem ajudar estas instituições”.

De acordo com o estudo da ComRes para a Charities Aid Foundation, mais de metade dos inquiridos (57%) estaria mais propensa a apoiar estas organizações no futuro, se fossem actualmente administradores. 64% acreditam que passar pelo cargo de “charity trustee” [administrador de uma instituição de solidariedade social] melhoraria as suas perspectivas de carreira.

 

Ser “trustee” no 3º sector: uma oportunidade para progresso na carreira?

No dossier “Trustees 2012”, publicado no diário britânico The Guardian no passado dia 10 de Outubro, é lançado o alerta para as dificuldades das instituições de solidariedade no Reino Unido em recrutar administradores [cerca de metade assumem esse problema], mas simultaneamente há um tom de mudança no discurso. “Desempregados qualificados e outros jovens presos a trabalhos que requerem um baixo nível de formação estão a virar-se para cargos dirigentes [no terceiro sector] para desenvolver as suas competências e aumentar as suas oportunidades no mercado de trabalho” posteriormente, escreve a jornalista Debbie Andalo. “Isto dá aos jovens um sentido de finalidade e é também uma forma de estes desenvolverem as competências que poderiam ter adquirido se já tivessem estado numa profissão mais exigente”, defende Sarah Hodgkinson, directora-geral da instituição de solidariedade social Getting on Board.

Há em Inglaterra e em Gales mais de um milhão a desempenhar o cargo de administrador, sendo que apenas 0,5% têm entre 18 e 24 anos. Dois terços contam mais de 50 anos. A Charity Comission do Reino Unido recomenda um “recrutamento criativo” neste tipo de organizações, que passe por direcções com mais mulheres, mais jovens e mais representantes de minorias étnicas, que melhor reflictam as suas comunidades, pode-se ler também no dossier do Guardian “Trustees 2012”.

Em Portugal a questão da idade nas administrações do terceiro sector ainda não foi alvo de qualquer estudo ou sondagem relevante.

 

Conta Satélite da Economia Social | Como “melhorar a visibilidade” do 3º Sector

 

No final deste ano vão ser conhecidos os resultados finais de um estudo nacional que introduz o conceito de Conta Satélite da Economia Social. O retrato das Mutualidades e das Cooperativas em Portugal também passa por este documento, desenvolvido pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) e pela Cooperativa António Sérgio para a Economia Social (CASES).

Sabia que o Valor Acrescentado Bruto (VAB) conjunto das cooperativas e mutualidades, face ao VAB nacional, é maior em Portugal do que na Bélgica? Que há mais mutualidades no Porto do que em Lisboa? Que o ramo cooperativo com mais pessoas ao serviço é o Agrícola, seguindo-se o do Ensino? E que as Actividades Financeiras perfazem cerca de 63,6% dos sectores de actividade das Mutualidades em Portugal?

Estes são alguns dos dados preliminares da Conta Satélite da Economia Social, avançados na passada quarta-feira, no âmbito do workshop “Fronteiras da Economia Social”, que decorreu na sede do INE, e no qual a Dianova Portugal marcou presença.

“A medição da economia social é complementar à medição das organizações sem fins lucrativos [OSFL], pode-se ler no documento preliminar preparado pela CASES e pelo  INE, como resposta à pergunta “Porquê uma conta satélite da Economia Social?”. Permitir “melhorar a visibilidade” das OSFL e das organizações da economia social é outro dos objectivos assinalados.

Dos dados apresentados, alusivos às famílias da Economia Social e referentes a 2010, destacam-se, no universo em estudo, as Associações e outros (94,44%), em grande vantagem numérica face às Cooperativas (3,81%), às Fundações (0,91%), às Misericórdias (0,64%) e às Mutualidades (0,20%) – sendo que destas apenas intervêm na área mercantil as Cooperativas, as Mutualidades e grupos empresariais controlados por cooperativas, mutualidades e outras entidades da economia social. E são, por isso, estes os ramos em destaque nesta Conta Satélite.

Quanto à diversidade de organizações da Economia Social a nível nacional, o INE avança que é nas áreas da Cultura, Desporto, Recreio e Lazer que existem mais organizações classificadas como tal (45%), seguindo-se os Cultos e Congregações (15%), os Serviços de Acção e Solidariedade Social (13%), o Ensino e Investigação (9%), o Desenvolvimento, Habitação e Ambiente (5%) e as Organizações Profissionais, Sindicais e Políticas (4%). Na área do Comércio, Consumo e Serviços a fatia é menor (1%), bem como noutras áreas em que estas organizações têm uma presença residual ou mesmo nula (exemplos: Saúde e Bem Estar, Comércio, Consumo e Serviços, Actividades Financeiras).

 

Cooperativas: Agricutura e Ensino à frente no VAB e nos Recursos Humanos

O Valor Acrescentado Bruto por ramo cooperativo é outro dos factores apurados no âmbito da Conta Satélite da Economia Social. É na Ramo Agrícola que este é mais elevado (35,4%), tendo também o Ramo do Crédito uma relevância de assinalar (28,6%). Seguem-se, neste capítulo, ramos como o do Ensino (16,5%), da Comercialização (6,9%) e dos Serviços (5,5%).

Por sua vez, ao analisar o número de pessoas ao serviço por ramo cooperativo, constata-se que a Agricultura e o Ensino se encontram no topo (27,9% e 21,6%, respectivamente), seguindo-se o ramo da Solidariedade Social, que apesar de apresentar um Valor Acrescentado Bruto reduzido (0,7%), tem ao serviço uma percentagem considerável de pessoas no quadro do sector cooperativo (14,4%).

Fica-se a saber ainda através desta Conta Satélite da Economia Social que em 2010 era em Lisboa que existiam mais cooperativas (21,3%), seguindo-se o Porto (11%), Setúbal (5,8%) e Faro (5,8%) na distribuição regional. A Região Autónoma dos Açores e Bragança, por sua vez, encontram-se no fundo da lista (1,1% e 1,9%, respectivamente).

Mutualidades com maior VAB nas Actividades Financeiras

Também as Mutualidades foram analisadas estatisticamente neste documento. No que toca à distribuição regional das mutualidades em 2010, o INE apurou que o Porto fica à frente de Lisboa neste capítulo (34,7% vs 28%), sendo que Setúbal e Faro – tal como na distribuição regional das cooperativas – ficam nas terceira e quarta posições, respectivamente. Já no rol de regiões onde se georeferenciaram menos mutualidades encontramos Beja, Castelo Branco, Coimbra e Viana do Castelo (todas elas a registarem 0,8%).

Foi nas Actividades Financeiras que as mutualidades mais pessoas ao serviço registaram em 2010 (63,56%), seguindo-se os Serviços de Acção e Solidariedade Social (25,66%), Saúde e Bem-Estar (10,74%) e Organizações Profissionais, Sindicais e Políticas (0,04%).

Foi também nas Actividades Financeiras das Mutualidades que o Valor Acrescentado Bruto se estimou como superior (63,56%), seguindo-se os Serviços de Acção e Solidariedade Social (7,05%), a Saúde e Bem-Estar (1,37%) e as Organizações Profissionais, Sindicais e Políticas (0,02%).

Outros dados apresentados na quarta-feira dão conta de que as cooperativas e as mutualidades em Portugal representam, face ao Valor Acrescentado Bruto nacional, um VAB superior ao da Bélgica (cerca de 0,7% vs 0,2%), mas inferior ao da vizinha Espanha (1,5%). Por sua vez, o rácio Volume de Negócios/Valor Acrescentado Bruto foi mais elevado, em 2010, nas cooperativas (3,5%) do que nas mutualidades (0,5%).

 

O que é uma Conta Satélite?

É um instrumento utilizado em vários sectores de actividade, que consiste no levantamento de dados estatísticos sobre a sua evolução. Distingue-se da Conta Nacional – geral – por se focar em sectores específicos. A primeira Conta Satélite das Instituições Sem Fim Lucrativo em Portugal diz respeito ao ano de 2006. A Conta Satélite da Economia Social será editada num relatório a ser publicado e difundido até ao final de 2012, referindo-se a dados do sector social relativos ao ano de 2010.