Há mais doadores online, mas métodos tradicionais de doação prevalecem

Um estudo recente dá conta de que apenas 30% das dádivas a instituições de solidariedade social são efectuadas através de métodos digitais, contra 70% realizadas através de métodos mais tradicionais, como o débito directo e o dinheiro vivo. Em plena era digital, há tendências reveladas nesta análise – que abrange 500 organizações de solidariedade de pequena, média e grande dimensões – que põem a nu o desfasamento entre a evolução dos doadores virtuais e a persistente aposta das instituições em métodos offline de transferência de donativos.

 

Estudo da Give As You Live focou-se nos índices de audiência e na frequência das comunicações online

 

Publicado nesta segunda-feira, o Digital Giving Review 2012 – estudo realizado pela plataforma online Give As You Live, em parceria com o Institute of Fundraising, com o mote de “desvendar as últimas tendências de angariação de fundos digital” – reporta uma novidade: as audiências online são agora superiores às audiências tradicionais, que transferem os seus donativos longe das plataformas digitais (51% e 49%, respectivamente).

“Com as audiências off e online ao mesmo nível, as instituições de solidariedade social necessitam de converter o envolvimento do aderente online em apoio financeiro”, declara ao portal ThirdSector.co.uk Polly Gowers, chefe executiva e fundadora da companhia de angariação de fundos e de tecnologia Everyclick, que guarnece a Give As You Live site que permite os compradores online direccionar as suas contribuições dos retalhistas para as instituições de solidariedade.

A propósito do desfasamento entre a evolução dos doadores digitais e a ainda acentuada aposta das instituições de solidariedade social em métodos offline de transferência de donativos, Gower acrescenta: “Se se está a comunicar [com os aderentes à angariação de fundos] via telefone ou correio, mas também a falar com eles na Internet, é preferível parar de usar o método offline, porque é mais dispendioso”.

 

Redes sociais divulgam mais do que capturam doações

E onde se efectuam estas doações na Internet? A maioria – 90% – das dádivas online são efectuadas através de plataformas de doação como a JustGiving. Apenas 3% das doações online ocorrem no Facebook. O Twitter nem sequer entra nestas contas. Resta referir que o Facebook foi lançado em 2004 e o primeiro “tweet” foi enviado em 2006. Mas o relatório enfatiza que, em menos de uma década, as pessoas contactadas através destas duas redes sociais atingiram 35% das doações da audiência total.

A pesquisa que abrangeu 500 instituições revela ainda que os aderentes são contactados mais frequentemente via on do que offline. Cerca de metade destas organizações – 47% – comunica com as suas audiências diariamente através das redes sociais.

De entre as grandes instituições inquiridas, 80% enviam diariamente actualizações de Facebook e tweets. O estudo refere ainda que 56% das audiências das pequenas organizações estão online. Já as grandes organizações analisadas apenas registam 39% de audiência na Internet.

As principais barreiras para uma angariação de fundos online bem-sucedida, apontadas neste levantamento, passam pelos recursos internos (37&%) e pela  resistência do doador (24%).

Neste estudo, os dados referentes aos doadores são baseados nos contactos reportados através do e-mail e em redes sociais como o Twitter e o Facebook. Por sua vez, as audiências offline foram contabilizadas de acordo com os contactos offline que constam das bases de dados das instituições estudadas.

Em Outubro, a Give As You Live vai inquirir os doadores numa nova sondagem sobre a frequência das dádivas e o conteúdo das comunicações, procurando auxiliar os angariadores a compreender o “balanço crítico entre canal, frequência e mensagem”, avança o relatório do Digital Giving Review 2012, lançado nesta segunda-feira, data de abertura da convenção anual do Institute of Fundraising.

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Formação IES powered by INSEAD

INSCRIÇÕES ABERTAS até ao dia 19 de Setembro. Embora já com bastantes candidaturas de muita qualidade recebidas, o IES vai ao encontro dos inúmeros pedidos para alargar o prazo de candidaturas devido ao período de férias. Pode-se inscrever no ISEP até 19 de Setembro em www.ies.org.pt ou enviando o formulário para ester@ies.org.pt.

O ISEP Portugal vai realizar-se de 17 a 21 de Outubro em Cascais, para líderes ou gestores de projectos que visam o impacto social já implementados há pelo menos 2 anos e que querem aprender e praticar ferramentas para acelerar o crescimento, potenciar a escala, avaliar o impacto e desenvolver competências de liderança e inovação.

ISEP é o único programa de gestão adaptado a Empreendedorismo Social com qualidade INSEAD em Português.

A turma do I ISEP Portugal vai reunir um grupo de excelência de gestores e empreendedores de iniciativas já implementadas com forte missão social para acelerar o seu desenvolvimento e potenciar a transformação social. Podem também participar técnicos, investidores, gestores e pesquisadores que queiram entender a lógica do Empreendedorismo Social e como melhor podem apoiar e trabalhar com projectos sustentáveis.

A formação, capacitação e ligação em rede de Empreendedores Sociais é uma aposta do IES para transformar ideias, energia e projetos em soluções efetivas, inovadoras, escaláveis e com impacto social.

O ISEP Portugal é um programa dinâmico que alavanca competências e conhecimento em gestão do INSEAD e a experiência de terreno do IES para desenvolver a melhor formação em português para empreendedores e gestores sociais. Consiste numa semana intensiva com uma mistura equilibrada entre conhecimento académico e análise de casos práticos sobre a inovação de modelos de negócio, gestão de organizações híbridas, liderança, desafios e processos de expansão, crescimento e sustentabilidade.

Programas de Formação IES Powered by INSEAD

A relação de parceria com o INSEAD é, desde o início, um dos pilares da estratégia do IES de produzir e promover conhecimento de excelência em Empreendedorismo Social. O INSEAD, (escola de gestão no top 5 mundial) conta com uma larga experiência na área de Empreendedorismo Social, tendo criado o ISEP, um programa de formação de executivos pioneiro a nível mundial.

O IES tem acesso ao conhecimento de ponta do INSEAD e adapta programas já com histórico de êxito para o mundo português. Vai incluir casos de sucesso e boas práticas da CPLP que serão depois partilhados na rede do INSEAD. Levando também o que melhor se faz em português para o resto do Mundo.

Em 2011, com o apoio de Fundação EDP e Câmara Municipal de Cascais estão a ser desenvolvidos e realizados dois programas de Formação IES Powered by INSEAD, em Português: o ISEP (com uma edição em Outubro) e o Bootcamp para futuros empreendedores sociais (com edições em Junho e em Setembro). As primeiras edições do Bootcamp receberam nota máxima pela qualidade e relevância dos conteúdos e dinâmicas, e pela oportunidade única de fazer parte de uma rede de agentes de mudança.

Mais informações em: IES.org

O Verão de Anya

Reportagem: Rita Montez
Fotografia: José Cária

Anya Kot, 12 anos, já conhece bem os cantos à casa de Maria João e Hernâni Leitão. A rapariga ucraniana é alta e esguia, de ar frágil e doce. Mas os seus mais de 1,70 metros de altura são enganadores.

É ainda uma criança, que tem como sua melhor companhia em Portugal o João, de 6 anos e neto do casal que a acolhe. Maria João, apesar dos seus 57 anos, está já há algum tempo reformada da banca. O marido, com 59 anos, trabalha como gestor de negócios na Liberty Seguros.

À nossa chegada, Anya aninha-se no sofá junto da sua “segunda família” até que, aos poucos, começa a perder a timidez e vai mostrando o seu português quase perfeito. Há três anos que deixa a sua aldeia natal de Musiiky a 40 km da maldita e desativada central nuclear de Chernobyl, que explodiu em 1986, para gozar seis semanas de férias, longe da poluição, em Peniche.

“Cerca de 80% das crianças que vivem nas cidades e aldeias à volta de Chernobyl estão doentes. Sofrem de problemas cardíacos, digestivos e sanguíneos. E já nasceram muitos anos depois do desastre”, relata Hernâni. Trata-se, afinal, da pior catástrofe nuclear da História. Anya, por exemplo, tem uma anemia congénita.

O projeto Verão Azul, que tem trazido Anya até Peniche, é muito claro. “Esta não é só uma iniciativa de beneficência, para proporcionar seis semanas de férias a crianças com poucos recursos. É um período durante o qual queremos que estes jovens vivam em ambientes livres de radiações”, explica Fernando Pinho, coordenador nacional do Verão Azul. A ideia surgiu há quatro anos, após este responsável da Liberty Seguros ter conhecido um programa semelhante em Espanha, desafiando, depois, os seus colaboradores a replicá-lo em Portugal. Ao fim de um ano de burocracias e de viagens a Kiev, para cumprir os formalismos exigidos, foi criada a Associação Cultural e Recreativa e de Solidariedade, para gerir o programa no nosso país. Fernando Pinho alerta para que, pelo menos por agora, a associação só aceita candidaturas de famílias de acolhimento que trabalhem na seguradora.

“É preciso ter muito cuidado com os agregados que escolhemos”, justifica.

FÔLEGO VITAL

A adesão é voluntária e, tirando casos pontuais de dificuldades na adaptação das famílias a estas crianças, todas elas originárias da aldeia de Musiiky, a experiência tem-se repetido, ano após ano.

Este verão, encontram-se em Portugal 11 crianças, entre os 10 e os 15 anos. “Quando se aproxima a data de chegada da Anya, começamos a contar os dias que faltam”, diz, a sorrir, Maria João Leitão.

Ler mais: Visão

Portugal lidera desigualdade

Portugal é o país da União Europeia (UE) com maiores desigualdades entre ricos e pobres. Numa altura em que se discute a possibilidade de taxar quem tem mais, os dados revelam que em Portugal os 20 por cento mais ricos auferem 43,2 por cento do rendimento disponível. É a percentagem mais alta dos 27 Estados-membros da UE.

No nosso país, os 10% mais ricos arrecadam 28% do rendimento total, a percentagem mais elevada na UE 27, com um rendimento 10,3 vezes superior ao dos 10% mais pobres, segundo o relatório do Observatório das Desigualdades que cita números do Eurostat. O Governo prepara-se para introduzir uma taxa especial sobre mais ricos, uma medida semelhante aos franceses que aprovaram um imposto transitório de 3% sobre quem ganhe mais do que 500 mil euros por ano.

Mas ao contrário de França, onde os milionários tomaram a iniciativa de se mostrarem disponíveis para ajudar, em Portugal a maioria dos detentores de grandes fortunas remete-se ao silêncio. O imposto em Portugal poderá entrar em vigor em 2012, apurou o CM, mas o Executivo não avança pormenores. O deputado do PSD Luís Menezes considera o prometo de lei do BE para taxar as grandes fortunas “meritório” mas argumentou que “a pressa é inimiga da perfeição” e que o PSD está a “estudar” a matéria.

É preciso pensar e concretizar numa medida legislativa com pés e cabeça. É assim que deve ser feito o processo legislativo, não deve ser uma corrida para estarmos na agenda mediática afirmou. O BE apresentou ontem o seu projecto para a criação de um “imposto de solidariedade sobre as grandes fortunas” incidindo no património global acima de dois milhões de euros. O imposto aplicar – se – ia sobre valores mobiliários, como quotas, acções ou obrigações, créditos, instrumentos de poupança e propriedade imobiliária.

Obrigações sociais britânicas

No Reino Unido, a contribuição para ajudar a combater a crise pedida aos milionários foi outra. O governo propôs a compra de “obrigações com impacto social” por filantropos e instituições de caridade, uma medida que pode reduzir a despesa do Estado neste sector. Segundo a ideia, os investidores recebem dividendos por cada iniciativa que resolva problemas sociais, como crime ou toxicodependência, por exemplo. O governo acredita que a iniciativa angarie fundos para combater estas situações.

Fonte: Correio da Manhã

Seis mil bicicletas do Porto a Matosinhos

A 5.ª edição do World Bike Tour (WBT), marcada para 31 de Julho, espera cerca de seis mil pessoas e outras tantas bicicletas. O percurso de 13 quilómetros vai da Ponte da Arrábida até Matosinhos.

Cerca de seis mil pessoas e outras tantas bicicletas são esperadas na 5.ª edição do World Bike Tour (WBT), que se realiza a 31 de Julho entre a Ponte da Arrábida e Matosinhos.

O percurso, de 13 quilómetros, começa às 11h30, na Ponte da Arrábida, vai pelo Cais de Gaia e pela ribeira e marginal do Porto até ao Passeio Atlântico, Matosinhos.

O objectivo do evento é promover a inclusão, o desporto, a saúde e o ambiente. Para participar, tem que ser paga uma taxa de inscrição no valor de 70 euros. O pagamento dá direito à participação na prova e a uma bicicleta. A prova é organizada pelo Instituto da Droga e Toxicodependência e pela Sportis.

O Centro de Congressos e Desporto de Matosinhos vai receber, entre os dias 27 e 30, a Feira WBT, onde, entre as 10h00 e as 20h00, todos os participantes têm de se dirigir para confirmar a inscrição e levantar o kit de participação. Também a 30 vai realizar-se uma prova destinada a 200 crianças com menos de 12 anos, no Passeio Atlântico, em Matosinhos.

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Pais em dificuldades estão a “entregar” os filhos

“Já não consigo fazer nada. Por favor tome conta dela.” Foi com este desabafo que a mãe, cansada de ver a filha ausentar se de noite para sair com más companhias e de não ter controlo sobre ela, foi à Comissão de Protecção de Crianças e Jovens de Lisboa/Centro (CPCJ) “deixar” a filha adolescente. O mesmo fez o pai de duas meninas, de dois e quatro anos, após concluir que não tinha condições financeiras para cuidar delas. “Trouxe-as pela mão e disse: ‘já não as quero’, contam na comissão. Teresa Espírito Santo, presidente da CPCJ de Lisboa/Centro diz que só nos últimos dois ou três meses, chegaram cerca de dez casos destes. “Há pais que se demitiram completamente das responsabilidades. E vêm determinados a que sejamos nós a acolher os filhos”, diz, sublinhando que já ouviu frases do tipo: “A Drª representa o Estado tem obrigação de tomar conta dela.”

O relatório das comissões de protecção de crianças e jovens revela que os pais já são a terceira entidade que mais sinaliza situações de risco (8,4% do total), logo a seguir às escolas e à polícia, que denunciam metade dos casos. Só em 2010, houve 2731 situações destas, embora nem todas tenham as mesmas características. Há pais que “entregam” os filhos porque não conseguem impor-lhes regras e limites, principalmente na adolescência. Assistem aos seus comportamentos desviantes – droga álcool prostituição -, e temem que caiam na delinquência. Por vezes, vêem a denúncia como o “susto” capaz de suscitar mudanças de atitude. Mas a resolução do problema é complicada, argumenta a técnica, “pois cresceram num ambiente perverso, estão tão deformados de valores e emoções, que são difíceis de recuperar”.

Outros pais vão “depositar” os filhos porque têm carências financeiras e consideram ser dever do Estado assumir a sua responsabilidade. “Um fenómeno novo com um ou dois anos, e em crescimento”, garante Teresa Espírito Santo, questionando-se onde terão as famílias construído esta percepção. Há ainda casos em que a comissão é utilizada pelos progenitores como meio para atingir um fim. Seja acusar o outro de não cuidar do filho ou fazer tudo para levar o tribunal a rever as condições da sua guarda. Muitos são casos típicos de alienação parental, em que os pais, da classe média e alta, vêm munidos de advogados e usam os filhos “como arma de arremesso, colocando-os num jogo perigoso”.

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Projecto de descrição de imagens para cegos da autoria da Gulbenkian

Imagine que está de olhos vendados e uma voz lhe descreve, pincelada por pincelada, um quadro emblemático, com o objectivo de lhe permitir ter as mesmas sensações que teria se estivesse a ver a pintura. Uma experiência que pode ser alargada a peças de teatro, filmes ou programas de televisão. A ideia é transformar as imagens em sons que se sentem no ouvido.

É este o objectivo do projecto “Ouço, logo vejo” – uma iniciativa da Companhia Nacional de Actores que trabalha com audiodescrição para pessoas com deficiência visual. E foi no Museu Calouste Gulbenkian que Rui Vilar, presidente da Fundação, se deixou guiar pela audiodescrição no quadro que escolheu: La Table Garnie, de Henri Fantin Latour.

“Eu beneficio do facto de conhecer muito bem o quadro mas foi uma descrição muito rigorosa, de uma forma que qualquer pessoa podia segui-la”, considerou o presidente da Fundação, após a experiência de audiodescrição.

Fonte: Diário Económico