Como “desafiar a angariação de fundos tradicional”?

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“As organizações sem fins lucrativos têm que se adaptar às dinâmicas em mudança” no terceiro sector, se querem ser “bem-sucedidas”, e essa adaptação passa por uma “transformação” no ramo da angariação de fundos, defende Jim Coe, num artigo de opinião no jornal britânico The Guardian. No mesmo diário, Nicolle Wilkinson, gestora na NESTA, explica, recorrendo a exemplos de projectos em marcha, como se pode “desafiar a angariação tradicional” com a ajuda de um fundo de inovação.

Segundo um relatório recente da Charities Aid Foundation, o terceiro sector enfrenta vários desafios. Um dos mais prementes é responder às quebras de receitas através da angariação de fundos. Uma das potenciais explicações para este estado da arte é que “na prática, a integração da campanha e do marketing é alvo de uma fraca estratégia, sendo mal implementada”, na opinião de Jim Coe, comentador versado em Campanhas e Mudança Social e Política, que em Dezembro de 2012 assinou, no The Guardian, o artigo As Tendências sociais, tecnológicas e políticas estão a transformar a Angariação de Fundos.

Nicolle Wilkinson, gestora de desenvolvimento em “Innovation in Giving” na NESTA, por sua vez, inicia o seu artigo As Instituições de Solidariedade Social de topo estão a descobrir formas inovadoras de Angariação de Fundos com perguntas. “Como podem [estas organizações] atrair novos doadores, manter o envolvimento dos actuais doadores e obter doações mais regulares?”. “Desafiando a angariação de fundos tradicional”, responde. O ponto de chegada das campanhas, esse, mantém-se intacto, de acordo com Wilkinson: “envolver mais pessoas” [e incitá-las] a contribuírem com o seu tempo, as suas competências, com dinheiro e recursos “com o objectivo final de escalar o seu impacto de beneficência.

 

Envelhecimento activo: Jardinar em troca de uma doação para a Age UK

Neste contexto, Wilkinson cita dez exemplos de instituições que estão a levar a cabo projectos de “inovação social”, com o apoio de um fundo da NESTA e do “cabinet office” do governo britânico.

Entre elas está a Age UK, que se aliou à plataforma de partilha Ecomodo para desenvolver uma nova plataforma de doação, com vista a responder a dois desafios: captar novos contribuintes para apoiar os seus serviços e encorajar as pessoas acima dos 50 anos a envolverem-se na prática da angariação de fundos. Uma prática possível: um jardineiro reformado pode oferecer algumas horas de serviços de jardinagem em troca de uma doação à Age UK pelo dono do jardim.

Também o “The Big Family Day Off”, projecto da National Trust, está a ser co-financiado pela NESTA e pelo governo britânico, como forma de dar resposta à já diagnosticada relutância dos britânicos em dispensarem o “tempo precioso da família” para o voluntariado. Em que é que consiste este “Grande Dia”? Os empregadores que aderirem a esta iniciativa dispensarão os seus empregados um dia por ano para fazerem voluntariado com a sua família num projecto de solidariedade social local. “Além de ajudar a instituição, e potencialmente outras, esta [acção] dá a oportunidade às famílias de passarem mais tempo de qualidade juntos e adquirirem novas competências”.

 

O poder de “adaptação” de novos movimentos sociais

“Várias ONGs estão atentas às tendências, algumas estão a trabalhar efectivamente com novos movimentos” e novos procedimentos, estando já a “operar segundo modelos mais adaptáveis”, defende Jim Coe, num artigo em que não poupa este tipo de organizações.

Por outro lado, o comentador cita, neste contexto, novas formas de comunicar e de promover campanhas, através de movimentos sociais ou plataformas onlineUK Uncut, Change.org e MoveYourMoney – que estão a “introduzir mudanças fundamentais no ‘quadro completo’ das campanhas, trazendo consigo desafios, mas também oportunidades”. Outro exemplo mencionado é o do movimento Occupy, que, segundo o autor, “opera de uma maneira diferente e mais convincente: pessoas à procura de soluções nas suas próprias mãos”.

O autor defende ainda uma atenção redobrada aos social media, que “oferecem possibilidades de respostas radicalmente diferentes, e formas de trabalhar mais rápidas e mais descentralizadas”. Entre outras virtudes destes novos meios estão, para Coe, a amplificação na difusão de ideias e a possibilidade de fazer novas conexões, que antes não eram comuns.

A fechar o artigo, é reforçada a ideia de que mantém-se “uma necessidade primordial” para o sector das ONGs: adaptar-se a novos modelos que permitam uma eficácia maior da campanha a nível interno e ligar-se mais efectivamente a novos movimentos [responsáveis por novas] campanhas”.

Terceiro Sector | 5 tendências tecnológicas para 2013

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Mark Tobias, presidente da Pantheon – empresa especializada em tecnologia, com conhecimentos profundos nas áreas da saúde, da educação e do impacto social –, destaca, num artigo para a Stanford Social Innovation Review, dez tendências tecnológicas para 2013. As organizações sem fins lucrativos, alega Tobias, devem considerá-las, quando estiverem a desenvolver a sua estratégia tecnológica para o ano que se aproxima. Mas, defende, “é importante distinguir o que está na moda do que é verdadeiramente útil”. A Dianova dá, nesta peça, “voz” a cinco das dez tendências alistadas.

 

Avaliação e transparência: O que é medido, pode ser melhorado. O relatório “2012 NCQA ‘State Of Health Care Quality” revela que quanto mais as pessoas conhecem a qualidade do sistema de saúde, mais poder têm para fazer escolhas informadas e apoiar os sistemas que funcionam.

As organizações sem fins lucrativos não devem apenas  registar os dados sobre o seu próprio desempenho para reflectir internamente. Partilhar esses dados com quem recorre aos seus serviços pode afectar positivamente as suas áreas de trabalho.

 

Dispor de dados para responder a dúvidas mais urgentes: Pensem além do vosso painel de web analytics. Em vez disso, respondam à pergunta ‘quais são as questões centrais a que a nossa organização quer responder?’. Um exemplo: O Google queria saber se os gestores faziam realmente a diferença e utilizou “métricas” para concluir que, de facto, faziam. A partir daí, a empresa decidiu investir em procurar saber o que faz um bom gestor.

Uma investigação revela que as organizações sem fins lucrativos recolhem toneladas de dados, mas que não estão a utilizá-los. Na próxima reunião de equipa, concluam as discussões sobre como fazer aumentar a retenção de membros, que palavra usar no e-mail de angariação de fundos, e qual a melhor altura para fazer um Tweet. Deixem os dados ajudar-vos a decidir.

 

Telemóvel “Plus”: Cada vez mais organizações estão a criar sites “telemóvel-friendly”, mas o futuro do telemóvel está a encontrar maneiras de as pessoas realizarem [conexões] quando estão longe dos seus computadores.

Uma grande inovação é a aplicação “State of the Air”, da American Lung Association, que permite aos utilizadores terem acesso a informação acerca da qualidade do ar corrente em qualquer ponto dos Estados Unidos.

Estes dados ajudam as pessoas com asma ou com uma função do pulmão comprometida a descobrirem onde é que o ar está mais limpo e os defensores do ambiente limpo a terem métricas tangíveis para fazer aumentar a consciencialização acerca da poluição.

 

Conferências sem grilhões: Ao reconhecer que o mundo e os orçamentos para viajar estão a mudar, as organizações sem fins lucrativos serão perspicazes o suficiente para repensar e reformular as conferências.

A Faster Cures, uma organização que procura melhorar a investigação médica, tem um modelo de conferência excelente. A que chamaram ‘Paretening For Cures’, uma conferência que recorre à P4C Connect –  uma plataforma semelhante ao LinkedIn, que permite os participantes fazerem uma análise dos perfis dos participantes e agendar reuniões com potenciais parceiros, através de um computador ou de um dispositivo móvel. O P4C Connect faz o ‘networking’ antes, durante e depois da conferência muito mais eficiente e valioso.

 

Uma “food-ification” integral: É orgânico! As organizações sem fins lucrativos estão a aprender lentamente a não tratar o seu site e a tecnologia como o fazem com os relatórios anuais – projectos que são refinados e completos.

Cada vez mais organizações estão a adaptar-se confortavelmente às reconfigurações da rotina e ao teste permanente. Mudanças e aperfeiçoamentos graduais baseados no feedback e na experiência são uma abordagem significativamente melhor do que um pedido de proposta a cada cinco anos para fazer um ‘redesign’ do site dispendioso.”

Ler artigo integral (em inglês) aqui.

Estudo: O que sabem e o que fazem os altos quadros das empresas americanas com os media sociais?

 

 

Entre 184 directores executivos, gestores de topo e outros membros de direcções de empresas norte-americanas, a maioria tem consciência do potencial dos media sociais como plataforma de vendas e de marketing, segundo um estudo realizado nesta Primavera. Mas há um “mas” nas conclusões desta investigação: grande parte dos inquiridos não solicita ou, na hora de tomar decisões, não tem em conta a informação recolhida a partir destas novas plataformas.

 

“Está uma empresa condenada [ao fracasso] se não usar os media sociais?”. É este o mote, em forma de ponto de interrogação, de uma análise dos resultados de um estudo realizado entre Maio e Junho de 2012, pelo Conference Board e o Rock Center for Corporate Governance da Universidade de Stanford, junto de 184 directores executivos, gestores de topo e outros membros de conselhos de administração de empresas norte-americanas.

Esta pesquisa tinha como objectivo nuclear “avaliar a sofisticação das direcções e da gestão de topo relativamente à utilização dos media sociais nos negócios” e ser o reflexo do que vêem nestas plataformas os decisores das áreas da Produção, Banca, Serviços e Retalho – situados no topo das hierarquias organizacionais, com uma média de idades de 55 anos.

O estudo revela que os inquiridos assinalam como oportunidades de estar nas redes sociais “melhorar a colaboração e a comunicação entre trabalhadores, fornecedores, accionistas e outros stakeholders”. Como riscos, percepcionam “a perda potencial do controlo da reputação e da informação da empresa”, cita o relatório publicado em Outubro.

 

Mais consciência do impacto dos media sociais do que acções concretas

 

O Facebook e o Twitter são os serviços de social media mais reconhecidos pelos inquiridos (a taxa de reconhecimento é superior a 90%), embora seja no LinkedIn – uma rede social para contactos profissionais – que mais contas abertas têm os entrevistados (80,4%). Mas ainda há 13% que não têm qualquer conta numa rede social.

Entre os media sociais menos reconhecidos estão o Wikipedia, o Klout e o ShareThis, sendo que uma das conclusões deste estudo é que o reconhecimento destes meios decresce com a idade.

Por sua vez, 56% dos sondados alegam ter um bom entendimento do impacto que estas plataformas podem ter nos seus negócios. Os directores e os executivos apreciam a oportunidade que os media sociais oferecem para granjear novos clientes e interagir com eles de um modo pessoal e directo, tendo também a noção do risco potencial desta presença nas redes sociais, em termos de marca de produto e de reputação corporativa.

Outro dado relevante: Apenas 14,2% destes profissionais assinalaram que a sua empresa recolhe informação como “chave” para medir o sucesso dos seus negócios, considerando-a nos indicadores de performance. “As empresas parecem ser relativamente pouco sofisticadas quanto à recolha de dados dos media sociais e à sua incorporação na estratégia corporativa, planos operacionais e gestão de risco”, observam os autores do relatório.

Por sua vez, o estudo salvaguarda que os que o fazem, consideram-no “útil para prosseguir objectivos corporativos”, monitorizando os potenciais riscos relacionados com a reputação corporativa e a satisfação dos clientes. Para este último grupo de profissionais, os riscos organizacionais – como as ameaças da concorrência ou a violação de legislação governamental – são relegados para segundo plano, acrescenta o estudo.

 

Que uso fazem as empresas da informação emanada dos social media?

 

Na introdução do relatório “What Do Corporate Directors and Senior Managers Know About Social Media?”, os investigadores começam por enquadrar a sua pesquisa. Pode ler-se, no documento, que vários estudos (da Edelman à BRANDFog) sugerem que estes meios de comunicação  – entendidos como “uma plataforma em rede para partilha de informação e interacção entre utilizadores” – alteraram profundamente a relação entre os consumidores e as empresas.

Este estudo vem, por sua vez, corroborar a ideia de que “as empresas estão a sentir uma dificuldade considerável em destilar a informação coligida nos media sociais para um formato utilizável”. E a própria formação sobre o tema ainda não foi generalizada: apenas 32,2% dos entrevistados fizeram notar que a sua empresa contratou um consultor ou um perito para apresentar o tema dos media sociais.

E com que fins as empresas estão presentes nas redes sociais? Aproximadamente três quartos das empresas onde os inquiridos trabalham (76,4%) recorrem a estas plataformas sociais para apoiar actividades de negócio, revela o estudo. Usam-no sobretudo para comunicar e interagir com os clientes e para publicidade ou vendas junto dos clientes. Menos importância é dada à pesquisa sobre os clientes e concorrência ou para comunicar com os stakeholders e os trabalhadores.

Outro dado relevante a reter: os directores tendem a não se envolver nos media sociais das suas empresas. Só 10,3% dos entrevistados afirmaram recorrer a estas plataformas para fazer um comunicado público ou abordar os stakeholders. Também só 23,6% afirmaram que os gestores de topo recebem relatórios com dados métricos sumários dos media sociais, que consideram “úteis”, embora sem saber muito bem o que fazer com eles.

O relatório alerta para o facto de “informação potencialmente importante” não estar a ser recolhida para “fins de análise de performance corporativa”, não entrando nas contas dos que tomam decisões, nem nos programas de gestão de risco.

A fechar o relatório, a equipa do Conference Board da Universidade de Stanford dedica algumas linhas a “Recomendações para a Acção”, salientando que os líderes organizacionais ainda não estão a agir no sentido de implementar uma estratégia de social media que se articule com a estratégia corporativa e as práticas de gestão de riscos.

Entre as sugestões defendidas, estão “determinar como os social media casam com a estratégia e o modelo de negócio”, “implementar um sistema de ‘audição’ para capturar dados dos media sociais e transformá-los em dados métricos” e “desenvolver políticas formais e directrizes para empregados, executivos e directores”.

 

iCancer: Campanha contra cancro que atingiu Jobs já está online e não é da Apple

iCancer é uma campanha global de angariação de fundos em regime de “crowdfunding”, com vista a prolongar a vida de pessoas com tumor neuro-endócrino. Nem o nome escolhido, nem a data de lançamento são inocentes. Steve Jobs, criador do iMac, morreu há um ano com um cancro deste tipo no pâncreas. As contribuições podem ser efectuadas até 16 de Novembro nas redes sociais.

A 39 dias do fecho desta campanha digital de “crowfunding”, 312 pessoas já doaram cerca de 45 mil euros. O objectivo final é angariar 2 milhões de libras [cerca 2,5 milhões de euros], o montante necessário para a primeira fase dos ensaios em humanos de um vírus modificado, actualmente “preso” num frigorífico na Suécia. Já foi experimentado com sucesso em ratos e pode vir a destruir um cancro cuja incidência está a aumentar a passos largos em todo o mundo e cujo diagnóstico muitas vezes acontece tardiamente.

“Não há punhos de camisa, não há concerto de rock e não há dinheiro”, adiantam os organizadores desta campanha global, a decorrer actualmente no Twitter, Facebook e You Tube. “Somos apenas nós, os cientistas, o vírus e tu”. A linguagem é directa e informal, a condizer com as tácticas do chamado marketing de guerrilha.

O escritor Alexander Masters e o jornalista Dominic Nutt garantem que montaram esta campanha em pouco mais do que uma semana. E o que estão a pedir aos cibernautas? Uma doação simbólica de 2 libras (cerca de 2,5 euros), perspectivando que um milhão de pessoas contribuam para cumprir o objectivo central do iCancer.

Os tumores neuro-endócrinos (NET) são cancros de glândulas que libertam hormonas como insulina, adrenalina e serotonina sob o controlo do sistema nervoso, podendo espalhar-se por todo o corpo. “São assassinos silenciosos”, alertam os promotores da campanha – Masters e Nutt, este último vítima desta doença. Masters, autor do bestseller “Stuart: A life Backwards” decidiu envolver-se na campanha iCancer – que tem como slogan “As pessoas antes do lucro”— quando foi diagnosticado um cancro deste tipo, incurável, a um amigo próximo.

“Estou profundamente frustrado. Há um tratamento potencial – um vírus que destrói este cancro em experiências de laboratório. Mas agora está num frigorífico num laboratório de investigação na Suécia à espera de ser testado em humanos”, afirma Masters.

A ideia é que, com o dinheiro angariado, a equipa de investigação por trás deste tratamento, liderada pelo professor Magnus  Essand, criador do vírus, possa partir para estes ensaios em humanos, e as farmacêuticas possam assumir o controlo do processo de desenvolvimento de um medicamento que prolongue “significativamente” a vida dos milhares de pessoas que padecem deste cancro.

E como se pode participar nesta campanha? O público é encorajado a seguir @iCancer no Twitter e “tuitar” detalhes sobre a campanha, disseminando-a, usando o canal #iCancer. Cada pessoa deve doar 2 libras esterlinas (cerca de 2,5 euros), usando os links para o site de “crowdsourcing”, a partir do feed do Twitter, da página do Facebook e do YouTube.

 

Uma campanha “inteligente” e/ou questionável?

“A campanha é inteligente ao capitalizar o aniversário da morte de Steve Jobs”, o que pode “atrair uma cobertura alargada nas redes sociais”, defende o portal ThirdSector (Reino Unido) que escolheu a iCancer como “A Campanha Digital da Semana”. O mínimo da doação “vai parecer viável para as pessoas a considerarem”, sendo que “o sucesso desta campanha poderá também levar a mais exemplos de angariação de fundos de crowdsourcing deste tipo”

Por outro lado, há a questão levantada pelo jornal britânico The Guardian. “Como deve ser o público envolvido na decisão do financiamento da investigação científica?” Directamente, através do “poder dos social media”, como defendem os organizadores da iCancer?

A economista Mariana Mazzucato escreve no portal The Entrepreneurial State que, as empresas privadas e os capitalistas de risco são muitas vezes relutantes em investir em tecnologias que não têm um caminho claro para um produto que venha a trazer lucros, preferindo o sector público suportar os riscos do Desenvolvimento numa fase inicial. Neste caso específico, o que se sucedeu é que o governo sueco não apoia ensaios clínicos em humanos.

“Os organizadores [desta campanha] estão a experimentar e a descobrir também. A campanha é realista no que toca às perspectivas de sucesso da terapia experimental, mas também tem uma inocência encantadora”, escreve Stephen Curry, professor de Biologia Estrutural no Imperial College, num artigo de opinião publicado ontem no The Guardian.

E onde fica Steve Jobs, o co-fundador da Apple e criador de uma série de invenções tecnológicas, nesta história? “O que teria feito Steve Jobs disto? Talvez esteja a sorrir com a abordagem inovadora e disruptiva adoptada pela campanha, enquanto se retrai com o nome iCancer, que imprudentemente imita os nomes de vários produtos Apple”, especula Curry.

 

“Social Good Summit” 2012 arranca neste sábado

 

São três dias de conversas em torno de como as tecnologias e as redes sociais podem contribuir para a mudança social. A cimeira “Social Good Summit” decorre entre sábado e segunda-feira na United Nations Foundation, em Nova Iorque, mas é um evento global. Na rede e em linha estarão, por exemplo, experts da tecnologia e gente inovadora do Quénia e da China.

A Social Good Summit arranca neste sábado e vai reunir presencialmente e online líderes, inovadores, activistas e peritos da área informática para procurar soluções para os desafios que o mundo enfrenta nos dias de hoje.

Na próxima segunda-feira, dia 24, pessoas de cem países vão responder à questão “Como é que as novas tecnologias e os novos media podem criar soluções para os maiores problemas que enfrento na minha comunidade?” no decurso dos 200 encontros já programados no âmbito da chamada “Global Conversation”. De Nairobi, Quénia, e de Pequim, China, vão-se escutar, por exemplo, nesse dia, via livestream,testemunhos de líderes que vão falar dos temas que inspiraram o nascimento desta cimeira.

“A Social Good Summit é uma revolução da tecnologia digital e das redes sociais que conecta pessoas de todo o mundo. Sentimos que é uma oportunidade de juntar pessoas,  primeiro, para aprenderem sobre determinados assuntos, mas também para  descobrirem quem está a fazer efectivamente a diferença, alavancando depois o poder das redes sociais e puxando o ‘crowdsourcing’ para um nível global de transparência e inovação sem precedentes para chegar a soluções para todos”, afirma Kathy Calvin, chefe-executiva da United Nations Foundation, em vésperas do certame.

Este evento acontece no âmbito da Semana das Nações Unidas, celebrada em Nova Iorque, e é “o único espaço durante esta semana que possibilita a todos, em qualquer lugar, a ter um assento à mesa”. Pela primeira vez, o evento pode ser escutado nas línguas oficiais da ONU – espanhol, árabe, chinês, inglês, russo e francês.

Pode assistir à cimeira aqui durante os três dias; organizar ou assistir ao “meetup” integrado no programa da Global Conversation na próxima segunda-feira; e interagir em tempo real com a comunidade da Social Good Summit através das redes sociais (hashtag#SGSglobal)

 

 

ENISA: Incidentes de segurança na rede raramente são reportados

 

Mesmo que possam afectar milhões de pessoas ou negócios, os incidentes de segurança cibernética não são geralmente reportados ou detectados. Quem o diz é a ENISA (European Network and Information Security Agency), agência da União Europeia, num relatório recente sobre a “ciber-segurança”.

O relatório “Cyber Incident Reporting in the EU”, publicado ontem, consiste numa análise geral dos artigos da legislação europeia sobre a temática, divulgando alguns exemplos de incidentes na rede que podem ter um “grande impacto em utilizadores individuais, na economia e na sociedade em geral”.

A saber: Em Junho deste ano, 6,5 milhões de palavras-passe em hash (ocultas) de uma rede social do sector dos negócios apareceram em fóruns públicos de hackers. “O impacto da violação não é conhecido totalmente, mas milhões de utilizadores foram convidados a alterar as suas palavras-passe e os seus dados pessoais podem estar em risco”, lembra o relatório. Algumas palavras-passe de contas da rede social LinkedIn, por exemplo, ficaram comprometidas por este motivo.

Outro caso: em Dezembro de 2011, a tempestade Dagmar afectou o fornecimento de energia para as redes de comunicações electrónicas na Noruega, Suécia e Finlândia. Em consequência, milhões de utilizadores ficaram sem telefone e Internet por duas semanas. Também no final de 2011 uma falha num centro de dados de um fornecedor de smartphones do Reino Unido impediu que milhões de utilizadores da rede, na União Europeia e no resto do mundo, pudessem enviar ou receber e-mails, “o que afectou severamente o sector financeiro”, diz o relatório.

 

Acidentes mantidos em segredo

A questão levantada por esta agência da União Europeia é que a maioria de incidentes como estes raramente são reportados, sendo mantidos em segredo muitas das vezes, como se pode ler no portal Euractiv.

“Os incidentes cibernéticos são a maioria das vezes mantidos em segredo e, quando descobertos, deixam os clientes e os decisores políticos no escuro quanto à frequência, ao impacto e à origem”, afirmaram os co-autores do documento, Marnix Dekker e Christoffer Karsberg.

O estudo divulgado ontem indica que a partilha de relatos de incidentes na Europa deve ser aperfeiçoada e que a legislação pode desempenhar “um papel importante” no combate à insuficiente informação transmitida aos utilizadores da Internet sobre o impacto dos incidentes de segurança na rede e a sua frequência. O relatório recorda que, para alguns tipos de incidentes, há uma nova directiva europeia, transposta para as leis nacionais, que obriga os fornecedores de redes a reportar os incidentes a uma autoridade nacional.

O director executivo do ENISA, citado pelo Euractiv, afirmou que “o relato do incidente é essencial para obter um retrato real da segurança na rede. A estratégia da segurança cibernética é um passo importante e um dos seus objectivos é expandir o âmbito das disposições legais como o artigo 13º para além do sector das telecomunicações”. Este artigo, incluído na directiva europeia “Segurança e Integridade”, de 2009, postula que “os fornecedores de redes e serviços públicos de comunicação devem tomar medidas para garantir a segurança e a integridade das suas redes”, devendo “reportar às autoridades nacionais competentes quebras de segurança significativas”. Por sua vez, ficou legislado que as autoridades nacionais deveriam enviar à ENISA e à Comissão Europeia relatórios anuais sobre incidentes desta ordem.

Na sequência desta lei, a ENISA recebeu em Maio de 2012 os relatórios anuais dos estados membros relativos a 2011. Foram reportados 51 incidentes graves aos reguladores, aos quais chegaram descrições do impacto, da origem, das acções levadas a cabo e das lições aprendidas com os incidentes.

Ao longo do relatório, a agência europeia analisa outras leis europeias relacionadas com a privacidade electrónica e a regulação da protecção de dados, lembrando ainda o que está a ser feito pela Comissão Europeia no âmbito de uma Estratégia de Segurança Cibernética, em fase de incubação.

A ENISA compromete-se a publicar em Setembro deste ano um sumário destes relatórios anuais.

European Communication Monitor 2012 – Síntese de resultados

Cerca de 2.000 profissionais da área da Comunicação – entre directores-presidentes de agências, responsáveis por departamentos de comunicação e consultores, oriundos de organismos públicos, empresas privadas e de organizações sem fins lucrativos – de 42 países europeus, incluindo Portugal, responderam ao repto lançado, online, durante o mês de Março de 2012, pela EUPRERA (European Public Relations Education and Research Association), em parceria com a EACD (European Association of Communication Directors), a revista Communication Director, e um grupo de investigação de onze universidades europeias de renome, sob a batuta do professor Ansgar Zerfass, da University de Leipzig, Alemanha.

 

O que pensam, hoje, da comunicação estratégica os profissionais do ramo na Europa? Era esta questão central de um inquérito proposto por estas entidades, desdobrada em trinta perguntas. Alguns resultados do European Communication Monitor 2012 – estudo empírico anual de tendências de referência na área de Comunicação – podem ser vistos neste vídeo-síntese:

 

 

Quatro tendências a registar e a acompanhar: 82% das organizações têm mais touch points com os seus públicos do que há 5 anos; questões éticas como as regras de transparência e a comunicação nas redes sociais são mais relevantes do qua há 5 anos para 58% dos profissionais sondados; 3 em 4 dos inquiridos concordam que a “voz corporativa” é criada por todos os membros das organizações em interacção com os stakeholders; 75% dos entrevistados assumem a dificuldade em provar o impacto das actividades alusivas à comunicação nos objectivos das organizações.