Mapas interactivos: Veja o quão vulnerável é a sua cidade às alterações climáticas

 

A Agência Europeia do Ambiente (EEA) publicou hoje uma série de mapas interactivos, repletos de detalhes, que permitem aos utilizadores explorar dados de mais de 500 cidades europeias, que terão que se adaptar às alterações climáticas.

O aumento da frequência e da intensidade das cheias e episódios de temperaturas extremas estão na lista das alterações climáticas previstas para os próximos tempos no globo, recorda a EEA no seu site oficial. Com o objectivo de “obter uma impressão rápida de alguns dos desafios da adaptação nas cidades europeias”, a agência criou ferramentas visuais para a Europa conhecer melhor os seus desafios neste âmbito.

Se as chuvas intensas causaram a subida dos rios em cerca de um metro, que cidades europeias poderão correr maior risco de se inundarem? Que cidades com vastas áreas verdes nos podem proteger durante as ondas de calor? Quais são as capacidades das diferentes cidades europeias para tolerar os impactos das mudanças climáticas e para se adaptarem a mudanças futuras?

Estas são algumas das perguntas às quais os mapas interactivos – disponíveis a partir de hoje – tentam dar resposta visualmente. Isto depois do relatório da EEA “Urban Adaptation to Climate change in Europe” ter chamado a atenção para questões semelhantes.

 

Ondas de calor cartografadas

Um dos mapas, por exemplo, revela aspectos da vulnerabilidade face às ondas de calor. Nesse mapa há três tipos de informação a observar: as áreas urbanas verdes que podem servir de abrigo refrescante durante as vagas de calor; a densidade populacional por cidade, que está associada a variáveis como a falta de espaços verdes ou a produção de calor antropogénico que pode intensificar o efeito da “ilha de calor urbana”; e as projecções de alterações climáticas que indicam aumentos no número de noites tropicais e de dias quentes. O site Eye On Earth permite ainda cruzar um mapa de ondas de calor com informação acerca da quantidade de pessoas idosas que são geralmente mais sensíveis ao calor.

A Agência Europeia do Ambiente dispõe ainda, em parceria com a Comunidade Europeia, da Climate-ADAPT, uma plataforma de partilha de estatísticas e outras informações sobre as alterações climáticas.

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Água: O que planeia fazer a Europa para a fonte não secar?

A produção de cereais está a ser prejudicada pelas secas nos países do sul e do ocidente da Europa e nos Estados Unidos. O impacto a longo-prazo das provisões de água doce está no centro das preocupações da Europa política. Em Estocolmo, do próximo domingo até dia 31 de Agosto, na Semana Mundial da Água, peritos discutem este recurso natural, numa altura em que Comissão Europeia está a preparar a revisão de parte da legislação nesta matéria.

No Ano da Água – como oficializado pela Comissão Europeia –, os fenómenos naturais extremos e as alterações climáticas têm estado na ordem do debate de uma nova legislação na União Europeia. Na Suécia, para a semana, falar-se-á de segurança alimentar e de como a União Europeia tem salvaguardado os seus recursos hídricos na Semana Mundial da Água, avança o portal Euroactiv.

O Comité do Programa científico do certame inclui professores, cientistas e peritos dos ramos da água e do desenvolvimento, entre os quais representantes da Organização Mundial de Saúde, da agência das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), da Academia de Ciência e Tecnologia do Nepal, do WorldFish Center e do Instituto Internacional da Água de Estocolmo.

Dados divulgados nesta segunda-feira pelo Instituto Nacional de Estatística apontam para a produção de cereais “mais baixa desde 2005″ durante o ano agrícola de 2012 em Portugal. Os Estados Unidos da América, o maior produtor de milho de mundo, atravessam a maior seca dos últimos cinquenta anos.

Como consequência deste contexto, a nível global, a FAO anuncia que os preços dos alimentos subiram 6% em Julho, com o preço do milho a disparar 23% e do trigo 19%. A responsabilidade desta subida de preços está a ser imputada às secas que estão a devastar a América rural e à produção aquém do expectável na Rússia.

“O crescimento do milho tem sido severamente prejudicado pelo tempo quente e seco na Europa do sul e central”, disse um representante da consultoria francesa Strategie Grains à agência Reuters. “Os danos são irreversíveis, embora uma melhoria do clima possa garantir melhores condições para a maturação dos grãos existentes“. Na semana passada, a Strategie Grains cortou em 7,1 milhões de toneladas as previsões da produção de milho da União Europeia para 58,1 milhões em 2012, uma descida de 13% em relação a 2011.

 

Os alertas dos investigadores à União Europeia

As provisões de água não são um problema em grande parte da Europa. No entanto, investigadores do Helmholtz Centre for Environment Research chamam à atenção para os desafios relacionados com a escassez e a poluição da água em alguns países europeus e para a urgência de uma política mais activa da União Europeia nesta matéria.

Os estudos deste centro alemão fazem referência à insustentabilidade de rios como o Sado, em Portugal, ou a bacia da Andalusia, em Espanha, devido à escassez de água. Também o Reno, Tamisa e Elba estão na lista de rios com recursos hídricos limitados.

 

Aumenta risco de fogo em alguns países europeus

A seca prolongada tem sido apontada como um dos principais rastilhos para os fogos florestais que têm deflagrado em países europeus como Portugal, Espanha, Grécia, França e na zona dos Balcãs. Na semana passada, o Sistema Europeu de Informação de Fogo Florestal (EFFIS) alertava para um extremo ou elevado risco de fogos no sul da Europa, na Hungria e na Eslováquia.

Por sua vez, o Observatório Europeu da Seca (EDO), identificou condições de seca em certas áreas da França, Alemanha, Espanha e Itália e nas Ilhas Faroé. Também Portugal está na lista de países ameaçados por secas prolongadas nos últimos anos, que têm afectado a produção de alimentos, mas também as crescentes preocupações com a estabilidade a longo-prazo das provisões de água.

Os especialistas da meteorologia não são consensuais quanto ao impacto destas perturbações climáticas. Porém convergem na ideia de que os humanos precisam de alterar os hábitos de consumo e tornarem-se utilizadores mais eficientes dos recursos hídricos.

“A variância climática é algo com a qual a humanidade se tem deparado ao longo da nossa história, mas a severidade das secas está a aumentar”, lembra ao portal EuroActiv Jan Lundqvist, conselheiro científico sénior do Instituto Internacional da Água de Estocolmo, entidade que organiza a Semana Mundial da Água.

Programa integral da Semana Mundial da Água aqui.

Organizações humanitárias pedem 104 milhões para o Corno de África

Dezenas de milhares de somalis estão a morrer de causas relacionadas com a fome dos últimos meses no Corno de África, região que inclui ainda o Quénia, a Etiópia, o Sudão e a Eritreia, e vários milhões precisam de rações de emergência. A Somália é o país mais afectado; a ONU declarou a fome generalizada em cinco regiões do país. Pelo menos seis em cada 10 mil crianças morrem todos os dias na Somália, dizem as Nações Unidas. Todas as organizações internacionais que operam na região estão a pedir ajuda rápida.

Uma conferência de políticos africanos e representantes de organizações internacionais, com o objectivo de retomar a assistência às vítimas da seca, que devia ter tido lugar na semana passada, foi adiada para a próxima, apesar da gravidade da situação.

A agência para a alimentação e a agricultura das Nações Unidas, FAO, comunicou que tinha pedido 161 milhões de dólares (113 milhões de euros) para salvar as vítimas da fome na região e até ao momento recebeu, ou tem promessas de receber, apenas 57 milhões de dólares (40 milhões euros) para apoiar a população em risco imediato de vida. A agência da ONU convidou os ministros da Agricultura dos 191 países-membros para uma reunião a 18 de Agosto com o objectivo de alcançar um acordo quanto a medidas urgentes para evitar o agravamento da crise.

A seca deste ano foi considerada “a pior no Sudoeste Africano nos últimos 60 anos”. No Corno de África, a agricultura representa 75% do emprego. Os analistas concordam que há mais razões pelas quais a situação se agravou e no início de Abril as pessoas começaram a morrer. O facto de o número de habitantes da região crescer a uma média de um milhão por ano está a provocar demasiados problemas numa região que, só por si, já tem poucos recursos alimentares. Também este ano os especuladores fizeram com que o preço do trigo no mercado internacional aumentasse 75%, o que encareceu a ajuda internacional.

O aumento dos ganhos com a venda de produtos agrícolas para fabrico de biocombustíveis levou parte da população africana a abandonar a produção alimentar. O delegado do governo alemão para os assuntos africanos, Günter Nooke, acusa a China de ser co-responsável pela fome no Corno de África, “porque muitos investidores chineses compram terras e retiram aos pequenos agricultores a base de sobrevivência”.

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