Infarmed desaconselha uso de cigarros eletrónicos

A autoridade nacional do medicamento (Infarmed) desaconselha o uso de cigarros eletrónicos alegando que estes, tal como os convencionais, podem induzir dependência, independentemente da quantidade de nicotina dispensada. Numa circular divulgada hoje na Internet, o Infarmed indica que, até ao momento, “não tem qualquer autorização ou registo para este tipo de produtos, nem como medicamento, nem como dispositivo médico”. Assim, é desaconselhada a utilização deste tipo de produtos, por não ser possível assegurar a sua qualidade, segurança e eficácia/desempenho.

O enquadramento do cigarro eletrónico enquanto medicamento, dispositivo médico ou produto de consumo geral, depende do seu conteúdo em nicotina, da sua indicação de uso, e se essa é, ou não, uma finalidade médica. E lembra que “os fins médicos devem ser devidamente fundamentados, com dados clínicos e científicos, e esses dados têm que ser submetidos às autoridades competentes para avaliação”.

Cigarros eletrónicos inúteis para deixar de fumar

Já no ano passado, a Organização Mundial de Saúde (OMS) havia esclarecido que não considera os cigarros eletrónicos como um sistema de ajuda ao abandono do tabagismo e que os mesmos contêm aditivos químicos que podem ser tóxicos. Os cigarros eletrónicos apresentados como uma solução para deixar de fumar “sabotam as estratégias da OMS” de luta contra o tabaco, segundo a organização. Os cigarros eletrónicos são “uma ferramenta para sabotar as estratégias destinadas a encorajar as pessoas a deixar de fumar”, defendeu Eduardo Bianco, diretor regional da Aliança para a Convenção Quadro da OMS pela luta anti-tabaco (CCLAT). Continuar a ler

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O presidente da APLD diz que “há uma cultura de intoxicação”

Terminou ontem a reunião em Viena, Áustria, da Comissão de Estupefacientes, inserida no departamento da ONU para a Droga e o Crime (United Nations Office on Drugs and Crime), com uma série de intenções que apelam a uma maior cooperação internacional entre todos os países do mundo.

Relativamente aos tratamentos da toxicodependência, o presidente da APLD, Manuel Pinto Coelho, presente na conferência, lamentou que as declarações não tivessem incluído a expressão “livre de drogas” (drug free).

Para o especialista, no que diz respeito ao tratamento, há uma posição dominante e global que aponta para curas com drogas de substituição, o que, no entender de Manuel Pinto Coelho, é “deixar cair a toalha”. O presidente da associação, que apresentou uma comunicação na conferência, referiu que “vivemos hoje uma cultura de intoxicação, onde a expressão ”livre de drogas” se está a tornar surpreendentemente fora de moda”.

Manuel Pinto Coelho acredita que essa intoxicação poderia ser substituída pela cultura da observação, que deixasse de olhar para a dependência como um todo, mas se debruçasse sobre cada um dos toxicodependentes. Uma espécie de substituição da cultura do pronto-a-vestir pelo tradicional alfaiate.

Artigo original em ionline.pt

Carlos Caldas propõe o tratamento personalizado do cancro: “Cancro cairia 50% até 2030 se portugueses deixassem de fumar”

“Temos um grande navio e um iceberg gigante a deslocarem-se e o desastre está prestes a acontecer. A não ser que se faça qualquer coisa.” Esta é a metáfora encontrada por Carlos Caldas, professor de Oncologia da Universidade de Cambridge, para descrever a evolução do cancro. “É a primeira causa de morte no mundo ocidental”, afirma. Em comparação com outras doenças, como as cardiovasculares – em regressão -, o cancro está a avançar, “com custos elevadíssimos para os sistemas de saúde, já de si puxados até ao limite”.

Na sétima conferência da indústria farmacêutica, dedicada aos “Desafios da Inovação nos Sistemas de Saúde”, promovidas pela MSD e Diário Económico, Carlos Caldas advoga a mudança de paradigma, numa parceria entre as universidades e a indústria farmacêutica. Desde logo, o custo do desenvolvimento de drogas tem de baixar e o tempo de aprovação dos medicamentos devia ser mais reduzido. “A indústria investe mil milhões de dólares (cerca de 743 milhões de euros) para colocar um medicamento ao serviço da Medicina”, diz.

Para atacar este problema e responder às necessidades urgentes das pessoas e dos sistemas públicos, Carlos Caldas propõe a partilha de dados entre todos os envolvidos neste barco: cientistas universidades e indústria farmacêutica. Olhando para esta última, Carlos Caldas diz que é a indústria que acumula a maioria da informação que deve ser partilhada pela comunidade científica. Para tal, propõe a partilha de dados na Internet de forma a que seja viável construir um mapa de cancros que responda aos desafios do futuro. E até já tem uma plataforma comum: “Personalized Cancer Medicine 2.0”, aproveitando o princípio da plataforma Web 2.0. Continuar a ler