Europa: Médicos alertam para aumento de xenofobia nos Sistemas de Saúde

shutterstock_47232823_CMYK

 

As medidas de austeridade adoptadas na Europa em resposta à crise das dívidas públicas nacionais têm um impacto “devastador” nos serviços de saúde em países como a Grécia e Espanha, assinala a organização Doctors Of The World. Notícia do portal Euractiv.

 

O alerta dos Doctors Of The World – uma organização humanitária que presta assistência médica a populações afectadas pela guerra, desastres naturais, doença, fome, pobreza e exclusão – foi dado aquando da publicação do relatório “Acesso aos serviços de saúde na Europa em tempos de crise e a crescente xenofobia” relativo a 2012. Uma das suas principais conclusões é que aumento do desemprego e da pobreza na Europa tem gerado declarações da extrema-direita estigmatizantes para os migrantes.

Este documento abrange dados recolhidos em 14 cidades de sete países Europeus e sinaliza um aumento de actos xenófobos e das restrições no acesso aos serviços de saúde na Grécia e noutros países Europeus como resultado das medidas de austeridade.

81% dos pacientes que apareceram numa clínica dos Doctors of The World em 2012 não tinham possibilidade de aceder a cuidados de saúde a pagar o custo total e 49% tinham habitação temporária ou instável.

Entre os pacientes que falaram de violência, 27% relataram ter sido vítimas de actos violentos depois de chegada ao país de acolhimento. 20% referiram ter-lhes sido negado o acesso a assistência médica por um prestador de serviços de saúde nos últimos 12 meses (especialmente em Espanha, 62%).

“Isto tem a ver com dignidade e viver em segurança sem medo”, afirmou o doutor Nikitas Kanakis dos Doctors of The World da Grécia na apresentação do relatório no International Press Center, em Bruxelas.

“Com a crise social a crescer e a crescer a cada dia que passa, vemos outra vez, sobretudo no Sul, as pessoas que necessitam mais do Estado a serem acusadas mais frequentemente. Temos que falar sobre isto”, acrescentou Kanakis.

 

Irá o sistema de saúde universal desaparecer na Europa?

 

Na Grécia todo o sistema público de saúde está sobre uma enorme pressão devido às medidas de austeridade. Em Espanha, o governo restringiu, por via legal, o acesso à saúde de migrantes indocumentados.

Alvaro Gonzales, dos Doctors of The World do país vizinho, defende que o Estado-Providência e o sistema universal de saúde estão a ser desmantelados e que apenas podem aceder a este último se se está a trabalhar, activo ou se se tem um cartão de saúde.

Os grupos que já eram considerados vulneráveis antes da crise – migrantes ilegais, mas também sem-abrigo, refugiados, toxicodependentes, trabalhadores do sexo e indigentes com cidadania Europeia – têm assistido a uma redução nas redes de segurança social que lhes providenciam apoio básico, defende a organização mundial de médicos.

“É importante sublinhar o facto de isto [esta situação] ser uma questão ideológica, porque não pode ser apoiada de um ponto de vista dos direitos humanos. É completamente injusta e vai contra os tratados internacionais”, assinala Gonzalez.

A crise das dívidas da Zona Euro levou a que alguns governos cortassem drasticamente os seus orçamentos para a saúde pública com vista a conter os défices. Grécia e Espanha estão entre os países que tomaram as medidas mais duras. A França e a República Checa seguiram-lhe os passos.

“Embora muitos dos pacientes venham para a Europa para procurar protecção, eles não estão protegidos. Isto significa que reparar a saúde mental não é possível. Muitas destas pessoas estão isoladas. Têm fracas conexões sociais e vivem em situação precária com um futuro significativamente incerto“, lembra Thierry Brigaud, um representante da organização internacional de médicos em França.

 

 

Cameron critica “turismo social”, Doctors of the World lembram a ética médica

 

Fora da Zona Euro, mas na Europa, também Cameron no Reino Unido criticou e diz pretender atacar aquilo a que chama de “turismo social”, prometendo maior controlo de acesso dos migrantes aos serviços de saúde e à habitação. “O que temos é um Serviço Nacional de Saúde, não um Serviço Internacional de Saúde”, alertou Cameron recentemente, de acordo com a agência Reuters, numa referência aos migrantes provindos da Bulgária e Roménia.

Estará a ideia de Europa ameaçada com esta tendência? O doutor Kanakis tende a pensar que sim: “Estas pessoas [mais vulneráveis] que necessitam de um bom sistema de saúde têm medo de ir lá. As pessoas que mais necessitam da Europa, experienciam-na menos e não podem estar calados”.

Os Doctors of the World reclamam da União Europeia “uma política de saúde pública coerente para a prevenção e tratamento de doenças infecciosas”. De acordo com a ética médica, defendem o direito à assistência médica de todos os pacientes, independentemente do seu estado social ou origem étnica.

 

Exemplo de campanha de sensibilização contra xenofobia na Grécia dos Doctors Of The World:

“ENOUGH!”, um programa destinado a promover a tolerância e a prevenção da violência racista

Anúncios

Rede Dianova em campanha de solidariedade com Dianova Nicarágua

A Rede Dianova lançou uma campanha em Itália e Portugal para angariação de fundos (em bens e equipamentos) para os 400 estudantes acolhidos todos os anos pelo Centro de Educación Integral Esther Del Río-Las María, na Nicarágua. O resultado desta campanha ultrapassou os 50 mil euros.

Entre Dezembro e Junho de 2012, a Dianova Portugal e a Dianova Itália levaram a cabo uma campanha de Solidariedade a nível angariação de fundos (bens e equipamentos) para o colégio Esther Del Río Las Marías, gerido pela Dianova na Nicarágua. Nesta campanha foram recolhidos, entre outros, materiais educativos, produtos de higiene e de primeira necessidade, roupa e calçado, com um valor estimado em mais de 50 mil euros. Um contentor marítimo sairá a partir do porto italiano de Génova, tendo como destino Nicarágua.

O centro educativo Esther Del Río Las Marías dedica-se a melhorar as condições de escolarização e o futuro das crianças em zonas rurais da Nicarágua, as mais afectadas pela pobreza e pela violência endémica. Aprovado pelo Ministério da Educação de Nicarágua e afiliado à rede de Escolas Associadas da UNESCO (Rede PEA), o centro educativo Esther Del Río Las Marías  oferece uma educação gratuita aos mais desfavorecidos. Além disso, os estudantes em regime de internato têm um apoio integral em termos de habitação, alimentação, materiais educativos ou de acompanhamento psicológico e de saúde. Para mais informações visite o site http://www.dianovanicaragua.org.ni/.

Parceira oficial da UNESCO e ONG com Estatuto Consultivo Especial junto do Conselho Económico e Social das Nações Unidas, a Dianova é conformada por uma rede de Organizações Sociais, presente em onze países da Europa e Américas. A Rede Dianova desenvolve programas e projectos inovadores nas áreas da educação, juventude, prevenção e tratamento das toxicodependências, inclusão social bem como em áreas de desenvolvimento sociocomunitário e formação.

David Young, de consultor do BCG a líder no terceiro sector (Entrevista)

David Young foi director administrativo do Boston Consulting Group (BCG), empresa na qual trabalhou entre 1988 e 2005. Em 2006 decidiu mudar para o terceiro sector, abraçando o desafio de integrar a World Vision International, uma organização de desenvolvimento, apoio humanitário e advocacia, dedicada ao trabalho com crianças, famílias e comunidades, e ao combate à pobreza e injustiça social, por exemplo por via do microcrédito. Hoje é COO [chefe executivo de operações] desta ONG.

Oito anos depois da mudança pessoal, em entrevista recente ao BCG Perspectives Young explica como as competências adquiridas no sector empresarial têm valor acrescentado e podem ser aproveitadas no sector social. “Devemos reconhecer que o que construímos através da experiência de consultoria é uma ferramenta poderosa para enfrentar os problemas mais desafiantes e indefinidos”.

Consultar é “a arte de entrar numa organização. Ganhamos uma capacidade de entrar e ter empatia suficiente, disponibilidade para ouvir e o desejo de alcançar um entendimento profundo da situação antes de começarmos a actuar”. Pensar como um consultor, com a finalidade de resolver problemas de ordem global, foi esta a mais-valia e o desafio que viu na sua entrada no terceiro sector.

Na World Vision International  – que conta com o “envolvimento fenomenal” de 44 mil empregados em todo o mundo –, os problemas são “complexos”: Guerra, migração em massa, trabalho infantil, alterações climáticas, e crescimento económico produtivo e pujante “que deixa alguns para trás”. A missão da organização não é menos complexa e ambiciosa: Mudar as vidas de crianças que nasceram em ambientes pobres e fazer aumentar a consciência social sobre os níveis de injustiça e iniquidade que existem a nível macro.

A difícil mudança do sector empresarial para o social deveu-se, em parte, a uma visão racional do seu percurso profissional.“Chegas a um ponto em que precisas de dizer ‘O que é que o mundo à minha volta precisa? Dadas estas necessidades, estou a potenciar ao máximo os meus dons, as minhas competências, a experiência e educação?”. Mas também pesou nesta decisão, admite Young, o seu lado emocional. A consultadoria “é um bom lugar para as pessoas que têm uma paixão profunda e querem induzir mudança”.

Young considerava ter “habilidade para criar mudança” e viu no terceiro sector a plataforma apropriada para causar “um grande impacto nas vidas de muitas pessoas”. E que poderia tomar em conta as “lições directamente aplicáveis” do sector empresarial. “Senti que a mudança, boa e produtiva, que nós vimos nos clientes comerciais poderia ser trazida para o sector das ONGs”.

Além das suas “competências” e da “experiência”, julgava ter uma “perspectiva” que faria a diferença, a de pensar profundamente os problemas: “Consultar permite-te posicionares-te, de olhar mais profundamente para os assuntos. Também a experiência e a viagem permitem-te tornares-te mais consciente do mundo. Prepara-te para te confrontares com alguns dos problemas reais que estão lá fora, além dos muros de uma empresa”.

Na verdade, o ex-director administrativo do BCG não vê assim tantas diferenças entre um sector e outro, à excepção de não estar a trabalhar com mercados públicos e de não mensurar os resultados através do lucro. Outra diferença é de ordem financeira. Tanto que Young aconselha quem está a ponderar mudar do sector empresarial para o terceiro sector a fazer uma “apreciação holística pelas recompensas que irá receber”. Lembra que o foco não deverá ser colocado nas recompensas financeiras, mas nos efeitos e na missão.

Young ao longo da entrevista cita algumas recompensas que já teve nos últimos oito anos de sector social, como libertar uma criança vítima de trabalho infantil e dar-lhe uma oportunidade de ter uma educação, começar um negócio e mesmo empregar outros adultos. “Há crianças que estarão vivas amanhã pelo que a tua organização faz hoje”, acrescenta. Outras recompensas: conferir “dignidade e alívio num momento de grande dor” e perceber que “a mudança está realmente a acontecer” e que a sua organização contribuiu para tal.

 

Leia a entrevista na íntegra aqui.

 

Um quarto das pessoas com Rendimento Social de Inserção não deixam de ser pobres e repetem ajuda

Não ultrapassam a sua condição de muito pobres e voltam a precisar de ajuda do Estado. É o que acontece com quase um em cada quatro beneficiários do Rendimento Social de Inserção (RSI). O mais recente balanço de como é aplicada no terreno esta medida, elaborado semestralmente pela Comissão Nacional do RSI, está concluído. Entre as razões para se deixar de receber o apoio, a mais frequente é o fim da situação de grave carência económica.

Contudo, das pessoas que viram cessar a sua prestação, por esse ou outro motivo, 24% regressaram – um total de 162 mil “repetentes” desde que o RSI foi criado em 2003, substituindo o Rendimento Mínimo Garantido. Os dados referentes a Junho de 2011 mostram ainda que os beneficiários do RSI “representam 3,6% da população residente”, mais de 372 mil pessoas, sendo uma grande fatia (40%) crianças e jovens até aos 18 anos. O valor médio da prestação é de 88 euros por pessoa.

Maria do Carmo Tavares, representante da CGTP-IN na Comissão Nacional do RSI, disse que uma das explicações para que os beneficiários não consigam ultrapassar as situações de pobreza que os levam a recorrer à prestação social pode estar no facto de “os planos de inserção não terem o efeito que deveriam ter”. Os problemas relacionados com o desemprego e a saúde explicarão muitos outros casos, diz. O RSI implica, de acordo com a lei, a assinatura de um programa de inserção, que pode passar por acções de formação, acesso a cuidados de saúde ou outros apoios na área da acção social. Em Junho, 321.900 beneficiários do RSI tinham acordos de inserção assinados (87 mil frequentavam acções que visam promover o emprego).

No mesmo comunicado a CGTP assinala outro dado: cerca de 58% dos beneficiários do RSI não possuía, no semestre em análise, qualquer rendimento para além da própria prestação. E um outro ainda: houve uma redução do número dos que têm subsídio de desemprego e pensões. “Estas duas situações podem ser justificadas pelo aumento do desemprego de longa duração e [pelo facto de] os beneficiários esgotarem a prestação de desemprego que estavam a receber.”

A CGTP considera ainda “lamentável” a “intenção do Governo acabar com vários órgãos da Segurança Social, entre eles a Comissão Nacional do RSI”, que deverá integrar um órgão consultivo que substituirá diversas estruturas. A CGTP discorda e diz que esta comissão fazia um acompanhamento sistemático “de uma prestação cujo objectivo é conferir às pessoas e seus agregados familiares apoios adaptados”, promovendo a “progressiva inserção laboral e comunitária”.

Fonte: Público

Portugal lidera desigualdade

Portugal é o país da União Europeia (UE) com maiores desigualdades entre ricos e pobres. Numa altura em que se discute a possibilidade de taxar quem tem mais, os dados revelam que em Portugal os 20 por cento mais ricos auferem 43,2 por cento do rendimento disponível. É a percentagem mais alta dos 27 Estados-membros da UE.

No nosso país, os 10% mais ricos arrecadam 28% do rendimento total, a percentagem mais elevada na UE 27, com um rendimento 10,3 vezes superior ao dos 10% mais pobres, segundo o relatório do Observatório das Desigualdades que cita números do Eurostat. O Governo prepara-se para introduzir uma taxa especial sobre mais ricos, uma medida semelhante aos franceses que aprovaram um imposto transitório de 3% sobre quem ganhe mais do que 500 mil euros por ano.

Mas ao contrário de França, onde os milionários tomaram a iniciativa de se mostrarem disponíveis para ajudar, em Portugal a maioria dos detentores de grandes fortunas remete-se ao silêncio. O imposto em Portugal poderá entrar em vigor em 2012, apurou o CM, mas o Executivo não avança pormenores. O deputado do PSD Luís Menezes considera o prometo de lei do BE para taxar as grandes fortunas “meritório” mas argumentou que “a pressa é inimiga da perfeição” e que o PSD está a “estudar” a matéria.

É preciso pensar e concretizar numa medida legislativa com pés e cabeça. É assim que deve ser feito o processo legislativo, não deve ser uma corrida para estarmos na agenda mediática afirmou. O BE apresentou ontem o seu projecto para a criação de um “imposto de solidariedade sobre as grandes fortunas” incidindo no património global acima de dois milhões de euros. O imposto aplicar – se – ia sobre valores mobiliários, como quotas, acções ou obrigações, créditos, instrumentos de poupança e propriedade imobiliária.

Obrigações sociais britânicas

No Reino Unido, a contribuição para ajudar a combater a crise pedida aos milionários foi outra. O governo propôs a compra de “obrigações com impacto social” por filantropos e instituições de caridade, uma medida que pode reduzir a despesa do Estado neste sector. Segundo a ideia, os investidores recebem dividendos por cada iniciativa que resolva problemas sociais, como crime ou toxicodependência, por exemplo. O governo acredita que a iniciativa angarie fundos para combater estas situações.

Fonte: Correio da Manhã

Organizações humanitárias pedem 104 milhões para o Corno de África

Dezenas de milhares de somalis estão a morrer de causas relacionadas com a fome dos últimos meses no Corno de África, região que inclui ainda o Quénia, a Etiópia, o Sudão e a Eritreia, e vários milhões precisam de rações de emergência. A Somália é o país mais afectado; a ONU declarou a fome generalizada em cinco regiões do país. Pelo menos seis em cada 10 mil crianças morrem todos os dias na Somália, dizem as Nações Unidas. Todas as organizações internacionais que operam na região estão a pedir ajuda rápida.

Uma conferência de políticos africanos e representantes de organizações internacionais, com o objectivo de retomar a assistência às vítimas da seca, que devia ter tido lugar na semana passada, foi adiada para a próxima, apesar da gravidade da situação.

A agência para a alimentação e a agricultura das Nações Unidas, FAO, comunicou que tinha pedido 161 milhões de dólares (113 milhões de euros) para salvar as vítimas da fome na região e até ao momento recebeu, ou tem promessas de receber, apenas 57 milhões de dólares (40 milhões euros) para apoiar a população em risco imediato de vida. A agência da ONU convidou os ministros da Agricultura dos 191 países-membros para uma reunião a 18 de Agosto com o objectivo de alcançar um acordo quanto a medidas urgentes para evitar o agravamento da crise.

A seca deste ano foi considerada “a pior no Sudoeste Africano nos últimos 60 anos”. No Corno de África, a agricultura representa 75% do emprego. Os analistas concordam que há mais razões pelas quais a situação se agravou e no início de Abril as pessoas começaram a morrer. O facto de o número de habitantes da região crescer a uma média de um milhão por ano está a provocar demasiados problemas numa região que, só por si, já tem poucos recursos alimentares. Também este ano os especuladores fizeram com que o preço do trigo no mercado internacional aumentasse 75%, o que encareceu a ajuda internacional.

O aumento dos ganhos com a venda de produtos agrícolas para fabrico de biocombustíveis levou parte da população africana a abandonar a produção alimentar. O delegado do governo alemão para os assuntos africanos, Günter Nooke, acusa a China de ser co-responsável pela fome no Corno de África, “porque muitos investidores chineses compram terras e retiram aos pequenos agricultores a base de sobrevivência”.

Continue a ler esta notícia no site do I online

Kalashnikov, haxixe e cocaína num mercado perto de si

Oito suspeitos, tráfico de armas, droga e muito dinheiro, tudo em meia dúzia de metros. O negócio acabou por causa de um vizinho irritado. Um morador da zona estava farto das constantes movimentações entre o Bairro dos Lóios e um pequeno café a dezenas de metros e decidiu avisar a PSP dos Olivais. Quatro meses passaram até a PSP deter, a 18 de Janeiro deste ano, oito homens e apreender, na casa do suspeito principal, Bruno G., uma Kalashnikov, AK-47, e outras duas espingardas metralhadoras, uma carabina, pistolas, munições, haxixe, quase 20 mil euros em notas, gorros passa-montanhas, uma máquina de contar dinheiro, gás pimenta e um pirilampo policial azul.

Nesse mesmo dia, foram também apreendidas pistolas, facas, punhais, um colete à prova de bala, cerca de 163 mil euros em dinheiro e mais de seis quilos de haxixe e alguma cocaína. Na operação, foram detidos mais sete suspeitos. Segundo a acusação, a que o i teve acesso, Bruno G. seria o chefe de um gangue que se dedicava ao tráfico de armas e droga, juntamente com Hernâni G. e Mário M., considerados os principais lugares-tenente do líder. A PSP e o DCIAP acreditam que Bruno G. comprava armas, cocaína e haxixe a um terceiro homem conhecido por Marcelino que trazia o material de Espanha. Os três principais arguidos usavam outros suspeitos para comercializarem os produtos e ainda para guardar armas e droga. Segundo as investigações, todos os envolvidos moram na Rua Adães Bermudes, no Bairro dos Lóios, em Cheias, Lisboa e movimentavam-se entre as suas casas e o café Sanana, na Rua Luís Cristino da Silva, a cerca de uma centena de metros dos blocos onde residiam.

A PSP, durante as investigações, relacionou alguns suspeitos com outros crimes, mas o DIAP acabou por incluir apenas um incidente à porta do bar Black Tie, em Lisboa Segundo a acusação, Bruno G. e Mário M. tentaram entrar no estabelecimento e, como lhes foi barrada a entrada, desataram aos tiros à porta. Entre outros episódios pormenorizadamente descritos pela PSP, às 15h32 de 12 de Novembro de 2010, na Rua Adães Bermudes, Pedro J. contactou Bruno G. e Hernâni G. Minutos depois, Hernâni chamou o comprador para dentro de um bloco e entregou-lhe dez embalagens de cinco placas de haxixe cada uma. Pedro J. pagou 6 mil euros e trouxe a droga dentro de uma caixa de sapatos envolvida num plástico. Os agentes que estavam a monitorizar a transacção seguiram o automóvel e detiveram Pedro J. com cinco quilogramas de haxixe.

Desde esta detenção, o líder do grupo deixou de usar o mesmo telefone, mas os investigadores conseguiram descobrir o novo aparelho. Da acusação constam dezenas de relatos sobre transacções semelhantes. Dos oito detidos, três – Bruno G., Hernâni G. e Mário M. – estão em prisão preventiva no Estabelecimento Prisional de Lisboa. Hernâni G. vai ser ouvido na próxima quarta-feira e pode ver a sua medida de coacção reduzida para vigilância electrónica. Da denúncia, em Setembro do ano passado, à detenção de oito suspeitos a 18 de Janeiro de 2011, foram quatro meses de escutas, vigilâncias e outras diligências levadas a cabo pela 2.” Esquadra de Investigação Criminal da PSP dos Olivais, coordenadas pela procuradora Cândida Vilar do Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Lisboa.

Fonte: Ionline