O mundo da Droga nas festas electrónicas e raves

Há cada vez mais festas de música trance, em Portugal, onde menores misturam drogas químicas como o MD e o LSD. A situação, que se vive em muitos outros países europeus, está a preocupar a União Europeia que, numa conferência realizada no mês passado, alertou para o perigo da mistura de substâncias psicoactivas. Em Portugal, as autoridades também estão em alerta com estes eventos que, com a chegada do bom tempo, se multiplicam de Norte a Sul.

Aliás, um estudo da Organização Mundial de Saúde, apresentado na última semana, sobre comportamentos de risco entre os jovens portugueses, dos 11 aos 16 anos, revela um padrão no aumento do consumo de todas as drogas entre 2006 e 2010: 1,8% para 2% no LSD, 1,6% para 1,9% na cocaína e 1,6% para 1,8% no ecstasy. «É preocupante porque revela um padrão nos aumentos de consumo», diz Margarida Gaspar de Matos, que coordenou o trabalho em Portugal.

Quanto à entrada de jovens nas festas trance, a investigadora considera que «as autoridades deveriam monitorizar estas situações junto dos organizadores». Os 15, 16 anos, explica Margarida Gaspar de Matos, são precisamente «as idades em que os jovens começam a experimentar substâncias químicas». Isto, refere, «apesar de serem sobretudo os universitários» a fazê-lo.

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Viagem por uma noite de botellón em Lisboa

Noite de sexta-feira, o Largo de Camões fervilha de gente. Cheira a cerveja, vinho, os pés colam-se ao chão pegajoso dos degraus que contornam a estátua de Luís de Camões. Álcool entornado. Quem chega vai-se sentando, em grupos, neste largo onde os jovens se juntam à noite para beber de garrafas que compram em supermercados ou lojas de conveniência. Sai mais barato. É o botellón português.

Vão chegando mais amigos. Depois – quando já todos os lugares estão preenchidos – começa a haver gente sentada às portas dos prédios que dão forma ao largo. E garrafas, muitas garrafas, sobretudo “litrosas” (cervejas de litro). “Litrosas” à volta da praça, dos bancos, da estátua. “Litrosas” nas mãos do mundo e em sacos de plástico. Para dividir entre amigos ou individuais.

Nikola Nikolov, crista preta, botas tipo Doc Martens, está com um grupo de punks que habitualmente se encontra por aqui. Costumam fazer malabarismo com fogo, mas hoje fazem a seco. Ainda é cedo, 22h45. “Veio falar com a pessoa certa”, diz num português quase perfeito (tem 27 anos, vive em Portugal há dez). “Eu sou mais adepto do tinto, mas há quem seja da cerveja. Sinceramente, se tivesse “guito” até gostava de experimentar uns cocktails.”

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Cientistas demonstram que o cérebro reage às nossas músicas favoritas como uma droga

Nunca teve arrepios de euforia ou ficou com pele de galinha ao ouvir uma música? Se assim for, o seu cérebro está a reagir à música da mesma forma como seria para alguns pratos deliciosos ou drogas psicoactivas como a cocaína, de acordo com cientistas.

A experiência do prazer é mediada em todas estas situações através da libertação de químicos de recompensa do cérebro, a dopamina, de acordo com os resultados das experiências realizadas por uma equipa, liderada por Valorie Salimpoor da Universidade McGill, em Montreal, no Canadá, que serão publicados na revista Nature Neuroscience.

A música parece tocar nos circuitos do cérebro que evoluiu para uma unidade de motivação humana – a qualquer momento que fazemos algo que nosso cérebro quer façamos novamente, a dopamina é libertada para estes circuitos. “Agora, estamos a mostrar que esse sistema de recompensa antiga, que está envolvido em comportamentos biologicamente adaptativos está a ser aproveitado em recompensas cognitivas”, disse Salimpoor.

Valorie diz que a música oferece uma recompensa intelectual, porque o ouvinte tem que seguir a sequência das notas para apreciá-la. “Um único tom não vai ser agradável de forma isolada. No entanto, uma série de tons individuais arranjados no tempo, pode tornar-se numa das experiências mais agradáveis já relatadas por um ser humano. Isso é incrível porque sugere que de alguma forma nosso córtex cerebral segue esses tons ao longo do tempo e funciona como um componente de acumulação, antecipação e expectativa.”

Na experiência, os participantes escolheram peças instrumentais de música que lhes davam arrepios, embora não tivessem memórias específicas interligadas. As letras eram proibidas porque os investigadores não queriam os seus resultados confundidos com qualquer associação que os participantes pudessem vir a fazer com as palavras que ouviam.

As peças escolhidas variaram do clássico ao rock, do punk à música electrónica. “Um pedaço de música começou a aparecer para pessoas diferentes – Adagio para Cordas de Barber”, disse Salimpoor. Foi a peça clássica favorita e uma remistura da música foi a mais popular nos géneros dance, trance e techno.

Ao mesmo tempo que os participantes ouviam a sua música, a equipa de Salimpoor mediu uma série de factores fisiológicos, incluindo a frequência cardíaca e o aumento da respiração e transpiração. Ela descobriu que os participantes tiveram um aumento de 6 a 9 por cento, em relação aos seus níveis de dopamina, quando comparados com uma condição de controlo em que os participantes ouviam as canções escolhidas pelos seus pares. “Uma pessoa sofreu um aumento de 21 por cento. Isso demonstra que, para algumas pessoas, pode ser um fenómeno intensamente prazeroso”, disse ela.

Em estudos anteriores com drogas psicoactivas como a cocaína, Salimpoor atestou que o aumento de dopamina no cérebro foi superior a vinte e dois por cento, enquanto para outros casos houve um aumento relativo até seis por cento, vivido quando os participantes se deleitavam com refeições agradáveis.

Salimpoor e seus colegas concluíram que, “se a música induzida em estados emocionais pode levar à libertação de dopamina, como os nossos resultados indicam, poder-se-á começar a explicar porque as experiências musicais são tão valorizadas. Estes resultados explicam ainda porque a música pode ser efetivamente utilizada em rituais, marketing ou filme para manipular estados hedonistas. Além disso, fornecem evidências neuroquímicas que as respostas emocionais intensas à música envolvem circuitos de recompensa antigos e servem como ponto de partida para investigações mais detalhadas de substratos biológicos que sustentam formas abstratas de prazer. “

FONTE: Guardian

Cocaína tem sido adulterada na Europa com medicamentos veterinários

O número de mortes causadas pelo consumo de cocaína tem vindo a crescer nos últimos anos na União Europeia (UE). É no Reino Unido que a mortalidade associada à utilização de cocaína mais tem crescido, ao ponto de ter duplicado no intervalo de cinco anos (161 casos notificados em 2003 e 325 situações confirmadas em 2008). No total, morrem cerca de mil pessoas todos os anos devido à utilização daquela droga.

Cerca de 70 mil pessoas iniciaram tratamento, em 2008, devido ao consumo de cocaína nos 27 países da UE, o que quer dizer que estes consumidores constituem já 17 por cento dos novos utentes dos programas. A cocaína é a segunda droga mais consumida na Europa, estando a sua utilização mais concentrada nos países do Ocidente e Sul do continente.

A actual oferta de cocaína na Europa pode oferecer uma explicação plausível para estes dados. A esmagadora maioria de cocaína disponível em solo europeu é adulterada, devido aos chamados “agentes de corte”, de modo a aumentar o seu valor de mercado. O relatório do OEDT hoje divulgado dá vários exemplos de quais são os agentes de corte que podem ser empregues: dos açúcares ou amido até à fenacetina ou à cafeína…

Mas a substância mais detectada e a que mais prejuízos pode causar à saúde dos consumidores é o levamisol – um anti-helmíntico para as lombrigas. Aquela substância tem sido utilizada como agente anti-parasitário na medicina veterinária e anteriormente tinha sido igualmente empregue como imunoestimulante na medicina humana. O observatório nota que 70 por cento da cocaína analisada nos EUA, em Julho de 2009, tinha sido acrescentada com aquela substância e nota que uma percentagem muito significativa da droga apreendida e analisada na UE continha levamisol. Este tipo de químicos é adicionado à cocaína, ou a outras drogas em pó, de forma a aumentar o seu valor de compra e os seus consequentes lucros.

Em oito países europeus, incluindo Portugal, o consumo de cocaína ultrapassa o consumo de anfetaminas e ecstasy entre os jovens adultos, avança o relatório anual do Observatório Europeu da Droga e Toxicodependência, apresentado esta semana.

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