Networked Readiness Index | Finlândia vira líder, Portugal mantém-se na 33ª posição

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Da autoria do Fórum Económico Mundial e da INSEAD, o “Global Information Technology Report” de 2013 mantém Portugal na 33ª posição de 144 economias globais. A Finlândia destronou a Suécia do primeiro lugar do pódio. Burundi e Serra Leoa situam-se no fundo do ranking.

 

O Networked Readiness Index, calculado pelo Fórum Económico Mundial (FEM) e pela INSEAD – The Business School for the World, classifica 144 economias com base na sua “capacidade para explorar as oportunidades oferecidas pela era digital”, de acordo com o FEM.

Esta capacidade é determinada pelo quadro político e regulamentar, ambientes empresarial e de inovação, o grau de preparação, a aceitação e o uso efectivo de Tecnologias de Informação [TIs] por governos, empresas e indivíduos, bem como os impactos sociais e económicos decorrentes das TIs.

Tal como no ano passado, Portugal encontra-se, agora, no 33º posto no Networked Readiness Index. Por áreas, situa-se no 38º lugar em duas categorias (Ambiente Político e Ambiente Empresarial), na 34ª posição no que diz respeito às Infraestruturas, na 32ª no uso corrente de TIs e no 35º lugar nos impactos social e económico.

A avaliação é baseada numa vasta gama de indicadores de acesso à Internet e de literacia dos adultos face às subscrições de telefone e o ganhos dos capitais de risco.

 

BRICs enfrentam riscos, países da Europa central e do norte lideram

Uma das principais conclusões da 12ª edição deste relatório anual, divulgadas no passado dia 10 de Abril, sugere que “as políticas nacionais de alguns países em desenvolvimento não conseguem traduzir o investimento em TIs em benefícios tangíveis em termos de competitividade, desenvolvimento e emprego”. Entre os últimos dez países avaliados estão Burundi, Serra Leoa, Chad, Haiti, Guiné, Iémen, Lesotho, Madagáscar, Suazilândia e Mauritânia (do 144º ao 135º).

Os próprios BRICs – Brasil, Rússia, Índia e China – não tiveram uma avaliação em linha com o epíteto de “países de economias emergentes” (60º, 54º, 68º e 58º). O rápido crescimento económico destas nações poderá ser ameaçado, caso não sejam efectuados os investimentos adequados em infra-estruturas, competências humanas e inovação na área das TIs, assinala o relatório.

No topo do “Network Readiness Index” encontra-se a Finlândia, que destronou a líder do ano passado, a Suécia, agora situada no 3º lugar. Singapura mantém a 2ª posição. Seguem-se à Suécia, no ranking, Holanda, Noruega, Suíça, Reino Unido, Dinamarca, Estados Unidos da América e Taiwan.

O relatório assinala ainda que aquelas nações que não conseguem implementar estratégias de banda larga nacionais abrangentes arriscam-se a ficar pelo caminho no que diz respeito à competitividade global e à obtenção de benefícios sociais das TIs.

“Nunca o papel das tecnologias da informação na sustentação do crescimento económico e criação de emprego de qualidade foi alvo de tanta análise. Não obstante as preocupações iniciais de que as TIs iriam acelerar a mobilização de recursos para os países em desenvolvimento, os benefícios das TIs são agora amplamente reconhecidos como uma forma importante de as empresas e as economias optimizarem a produtividade, libertarem recursos e impulsionarem a inovação e a criação de emprego” afirmou Beñat Bilbao-Osorio, economista, da Global Competitiveness and Benchmarking Network do Fórum Económico Mundial, e co-editor deste relatório.

EUA: Design colaborativo procura soluções para adolescentes sem-abrigo

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É uma história ainda por encerrar, mas que começa a dar frutos. Entre eles, a mobilização, a troca de ideias de estudantes de Design e Arquitectura, adolescentes sem-abrigo que dormem nas ruas de Portland, no Estado de Oregon, e uma fundação que lhes prestam auxílio. O design colaborativo e interventivo quer impactar a comunidade de Portland, envolvendo-a e procurando soluções “inovadoras” para permitir que os sem-abrigo tenham uma melhor qualidade de vida, conta-nos Jody Turner, num artigo publicado na Stanford Social Innovation Review.

As razões para um adolescente abandonar a casa para ir morar para rua são várias. Entre elas, uma das mais comuns é o sentimento de se ser um outsider.

Recentemente, a fundação Outside In (a operar na área da saúde, junto dos sem-abrigo) juntou-se à Portland State University (PSU) para “repensar o alojamento para os sem-abrigo adolescentes”. Ou seja, pensar em soluções como sistemas sociais, a partir de um quadro do design interventivo e colaborativo, saídas de conversas entre designers desta universidade, dos próprios adolescentes em situação de sem-abrigo e de quem os auxilia no terreno.

Este assunto não é propriamente novo ou estranho a Sergio Palleroni, arquitecto e professor no Institute For Sustainable Solutions, da PSU, activista social e ambiental, empenhado em encontrar soluções de design para a comunidade. Palleroni esteve envolvido na exposição “Design With the Other 90%: CITIES”, que propõe 60 soluções urbanas para cidadãos a viverem em instalações temporárias em todo mundo – foi o “ponto de apoio”, concebendo conteúdos para a exposição e ajudando os estudantes a desenvolver as suas próprias soluções.

E foi precisamente esta exposição que serviu de inspiração e de ignição para o arranque do projecto Portland Teen Homeless.

 

Nove soluções, rumo à conexão e segurança dos sem-abrigo

Com Teddy Cruz, Palleroni ajudou os seus alunos do Mestrado de Architecture Design a definirem nove soluções “sólidas e bem ponderadas” dirigidas aos sem-abrigo adolescentes da cidade de Portland.

Cada proposta teve como princípio encarar o abrigo como um “’organismo’ que conecta os adolescentes com as suas ‘famílias de rua’ ou as tribos sociais de apoio”. Segundo esta lógica, o foco deveria estar, portanto, na criação de “estabilidade para a juventude sem-abrigo que se sente desconfortável com a sociedade” e na melhoria da “comunicação com uma sociedade desconfortável com os sem-abrigo”, lembra Jody Turner no artigo que publicou ontem na Stanford Social Innovation Review. Artigo no qual destaca este projecto como paradigma de uma “mudança no design rumo à colaboração”. “Uma tendência” que a fundadora da Culture Of Future, uma consultora de estratégia de marca e mercado, diz começar “a emergir dentro das empresas, entre os empreendedores e nos currículos das escolas de Design”.

 

Convite à participação da comunidade de Portland

As maquetes resultantes destas propostas pretendem apresentar os abrigos como sistemas sociais projectados para “conectar adolescentes física e emocionalmente, literal e figurativamente, através de ‘espaços abertos’ e pontos de intersecção onde estes se possam reunir e sentir-se seguros”.

Na próxima etapa do processo, os estudantes vão obter o feedback da comunidade de Portland acerca das suas propostas.

Sergio Palleroni afirmou, na primeira apresentação pública das nove sugestões dos seus mestrandos da PSU, que o grupo que está a desenvolver este projecto planeia “continuar este processo público de design durante este ano com brainstormings abertos ao público e workshops”. Depois deste estímulo público, “o nosso objectivo é ver algumas das melhores ideias generalizadas em estúdio e fora dele”, afirmou o professor-activista.

 

Tendências | Esta sopa é saudável? A resposta à distância de um clique ou de um telemóvel

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Gostaria de conhecer o impacto para a saúde das sopas, de champôs, de certas bebidas ou dos queijos que a/o seduzem das gôndolas do hipermercado ou da mercearia da esquina, quando vai às compras?

Uma organização francesa disponibiliza, desde a semana passada, um serviço gratuito que permite fazê-lo, auxiliando-a/o no momento de decidir. Para isso, precisa de ter uma aplicação específica no telemóvel ou visitar o site da entidade que presta o serviço… e de estar em França. Esta novidade é-nos apresentada pelo portal Euractiv.

 

“O nosso objectivo principal é lançar uma luz sobre as escolhas dos consumidores e descodificar a informação”, afirmou Baptiste Marty, o presidente e fundador do instituto Noteo, a entidade por detrás deste serviço. E na era da globalização, este conceito expandir-se-á por toda a Europa e por todo o mundo? Esta é uma pergunta para a qual, para já, a Noteo ainda não deu resposta.

O sistema foi lançado em França no passado dia 27 de Novembro e permite aos consumidores avaliarem o impacto para a saúde e para o ambiente dos produtos que compram, atribuindo uma classificação “verde” ou menos verde a cada artigo. Ao efectuarem a leitura do código de barras, através de uma aplicação de telemóvel ou da visita ao site da Noteo, os consumidores podem aceder à listagem de químicos presentes em cerca de 45 mil produtos diferentes.

Em França, já existiam sites que permitiam medir o impacto ambiental de determinados produtos domésticos, mas este serviço vai mais além: mede também os efeitos para a saúde do seu consumo.

No portal Euractiv são avançadas reacções e traçados cenários. De um lado, os ambientalistas esperam que serviços como os da organização Noteo constituam um incentivo às empresas para se tornarem mais “verdes”, agora que os componentes dos produtos são colocados a nu. Do outro lado, as empresas, cujos produtos tiverem uma pior classificação, “estarão preocupadas que o serviço afugente os consumidores”. Mas a Noteo diz que “ter uma lista de compras mais verde não significa necessariamente mudar de marca [caso um produto tenha uma má classificação], apenas de produto”.

Este serviço surge no mercado após mais de 5 anos de recolha exaustiva de informações sobre os artigos e contemplou uma média de 400 dados informativos para determinar a decisão sobre a classificação para cada produto. A equipa da Noteo inclui um toxicologista, um nutricionista e um especialista para analisar o ciclo de vida dos produtos, apoiados por um comité científico.

 

O mesmo dinheiro, uma saúde melhor

De acordo com o jornal Le Monde, a Noteo assegura que é possível para um comprador médio melhorar a sua saúde e o impacto ambiental dos produtos que compra, mantendo em simultâneo o mesmo orçamento.

É dado um exemplo, para sustentar esta ideia: o instituto comparou dois cestos de compras, cada um com 7 produtos de higiene e beleza – entre os quais champô, gel de banho, pasta de dentes e um desmaquilhador, todos do mesmo fabricante. Um cesto leva a classificação de 1,5/10 para a saúde e 3,4 para o ambiente, devido a componentes químicos “menos desejáveis”. O outro recebeu 7,1 e 7,4, respectivamente. O preço dos produtos em cada um dos cestos era igual.

 

A importância do “impacto ambiental” para os Europeus

De acordo com o Eurobarómetro de 2009 sobre as atitudes dos Europeus rumo a um consumo e a uma produção sustentáveis, 83% dos consumidores disseram preocupar-se com o impacto ambiental dos produtos que compram. Ainda assim, na hora de decidir a compra, a “qualidade” e o “preço” do produto pesam mais do que o “impacto ambiental” (97% e 89%, respectivamente).

Com a crise económica a não dar tréguas na Europa, a Comissão Europeia acredita que os consumidores vão ainda estar mais atentos à questão do “preço” no futuro.

 

Fundos Europeus | “Well Spent” quer inspirar futuro da Política da Coesão

 

É uma campanha de “Lobbying Verde” que pretende influenciar os decisores políticos a elaborar um Orçamento da União Europeia para 2014-2020 generoso para as áreas da Sustentabilidade e do Desenvolvimento Regional. Como? Evocando bons exemplos recentes de aplicação de fundos europeus para as áreas dos Transportes, Resíduos, da Energia, Biodiversidade e Eco-construções nos 27 Estados-Membros. Entre eles, é citado o caso de sucesso do uso partilhado de bicicletas eléctricas em Águeda, Aveiro.  

 

“Pensa que todos os Fundos Europeus são subsídios, corrupção e mais estradas? Pense outra vez”. É assim que Connie Hedegaard, a Comissária Europeia para as Questões Climáticas, introduz na sua página da rede social Twitter a campanha Well Spent [Bem Gasto].

A campanha, assinada por uma troika de Organizações Não Governamentais [CEE Bankwatch Network, Friends of the Earth Europe e World Wide Fund for Nature], começa por retratar uma União Europeia a duas vozes na área do Ambiente. Por um lado, a Europa dos investimentos que promovem os combustíveis fósseis, “projectos de uso intensivo do carbono” e de “destruição da natureza”. Por outro, aquela que “às vezes vai pelo caminho certo”.

E de que falam estes activistas quando elogiam o “caminho certo”, “em direcção a uma Europa mais verde e a um mundo melhor”? Invocam “investimentos amigos do ambiente”, “exemplos excelentes de projectos em toda a União Europeia [em curso] que se devem tornar referências para a futura Política de Coesão”, que mapearam, a cor verde, e partilharam num site que serve de “sede” de campanha.

 

Próxima Estação: Uma economia europeia descarbonizada

 

 

O timing da elaboração e de difusão desta campanha não é inocente. Afinal, a discussão do Orçamento da União Europeia para o período 2014-2020 está à porta e é hora de fazer o balanço do que foi bem feito na Europa entre 2007 e 2013 em matéria de Políticas de Coesão, para justificar uma proposta de aplicação de 25% do próximo orçamento em “projectos e iniciativas direccionadas para uma economia descarbonizada em toda a Europa”.

O objectivo é persuadir a União Europeia a investir na replicação de algumas “boas práticas” em curso em vários Estados-Membros, com apoio de financiamento europeu, como a reconstrução de uma rota de migração de animais selvagens na área que separa os Alpes austríacos das Montanhas dos Cárpatos, a modernização da artéria central do metropolitano de Nápoles, a construção de novas habitações sociais energeticamente eficientes ou readaptação de antigas em França, ou a criação de uma rede de bicicletas eléctricas em Águeda, Portugal.

“Acreditamos que estes casos inspiradores [e] as nossas recomendações podem levar a uma replicação e a uma expansão destas histórias de sucesso e a incutir uma melhor aplicação do orçamento da União Europeia, que resulte em mais benefícios a longo-prazo”, pode ler-se no site oficial da Well Spent.

As expectativas deste “lobby verde” traduzem-se em números generosos, mas o discurso foca-se mais na palavra “investimento” do que na da “despesa”: As ONGs envolvidas nesta campanha acreditam que a Política de Coesão é uma “ferramenta de investimento para promover o desenvolvimento regional” e defendem que um terço do Orçamento “deve ser investido” em Política Regional. No período 2007-2013, o Orçamento para a Política de Coesão foi de 350 mil milhões de euros.

“Durante períodos de crise económica e ambiental, a Política de Coesão necessita de focar-se mais em conduzir investimentos que sejam sustentáveis e inovadores, que de facto beneficiem a população, envolvendo-a directamente na implementação e monitorização dos projectos”. Como? Assegurando “benefícios directos para a região ou comunidade beneficiária”, como “impactos ambientais positivos” e “benefícios económicos efectivos” – isto é, poupanças energéticas “substanciais” e criação e manutenção de postos de trabalho. E usando “sustentavelmente” recursos locais e procurando imprimir nos cidadãos envolvidos um “sentido de propriedade da Política de Coesão”, defende a campanha.

Entre as cinco propostas das três ONGs reunidas para inspirar ou influenciar políticos como Connie Hedegaard, está ainda a ambição de colocar o Desenvolvimento Sustentável no centro da Política de Coesão da União Europeia. Bem como um pedido aos decisores europeus para desenharem um orçamento que apoie medidas para a protecção ambiental e eficiência de recursos, incluindo a protecção da biodiversidade e ecossistemas em todas as regiões da Europa.

Doenças oftalmológicas: A “cegueira” da Europa face a um envelhecimento da população com “olhos de ver”

A iniciativa de saúde pública global Vision 2020: The Right To Sight está a ter fraca adesão na Europa. Com o envelhecimento galopante da população no continente, várias associações do sector da saúde oftalmológica têm lançado alertas ao poder político. No Dia Mundial da Visão, os deputados do Parlamento Europeu viram-lhes dirigidas mensagens contra “a cegueira” da Europa face à política da Saúde da Visão, segundo o portal Euractiv.

A Organização Mundial de Saúde estima que 80% da cegueira possa ser prevenida, mas também reconhece que a prevalência das doenças oftalmológicas tem aumentado – com a perspectiva de duplicarem entre 1990 e 2020.

Enquadremos esta tendência: em 2050 a proporção da população europeia com 65 anos ou mais será de 29,9%, de acordo com as estatísticas do Eurostat. Prevê-se, ainda, que o número de diabéticos aumente para 35 milhões em 2030. Até 40% destes, deverá ser diagnosticada uma retinopatia. 3% terão “sérios” problemas de deficiência visual.

Neste sentido, no Dia Mundial da Visão, celebrado no passado dia 10, Peter Ackland, director da Agência Internacional para a Prevenção da Cegueira, alertou a elite política do Parlamento Europeu (PE) para o aumento da prevalência da deficiência visual.

Aos eurodeputados foram pedidas medidas urgentes para ampliar os cuidados oftalmológicos, dado o agravamento da deficiência visual, resultante de doenças crónicas que se intensificam com a idade. Degenerescência macular, cataratas, retinopatia diabética e glaucoma estão entre as principais causas da cegueira que pode ser evitada, na Europa, relacionadas com o envelhecimento da população.

“A cegueira evitável tem um grande impacto nos sistemas de Saúde e na sociedade como um todo. Aproximadamente um em trinta europeus experiencia perda de visão e 75% das pessoas com cegueira parcial e em idade activa estão desempregados”, lembrou o eurodeputado grego Ioannis Tsoukalas, no âmbito da celebração do Dia Mundial da Visão.

 

Estudo do E-FAB: Europeus mais preocupados com a perda de visão do que com doenças cardíacas

Um recente inquérito do Fórum Europeu Contra a Cegueira (E-FAB), aplicado a mais de 5000 pessoas em 5 países europeus, revela que a maioria dos inquiridos está mais preocupada com a perda de visão do que em contrair doenças cardíacas, diabetes ou doenças respiratórias. À frente desta preocupação, encontra-se apenas o receio de perda de memória.

Mais de metade dos inquiridos (53%) respondeu que estava preocupada com a perda de visão e com a cegueira na velhice e que os sistemas de saúde devem dedicar mais recursos para prevenir a perda de visão. “Quase dois terços das pessoas no estudo afirmaram que o diagnóstico tardio e a falta de testes à visão regulares são as maiores barreiras à detecção [destas doenças]”, acrescenta Narinder Sharma, directora-geral da AMD Alliance International.

 

Estratégia “Vision 2020: The Right To Sight”, um fiasco?

Para fazer face à previsão de que prevalência das doenças oftalmológicas deve duplicar 1990 e 2020, a Organização Mundial da Sáude e a Agência para a Prevenção da Cegueira criaram a iniciativa “Vision 2020: The Right To Sight”. Mas apenas três países europeus adoptaram as estratégias veiculadas neste programa e a saúde da visão continua a ser “negligenciada” ao nível da política europeia, critica o E-FAB em comunicado.

“Criámos este fórum para aumentar a consciencialização e para conduzir a acção, de forma a salvaguardar a visão dos Europeus e a promover uma atenção maior à saúde dos olhos, para que os Europeus não ceguem, se for evitável. A Vision 2020 sugere que esta é uma prioridade de saúde a nível global, e nós necessitamos de nos assegurar que esta também se vai tornar uma prioridade na Europa”, concluiu Ian Banks, presidente do European Men’s Health Forum.

O eurodeputado Ioannis Tsoukalas defendeu, no Parlamento Europeu, que “ao negligenciar esta área, os governos estão a induzir indirectamente uma grave invalidez nos seus cidadãos, fazendo disparar precocemente as reformas, as pensões de invalidez, custos mais altos para a Segurança Social e a exclusão social”.

Já o porta-voz da Federação Europeia das Associações e Indústrias Farmacêuticas (EFPIA), também presente no Parlamento por ocasião do Dia Mundial da Visão, lembrou que existem ainda doenças como a retinite pigmentosa, sem opções de tratamento disponíveis, e que a aposta na investigação não deve parar.

“Numa sociedade envelhecida e com a crise económica em curso, os cidadãos Europeus estão a olhar para a indústria farmacêutica inovadora como uma entidade que os permite viver mais tempo, vidas mais activas e especialmente mais saudáveis”, concluiu o representante da EFPIA.

 

iCancer: Campanha contra cancro que atingiu Jobs já está online e não é da Apple

iCancer é uma campanha global de angariação de fundos em regime de “crowdfunding”, com vista a prolongar a vida de pessoas com tumor neuro-endócrino. Nem o nome escolhido, nem a data de lançamento são inocentes. Steve Jobs, criador do iMac, morreu há um ano com um cancro deste tipo no pâncreas. As contribuições podem ser efectuadas até 16 de Novembro nas redes sociais.

A 39 dias do fecho desta campanha digital de “crowfunding”, 312 pessoas já doaram cerca de 45 mil euros. O objectivo final é angariar 2 milhões de libras [cerca 2,5 milhões de euros], o montante necessário para a primeira fase dos ensaios em humanos de um vírus modificado, actualmente “preso” num frigorífico na Suécia. Já foi experimentado com sucesso em ratos e pode vir a destruir um cancro cuja incidência está a aumentar a passos largos em todo o mundo e cujo diagnóstico muitas vezes acontece tardiamente.

“Não há punhos de camisa, não há concerto de rock e não há dinheiro”, adiantam os organizadores desta campanha global, a decorrer actualmente no Twitter, Facebook e You Tube. “Somos apenas nós, os cientistas, o vírus e tu”. A linguagem é directa e informal, a condizer com as tácticas do chamado marketing de guerrilha.

O escritor Alexander Masters e o jornalista Dominic Nutt garantem que montaram esta campanha em pouco mais do que uma semana. E o que estão a pedir aos cibernautas? Uma doação simbólica de 2 libras (cerca de 2,5 euros), perspectivando que um milhão de pessoas contribuam para cumprir o objectivo central do iCancer.

Os tumores neuro-endócrinos (NET) são cancros de glândulas que libertam hormonas como insulina, adrenalina e serotonina sob o controlo do sistema nervoso, podendo espalhar-se por todo o corpo. “São assassinos silenciosos”, alertam os promotores da campanha – Masters e Nutt, este último vítima desta doença. Masters, autor do bestseller “Stuart: A life Backwards” decidiu envolver-se na campanha iCancer – que tem como slogan “As pessoas antes do lucro”— quando foi diagnosticado um cancro deste tipo, incurável, a um amigo próximo.

“Estou profundamente frustrado. Há um tratamento potencial – um vírus que destrói este cancro em experiências de laboratório. Mas agora está num frigorífico num laboratório de investigação na Suécia à espera de ser testado em humanos”, afirma Masters.

A ideia é que, com o dinheiro angariado, a equipa de investigação por trás deste tratamento, liderada pelo professor Magnus  Essand, criador do vírus, possa partir para estes ensaios em humanos, e as farmacêuticas possam assumir o controlo do processo de desenvolvimento de um medicamento que prolongue “significativamente” a vida dos milhares de pessoas que padecem deste cancro.

E como se pode participar nesta campanha? O público é encorajado a seguir @iCancer no Twitter e “tuitar” detalhes sobre a campanha, disseminando-a, usando o canal #iCancer. Cada pessoa deve doar 2 libras esterlinas (cerca de 2,5 euros), usando os links para o site de “crowdsourcing”, a partir do feed do Twitter, da página do Facebook e do YouTube.

 

Uma campanha “inteligente” e/ou questionável?

“A campanha é inteligente ao capitalizar o aniversário da morte de Steve Jobs”, o que pode “atrair uma cobertura alargada nas redes sociais”, defende o portal ThirdSector (Reino Unido) que escolheu a iCancer como “A Campanha Digital da Semana”. O mínimo da doação “vai parecer viável para as pessoas a considerarem”, sendo que “o sucesso desta campanha poderá também levar a mais exemplos de angariação de fundos de crowdsourcing deste tipo”

Por outro lado, há a questão levantada pelo jornal britânico The Guardian. “Como deve ser o público envolvido na decisão do financiamento da investigação científica?” Directamente, através do “poder dos social media”, como defendem os organizadores da iCancer?

A economista Mariana Mazzucato escreve no portal The Entrepreneurial State que, as empresas privadas e os capitalistas de risco são muitas vezes relutantes em investir em tecnologias que não têm um caminho claro para um produto que venha a trazer lucros, preferindo o sector público suportar os riscos do Desenvolvimento numa fase inicial. Neste caso específico, o que se sucedeu é que o governo sueco não apoia ensaios clínicos em humanos.

“Os organizadores [desta campanha] estão a experimentar e a descobrir também. A campanha é realista no que toca às perspectivas de sucesso da terapia experimental, mas também tem uma inocência encantadora”, escreve Stephen Curry, professor de Biologia Estrutural no Imperial College, num artigo de opinião publicado ontem no The Guardian.

E onde fica Steve Jobs, o co-fundador da Apple e criador de uma série de invenções tecnológicas, nesta história? “O que teria feito Steve Jobs disto? Talvez esteja a sorrir com a abordagem inovadora e disruptiva adoptada pela campanha, enquanto se retrai com o nome iCancer, que imprudentemente imita os nomes de vários produtos Apple”, especula Curry.

 

Inovação na União Europeia: Cortes ou reforço em tempo de crise?

93% dos europeus acreditam que investir na inovação é um dos melhores modos de criar empregos na Europa – um aumento de 7% em relação há dois anos, de acordo com o segundo barómetro da União Europeia para a Inovação, publicado anteontem. Mas alguns deputados europeus prevêem que o orçamento europeu para a Investigação e Inovação mingúe, de acordo com o portal Euractiv.

 

Também 56% dos inquiridos para o Barómetro são da opinião que a actual crise económica colocará a inovação numa posição menos prioritária na agenda da União Europeia, quando o orçamento para a inovação para o período 2014-2020 for discutido.

Entretanto, a Comissão Europeia e o Parlamento já fizeram saber que querem ver os fundos para a investigação na ordem dos 80 mil milhões de euros no próximo orçamento multianual, o chamado MFF (Multi-annual financial framework).

“Na altura em que instituições debatem o próximo MFF, eu encorajá-la-ias a proteger os 80 mil milhões de euros destinados à investigação e à inovação, no âmbito do programa Horizonte 2020”, propôs o deputado europeu Sean Kelly, num evento parlamentar de apresentação dos dados do barómetro da OCDE.

Por sua vez, o polaco Jan Olbycht, vice-presidente do Partido Popular Europeu, acredita que a investigação não levará a “parte de leão” do orçamento, o que considera afectar todas as outras áreas da política europeia. “Sabemos que nos vamos deparar com reduções no MFF e é irrealista imaginar que haverá reduções noutras áreas, como a agricultura ou os fundos de coesão, sem que haja uma redução no orçamento para a investigação”, vaticina Olbycht ao portal Euractiv.

A discussão do orçamento da União Europeia para 2014-2020 está agendada para o período entre Novembro deste ano e Fevereiro de 2013.

 

Inovação, “um agente catalítico” para o rejuvenescimento económico?

Os receios de que haja um desinvestimento na investigação também estão espelhados num recente relatório da OCDE. O documento revela que a fraca recuperação económica tem levado a uma permanente frouxidão no investimento das empresas em investigação e desenvolvimento, especialmente na Europa ocidental e do Sul.

Mesmo a perspectiva para a França, a Alemanha, o Reino Unido e os Estados Unidos da América é incerta, revela o relatório.

“Acreditamos que a inovação possa ser o agente catalítico para um rejuvenescimento económico para a Europa, mas isso não pode acontecer no vácuo. Precisamos de criar um ambiente que promova, incentive e compense a inovação, no seu sentido mais amplo, através dos sectores público e privado”, afirmou Hendrik Bourgeois, vice-presidente dos Assuntos Europeus.

O mesmo conclui que “se a Europa quer competir e manter a sua posição de maior potência económica, precisa de se tornar mais competitiva e responder às condições de um mercado em mudança”.