Ciclos de Formação Dianova | Fevereiro e Março

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Três ciclos de Formação – destinados a técnicos e decisores de Organizações do Terceiro Sector,  Agentes de Apoio a Crianças e Jovens e a Agentes de Apoio a Séniores. São estas as principais novidades da agenda do Centro de Formação para o final de Fevereiro e início de Março, além dos cursos co-financiados divulgados na semana passada. Onde? Em Lisboa, Torres Vedras e Alverca do Ribatejo. Conheça os pormenores dos cursos abaixo.

Ciclo de Formação: Técnicos e Decisores do 3º Sector

Estão abertas as inscrições – até dia 5 de Fevereiro – para os dois cursos de um ciclo de Formação destinado a técnicos e decisores do 3º sector, a decorrer em Lisboa, nos próximos dias 22 e 25 de Fevereiro.

“Liderança no Terceiro Sector – Motivação e Gestão de Equipas de Trabalho” é o primeiro, a ter lugar dia 22, entre as 9 e as 18h, em Lisboa. Já o segundo curso deste ciclo, “Ferramentas de Gestão Organizacional para Decisores de Organizações do Terceiro Sector – Liderança e Gestão de Projectos”, está agendado para dia 25, para o mesmo horário.

Ciclo de Formação: Agentes de Apoio a Crianças & Jovens | 26 e 28 de Fev

Já viu a oferta de formação que a Dianova tem disponível para Agentes de Apoio a Crianças para o próximo mês, em Lisboa e Alverca do Ribatejo?

Integram o Ciclo de Formação destinado a estes profissionais dois cursos, cada um desdobrado em duas sessões de 6 horas:  “Comportamentos Disfuncionais na Infância – Identificação e Actuação” (Alverca do Ribatejo, dias 26 e 28 de Fevereiro, 10-17h); e “Crianças e Jovens em Risco – Dinâmicas Associadas” (Lisboa, dias 25 e 27 de Fevereiro, 10-17h).

 As inscrições estão abertas até 4 de Fevereiro.

Ciclo de Formação| Saúde da Pessoa Idosa | 5 e 7 de Março

Destinado a Agentes de Apoio aos Seniores, o curso “Saúde da Pessoa Idosa”, está agendado para Torres Vedras, para os próximos dias 5 e 7 de Março (10-17h, em ambos os dias). Pode inscrever-se, até dia 11 de Fevereiro.

A ficha de inscrição para cada um dos cursos deve ser preenchida aqui.

Contactos do Centro de Formação Dianova | formacao@dianova.pt| 261 312 300

Doenças oftalmológicas: A “cegueira” da Europa face a um envelhecimento da população com “olhos de ver”

A iniciativa de saúde pública global Vision 2020: The Right To Sight está a ter fraca adesão na Europa. Com o envelhecimento galopante da população no continente, várias associações do sector da saúde oftalmológica têm lançado alertas ao poder político. No Dia Mundial da Visão, os deputados do Parlamento Europeu viram-lhes dirigidas mensagens contra “a cegueira” da Europa face à política da Saúde da Visão, segundo o portal Euractiv.

A Organização Mundial de Saúde estima que 80% da cegueira possa ser prevenida, mas também reconhece que a prevalência das doenças oftalmológicas tem aumentado – com a perspectiva de duplicarem entre 1990 e 2020.

Enquadremos esta tendência: em 2050 a proporção da população europeia com 65 anos ou mais será de 29,9%, de acordo com as estatísticas do Eurostat. Prevê-se, ainda, que o número de diabéticos aumente para 35 milhões em 2030. Até 40% destes, deverá ser diagnosticada uma retinopatia. 3% terão “sérios” problemas de deficiência visual.

Neste sentido, no Dia Mundial da Visão, celebrado no passado dia 10, Peter Ackland, director da Agência Internacional para a Prevenção da Cegueira, alertou a elite política do Parlamento Europeu (PE) para o aumento da prevalência da deficiência visual.

Aos eurodeputados foram pedidas medidas urgentes para ampliar os cuidados oftalmológicos, dado o agravamento da deficiência visual, resultante de doenças crónicas que se intensificam com a idade. Degenerescência macular, cataratas, retinopatia diabética e glaucoma estão entre as principais causas da cegueira que pode ser evitada, na Europa, relacionadas com o envelhecimento da população.

“A cegueira evitável tem um grande impacto nos sistemas de Saúde e na sociedade como um todo. Aproximadamente um em trinta europeus experiencia perda de visão e 75% das pessoas com cegueira parcial e em idade activa estão desempregados”, lembrou o eurodeputado grego Ioannis Tsoukalas, no âmbito da celebração do Dia Mundial da Visão.

 

Estudo do E-FAB: Europeus mais preocupados com a perda de visão do que com doenças cardíacas

Um recente inquérito do Fórum Europeu Contra a Cegueira (E-FAB), aplicado a mais de 5000 pessoas em 5 países europeus, revela que a maioria dos inquiridos está mais preocupada com a perda de visão do que em contrair doenças cardíacas, diabetes ou doenças respiratórias. À frente desta preocupação, encontra-se apenas o receio de perda de memória.

Mais de metade dos inquiridos (53%) respondeu que estava preocupada com a perda de visão e com a cegueira na velhice e que os sistemas de saúde devem dedicar mais recursos para prevenir a perda de visão. “Quase dois terços das pessoas no estudo afirmaram que o diagnóstico tardio e a falta de testes à visão regulares são as maiores barreiras à detecção [destas doenças]”, acrescenta Narinder Sharma, directora-geral da AMD Alliance International.

 

Estratégia “Vision 2020: The Right To Sight”, um fiasco?

Para fazer face à previsão de que prevalência das doenças oftalmológicas deve duplicar 1990 e 2020, a Organização Mundial da Sáude e a Agência para a Prevenção da Cegueira criaram a iniciativa “Vision 2020: The Right To Sight”. Mas apenas três países europeus adoptaram as estratégias veiculadas neste programa e a saúde da visão continua a ser “negligenciada” ao nível da política europeia, critica o E-FAB em comunicado.

“Criámos este fórum para aumentar a consciencialização e para conduzir a acção, de forma a salvaguardar a visão dos Europeus e a promover uma atenção maior à saúde dos olhos, para que os Europeus não ceguem, se for evitável. A Vision 2020 sugere que esta é uma prioridade de saúde a nível global, e nós necessitamos de nos assegurar que esta também se vai tornar uma prioridade na Europa”, concluiu Ian Banks, presidente do European Men’s Health Forum.

O eurodeputado Ioannis Tsoukalas defendeu, no Parlamento Europeu, que “ao negligenciar esta área, os governos estão a induzir indirectamente uma grave invalidez nos seus cidadãos, fazendo disparar precocemente as reformas, as pensões de invalidez, custos mais altos para a Segurança Social e a exclusão social”.

Já o porta-voz da Federação Europeia das Associações e Indústrias Farmacêuticas (EFPIA), também presente no Parlamento por ocasião do Dia Mundial da Visão, lembrou que existem ainda doenças como a retinite pigmentosa, sem opções de tratamento disponíveis, e que a aposta na investigação não deve parar.

“Numa sociedade envelhecida e com a crise económica em curso, os cidadãos Europeus estão a olhar para a indústria farmacêutica inovadora como uma entidade que os permite viver mais tempo, vidas mais activas e especialmente mais saudáveis”, concluiu o representante da EFPIA.

 

Tendências | Reino Unido: A generosidade é para os mais velhos?

No Reino Unido mais de metade das doações caritativas é realizada por pessoas acima dos 60 anos. As pessoas com menos de 30 anos são seis vezes menos generosas do que aquelas acima dos 60. Pelo menos é o que revela um recente estudo da Universidade de Bristol, realizado a meias com a Charities Aid Foundation (CAF).

 

Estas duas instituições analisaram as doações caritativas efectuadas entre 1978 e 2010 no Reino Unido, com base em faixas etárias e datas de nascimento dos doadores.

E o que descobriram? Em 2010, por exemplo, 32% das pessoas acima dos 60 anos inquiridas tinham feito doações caritativas nos últimos quinze dias, o dobro face às pessoas com menos de 30 anos (16%). “Os jovens não estão a conseguir manter os padrões de generosidade dos seus antepassados”, assinala o relatório.  O jornal The Guardian ilustra os dados deste estudo através de gráficos.

O próprio título do relatório em questão põe a tónica no alarme: “Mind the Gap” (“Cuidado com o fosso”, uma alusão à popular mensagem escutada a toda a hora no metropolitano londrino). A CAF alerta para a “bomba-relógio geracional” no campo da caridade e para a “perda de hábito de dar”, dirigindo-se aos mais jovens. É uma “crise de doações de longo-prazo”, acrescenta.

O relatório dá conta inclusive dos níveis de generosidade: os britânicos com mais de 60 anos são seis vezes mais generosos do que os sub-30. Há trinta anos, por sua vez, esta diferença era menor: os sub-30 eram três vezes menos generosos do que os maiores de 60. Por exemplo, os britânicos acima dos 75 doam 10 vezes mais (como proporção dos seus gastos totais) do que os britânicos com menos de 30 anos.

O relatório refere, neste sentido, que “os mais recentes grupos de pensionistas estão a disfrutar de padrões de vida mais elevados do que os seus predecessores”.

Por outro lado, o valor das doações de natureza caritativa tem crescido. Entre 1978 e 2010, a média das doações passou de 4,57 euros para os 11,49 (em termos reais). Em 2010, por exemplo, entre a população total, a média de doação semanal no Reino Unido era de aproximadamente 3,1 euros.

Nesta investigação é salientado que as tendências sócio-económicas e demográficas devem ser consideradas para interpretar estes números. De acordo com os censos de 2011, 16% da população total de Inglaterra e Gales tem acima de 65 anos.

O relatório propõe acções urgentes, como levar as doações para plataformas online para atrair os mais jovens para esta prática.

 

“O que mudou?” ou as críticas de Ed Howker ao Estado, aos mercados e às charities

“Por que é que há um fosso geracional nas doações de caridade?”, pergunta Ed Howker no título do um artigo de opinião publicado na edição do passado domingo no jornal britânico The Guardian. O co-autor do livro “Jilted Generation: How Britain Has Bankrupted Its Youth” lembra que os jovens são “apenas os últimos participantes numa tendência – as percentagens de donativos das famílias com membros com menos de 50 anos entraram em declínio há décadas”. O estudo, por exemplo, refere que 32% dos agregados familiares contribuíam para a caridade em 1978, enquanto que em 2010 o valor situava-se nos 27%.

“O que mudou?, questiona Howker. “Chegámos a um tipo de sociedade em que o governo necessita de voluntários para substituírem o lugar dos funcionários públicos remunerados, enquanto as instituições de solidariedade pagam a pessoas para organizarem doações”.

O texto termina com o dedo na ferida, um dedo apontado ao Estado e ao Mercado: “Convidamos os jovens a depositarem a sua fé na caneta de um burocrata ou na mão do mercado invisível, mas não na sua própria boa consciência. Entretanto, os mais velhos dão cada vez generosamente para a caridade, porque suspeitam que não podem contar nem com o sistema, nem mesmo com a combinação de ambos para resolver os problemas do mundo [‘enquanto lês isto e hesitas’]”.

Portugal em 2030: Uma população envelhecida | “Presente no Futuro”

 

“As decisões que tomarmos hoje vão moldar o País em 2030”. Foi com estas palavras que o sociólogo António Barreto inaugurou esta manhã “Presente no Futuro – Os Portugueses em 2030”, ciclo de conferências a decorrer hoje e amanhã em Lisboa. Como inverter as tendências demográficas previstas para 2030, como uma taxa de fecundidade na ordem dos 1,6%?

Segundo dados do Pordata, em Portugal, em 40 anos, há quase menos 1 milhão de jovens e mais de 1 milhão de idosos. Os dados dizem respeito ao período compreendido entre 1971 e 2009. A tendência mantém-se actualmente. Um estudo recente, encomendado para a iniciativa “Presente no Futuro”, diz ainda que a taxa de fecundidade em 2030 será de 1,6%, valor insuficiente para substituir gerações. Mais de 25% da população terá 65 ou mais anos. Em 2050, 31,8% da população portuguesa terá mais de 65. Portanto, os portugueses terão vidas mais longas, mas haverá menos população activa, se se considerar então, como hoje, a idade activa entre os 15 e os 64 anos.

“Mesmo nos cenários mais optimistas, o envelhecimento aumenta e a população diminui, para valores do século passado. E como estas são tendências de muitos anos, só medidas políticas [de apoio à natalidade] poderão fazer a diferença”, comenta à revista Visão Maria Filomena Mendes, demógrafa e autora do estudo preparado, a pedido da Fundação Francisco Manuel dos Santos, para apresentar em “Presente no Futuro”, a decorrer hoje e amanhã, no Centro Cultural de Belém.

 

Charles Haub: A imigração não basta para inverter tendência

Na primeira sessão de hoje de “Portugal no Futuro”, o demógrafo Charles Haub começou por afirmar que os imigrantes têm ajudado a travar as maiores diferenças nas pirâmides demográficas, mas lembra que o cenário está a mudar: “A fertilidade não é assim tão grande nos países pobres. Veja-se na Turquia onde as mulheres têm, em média, dois filhos”. E acrescenta: “É preciso procurar soluções”, além da imigração que, segundo Haub não é “de longe a solução perfeita, devido às barreiras da língua”.

O panorama lembrado pelo demógrafo não contempla só Portugal, mas o mundo “desenvolvido” e é, na sua perspectiva, uma consequência dos problemas financeiros dos países e da fraca educação. “Não há forma de reverter essa situação”, afirmou, pessimista. “De que serve ter tantas pessoas quando não há formação nem emprego?”  

Portugal encontra-se abaixo da média europeia, com a idade do primeiro filho a subir até aos 30 anos. Haub comparou, esta manhã, dois países com tendências diferentes: Portugal a Ruanda. Enquanto hoje Portugal conta com 10,6 milhões e Ruanda 10,8 milhões, em 2050 teremos 10,7 milhões de Portugueses e 20,6 milhões de pessoas.

 

No  “Presente no Futuro” discute-se Envelhecimento, Família e Trabalho
“O que podemos fazer para mudar o curso de algumas tendências? Que inquietações e sonhos temos para 2030?
. É este o mote, em forma de questionamento, para as sessões deste certame, que conta e contará com a presença de Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente do Brasil e sociólogo, da presidente do Banco Alimentar Isabel Jonet, da artista plástica Joana Vasconcelos, do historiador José Pacheco Pereira, do arquitecto Nuno Portas, da socióloga Luísa Schmidt, do humorista Ricardo Araújo Pereira, e do especialista em tecnologia, estratégia e inovação Andrew Zolli, entre sessenta oradores.

“Presente no Futuro” procura ser um “encontro de reflexão sobre os portugueses que somos e os portugueses que queremos ser”, de acordo com a página oficial do evento.  E incide sobre quatro “grandes temas decisivos” para os próximos anos: o envelhecimento e conflito de gerações; as famílias, trabalho e fecundidade; as desigualdades: povoamento e recursos; fluxos populacionais e projectos de futuro.

Hoje, às 12h30 e às 16h50, as perguntas que se colocam em debates diferentes são “O que é o envelhecimento demográfico?”, “As famílias estão em crise?”, “O Envelhecimento torna as sociedades mais resistentes à mudança?”, “Temos menos filhos porque estamos a empobrecer e somos mais egoístas?”. Com lotação esgotada, as conversas podem ser vistas e ouvidas, em directo, on-line, aqui.

Mapas interactivos: Veja o quão vulnerável é a sua cidade às alterações climáticas

 

A Agência Europeia do Ambiente (EEA) publicou hoje uma série de mapas interactivos, repletos de detalhes, que permitem aos utilizadores explorar dados de mais de 500 cidades europeias, que terão que se adaptar às alterações climáticas.

O aumento da frequência e da intensidade das cheias e episódios de temperaturas extremas estão na lista das alterações climáticas previstas para os próximos tempos no globo, recorda a EEA no seu site oficial. Com o objectivo de “obter uma impressão rápida de alguns dos desafios da adaptação nas cidades europeias”, a agência criou ferramentas visuais para a Europa conhecer melhor os seus desafios neste âmbito.

Se as chuvas intensas causaram a subida dos rios em cerca de um metro, que cidades europeias poderão correr maior risco de se inundarem? Que cidades com vastas áreas verdes nos podem proteger durante as ondas de calor? Quais são as capacidades das diferentes cidades europeias para tolerar os impactos das mudanças climáticas e para se adaptarem a mudanças futuras?

Estas são algumas das perguntas às quais os mapas interactivos – disponíveis a partir de hoje – tentam dar resposta visualmente. Isto depois do relatório da EEA “Urban Adaptation to Climate change in Europe” ter chamado a atenção para questões semelhantes.

 

Ondas de calor cartografadas

Um dos mapas, por exemplo, revela aspectos da vulnerabilidade face às ondas de calor. Nesse mapa há três tipos de informação a observar: as áreas urbanas verdes que podem servir de abrigo refrescante durante as vagas de calor; a densidade populacional por cidade, que está associada a variáveis como a falta de espaços verdes ou a produção de calor antropogénico que pode intensificar o efeito da “ilha de calor urbana”; e as projecções de alterações climáticas que indicam aumentos no número de noites tropicais e de dias quentes. O site Eye On Earth permite ainda cruzar um mapa de ondas de calor com informação acerca da quantidade de pessoas idosas que são geralmente mais sensíveis ao calor.

A Agência Europeia do Ambiente dispõe ainda, em parceria com a Comunidade Europeia, da Climate-ADAPT, uma plataforma de partilha de estatísticas e outras informações sobre as alterações climáticas.

“Envelhecimento activo não é desporto, nem botox” (Kalache à VISÃO)

Alexandre Kalache, presidente do Centro Internacional do Envelhecimento, esteve em Oeiras, no dia 8 de Junho, no âmbito de um congresso sobre envelhecimento organizado pela Associação de Amigos da Grande Idade. Em entrevista à VISÃO, o especialista falou da discriminação a que ainda é votado o idoso, classificou a baixa da idade de reforma em França de “populismo barato” e acredita que “a cidade amiga do idoso é melhor para todos”.  

 

Segundo o médico e investigador brasileiro que durante doze anos esteve na linha da frente dos programas de apoio ao idoso na Organização Mundial de Saúde (OMS), o envelhecimento activo “não é desporto, nem botox”. Passa, antes, por “optimizar as oportunidades de saúde, participação e segurança, à medida que cada um envelhece”.

O investigador defende ainda a eliminação da discriminação assente numa imagem negativa do “envelhecimento passivo, calado, de pijama e chinelo, a fazer tricô”. “Envelhecer é muito bom”, acrescenta, porque um sénior “não tem mais amarras, não tem de fazer carreira e agradar ao chefe”.

Kalache veio a Portugal reflectir sobre o Projecto da Cidade Amiga do Idoso da OMS, numa altura em que o país regista uma esperança média de vida à nascença de 79,45 anos para ambos os sexos, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística divulgados em Maio.

No congresso que ocorreu no Tagus Park, foram discutidas políticas e práticas autárquicas para o munícipe sénior em território nacional. À VISÃO, o especialista citou um dos resultados de um inquérito sobre cidades “amigas do idoso”: os idosos citadinos disseram que os seus melhores amigos eram os porteiros. E os inimigos? Os motoristas e o autocarro. “É alto e isso dificulta ainda mais a vida ao velho. Mas se for fácil para o idoso, vai ser fácil para as crianças, para o obeso, para a grávida… Vai ser melhor para todos”, concluiu o ex-director da Organização Mundial da Saúde para o envelhecimento populacional.

O valor social dos idosos é outra questão abordada por Kalache durante a entrevista. Nesta linha, o expert em envelhecimento considera a decisão do novo presidente francês, François Hollande, de baixar a idade da reforma para os 60 anos “um absurdo” e uma medida “insustentável”. “Se [os séniores] trabalharem, não serão um fardo, pagam imposto, consomem, até ajudam a criar emprego, porque estimulam a economia”.

Leia a entrevista na íntegra na VISÃO nº 1007  de 21 de Junho de 2012, pág. 16

Breves do Observatório de Lisboa

Desigualdades Sociais em Portugal

O texto diponibilizado constitui o sumário executivo do Projecto “Desigualdades em Portugal”, realizado pelo Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG) para a Fundação Francisco Manuel dos Santos.

Mais de um quinto da população idosa vivia em risco de pobreza em 2009

O Inquérito às Condições de Vida e Rendimento (EUSILC), realizado anualmente junto das famílias residentes em Portugal, revela que “a taxa de risco de pobreza para a população idosa era de 21 por cento, valor ligeiramente superior ao registado em 2008 (20,1 por cento)”.
De acordo com o inquérito, o risco de pobreza manteve-se inalterado nos 17,9 por cento em relação à população em geral, correspondendo “à proporção de habitantes com rendimentos anuais por adulto equivalente inferiores a 5.207 euros em 2009 (cerca de 434 euros por mês)”.
Nos indivíduos com menos de 18 anos, a taxa de risco de pobreza em 2009 era de 22,4 por cento, o que representa uma decréscimo de meio ponto percentual face ao ano anterior.
“O rendimento monetário líquido equivalente dos 20 por cento da população com maiores recursos correspondia a 5,6 vezes o rendimento dos 20 por cento da população com mais baixos recursos, mantendo-se a tendência decrescente registada por este indicador”, revela o inquérito.
No mesmo período, “o contributo das transferências sociais reduziu em 8,5 pontos percentuais a proporção da população em risco de pobreza, o que significa um aumento deste contributo face a 2008, que era de cerca de 6,5 pontos percentuais”.

Famílias carenciadas ainda mais fustigadas pela crise

Cerca de 2.500 famílias em que um dos elementos do agregado perdeu o emprego ficam sem a ajuda do Estado para pagarem o empréstimo
O aumento do encargo mensal com o crédito aproxima-se dos 53%. A Deco teme que famílias não sejam capazes de suportar o novo encargo mensal.

FONTE: Observatório de Lisboa