Prémio Sakharov | Pussy Riot, Ales Bialiatski e Jafar Panahi entre os nomeados

Realizador iraniano Panahi está proibido de filmar e escrever argumentos no seu país

Opositoras e opositores aos regimes da Bielorrússia, Irão, Paquistão, Ruanda e Rússia estão entre os candidatos deste ano ao Prémio Sakharov. Esta iniciativa do Parlamento Europeu, que teve início em 1988, distingue anualmente “pessoas excepcionais” que “combatem a intolerância, o fanatismo e a opressão”. O nome do premiado é conhecido em Dezembro, segundo o portal Euractiv.

Nelson Mandela foi o primeiro vencedor do galardão do Parlamento Europeu que tem como finalidade “honrar” pessoas e organizações, pela sua “coragem” para defender os direitos humanos e a liberdade de expressão. À imagem do homenageado que designou o galardão, o físico russo Andrei Sakharov, visto na ex-União Soviética como um dissidente subversivo.

A partir daí, a birmanesa Aung San Suu Kyi, as argentinas Mães da Praça de Maio, o timorense Xanana Gusmão, os Repórteres Sem Fronteiras e o cubano Guillermo Fariñas estiveram entre os premiados. No ano passado o galardão não teve um só rosto. Venceram os activistas da Primavera Árabe.

Na linha da frente dos nomeados da edição de 2012, com 82 assinaturas dos deputados parlamentares do Partido Popular Europeu, está Ales Bialiatski, também candidato ao Nobel da Paz, defensor dos direitos humanos e da liberdade, actualmente preso pelo regime da Bielorrúsia, um país governado desde o final da União Soviética por Alexander Lukashenko, conhecido como “o último ditador da Europa”. Em 2011, as forças de segurança do regime perseguiram os seus opositores com “uma ferocidade digna” da época soviética, segundo o jornal The Independent. Outro político opositor, Alexander Otroshchenkov, foi preso por quatro anos por “bater numa barreira de madeira” durante uma manifestação na noite das eleições presidenciais, em Minsk, capital da Bielorrúsia.

Também na corrida ao prémio estão três prisioneiros da oposição no Ruanda, que “tentaram pôr um fim ao ciclo de violência promovendo o diálogo e a reconciliação” no país, e Joseph Francis, um activista que dá apoio a vítimas da lei de blasfémia no Paquistão através do Centre for Legal Aid, Assistance and Settlment, fundado e dirigido por si. Francis foi proposto pelo grupo parlamentar europeu dos Conservadores e Reformistas. Por sua vez, os activistas de Ruanda – Victoire Ingabire Umuhoza, Déogratias Mushayidi e Bernard Ntaganda – foram propostos pelo Grupo Esquerda Unitária Europeia/Esquerda Nórdica Verde.

 

Pussy Riot: proposta mais popular, mas não a mais subscrita

Mas este ano o nome que chama mais à atenção dos media é o colectivo artístico russo Pussy Riot, que desafiou Putin e a hierarquia da Igreja Ortodoxa, conhecendo um amplo movimento de apoio internacional, especialmente nos Estados Unidos e Europa. Na sequência de uma “oração punk”, performada em Fevereiro numa catedral de Moscovo, na qual a banda pedia a Maria para livrar a Rússia de Putin, três mulheres pertencentes às Pussy Riot foram presas. Em Agosto Nadezheda Tolokonnikova, Maria Alyokhina, e Yeakaterina Samutsevich foram acusadas de “holiganismo motivado por ódio religioso”. Três anos de prisão foi o veredicto final. O lobby de pressão internacional contou com os nomes sonantes de Madonna, Sting, Björk e Yoko Ono.

O grupo punk foi proposto pelo parlamentar Werner Schulz, dos Verdes/ Aliança Livre Europeia, e obteve o apoio de 44 outros colegas do Parlamento Europeu, numa altura em que outros dois membros, procurados pelas autoridades russas, saíram do país para evitar perseguições. Para se ser nomeado, cada candidato tem que obter o apoio total de uma família política ou no mínimo de 40 parlamentares europeus.

Do Irão, foram nomeados Nasrin Sotoudeh, activista e advogada que foi presa por “conspirar para prejudicar a segurança do Estado” na sequência das eleições presidenciais em 2009 que reelegeram Mahmoud Ahmadinejad, e o realizador Jafar Panahi, que escreveu o documentário “This Is Not A Film” (que esteve em exibição em Portugal, na edição de 2011 do festival DocLisboa), a relatar a sua condição de prisioneiro domiciliário. Panahi está interditado de escrever argumentos e realizar filmes no seu próprio país.

A cerimónia de entrega do Prémio Sakharov acontece por volta de 10 de Dezembro, o dia em que a Declaração dos Direitos Humanos foi assinada pela Organização das Nações Unidas em 1948.

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Portugal em 2030: Uma população envelhecida | “Presente no Futuro”

 

“As decisões que tomarmos hoje vão moldar o País em 2030”. Foi com estas palavras que o sociólogo António Barreto inaugurou esta manhã “Presente no Futuro – Os Portugueses em 2030”, ciclo de conferências a decorrer hoje e amanhã em Lisboa. Como inverter as tendências demográficas previstas para 2030, como uma taxa de fecundidade na ordem dos 1,6%?

Segundo dados do Pordata, em Portugal, em 40 anos, há quase menos 1 milhão de jovens e mais de 1 milhão de idosos. Os dados dizem respeito ao período compreendido entre 1971 e 2009. A tendência mantém-se actualmente. Um estudo recente, encomendado para a iniciativa “Presente no Futuro”, diz ainda que a taxa de fecundidade em 2030 será de 1,6%, valor insuficiente para substituir gerações. Mais de 25% da população terá 65 ou mais anos. Em 2050, 31,8% da população portuguesa terá mais de 65. Portanto, os portugueses terão vidas mais longas, mas haverá menos população activa, se se considerar então, como hoje, a idade activa entre os 15 e os 64 anos.

“Mesmo nos cenários mais optimistas, o envelhecimento aumenta e a população diminui, para valores do século passado. E como estas são tendências de muitos anos, só medidas políticas [de apoio à natalidade] poderão fazer a diferença”, comenta à revista Visão Maria Filomena Mendes, demógrafa e autora do estudo preparado, a pedido da Fundação Francisco Manuel dos Santos, para apresentar em “Presente no Futuro”, a decorrer hoje e amanhã, no Centro Cultural de Belém.

 

Charles Haub: A imigração não basta para inverter tendência

Na primeira sessão de hoje de “Portugal no Futuro”, o demógrafo Charles Haub começou por afirmar que os imigrantes têm ajudado a travar as maiores diferenças nas pirâmides demográficas, mas lembra que o cenário está a mudar: “A fertilidade não é assim tão grande nos países pobres. Veja-se na Turquia onde as mulheres têm, em média, dois filhos”. E acrescenta: “É preciso procurar soluções”, além da imigração que, segundo Haub não é “de longe a solução perfeita, devido às barreiras da língua”.

O panorama lembrado pelo demógrafo não contempla só Portugal, mas o mundo “desenvolvido” e é, na sua perspectiva, uma consequência dos problemas financeiros dos países e da fraca educação. “Não há forma de reverter essa situação”, afirmou, pessimista. “De que serve ter tantas pessoas quando não há formação nem emprego?”  

Portugal encontra-se abaixo da média europeia, com a idade do primeiro filho a subir até aos 30 anos. Haub comparou, esta manhã, dois países com tendências diferentes: Portugal a Ruanda. Enquanto hoje Portugal conta com 10,6 milhões e Ruanda 10,8 milhões, em 2050 teremos 10,7 milhões de Portugueses e 20,6 milhões de pessoas.

 

No  “Presente no Futuro” discute-se Envelhecimento, Família e Trabalho
“O que podemos fazer para mudar o curso de algumas tendências? Que inquietações e sonhos temos para 2030?
. É este o mote, em forma de questionamento, para as sessões deste certame, que conta e contará com a presença de Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente do Brasil e sociólogo, da presidente do Banco Alimentar Isabel Jonet, da artista plástica Joana Vasconcelos, do historiador José Pacheco Pereira, do arquitecto Nuno Portas, da socióloga Luísa Schmidt, do humorista Ricardo Araújo Pereira, e do especialista em tecnologia, estratégia e inovação Andrew Zolli, entre sessenta oradores.

“Presente no Futuro” procura ser um “encontro de reflexão sobre os portugueses que somos e os portugueses que queremos ser”, de acordo com a página oficial do evento.  E incide sobre quatro “grandes temas decisivos” para os próximos anos: o envelhecimento e conflito de gerações; as famílias, trabalho e fecundidade; as desigualdades: povoamento e recursos; fluxos populacionais e projectos de futuro.

Hoje, às 12h30 e às 16h50, as perguntas que se colocam em debates diferentes são “O que é o envelhecimento demográfico?”, “As famílias estão em crise?”, “O Envelhecimento torna as sociedades mais resistentes à mudança?”, “Temos menos filhos porque estamos a empobrecer e somos mais egoístas?”. Com lotação esgotada, as conversas podem ser vistas e ouvidas, em directo, on-line, aqui.

Traficantes de droga culpados no desaparecimento de um a tribo isolada da Amazónia

São imagens impressionantes. No início deste ano, fotografias aéreas de uma tribo recém-descoberta na floresta amazónica do Brasil electrizou a internet. Agora que a tribo inteira, à volta de 200 elementos desapareceu, o governo brasileiro teme que os traficantes de cocaína sejam os culpados.

A evidência é de arrepiar. Um posto de guarda criado para proteger a tribo e a sua terra foi “saqueado e destruído” por homens carregando armas de fogo, metralhadoras e fuzis, de acordo com um guarda que sobreviveu à emboscada. Os traficantes de drogas armados ocupam agora a base e patrulham a floresta ao redor da antiga aldeia da tribo desaparecida.

Trabalhadores nacionais da Fundação indiana, do governo brasileiro, relatam ter encontrado uma “uma flecha quebrada” dentro da mochila de um dos criminosos fugitivos, e um pacote de 20 kg de cocaína largado nas proximidades. Os Funcionários acham que os contrabandistas pretendem utilizar o território como uma rota para mover produtos entre o Brasil e a fronteira do Peru.

Carlos Travassos, responsável do governo brasileiro para o departamento de índios desconhecidos, disse hoje, ‘Arrows são como o cartão de identidade de índios isolados. Nós pensamos que os peruanos fizeram com que os índios fugissem dali. Agora temos uma prova boa. Estamos mais preocupados do que nunca. Esta situação poderia ser um dos maiores golpes que já vimos na proteção dos índios isolados nas últimas décadas. É uma catástrofe.”

Na composição dos maiores medos está o facto de que essas tribos, que não tiveram, literalmente, qualquer comunicação com o mundo exterior, são extremamente susceptíveis a vírus e bactérias comuns.

Mais informações a partir do comunicado de imprensa da Survival Internacional.

Fonte: Gawker