1ª análise estratégica do mercado europeu das drogas divulgada a 31 de Janeiro

 

O consumo da cocaína e da heroína está a decrescer na Europa, segundo relatório da OEDT

 

Na próxima quinta-feira, dia 31, vai ser publicado o primeiro relatório sobre o mercado das drogas europeu. O “EU drug market report – a strategic analysis” foi realizado a “duas mãos”, pela Europol e pelo Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência.

“O tráfico de drogas é uma actividade comercial altamente lucrativa e, na Europa, continua a ser um negócio-chave para os grupos de crime organizado nos dias de hoje. Compreender a realidade do mercado das drogas Europeu requer uma abordagem holística, seguindo a cadeia económica, desde a produção ao consumo, passando pelo tráfico”. Eis o mote do comunicado de imprensa emitido, hoje, pelo Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência no seu site oficial.

Os mercados sob a mira das duas agências europeias envolvidas nesta análise – que cruza dados estatísticos com interpretações de especialistas – foram essencialmente os da heroína, da canábis, da cocaína, das anfetaminas, das metamfetaminas, do ecstasy e de novas substâncias psicoactivas. “Adoptando uma abordagem pragmática e aplicável”, as agências afirmam ter identificado “conclusões-chave para informar políticas futuras”.

Este relatório vai ser apresentado, na próxima quinta-feira, em conferência de imprensa, pela Comissária Europeia para os Assuntos Internos, Cecilia Malmström.
Mal tenha acesso ao documento, a Dianova partilhará nas redes sociais e noutras plataformas de comunicação as principais ideias contidas no relatório.

 

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Relatório OEDT | Novas drogas legais alarmam Europa, cocaína e heroína em queda

O consumo da cocaína e da heroína está a decrescer na Europa, segundo relatório da OEDT

 

Várias tendências sobressaem no Relatório Anual do Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência, divulgado ontem. Entre elas, está a “crescente complexidade” do mercado de estimulantes e a descoberta cada vez mais regular de novas drogas na Europa, sobretudo catinonas e canabinoides sintéticos. No sentido contrário, o consumo de cocaína e heroína e o índice médio de novos casos de VIH entre consumidores de droga injectada estão em queda, em geral, no velho continente.

 

“A Europa enfrenta um mercado de estimulantes caracterizado pela crescente complexidade, em que os consumidores encontram ao seu dispor uma grande variedade de drogas em pó e comprimidos”. É assim que tem início a nota à imprensa do Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência (OEDT) que dá conta das principais tendências da “evolução do fenómeno da droga na Europa” no último ano. A agência da União Europeia de informação sobre droga manifesta ainda “preocupação” com o crescente número de drogas emergentes, a maioria delas sintetizadas na China e na Índia.

Até ao momento, em 2012, já foram descobertas 57 novas drogas na Europa, mais oito do que em 2011. A tendência mantém-se em curva ascendente desde 2005, sendo que em 2009, por exemplo, tinham sido notificadas 24. Neste ano, quase todas as semanas, o sistema de alerta rápido da União Europeia tem detectado uma nova substância psicoactiva.  Este aumento reflecte um fenómeno de procura e de oferta de “alternativas lícitas às drogas ilícitas”, comercializáveis nas chamadas “smartshops”, presentes na Internet ou em lojas físicas.

E qual é o perfil destas novas drogas? Dois terços delas pertencem aos grupos das catinonas sintéticas (mefedrona e MDPV) e dos canabinoides sintéticos (presentes em produtos “spice”). No entanto, outras substâncias são enquadradas em grupos químicos menos conhecidos.

Segundo um inquérito do Eurobarómetro de 2011, 5% dos jovens entre os 15 e os 24 anos afirmaram já ter consumido euforizantes legais, as chamadas “legal highs”.

O relatório do OEDT revela ainda pormenores sobre a produção e circulação destas drogas: “As autoridades europeias responsáveis pela aplicação da lei têm descoberto instalações associadas à importação, mistura e embalagem. Os [seus] relatórios apontam para o envolvimento do crime organizado tanto na embalagem como na comercialização das substâncias em causa”.

Nesta semana, o jornal PÚBLICO noticiava que o Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Toxicodependências (antigo IDT) deverá avançar ainda em Novembro deste ano com uma proposta de criminalização das substâncias psicoactivas que compõem a maioria das chamadas “drogas legais” à venda nas smartshops, sob a forma de pílulas, ervas, incensos, suplementos e fertilizantes. Enquanto não chega a lei, João Goulão, presidente deste organismo, considera que a ASAE pode e deve continuar a fiscalizar as smartshops, “no âmbito da fiscalização da saúde pública, uma vez que há evidência de episódios graves”.

 

Consumo de heroína e cocaína cai

De acordo com o relatório do OEDT, a Europa está a entrar numa “nova era” de padrões de consumo e produção de drogas. É sugerida a ideia de que “a heroína desempenhará um papel menos central no consumo de droga na Europa”. É também referido que a Europa está a substituir a importação de canábis pela sua produção interna.

As apreensões da cocaína, por sua vez, estão também em declínio, nas tradicionais portas de entrada na Europa desta substância provinda da América do Sul, inclusive em Portugal. O tráfico tem-se expandido geograficamente, entrando cada vez mais no continente pelo leste.

No que diz respeito ao consumo, é um facto que 90% de todos os utentes consumidores de cocaína referidos por 29 países europeus estão concentrados em apenas cinco países, revela o relatório. São eles Alemanha, Espanha, Itália, Países Baixos e Reino Unido. Em Portugal, por exemplo, entre os consumidores de drogas apenas entre 10 e 15% têm preferência pela cocaína.

Também o índice médio de novos casos de VIH diagnosticados entre consumidores de droga injectada diminuiu na Europa, inclusive em Portugal. No entanto, alerta o relatório, na Grécia e na Roménia, registaram-se “preocupantes surtos de infecção” nos últimos meses.

Tendências: Recrudescimento do consumo de álcool e drogas em tempo de crise

 

Os consumos de álcool e drogas estão em curva ascendente, segundo “dados empíricos”. Uma das razões: Aliviar o sofrimento em tempo de crise. Esta mensagem, em tom de alerta, foi deixada por João Goulão, director-geral do SICAD, na passada sexta-feira, em Coimbra, no 2º Encontro da Associação Portuguesa de Adictologia.

 

Há um “recrudescimento” do consumo de álcool e de heroína “muito ligados ao alívio do sofrimento”, alertou Goulão. Esta percepção advém de “dados empíricos” que chegam a partir do terreno ao Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD) e que a organização ainda não consegue “traduzir em números”, mas que está a preocupar os profissionais que trabalham na área das dependências.

“Primeiro grande reflexo” da crise, “a substância mais preocupante neste contexto é o uso, excessivo e diário, de álcool”, referiu à agência Lusa João Goulão, que acrescenta que o consumo heroína, sobretudo via injectável, também se encontra a subir.

“Em situações de angústia ou desespero, o ser humano acaba por se agarrar a qualquer coisa que lhe faça, pelo menos, esquecer temporariamente” o sofrimento. É esta uma das justificações apontadas para esta tendência por João Curto, psiquiatra, também presente no encontro, para o aumento deste tipo de consumos, que tinham vindo a baixar nos últimos anos.

O perfil de um certo segmento de consumidores foi traçado pelo director-geral do SICAD: alguns são ex-toxicodependentes e ex-alcoólicos reincidentes, que antes “conseguiram construir as suas vidas mesmo com alguma precariedade, mas [que] estão na primeira linha da fragilidade social”, que têm sido por exemplo afectados pelo desemprego e por problemas económicos. “Têm dificuldades em lidar com a frustração e com a adversidade, com alguma frequência [estas pessoas] são tentadas a voltar aos padrões de vida anteriores”.

João Curto, também presidente da Associação Portuguesa para o Estudo das Drogas e Dependências, lembrou ainda que o consumo de heroína não é exclusivo de nenhuma faixa etária. Há pessoas a iniciarem o seu uso depois dos 50 anos, muitas em situação de desemprego. “É nitidamente uma consequência da crise, por desemprego, por falta de meios de subsistência para a família”, notou Curto.

O tema principal do encontro da Associação Portuguesa de Adictologia, que contou com a presença do ministro da Saúde, Paulo Macedo, foi o sistema de saúde e a organização de serviços públicos especializados em adicções.

Cientistas de Investigação da Scripps Criam Vacina contra a heroína

Investigadores da Scripps Research Institute desenvolveram uma vacina bastante bem sucedida contra uma alta variação de heroína e provaram seu potencial terapêutico em modelos animais. O novo estudo, publicado recentemente em linha com a impressão do Jornal da American Chemical Society de Química Medicinal, demonstra como uma nova vacina produz anticorpos (um tipo de molécula imune) que pára não só a heroína, mas também outros compostos psicoactivos metabolizados da heroína, o percurso de alcance ao cérebro para produzir efeitos eufóricos.

“Nos meus 25 anos de vacinas contra drogas, eu nunca tinha visto uma resposta tão forte do sistema imunitário como vi com o que chamamos de vacina anti-heroína dinâmica”, disse o investigador principal do estudo, Kim D. Janda, catedrático em Química e membro do Instituto Skaggs para a biologia química na pesquisa da Scripps. “É extremamente eficaz. A esperança é que a tal vacina protectora seja uma opção terapêutica eficaz para aqueles que tentam quebrar o seu vício na heroína.” “Nós assistimos a uma resposta muito robusta e específica a partir desta vacina”, disse George F. Koob, presidente do Comité de Investigação Scripps na Neurobiology of Addictive Disorders e co-autor do novo estudo. “Acho que uma abordagem humanizada poderia ser de grande ajuda para aqueles que precisam e desejam se recuperar.”

Uma epidemia mundial

Embora o abuso de drogas injectáveis seja uma epidemia em todo o mundo, o abuso e dependência da heroína são especialmente destrutivos, com custos estimados em 22 biliões de dólares nos Estados Unidos devido à perda de produtividade, actividade criminal, atendimento médico e bem-estar social, dizem os autores em seu estudo. O abuso e dependência de heroína está também a impulsionar a propagação do HIV através da partilha de seringas.

Utilizando uma abordagem denominada “immunopharmacotherapy”, Janda e seus colegas de Pesquisa da Scripps criaram anteriormente vacinas que utilizaram moléculas imunológicas para neutralizar os efeitos de outras drogas como a cocaína, a metanfetamina e a nicotina. Ensaios clínicos em humanos estão em andamento para vacinas contra a cocaína e nicotina. Tentativas por outros pesquisadores ao longo das últimas quatro décadas para criar uma vacina contra a heroína clinicamente viável, no entanto, ficaram aquém, em parte devido ao facto de que a heroína é um alvo elusivo metabolizado em múltiplas substâncias cada uma delas produzindo efeitos psicoactivos.

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Heroína mantém-se como um grave problema de saúde pública na Europa

A heroína está longe de ser um problema ultrapassado na Europa. Este opiácio desdobra-se em malefícios para a sociedade, dos quais se destacam o número de pedidos de novos tratamentos, de mortes associadas ou de infracções à legislação em matéria de droga e de apreensões. As estimativas do já citado relatório do Observatório Europeu das Drogas e da Toxicodependência (OEDT), referem a existência de 1,35 milhões de consumidores problemáticos de opiáceos como a heroína na União Europeia e na Noruega.

Pelos dados que se conseguiram apurar, supõe-se que o número de consumidores tem vindo a aumentar, atendendo ao volume de entradas em tratamento por causa da sua utilização. Um milhão de pessoas ao todo são o ónus que apontam à principal razão do recurso a este tipo de programas. Os opiáceos continuam a ser também a principal causa de morte entre os toxicodependentes, cerca de 85 por cento. Entre 1995 e 2007, foram notificadas entre 6400 e 8500 mortes causadas pelo consumo de droga. A idade das vítimas mortais também tem vindo a aumentar, indício de uma população envelhecida de consumidores crónicos de opiáceos. A despeito deste cenário, as infecções por via endovenosa entre os consumidores de droga tem estabilizado nos últimos anos.

O nível de propagação transfronteiriço deste flagelo é outra das preocupações gerais que ameaçam a saúde pública. Países a leste como Rússia e Ucrânia estão a atingir níveis elevados, supostamente duas a quatro vezes a média europeia, com as devidas consequências na propagação do VIH ou de mortes induzidas pelo consumo de droga. É pois considerado por este observatório um problema europeia e não de foro interno desses países.

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