Como medir a eficácia do desempenho das direcções no 3º sector?

 

As organizações sem fins lucrativos devem encontrar “maneiras eficazes” de medir a governance, defendem os consultores Hilary Barnard e Ruth Lesirge, num artigo assinado a meias para o jornal britânico The Guardian. O que deve passar por uma avaliação menos numérica e mais qualitativa, sugerem os autores.

 

Se a governance tem como objectivo assegurar que é acrescentado valor nas organizações do terceiro sector, é “importante que sejam encontrados meios eficazes de medir o seu contributo”. Uma tarefa que “não é fácil de realizar” e face à qual há “frequentemente alguma resistência”. É este o ponto de partida de um artigo de opinião na secção Guardian Professional, no qual os dois consultores da HBRL Consulting recomendam um enfoque numa avaliação qualitativa do desempenho das direcções das organizações do sector não lucrativo.

 

Quais as vantagens deste “exercício” de medição? “Encontrar modos razoáveis para medir o desempenho da governance é uma maneira potencialmente útil de responsabilizar [a organização] perante os principais stakeholders [partes interessadas]. Mas Barnard e Lesirg lembram que nem todos os resultados desta avaliação têm que ser de domínio público.

 

 

Menos números, mais indicadores qualitativos

A medição da eficácia das direcções de organizações do terceiro sector não pode seguir a tendência frequente de exibir “um rol interminável de números e percentagens”. Estes são apenas uma forma indicativa de “quão bem as coisas estão a correr”, advertem os consultores britânicos. “Avaliar a governance precisa de ser um exercício mais qualitativo”, sendo que no terceiro sector o seu enfoque tem que ser “largamente mais do que uma alocação de recursos”.

Segue-se uma lista de perguntas que Barnard e Lesirge consideram fulcrais para orientar uma medição mais qualitativa. Entre as quais “O que é que tem escrutinado a direcção na prática?” ou “Com que indicadores de produtividade tem a direcção gerido a sua agenda nas reuniões?”. Outras questões: “Está a direcção, na sua totalidade, activamente empenhada no plano estratégico?”, “Tem sido assegurado que há dados operacionais, uma estratégia consistente e confiável e informação para a medição?” ou “Que passos têm sido dados no sentido de assegurar um planeamento eficaz da sucessão do director-geral e do presidente?”.

 

Da auto-avaliação à aplicação do “Balance Scoreboard” para medir desempenho

Medir e avaliar “voluntariamente” a performance é revelador de uma direcção confiante, “sem medo de aprender coisas”, mesmo quando este procedimento pode não ser “completamente confortável”, refere o artigo. “A auto-avaliação é uma parte essencial do processo, mas geralmente não é suficiente”. A análise externa, experiente, “pode oferecer um sistema mais claro para avaliar a eficácia da direcção”, acrescentam.

Neste sentido, é sugerida à governance do terceiro sector a aplicação da metodologia “Balanced Scorecard” (Indicadores de Balanceados de Desempenho), desenvolvida na Harvard Business School na década de 1990 para o sector empresarial. E por quê este método? “Um balanced scorecard para organizações sem fins lucrativos pode ajudar a clarificar as responsabilidades da direcção, ajudar a traçar objectivos e a analisar a performance, ilustrar onde e como é que a estratégia está a acrescentar valor, bem como o sucesso da organização em encontrar valores, resultados organizacionais e financeiros”.

Os conteúdos a integrar o balanced scorecard podem “equilibrar perspectivas de empenho externo com os stakeholders, os membros da direcção, as competências e os comportamentos, e os processos de direcção”. Por exemplo, através desta metodologia, pode-se “testar como é que a dinâmica das reuniões de direcção contribuem para um desempenho eficaz da organização”.

O artigo fecha com a ideia de que a heterogeneidade do sector e as circunstâncias de cada organização devem ser tomadas em conta nesta medição. “A falta de uniformidade não é um obstáculo para o aperfeiçoamento [do desempenho das direcções], uma vez que modelos e abordagens diferentes podem ‘aprender’ com outros [modelos e abordagens], consoante a experiência aumenta”.

 

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Conferências de Economia Social: “A outra economia não é uma utopia, já existe”

O homenageado Paul Singer nas “Conferências de Economia Social” (Foto: CASES)

 

Representantes da economia social do país estiveram ontem, em Lisboa, a partilhar feitos e desafios do sector. A sustentabilidade das cooperativas, misericórdias, mutualidades, IPSSs e associações, e as respectivas relações com o Estado, a Comissão Europeia, as leis e a economia privada, estiveram no centro das apresentações públicas e da discussão. Ainda houve tempo para a atribuição do primeiro Prémio Cooperação e Solidariedade António Sérgio.

“Parece uma utopia, mas não é”. Foi assim que Paul Singer começou por enaltecer “uma outra economia que já existe” no arranque das “Conferências de Economia Social”, organizadas pela CASES – Cooperativa António Sérgio. Uma economia que se desenvolve nos “interstícios das contradições do capitalismo”, uma alternativa à actual crise, acrescentou. Singer, nascido há 80 anos na Áustria, economista, professor e que actualmente “está” (não “é”) secretário nacional da Economia Social do Governo brasileiro tinha acabado de ser homenageado na abertura do certame.

Foi fundador do PT (Partido Trabalhista) brasileiro durante a ditadura militar, fez parte de uma geração que se desiludiu com o Socialismo – aplicado de cima para baixo –, que defendeu. Hoje Paul Singer acredita que as alternativas à crise do capitalismo, ao “capital financeiro hegemónico”, está, mais do que num regresso ao “keynesianismo” (que elogia), na economia “solidária”, como prefere chamar à actividade do terceiro sector à qual se tem dedicado. Optimista, citou casos de conglomerados de cooperativas de sucesso existentes no Brasil, em que as diferenças entre o empregador e o empregado estão atenuadas, e o do caso da emancipação dos catadores de lixo no seu país. No fim da sua intervenção, o homenageado parafraseou o filósofo e educador Paulo Freire: “Ninguém emancipa ninguém, emancipamo-nos em conjunto”.

 

“Famílias da economia social” devem endossar “lobby

Foram especialmente sessões informativas sobre o papel e os últimos desafios das IPSSs e das misericórdias, o Fundo Social Europeu e o caso bem-sucedido do fundo-confederação canadiano FondAction que passaram pelo auditório da Calouste Gulbenkian na segunda-feira. Mas também houve desabafos e críticas à legislação e à classe governativa, ali representada pelo secretário de Estado da Solidariedade e da Segurança Social Marco António Costa. Na plateia e em cima do palco.

Manuel de Lemos, presidente da União das Misericórdias Portuguesas e ex-deputado, foi o mais contundente com aquilo a que chama “a atitude errática” dos governos no pós-25 de Abril. Depois de afirmar que o país precisa urgentemente do terceiro sector, criticou a “demagogia” dos políticos que defendem que o Estado apoia o sector social. Lemos opta pelo jogo de palavras para concluir que “o Estado se apoia no sector social” e que dificulta o caminho dos que “querem e sabem fazer, bom e barato”. A tónica do seu discurso centrou-se na ideia de que a auto-sustentabilidade das misericórdias depende das políticas públicas, que deviam ser desenhadas pelo Estado, mas também pelas organizações sociais como parceiros empenhados no terreno. O presidente da UMP lamentou, neste contexto, que as misericórdias estejam a ser condicionadas na prestação dos cuidados continuados.

Uma das ideias mais repetidas ao longo das várias intervenções foi a de que o terceiro sector devia fazer mais lobby, com “regras”, para se fazer ouvir melhor junto do poder político – executivo e legislativo. Para ganhar visibilidade, disseminar valores, participar na concertação social, influenciar a alteração da legislação para o sector – foram-se complementando, uns aos outros, os intervenientes que defendem uma maior aproximação das “famílias da economia social” (expressão sugerida por alguém na plateia).

Uma das incitadoras do lobby das instituições da economia social foi Rosa Maria Simões, a presidente do Instituto de Gestão do Fundo Social Europeu, que apresentou aos presentes o Quadro Estratégico Comum 2014-20020 e as áreas prioritárias de apoios da Comissão Europeia para este período (educação, emprego, alterações climáticas e energia, investigação e desenvolvimento, e pobreza e exclusão social) e os objectivos para a Europa de 2020.

Na plateia fizeram-se ouvir questões sobre a falta de apoio à capacitação de profissionais do sector social, a fraude das “falsas cooperativas”, a inadequação de alguma terminologia que exclui projectos na área da agricultura de alguns concursos do sector social, ou as dificuldades de financiamento de algumas organizações sociais impostas também por leis desadequadas. É dado, neste contexto, o exemplo de um acórdão do Tribunal Constitucional que não permite a gestão de uma farmácia por uma IPSS enquanto prestadora de serviços a terceiros.

Afirmando que a sua visão não é a de um Estado “mandatário”, mas “participativo” e “cúmplice”, o secretário de Estado Marco António Costa ressaltou a importância do terceiro sector em época de crise, em que o “comprometimento activo” deve caber a todos. A inovação social, as leis de bases a serem aprovadas na Assembleia da República para o sector, a cooperação entre o Estado a nível local e os representantes da economia social e solidária e o desenvolvimento em curso da legislação em torno das “empresas sociais” foram os principais destaques do discurso institucional.

 

O caso da FondAction

 

O canadiano Leópold Beaulieu, da FondAction, veio falar da sustentabilidade da organização que preside

 

Do Quebec, esteve presente Léopold Beaulieu, presidente da FondAction – Fundo de Desenvolvimento da Confederação dos Sindicatos Nacional para a Cooperação e Emprego. O caso de sustentabilidade social bem-sucedido deste fundo criado por iniciativa sindical em 1996 foi a razão principal desta conferência.

O modelo deste fundo que apoia vinte organizações locais, nacionais e internacionais assenta, segundo Beaulieu, em “novas formas de gestão mais participativas”, numa “economia mais verde”, que aposta no desenvolvimento sustentável, na prestação regular de contas, no regresso ao “fundamento das finanças” ligado à economia real “com perspectiva de longo prazo”, numa “governance” que dá atenção a todos os “stakeholders”. Beaulieu lembra, neste sentido, o relevo do sector financeiro associativo, das cooperativas de créditos aos bancos éticos, passando pelas instituições de microcrédito e os modelos de propriedade colectiva que dão respostas às “necessidades das pessoas”.

Estudo: Competências das pessoas no centro de uma boa “governance”

As instituições de solidariedade social que queiram melhorar os seus planos de governance devem focar-se mais nas competências dos seus recursos humanos do que nas estruturas internas. Esta é a principal conclusão do estudo “Delivering Effective Governance”, realizado em território britânico no final do ano passado e divulgado hoje.

O relatório debruça-se sobre os resultados de um estudo realizado entre Outubro e Dezembro. 228 presidentes e directores-gerais de 500 das maiores instituições de solidariedade social do Reino Unido responderam ao repto da consultora Compass Partnership, que teve como parceiro nesta investigação o Centre for Charity Effectiveness da Cass Business School.

O estudo teve como objectivo analisar e divulgar as percepções dos conselhos de administração das maiores instituições do país e identificar factores-chave de uma governance eficaz. “Se tem havido indicadores para o que constitui uma boa governance, tem havido poucas evidências empíricas”, pode-se ler na descrição do estudo dirigido por Mike Hudson.

Se há um dado a destacar, será o facto de 65% dos inquiridos terem afirmado que o seu conselho de administração passou menos de três horas por ano a discutir a performance da governance.

Uma das sugestões incluídas no relatório é a de que as avaliações da performance dos presidentes e a presença dos gestores nas reuniões são mais importantes para uma boa governance do que as preocupações estruturais, como a dimensão do conselho administrativo ou os mandatos.

A Compass Partnership propõe, assim, às instituições de solidariedade social que queiram melhorar os seus planos de governance que se foquem mais nas competências das pessoas do que nas estruturas internas.

De acordo com o portal Third Sector (UK) Hudson, director da consultora, afirmou que muitos dos membros dos conselhos de administração têm andado muito preocupados com o trabalho das suas instituições, não dispondo de tempo necessário para avaliar a sua própria eficácia.

Os investigadores identificaram ainda 20 factores-chave que devem ser atendidos por uma organização, de forma a alcançar uma boa governance. No topo da lista estão hábitos como trabalhar bem como equipa e assegurar que os membros do conselho têm as competências exigidas e a experiência. Quanto mais tempo os conselhos se reunirem para discutir como trabalham, melhor, recomenda a consultora.

“Agora os conselhos de administração e os gestores podem usar estas descobertas empíricas para focar os seus esforços nas características de governance que se traduzem em resultados”. Assim se pode ler no fecho da nota descritiva do estudo.

“Nonprofit Answer Guide” para profissionais do terceiro sector disponível online

 

É um serviço “tira-dúvidas”, que dá respostas a perguntas que frequentemente ocorrem a executivos, gestores e profissionais do sector não lucrativo. Chama-se Nonprofit Answer Guide e promete respostas concisas a questões operacionais e de gestão. Em destaque estão ainda as novas tendências do segmento não lucrativo.

“O nosso sector [o não lucrativo] está a mudar constantemente e é cada vez mais escrutinado. E quando se está focado na missão, nem sempre é fácil manter-se a par das últimas tendências de liderança ou dos requisitos legais”. É assim que é apresentado o site Nonprofit Answer Guide, um projecto da autoria do Center for Nonprofit Management & Cause Communications, que estima que a leitura de cada resposta demore dois minutos. Aliás, o “site-guia” faz gala desse número redondo: “2-Minute Answers for Busy Nonprofits”.

O portal dispõe de respostas a perguntas mais frequentes (as famosas Frequently Asked Questions – FAQ)  sobre “Liderança & Inovação”, Aspectos Legais”, “Conselhos de Administração e Governance”, “Finanças”, “Angariação de fundos”, “Tecnologias”, “Marketing e comunicação”, “Plano estratégico”, “Avaliação” e “Gestão de Pessoas”.

Na secção “Liderança”, por exemplo, o guia propõe-se a dar eco a uma “visão panorâmica maior” do sector não lucrativo ao gestor que ambiciona ser líder. Expondo boas práticas e tendências de liderança, esta secção debruça-se sobre como “injectar a visão [do líder] de modo a avançar com a missão na organização”, refere o guia.

Já o espaço reservado aos “Conselhos de Administração e Governance discrimina responsabilidades éticas e legais que devem orientar a actuação de um membro do conselho de Administração de uma organização do terceiro sector. De entre os conteúdos disponíveis, poder-se-ão ler “as melhores práticas relacionadas com operações do Conselho, recrutamento, angariação de fundos e comunicação interna”.

“Como pode esta secção ajudar [os profissionais deste sector]?” A resposta à questão inscrita na área alusiva ao “Marketing e Comunicação” desdobra-se num inventário de dicas relacionadas com planeamento estratégico de comunicação. O ‘cicerone’ virtual partilhará com os profissionais do sector orientações no sentido das organizações estabelecerem uma identidade corporativa e um posicionamento próprios, desenvolverem mensagens-chave e “contar ‘estórias’”.

O Nonprofit Answer Guide inclui ainda uma secção chamada “Ask Our Experts” (“Pergunte aos nossos especialistas”, em português), que inclui questões endereçadas pelos leitores do site. Entre os contributos mais recentes podem ler-se respostas às perguntas “O que precisam as organizações sem fins lucrativos de considerar numa economia volátil?” ou  “Onde podemos aplicar tecnologia na nossa organização e que tipos de ferramentas estão disponíveis?”

 

 

Workshop Gratuito: Certificações em Gestão de Projectos (6ª Edição)

Dada a importância que as certificações em Gestão de Projectos têm actualmente no mundo empresarial, julgou-se oportuno apresentar numa sessão aberta e gratuita não só as diversas opções de certificação existentes, nomeadamente as certificações do PMI e da IPMA, mas acima de tudo explicitar os processos de candidatura de cada uma das certificações e indicar os aspectos mais importantes que um candidato deverá dar particular atenção nesse mesmo processo.

Se está a pensar em obter uma certificação em Gestão de Projectos esta é uma excelente oportunidade de esclarecer, junto de um especialista nesta área e que já acompanhou mais de uma centena de processos de candidatura, quaisquer dúvidas que possa ter e ouvir algumas dicas e sugestões de forma a maximizar a probabilidade de a sua candidatura ser aceite.

Nestes Workshops serão abordados temas como os requisitos necessários para as respectivas certificações, os processos de candidatura, dicas para o exame, entre outros aspectos essenciais para uma certificação bem sucedida.

O Workshop será realizado em Lisboa, no dia 05 de Setembro de 2011, às 18:30h,tendo a duração de aproximadamente duas horas.

Caso esteja interessado faça já a sua pré-inscrição enviando um e-mail para PPM.Coacher@aventia.com Continuar a ler

A estrutura de governança corporativa da UE

Domínio da Política
Direito das sociedades, a governança corporativa

Grupo alvo
Todos os cidadãos e as organizações estão convidados a contribuir para esta consulta.

Período de consulta
De 2011/04/05 a 2011/07/22

Objectivo da consulta
A Comissão adoptou um Livro Verde sobre governança corporativa na Europa, que lança uma consulta pública sobre possíveis caminhos para melhorar os mecanismos de governança corporativa. O Livro Verde contém três capítulos: conselhos, acionistas e respeitar ou explicar o princípio. O objectivo do Livro Verde é lançar um amplo debate sobre as questões levantadas. Permite que todas as partes interessadas vejam quais as áreas, a Comissão identificou como relevantes no campo da governança corporativa. É também uma oportunidade para que todos possam expressar as suas visões sobre as questões levantadas, e fornecer todo o material relevante. Finalmente, o Livro Verde ocupa o espaço de itens bandeira que a Comissão não considerou até agora.

Como apresentar a sua contribuição

Congratulamo-nos com as contribuições de cidadãos, organizações e autoridades públicas:

* Se você responder a esta consulta como cidadão, por favor clique aqui para enviar sua contribuição.
* Se você responder a esta consulta, em nome de uma organização, por favor clique aqui.
* Se você responder a esta consulta em nome de uma autoridade pública, por favor clique aqui para enviar sua contribuição.

As contribuições recebidas serão publicadas na Internet. É importante ler a declaração específica de privacidade que acompanha a presente consulta para obter informações sobre como seus dados pessoais e os contributos serão tratados.

Ver o documento de consulta aqui.

Revisão constitucional avança morosamente e não é consensual

A oitava revisão constitucional continua a passo lento. Muito lento. Ontem, os trabalhos da comissão demoraram pouco mais de uma hora e meia e avançou-se na primeira leitura em dois artigos (33.º e 34.º). E, mais uma vez, os partidos só concordam que… não concordam.

O PSD ficou isolado a defender a equiparação entre a protecção dada ao domicílio de pessoas singulares às sedes de pessoas colectivas, que podem ser empresas. O PCP, por seu lado, também ficou isolado ao propor que se regressasse ao texto da Constituição, antes da alteração de 2001 por causa do Tribunal Penal Internacional (TPI), que impedia a extradição de cidadãos nacionais.

Luís Marques Guedes, deputado do PSD, defendeu que deveria ficar consagrado na Constituição “uma tendência crescente e correcta” que já existe “na legislação ordinária”. A alteração dos sociais-democratas previa mudanças na alínea quanto à “entrada nocturna” em domicílio, hoje proibido ou sem consentimento, excepto em “situação de flagrante delito ou mediante autorização judicial” para casos de criminalidade violenta, altamente organizada, terrorismo, tráfico de pessoas, armas e droga.

A deputada Isabel Oneto, do PS, contrariou a proposta do PSD argumentando que essa equiparação dificultará a “investigação criminal” e “buscas a sedes de empresas”.

Depois da primeira ronda de intervenções, percebeu-se que a medida não tinha consenso, nem do CDS nem da esquerda parlamentar, mas o debate continuou mais de meia hora. O que levou Luís Fazenda, deputado do Bloco de Esquerda, a fazer a ironia de já se ter percebido “há mais de 45 minutos qual a sorte, ou falta dela”, e de continuar a discutir-se a norma.

Pelo caminho ficara já uma proposta do PCP para que fosse impedida a interdição de cidadãos nacionais “por motivos políticos ou por crimes a que corresponda, segundo o direito do Estado requisitante, pena de morte” ou pena de prisão perpétua. Nenhum Estado de Direito pode garanti-lo devido à separação de poderes, reclamou António Filipe, do PCP, que considerou o TPI um “nado-morto”. Tanto o PS como o PSD alegaram que esta norma seria contrária a compromissos internacionais com o TPI.

Fonte: Público