“Social Good Summit” 2012 arranca neste sábado

 

São três dias de conversas em torno de como as tecnologias e as redes sociais podem contribuir para a mudança social. A cimeira “Social Good Summit” decorre entre sábado e segunda-feira na United Nations Foundation, em Nova Iorque, mas é um evento global. Na rede e em linha estarão, por exemplo, experts da tecnologia e gente inovadora do Quénia e da China.

A Social Good Summit arranca neste sábado e vai reunir presencialmente e online líderes, inovadores, activistas e peritos da área informática para procurar soluções para os desafios que o mundo enfrenta nos dias de hoje.

Na próxima segunda-feira, dia 24, pessoas de cem países vão responder à questão “Como é que as novas tecnologias e os novos media podem criar soluções para os maiores problemas que enfrento na minha comunidade?” no decurso dos 200 encontros já programados no âmbito da chamada “Global Conversation”. De Nairobi, Quénia, e de Pequim, China, vão-se escutar, por exemplo, nesse dia, via livestream,testemunhos de líderes que vão falar dos temas que inspiraram o nascimento desta cimeira.

“A Social Good Summit é uma revolução da tecnologia digital e das redes sociais que conecta pessoas de todo o mundo. Sentimos que é uma oportunidade de juntar pessoas,  primeiro, para aprenderem sobre determinados assuntos, mas também para  descobrirem quem está a fazer efectivamente a diferença, alavancando depois o poder das redes sociais e puxando o ‘crowdsourcing’ para um nível global de transparência e inovação sem precedentes para chegar a soluções para todos”, afirma Kathy Calvin, chefe-executiva da United Nations Foundation, em vésperas do certame.

Este evento acontece no âmbito da Semana das Nações Unidas, celebrada em Nova Iorque, e é “o único espaço durante esta semana que possibilita a todos, em qualquer lugar, a ter um assento à mesa”. Pela primeira vez, o evento pode ser escutado nas línguas oficiais da ONU – espanhol, árabe, chinês, inglês, russo e francês.

Pode assistir à cimeira aqui durante os três dias; organizar ou assistir ao “meetup” integrado no programa da Global Conversation na próxima segunda-feira; e interagir em tempo real com a comunidade da Social Good Summit através das redes sociais (hashtag#SGSglobal)

 

 

Nova campanha da UNODC alerta para o contrabando de migrantes

Estima-se que, a cada ano, os criminosos gerem cerca de 5,31 mil milhões de euros por contrabando de migrantes. Isto apenas em duas das principais rotas usadas para o efeito – da África ocidental, oriental e do norte para a Europa e da América do Sul para a América do Norte.

 

A nova campanha da UNODC (United Nations Office on Drugs and Crime) debruça-se sobre este tipo de crime organizado.

Entre as suas várias funções, a UNODC ajuda os Estados a aprovar leis que criminalizam o envolvimento no contrabando de migrantes e prepara, através da formação, altos funcionários da polícia e advogados de todo o mundo a lidar com casos destes.

A página oficial da campanha e o vídeo abaixo abordam os custos financeiros e sociais por trás do crime organizado, numa altura em que a organização das redes de tráfico é cada vez mais sofisticada e profissional.

“A chave para combater o contrabando de migrantes é aumentar a cooperação internacional, reforçar a coordenação nacional e garantir que as leis dos países envolvidos estão em harmonia, de modo a colmatar as lacunas da lei, uma vez que a prática é por natureza um crime transnacional e os contrabandistas envolvidos trabalham em redes. Além disso, questões de migração e de desenvolvimento precisam de ser examinadas de perto de forma a melhor compreender as causas e prevenir, para que os grupos de crime organizado não lucrem com grupos vulneráveis”, pode-se ler no comunicado à imprensa da UNODC.

 

 

ENISA: Incidentes de segurança na rede raramente são reportados

 

Mesmo que possam afectar milhões de pessoas ou negócios, os incidentes de segurança cibernética não são geralmente reportados ou detectados. Quem o diz é a ENISA (European Network and Information Security Agency), agência da União Europeia, num relatório recente sobre a “ciber-segurança”.

O relatório “Cyber Incident Reporting in the EU”, publicado ontem, consiste numa análise geral dos artigos da legislação europeia sobre a temática, divulgando alguns exemplos de incidentes na rede que podem ter um “grande impacto em utilizadores individuais, na economia e na sociedade em geral”.

A saber: Em Junho deste ano, 6,5 milhões de palavras-passe em hash (ocultas) de uma rede social do sector dos negócios apareceram em fóruns públicos de hackers. “O impacto da violação não é conhecido totalmente, mas milhões de utilizadores foram convidados a alterar as suas palavras-passe e os seus dados pessoais podem estar em risco”, lembra o relatório. Algumas palavras-passe de contas da rede social LinkedIn, por exemplo, ficaram comprometidas por este motivo.

Outro caso: em Dezembro de 2011, a tempestade Dagmar afectou o fornecimento de energia para as redes de comunicações electrónicas na Noruega, Suécia e Finlândia. Em consequência, milhões de utilizadores ficaram sem telefone e Internet por duas semanas. Também no final de 2011 uma falha num centro de dados de um fornecedor de smartphones do Reino Unido impediu que milhões de utilizadores da rede, na União Europeia e no resto do mundo, pudessem enviar ou receber e-mails, “o que afectou severamente o sector financeiro”, diz o relatório.

 

Acidentes mantidos em segredo

A questão levantada por esta agência da União Europeia é que a maioria de incidentes como estes raramente são reportados, sendo mantidos em segredo muitas das vezes, como se pode ler no portal Euractiv.

“Os incidentes cibernéticos são a maioria das vezes mantidos em segredo e, quando descobertos, deixam os clientes e os decisores políticos no escuro quanto à frequência, ao impacto e à origem”, afirmaram os co-autores do documento, Marnix Dekker e Christoffer Karsberg.

O estudo divulgado ontem indica que a partilha de relatos de incidentes na Europa deve ser aperfeiçoada e que a legislação pode desempenhar “um papel importante” no combate à insuficiente informação transmitida aos utilizadores da Internet sobre o impacto dos incidentes de segurança na rede e a sua frequência. O relatório recorda que, para alguns tipos de incidentes, há uma nova directiva europeia, transposta para as leis nacionais, que obriga os fornecedores de redes a reportar os incidentes a uma autoridade nacional.

O director executivo do ENISA, citado pelo Euractiv, afirmou que “o relato do incidente é essencial para obter um retrato real da segurança na rede. A estratégia da segurança cibernética é um passo importante e um dos seus objectivos é expandir o âmbito das disposições legais como o artigo 13º para além do sector das telecomunicações”. Este artigo, incluído na directiva europeia “Segurança e Integridade”, de 2009, postula que “os fornecedores de redes e serviços públicos de comunicação devem tomar medidas para garantir a segurança e a integridade das suas redes”, devendo “reportar às autoridades nacionais competentes quebras de segurança significativas”. Por sua vez, ficou legislado que as autoridades nacionais deveriam enviar à ENISA e à Comissão Europeia relatórios anuais sobre incidentes desta ordem.

Na sequência desta lei, a ENISA recebeu em Maio de 2012 os relatórios anuais dos estados membros relativos a 2011. Foram reportados 51 incidentes graves aos reguladores, aos quais chegaram descrições do impacto, da origem, das acções levadas a cabo e das lições aprendidas com os incidentes.

Ao longo do relatório, a agência europeia analisa outras leis europeias relacionadas com a privacidade electrónica e a regulação da protecção de dados, lembrando ainda o que está a ser feito pela Comissão Europeia no âmbito de uma Estratégia de Segurança Cibernética, em fase de incubação.

A ENISA compromete-se a publicar em Setembro deste ano um sumário destes relatórios anuais.

Entrevista: “Vivemos num mundo globalizado onde há um ‘boom’ cultural a acontecer”

MANUEL CARDOSO – VICE-PRESIDENTE DO INSTITUTO DA DROGA E DA TOXICODEPENDÊNCIA

Se quisermos medir o sucesso da política de drogas portuguesa, para que indicadores devemos olhar?

Para todo o tipo. É evidente que o que nos confere o estatuto de política-modelo tem a ver com a descriminalização. Mas a intervenção portuguesa é muito mais vasta. A descriminalização é só uma medida, que facilita a intervenção. Mas não vale por si (ver pág. anterior).

Como se desenvolveu em Portugal uma abordagem integrada às drogas e toxicodependência?

Nos anos 1980 e início dos 1990, a droga era uma das principais preocupações dos portugueses (quando agora está no 12° ou 13° lugar). A toxicodependência era visível nas ruas e na degradação das pessoas. A criminalidade associada ao consumo também era relativamente alta. O HIV explodia. Chegados a 1987, Leonor Beleza e apesar de as competências nessa altura serem da Justiça, criou uma resposta na Saúde – o CAT das Taipas. Anos mais tarde, em 1997, a Assembleia da República determina a criação de respostas terapêuticas em termos nacionais para responder a essa necessidade. Houve desde sempre uma preocupação nacional de responder ao problema de forma global.

Porque é que se coloca tanto a tónica do sucesso na descriminalização?

Por um lado porque a própria ONU esteve contra. Por outro porque o modelo proíbicionista que existe no mundo começa a ser posto em causa. E nós viemos mostrar que aquela que era a grande preocupação associada à descriminalização não se verificou. A toxicodependência diminuiu. A infecção por HIV entre toxicodependentes diminuiu dramaticamente, tal como o consumo por via endovenoso. E a prevalência de consumos nos mais jovens parece estar a baixar. Mesmo a criminalidade relacionada com os consumos caiu.

Como é que a vossa intervenção interfere na criminalidade?

Resulta das necessidades que os toxicodependentes deixaram de ter. Temos 38 mil indivíduos a ser acompanhados na estrutura IDT e mais 15 mil nas de redução de danos. Se pensarmos que os que estão a ser tratados não consomem e que cada um deles gastava entre 30 e 50 euros/dia isso dá à volta de 500 milhões de euros/ano, que não são desbaratados. E quem está nos programas de redução de danos, se tiver de consumir, já o faz de forma mais tranquila.

Como respondem a críticas de que uma política tolerante estimula o consumo e dá sinais errados à juventude?

Quando vemos os consumos da população geral, é evidente que eles aumentam. Mas se em toda a Europa o número de experimentadores aumentou a um ritmo superior ao de Portugal, devemos ficar mais ou menos preocupados?

Depende se sinaliza menor eficácia nas políticas de dissuasão.

Mas nós vivemos num mundo globalizado, há um “boom” cultural a acontecer e a tendência é para que os jovens procurem substâncias que lhes altere o seu estado de espírito. Isto é todo um processo cultural e psico-social, que tem de ser trabalhado. Mas ainda assim, mantemos uma das mais baixas taxas de consumo da Europa excepto para a heroína. E não se pode dizer que o facto de termos descriminalizado aumentou os consumos.

Fonte: Jornal de Negócios