CENTRO APOIO PSICOSSOCIAL +SAÚDE… ACESSÍVEL A TODOS

O CAP+Saúde surge como uma preocupação da Dianova em disponibilizar uma intervenção terapêutica e psicossocial acessível e de qualidade à Comunidade em geral e sobretudo às Pessoas em maior situação de carência económica e vulnerabilidade social e/ou emocional.

Localizado em Lisboa (junto ao Hospital D. Estefânia e com gabinete em Monte Redondo – Torres Vedras), oferece 6 serviços com uma Equipa de 5 profissionais experientes dirigidos a Jovens, Adultos e Famílias, com o objectivo de promover oportunidades para uma nova aprendizagem adaptativa, de auto-realização e de satisfação pessoal.

  1. Avaliação Psicológica: Conhece a causa dos seus Problemas que o/a perturbam?
  2. Acompanhamento Psicológico / Psicoterapêutico: Encontra-se emocional ou socialmente vulnerável?
  3. Intervenção na Adolescência: Com que frequência te revês no mito do “super-homem”?
  4. Orientação Vocacional e Profissional: Já sabes que área vocacional queres prosseguir?
  5. Avaliação e Intervenção em Necessidades Educativas Especiais: O seu filho/a sofre de dificuldades de aprendizagem?
  6. Intervenção Familiar: Dificuldades de comunicação e relação familiar?

Marque a sua Consulta através do tel. 261 312 300 ou 919 031 678 ou visite-nos em www.apoiopsicossocial.dianova.pt

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“Ideologia masculina” no desenho das organizações “enviesa” avaliação do potencial da mulher, defende investigadora do CIES-IUL

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Com vista à igualdade de género, Mara Vicente defende o aumento de mulheres em órgãos de decisão, “indo além do legislado”

Por que existe segregação de género nas políticas de recrutamento nas empresas ou no acesso a cargos de poder e autoridade? Por que existe diferença salarial entre homens e mulheres? Mara Vicente, investigadora do Centro de Investigação e Estudos de Sociologia – Instituto Universitário de Lisboa, reflectiu sobre diversas abordagens teóricas referentes à diferenciação de género nas estruturas organizacionais e expô-las num “paper”. Seguem-se algumas conclusões.

 

Apesar do desenvolvimento de políticas de igualdade entre mulheres e homens no mundo laboral em Portugal, as diferenças são ainda bastante notórias, defende Mara Vicente no seu “working paper” publicado já este ano.

Em “O Género nas Estruturas Organizacionais: A diferenciação entre homens e mulheres na ocupação de funções, no acesso ao poder e nos salários”, conclui-se que esta desigualdade constitui uma “construção social”, que tende a ser reproduzida e encarada como uma “diferenciação técnica, com base em aptidões e competências para o desempenho de determinada função e não com base na segregação de género”.

O âmago da questão está, no entender da investigadora, na “predominância de modelos masculinos no desenho das estruturas organizacionais, conferindo vantagens aos homens”, o que se traduz em “obstáculos” para as mulheres, quando estas “procuram integrar-se numa estrutura social que não foi construída atendendo às suas características e aos seus papéis sociais”.

Por exemplo, a conciliação família/trabalho foi ignorada neste desenho masculino das estruturas organizacionais, segundo Mara Vicente. “A dificuldade em conciliar exigências profissionais, determinadas pela organização, com as exigências familiares, determinadas pela sociedade” é um dos problemas criados por esta visão tornada prática. “Conciliar ambos os esquemas sociais” gera a experiência de “conflitos de papéis”, conclui.

O “paper” lembra ainda, neste sentido, que, mesmo em profissões dominadas por mulheres, especialmente nas áreas da saúde e da educação, os cargos de gestão são ocupados por homens.

Também as diferenças salariais são explicadas por uma “ideologia masculina” nas estruturas organizacionais que “enviesa” a avaliação do potencial das mulheres para o desempenho de funções.

Esta ideologia, recorda a investigadora do CIES, é baseada na ideia de que “os trabalhadores homens são mais capacitados para desempenhar funções desenhadas à sua imagem, e para as quais recrutam numa lógica de reprodução homossocial”, ou seja, entre pares. A falta de compromisso a longo prazo e de experiência pode ser apontada à mulher, neste contexto, como desvantagem face ao homem.

Por fim, a autora defende que é “pertinente” persistir no desenvolvimento de políticas de integração social, de igualdade e de antidiscriminação no mercado de trabalho, com o objectivo de alterar “esquemas culturais e estruturas sociais que conduzem à desigualdade de género no mundo laboral”. Para tal, é defendido o aumento do número de mulheres em órgãos legislativos, “indo para além do legislado”.

Ler artigo completo de Mara Vicente aqui.

[Apresentação | Livro] “Resgate das famílias e empresas do sobreendividamento crónico”, 2/5, Teatro do Bairro

Capa livro Resgate Sobreendividamento 2013

 

CONVITE | apresentação e lançamento oficial pelo Frei Fernando Ventura e pelo autor João Gil Pedreira do livro “Resgate das famílias e empresas do sobreendividamento crónico”, Teatro do Bairro | Lisboa, 2 de Maio de 2013 – 18:00 (Rua Luz Soriano, 63, Bairro Alto), e que conta com a colaboração da Dianova.
Sinopse:

Partindo do entendimento de que famílias, empresas e Estados defrontam um adversário comum que responde pelo nome de dívida, o autor propõe ao longo deste livro uma mudança de perspetiva e de abordagem à problemática do sobreendividamento.

A pergunta-chave dessa mudança poderá ser sintetizada da seguinte forma: porque estaremos nós a resgatar bancos e Estados, reestruturando a economia para servir os interesses da dívida, e não estaremos antes a resgatar a economia (leia-se famílias e empresas), reestruturando os Estados e os bancos para servir o bem comum?

Centrado nesta questão, João Gil Pedreira propõe um plano sistémico e integrado para resgatar as famílias e empresas do sobreendividamento crónico, que não constitui apenas uma forma de libertar e relançar a economia do mundo ocidental, mas igualmente o caminho para se começar a inverter ciclos viciosos de endividamento estatal, com vista à solvabilidade, à sustentabilidade e ao desenvolvimento de todas as entidades que constituem o nosso vasto ecossistema económico.

Recordando, no entanto, como mote a afirmação proferida por Winston Churchill em Novembro de 1942: «Agora, isso não é o fim. Nem é o princípio do fim. Mas é, talvez, o fim do princípio».

Mês da Prevenção dos Maus-Tratos na Infância: Campanha nacional sobre rodas

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Abril é o Mês da Prevenção dos Maus-Tratos na Infância. Até dia 30, vários concelhos do país vão assinalá-lo, através de uma campanha de sensibilização, desdobrada em iniciativas culturais e educacionais e co-organizada pela Comissão Nacional de Protecção de Crianças e Jovens em Risco [CNPCJR], pelas autarquias e associações a trabalhar nesta área.

Consciencializar a comunidade para a importância da prevenção dos maus-tratos na infância, do fortalecimento das famílias no sentido de uma parentalidade positiva e ainda do fundamental envolvimento comunitário”. É este o objectivo da campanha que reúne mais de 70 Comissões de Protecção de Crianças e Jovens que, localmente, estão a promover actividades – entre ciclos de cinema, debates, caminhadas e produção de laços azuis, símbolo da causa. Trofa, Santo Tirso, Lisboa, Vizela estão entre outros municípios que se associaram à campanha a nível nacional.

Hoje, dia 5, por exemplo, na Biblioteca Municipal Orlando Ribeiro, em Telheiras, Lisboa, tem lugar a primeira sessão de quatro de um ciclo de cinema alusivo ao tema, com a projecção de “Jaime” [1999], um filme de António Pedro Vasconcelos. Destinadas à comunidade em geral, crianças e jovens, e técnicos da área da protecção da infância, estas sessões de cinema são sempre seguidas de um debate. Na abertura, esta noite, pelas 20 horas, estarão presentes, além do realizador de “Jaime”, a vereadora municipal Helena Roseta, Armando Leandro, da CNPCJR, e Margarida Martins, da Associação de Mulheres Contra a Violência.

“Laço Branco”, de Michael Haneke, e “Sangue do Meu Sangue”, de João Canijo, são os filmes que se seguem no âmbito deste ciclo de cinema, que termina a 23 de Abril com a projecção de curtas-metragens realizadas por crianças e adolescentes de várias escolas e outras entidades do país, no âmbito das oficinas de iniciação ao cinema orientadas pela Associação Os Filhos de Lumière. Durante o mês de Abril, haverá ainda tempo para uma “Semana do Filme nas Escolas”, destinada a alunos dos 2º e 3º ciclos das escolas do concelho de Lisboa.

A norte, em Santo Tirso, para este domingo, dia 7, está agendada uma Caminhada pela Prevenção, que consistirá num passeio pedonal pelas margens do Rio Ave. Acções de sensibilização nas escolas, eventos sociais e desportivos, bem como a divulgação na comunicação social de notícias e artigos sobre o trabalho desenvolvido no concelho na área da prevenção e acompanhamento das crianças em perigo, são algumas das várias iniciativas preparadas no âmbito do Mês de Prevenção dos Maus-Tratos na Infância.

Em Vizela, também a nível curricular, este drama pessoal, familiar e social não será esquecido. Numa entrada do blogue da Biblioteca da Escola Básica Caldas de Vizela pode-se ler que “um panfleto informativo da CPCJ será lido e interpretado nas aulas de Educação Moral Religiosa e Católica, seguindo-se a visualização do filme ‘O Bom Rebelde’. Serão [ainda] produzidos laços azuis”. Todo o material produzido durante este mês será posteriormente divulgado pela CPCJ na Feira do Livro promovida pela Câmara de Vizela, acrescenta o blogue.

Portugal em 2030: Uma população envelhecida | “Presente no Futuro”

 

“As decisões que tomarmos hoje vão moldar o País em 2030”. Foi com estas palavras que o sociólogo António Barreto inaugurou esta manhã “Presente no Futuro – Os Portugueses em 2030”, ciclo de conferências a decorrer hoje e amanhã em Lisboa. Como inverter as tendências demográficas previstas para 2030, como uma taxa de fecundidade na ordem dos 1,6%?

Segundo dados do Pordata, em Portugal, em 40 anos, há quase menos 1 milhão de jovens e mais de 1 milhão de idosos. Os dados dizem respeito ao período compreendido entre 1971 e 2009. A tendência mantém-se actualmente. Um estudo recente, encomendado para a iniciativa “Presente no Futuro”, diz ainda que a taxa de fecundidade em 2030 será de 1,6%, valor insuficiente para substituir gerações. Mais de 25% da população terá 65 ou mais anos. Em 2050, 31,8% da população portuguesa terá mais de 65. Portanto, os portugueses terão vidas mais longas, mas haverá menos população activa, se se considerar então, como hoje, a idade activa entre os 15 e os 64 anos.

“Mesmo nos cenários mais optimistas, o envelhecimento aumenta e a população diminui, para valores do século passado. E como estas são tendências de muitos anos, só medidas políticas [de apoio à natalidade] poderão fazer a diferença”, comenta à revista Visão Maria Filomena Mendes, demógrafa e autora do estudo preparado, a pedido da Fundação Francisco Manuel dos Santos, para apresentar em “Presente no Futuro”, a decorrer hoje e amanhã, no Centro Cultural de Belém.

 

Charles Haub: A imigração não basta para inverter tendência

Na primeira sessão de hoje de “Portugal no Futuro”, o demógrafo Charles Haub começou por afirmar que os imigrantes têm ajudado a travar as maiores diferenças nas pirâmides demográficas, mas lembra que o cenário está a mudar: “A fertilidade não é assim tão grande nos países pobres. Veja-se na Turquia onde as mulheres têm, em média, dois filhos”. E acrescenta: “É preciso procurar soluções”, além da imigração que, segundo Haub não é “de longe a solução perfeita, devido às barreiras da língua”.

O panorama lembrado pelo demógrafo não contempla só Portugal, mas o mundo “desenvolvido” e é, na sua perspectiva, uma consequência dos problemas financeiros dos países e da fraca educação. “Não há forma de reverter essa situação”, afirmou, pessimista. “De que serve ter tantas pessoas quando não há formação nem emprego?”  

Portugal encontra-se abaixo da média europeia, com a idade do primeiro filho a subir até aos 30 anos. Haub comparou, esta manhã, dois países com tendências diferentes: Portugal a Ruanda. Enquanto hoje Portugal conta com 10,6 milhões e Ruanda 10,8 milhões, em 2050 teremos 10,7 milhões de Portugueses e 20,6 milhões de pessoas.

 

No  “Presente no Futuro” discute-se Envelhecimento, Família e Trabalho
“O que podemos fazer para mudar o curso de algumas tendências? Que inquietações e sonhos temos para 2030?
. É este o mote, em forma de questionamento, para as sessões deste certame, que conta e contará com a presença de Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente do Brasil e sociólogo, da presidente do Banco Alimentar Isabel Jonet, da artista plástica Joana Vasconcelos, do historiador José Pacheco Pereira, do arquitecto Nuno Portas, da socióloga Luísa Schmidt, do humorista Ricardo Araújo Pereira, e do especialista em tecnologia, estratégia e inovação Andrew Zolli, entre sessenta oradores.

“Presente no Futuro” procura ser um “encontro de reflexão sobre os portugueses que somos e os portugueses que queremos ser”, de acordo com a página oficial do evento.  E incide sobre quatro “grandes temas decisivos” para os próximos anos: o envelhecimento e conflito de gerações; as famílias, trabalho e fecundidade; as desigualdades: povoamento e recursos; fluxos populacionais e projectos de futuro.

Hoje, às 12h30 e às 16h50, as perguntas que se colocam em debates diferentes são “O que é o envelhecimento demográfico?”, “As famílias estão em crise?”, “O Envelhecimento torna as sociedades mais resistentes à mudança?”, “Temos menos filhos porque estamos a empobrecer e somos mais egoístas?”. Com lotação esgotada, as conversas podem ser vistas e ouvidas, em directo, on-line, aqui.

Drogas | Estudo revela que mulheres são discriminadas em campanhas de prevenção

As campanhas de prevenção de consumo de drogas não estão pensadas para que cheguem de igual modo a mulheres e homens, o que pode levar a que a sua eficácia seja diferente. Esta é a principal conclusão de um estudo das campanhas publicitárias  difundidas em Espanha entre 2002 e 2011. Os resultados desta análise centrada na perspectiva do género foram divulgados ontem pela UNAD.

Estudo assinala invisibilidade da mulher nas campanhas de prevenção

A análise qualitativa de campanhas de âmbito estatal relativas à prevenção de consumo de drogas e a problemas associados foi realizada por um grupo multidisciplinar de especialistas nas áreas do Género, Droga, Prevenção, Publicidade e Comunicação, tendo sido coordenada pela Unión de Asociaciones y Entidades de Atención al Drogodependiente (UNAD).

E qual é o objectivo do estudo? “Melhorar a eficácia das campanhas de prevenção do consumo de drogas no colectivo de mulheres”, pode-se ler no site desta organização não-governamental sedeada em Madrid, numa altura em que há um incremento da “feminização do consumo de drogas e de adições de substâncias psicoactivas”, legais e ilegais.

Vários estudos recentes revelam que o consumo de drogas e álcool está a aumentar entre as mulheres. A UNAD lembra que, na última década, também cresceu o número de mulheres que recorrem a centros de atenção especializada por reconhecerem um problema de adição. Em 2011, nos centros da organização espanhola, 33,56% das pessoas atendidas eram mulheres.

Segundo a Encuesta Estatal sobre uso de Drogas en Enseñanzas Secundarias (ESTUDES), análise focada em estudantes dos 14 aos 18 anos em escolas secundárias, em 1994 o consumo de canábis entre estudantes do sexo feminino era de 18%, em 2008 de 32,8%. A mesma tendência se dá no caso do consumo de cocaína. Passou de 1,9% em 1994 para 3,8% em 2008. Já no consumo de álcool e hipnosedativos, as jovens ultrapassam os jovens.

A UNAD aponta, mesmo considerando que a questão do consumo associado ao género ainda foi pouco estudada, como uma das causas para estes números “a inadequação das campanhas de prevenção que se desenvolvem, tanto por parte das administrações públicas, como pelas organizações sociais”.

 

Metodologia do estudo

Sob avaliação nesta análise estiveram textos, imagens, grafismo, contextos, situações e relações incluídos em campanhas de marketing social estatais com a finalidade de inspirar a mudança de comportamentos e atitudes. “Reduzir o consumo de drogas e aumentar a idade de início do consumo” foram identificados pela UNAD como os objectivos das campanhas de “publicidade de prevenção” estudadas.

Numa primeira fase, foram recolhidas todas as campanhas de prevenção de consumo de drogas em suporte informático que iam ser objecto de estudo e envidas para cada profissional para avaliação. Após a aplicação de dois questionários – um para avaliar cada uma das campanhas e outro para fazer uma avaliação global – ocorreram reuniões com toda a equipa de peritos envolvidos, que fizeram uma análise exaustiva de cada campanha. Nestes encontros foram divulgadas as respostas aos questionários, debateram-se mensagens publicitárias e foram compiladas conclusões. Por fim, foram estudadas e elencadas em conjunto propostas para futuras campanhas de publicidade.

 

UNAD propõe linguagem inclusiva e monitorização das campanhas

Se a primeira conclusão destacada nesta análise reconhece que as campanhas de prevenção de consumo de drogas não estão pensadas para que cheguem de igual modo a mulheres e homens, a segunda – ligada à anterior – é que a linguagem utilizada nas campanhas reforça os papéis tradicionais do homem e da mulher.

Os resultados dos questionários respondidos por peritos das áreas dos media, dos estudos de género e das drogas apontam para a percepção consensual de que a maioria das campanhas não tem em conta a questão do género, e que, aliás, não é notada nenhuma “evolução positiva significativa” nesta matéria na década estudada. Por exemplo, nenhum dos intervenientes no estudo disse conhecer campanhas específicas para mulheres.

Outras notas dos especialistas: o consumo diferenciado entre homens e mulheres não está presente na maioria das campanhas e as campanhas parecem claramente realizadas por homens. A invisibilidade das mulheres neste tipo de publicidade não se coaduna com a realidade dos números, defende o estudo. As últimas campanhas contra o álcool dirigidas a jovens mostram sempre um rapaz com claros indícios de embriaguez, quando os últimos dados revelam que a prevalência de consumo de álcool nas raparigas supera a dos rapazes.

Os estereótipos, arquétipos e papéis sexuais e sociais são mencionados várias vezes ao longo do relatório. Foi notado que os vídeos mostram sempre a imagem da mãe sofredora, vulnerável, a acompanhar mensagens de culpa. Nas campanhas é ressaltado um “estereótipo determinado”, associando o consumo a rapazes e raparigas com bom ar e com nível económico. Os especialistas lembram que a voz off masculina, nos anúncios, transmite ideias de autoridade e credibilidade, enquanto a voz off feminina expressa angústia, ansiedade e preocupação.

Com vista à realização de campanhas mais inclusivas, o estudo aponta como propostas “pôr enfâse no consumo problemático de substâncias cuja adição é maior em mulheres”, como é o caso dos psicofármacos, e eliminar das campanhas publicitárias o cânone da beleza, que não corresponde à realidade.

Recomendar a utilização de linguagem não sexista, ter em conta novos modelos de família e criar um organismo específico responsável por realizar pareceres sobre o impacto do género na publicidade institucional são outras das sugestões do estudo divulgado ontem pelo UNAD. Bem como a coordenação entre a empresa publicitária, a instituição que põe em marcha a campanha e um organismo específico para avaliar se as campanhas contemplam a questão do género, e a influência junto do Ministério da Saúde, dos Serviços Sociais e da Igualdade para fazer cumprir a lei da igualdade na política da saúde.

 

Outros dados do estudo

– Muitas substâncias não são abordadas nas campanhas

– As campanhas mostram mensagens muito dramáticas

– É necessário diferenciar consumo esporádico do abusivo

– Existem muito poucas campanhas de prevenção dirigidas aos consumidores

Regresso às aulas

Se a avaliação já não era positiva em 2010, um ano depois a visão dos portugueses sobre a situação económica do país agravou-se. Numa escala de 0 a 10 (em que o primeiro número equivale a “muito má” e o último a “muito boa”), a média atribuída foi de 3,3. No inquérito do ano passado, o valor foi de 3,65. As pessoas entre os 55-65 anos são as mais pessimistas (2,94 de média), bem como as classes média/baixa e baixa.

Depois das despesas de férias, grande parte das famílias vê-se a braços com uma factura bem mais dolorosa: a do regresso às aulas. Entre livros, material escolar, computador ou equipamento para a ginástica, a despesa média global de um agregado familiar atinge os 499 euros para uma média de 1,31 membros que estão a estudar. Ou seja, cada família acaba por gastar 381 euros por estudante. As contas resultam de um inquérito realizado pela Cetelem, uma instituição financeira que faz também estudos sobre o consumo. Este ano, no âmbito da edição portuguesa do Observador Cetelem, as perguntas a 600 portugueses (entre os 18 e os 65 anos) incidiram sobre as intenções de compra no regresso às aulas. Para concluir que a maioria (64%) dos 183 inquiridos com filhos em idade escolar e/ou estudantes gasta até 500 euros no início do ano lectivo. Um em cada 10 agregados admite despender mais de 1000 euros.

As despesas não se ficam por aqui e para os consumos ao longo do ano, na cantina ou na papelaria, por exemplo, os pais disponibilizam aos filhos uma média de 24 euros semanais. O inquérito também permitiu concluir que, apesar do rombo no orçamento que representa o começo das aulas, são ainda poucos os que recorrem a estratégias que permitiriam poupar uns euros, como a compra de livros em segunda mão ou através da Internet, onde é possível obter vários descontos. No geral, as intenções de poupança continuam superiores às de consumo. Quanto ao que os inquiridos tencionam comprar, constata-se um aumento das depesas em viagens e lazer e uma diminuição nos telemóveis e gadgets.

Fonte: Expresso