Social Change Film Festival | Era uma vez a Mudança Social … com vozes indígenas

Até domingo, Nova Orleães [EUA] acolhe o Social Change Film Festival. “Água: Desafios e Soluções” é o tema central da segunda edição de um certame de cinco dias que pretende responder a desafios sociais e ambientais a nível global, através do cinema e do documentário. Este ano, entre os mais de 50 filmes enviados por realizadores indígenas, sobre identidade cultural, ambiente, suicídio juvenil e toxicodependência, dois foram seleccionados para exibição. Chamam-se “Cry Rock” e “March Point”.

 

Este festival é “uma rede internacional de realizadores que expressam a necessidade de mudança social através das suas obras”, segundo um comunicado da organização First Peoples Worldwide (FPW), que este ano organizou, neste âmbito, o painel “Traditional Storytelling Using Modern Technology”.   Ou seja, um apelo aos realizadores e argumentistas para contarem as suas histórias e as das suas comunidades, daquelas à moda antiga, mas com câmaras de filmar e gadgets na mão.

Foram seleccionados pela FPW, no âmbito deste painel, os filmes “Cry Rock” e “March Point”.

O primeiro documenta a luta da realizadora estreante Nuxalk [Banchi Hanuse] na Columbia Britânica, no Canadá, pela preservação da língua, cultura e identidade dos nativos, em resposta ao colonialismo e à infracção pela cultura não-indígena.

O segundo conta a história de três adolescentes da tribo ameríndia “swinomish” a despertar para os impactos negativos das refinarias de petróleo nas suas comunidades no oeste do Estado de Washington. A realizadora, Tracy Rector, é co-fundadora da Longhouse Media, uma organização que promove o crescimento artístico e comunitário dos jovens realizadores indígenas.

 

Cry Rock (Trailer)

 

March Point (Excerto do filme)

 

“Histórias poderosas”

Neva Morrison, moderadora deste painel e directora da FPW, diz que viu mais de 50 filmes realizados por indígenas que lhe chegaram às mãos e diz ter sido inspirada por cada uma das propostas enviadas: “As histórias que eles partilharam são fantásticas. Fiquei comovida, até às lágrimas, com alguns [filmes], e outros fizeram-me rir, mas todos inspiraram-me e, porque estas histórias foram contadas, realizadas e editadas por pessoas indígenas nas suas próprias palavras, isto tornou-as mais poderosas e mais rigorosas. As duas seleccionadas para exibição no Social Change Film Festival merecem todo o reconhecimento que estão a receber hoje”. Por exemplo, “Cry Rock” venceu oito prémios desde que estreou no All Roads Film Festival da National Geographic, em Washington.

Além da exibição de filmes e dos painéis temáticos, constam ainda do cardápio do Social Change Film Festival “workshops” e palestras de profissionais da indústria de cinema sobre realização, distribuição, angariação de fundos e media relacionados com mudança social.

“Este festival continuará a ser um modo poderoso de as comunidades indígenas partilharem as suas histórias, dando-lhes a oportunidade de partilhar as suas lutas, sucessos – e mais importante – as suas soluções para um mundo melhor”, pode-se ler no comunicado de imprensa da First Peoples Worldwide.

A FPW é uma organização criada em 2005 que se tem dedicado a financiar projectos de desenvolvimento local nas comunidades indígenas em todo o mundo, procurando “criar pontes entre as nossas comunidades e as empresas, governos, académicos, ONGs e investidores das suas regiões”.

 

 

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Primeiro comprimido que reduz risco de infecção por VIH aprovado nos EUA

A Administração de Alimentos e Medicamentos (FDA) dos Estados Unidos aprovou nesta segunda-feira a comercialização de uma pílula para proteger indivíduos em risco extremo de infecção pelo VIH. O medicamento chama-se Truvada, é de toma diária e não é para qualquer bolso. Um estudo publicado recentemente no New England Journal of Medicine conclui que o medicamento é eficaz. A Fundação Aids Healthcare considera a decisão “imprudente”.

Em nota à imprensa, o órgão governamental dos Estados Unidos responsável pela aprovação de novos medicamentos no país, confirma que será colocada no mercado a “primeira droga para reduzir o risco da infecção pelo VIH por via sexual”.

O Truvada é dirigido a indivíduos cujo parceiro esteja infectado, integrando, segundo a FDA, “uma estratégia de prevenção que inclui outros métodos, tal como as práticas de sexo seguro, o aconselhamento sobre a redução de risco e o teste regular ao VIH”.

Até aqui o Truvada já podia ser administrado em combinação com outros anti-retrovirais no tratamento de adultos e adolescentes de doze anos para cima infectados pelo vírus da imunodeficiência humana.

A FDA alerta, no entanto, que este comprimido de toma diária “apenas deve ser tomado por indivíduos confirmados como sendo VIH negativo antes da prescrição da droga”, sendo contraindicada a indivíduos com estatuto VIH positivo ou que desconhecem o seu estatuto serológico.

As reacções a esta aprovação não se fizeram esperar e a maior organização de apoio a pessoas seropositivas a operar nos cinco continentes – a Aids Healthcare Foundation – faz parte do coro das críticas, tendo chamado inclusive a atenção para provas que revelam que este medicamento pode danificar os rins.

Em comunicado de imprensa, o presidente desta fundação, Michael Weinstein, considera esta decisão “completamente imprudente e um passo que em última análise irá fazer-nos recuar anos nos esforços para a prevenção do VIH”, admitindo que o passo dado na segunda-feira “roça [a algo equivalente à] negligência médica, que resultará infelizmente em novas infecções, resistências [do vírus] ao medicamento e sérios efeitos secundários para muitas pessoas”.

A lista de efeitos secundários gerais do novo comprimido inclui diarreia, dores e perda de peso, mas a FDA considera que os benefícios para as pessoas com alto risco de serem contaminadas pelo VIH suplantam os danos colaterais.

Um centro de investigação clínica da Universidade de Washington recrutou a partir de 2008 no Quénia e no Uganda mais de 4700 casais – em que um elemento tinha sido infectado pelo VIH e outro não – para testar o medicamento. O estudo Partners PrEP (Profilaxia Pré-exposição) foi considerado um dos mais abrangentes da história das experiências de prevenção nesta área.

Publicado recentemente no New England Journal Of Medicine, o estudo conclui que o uso do Truvada foi eficaz, ao evitar a infecção em 75% dos casos analisados.

O Truvada deve ser tomado diariamente para uma prevenção eficaz, o que será um fardo pesado para os americanos sem seguro de saúde. A despesa anual com este medicamento rondará os 11,5 mil euros.

O novo comprimido resulta de uma combinação de dois medicamentos anti-retrovirais usados no tratamento de VIH – a emtricitabina e o tenofovir.

Uma cidade americana encontrou alternativa para a crise

Acossada por uma recessão que encerrou boa parte das empresas tradicionais na economia de uma cidade de 116 mil habitantes, a cidade da Califórnia Vallejo tem nos dispensários de Cannabis o que parece ser o único negócio próspero da região, na periferia norte de São Francisco.

No dispensário médico do centro colectivo da pequena cidade de Vallejo, no Norte da Califórnia, há diariamente à venda as comuns doses de Cannabis e uma cada vez maiorvariedade de produtos para servir com categoria quem não gosta de consumir um cachimbo ou um cigarrinho de «erva»: azeite com Cannabis, molho barbecue de Cannabis e até manteiga de Cannabis ou muffins com Cannabis. Eis o que distingue este dispensário entre os 15 existentes na cidade: por dia, atende de sessenta a cem clientes. É o que se chama um bom negócio.

A cidade entrou na bancarrota em 2008 (saiu de lá no início de Agosto passado), as empresas fecharam, o valor das propriedades caiu e foi preciso despedir polícias, reduzindo o pessoal em 33 por cento. Com isso, destaca o Bloomberg Businessweek, as autoridades locais ficaram sem meios de fiscalizar a legalidade destes dispensários. Nem sequer sabem ao certo quantos são (15 ou 20, diz-se) e muito menos conseguem processá-los, na tentativa de os fechar.

Os dispensários, que só podem ser considerados legais se cumprirem uma série de requisitos, entre os quais uma conta bancária empresarial e seguros de saúde para os empregados, vão operando nos intervalos da crise, mas o dono de um deles afirma que toda a gente quer ficar do lado da lei e ser «considerada parte da comunidade» e, como tal, pagar os seus impostos e taxas. Os eleitores estão a ser chamados a votar por um imposto de dez por cento sobre as vendas, e quem sabe a retoma da cidade não se faz à conta destes negócios.

Fonte: Diário de Notícias/Notícias Sábado

Tabaqueiras processam Governo norte-americano

Cinco tabaqueiras processaram a Administração de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos por as obrigar a publicar imagens mais chocantes e maiores dos malefícios do tabaco nos maços de cigarros a partir de 2012. RJ Reynolds Tobacco, Lorillard Tobacco, Commonwealth Brands, Liggett Group e Santa Fe Natural Tobacco foram as empresas que na terça-feira apresentaram uma ação legal num tribunal federal de Washington contra a Administração de Alimentos e Medicamentos (FDA, na sigla inglesa) dos EUA.

Estas tabaqueiras alegam que as novas regras para a venda de maços de tabaco, que entrarão em vigor em setembro de 2012, violam a sua liberdade de expressão, direito consagrado na Constituição, por obrigarem à promoção da mensagem anti-tabaco do governo, ao mesmo tempo que se queixam do elevado custo da impressão dos novos maços.

A lei prevê que os maços de tabaco apresentem imagens mais gráficas que alertem para os malefícios do consumo do tabaco, como cadáveres, pulmões doentes e dentes podres, que deverão cubrir a parte superior dos dois lados dos maços de tabaco e 20% da publicidade neles impressa, situação contestada pelas tabaqueiras por alegarem que essas imagens terão um tamanho maior do que o seu próprio logótipo.

“Depressão, desencorajamento e medo” dos consumidores

Os maços de cigarros terão de apresentar uma das nove imagens selecionadas por cientistas e internautas entre um total de 36. Para as tabaqueiras, as novas regras contribuirão para a “depressão, desencorajamento e medo” dos consumidores na aquisição dos seus produtos, refere a ação legal apresentada pelas cinco empresas que pretende evitar a sua entrada em vigor. “O governo pode exigir advertências simples e que não sejam controversas, mas não que um maço de cigarros sirva como meio para promover a sua campanha anti-tabaco”, afirmou o advogado que representa as tabaqueiras.

As tabaqueiras perderam uma ação semelhante no ano passado em Kentucky, com o juiz a deliberar que o Governo tem o direito de obrigar as empresas a divulgarem nos maços de cigarros imagens chocantes dos malefícios do tabaco, tendo sido depois apresentado recurso e o processo ainda corre na Justiça. Um das maiores tabaqueiras dos EUA, a Altria – empresa-mãe da Philip Morris e produtora dos cigarros Marlboro – não se juntou a nenhuma destas ações legais contra a FDA.

Mais de 220 mil pessoas nos EUA deverão ser diagnosticadas este ano com cancro do pulmão, segundo a Sociedade Americana de Cancro. Nos EUA, o tabaco é responsável pela morte de 443 mil pessoas todos os anos e de 1.200 por dia.

Ler mais: Expresso