Europa: Médicos alertam para aumento de xenofobia nos Sistemas de Saúde

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As medidas de austeridade adoptadas na Europa em resposta à crise das dívidas públicas nacionais têm um impacto “devastador” nos serviços de saúde em países como a Grécia e Espanha, assinala a organização Doctors Of The World. Notícia do portal Euractiv.

 

O alerta dos Doctors Of The World – uma organização humanitária que presta assistência médica a populações afectadas pela guerra, desastres naturais, doença, fome, pobreza e exclusão – foi dado aquando da publicação do relatório “Acesso aos serviços de saúde na Europa em tempos de crise e a crescente xenofobia” relativo a 2012. Uma das suas principais conclusões é que aumento do desemprego e da pobreza na Europa tem gerado declarações da extrema-direita estigmatizantes para os migrantes.

Este documento abrange dados recolhidos em 14 cidades de sete países Europeus e sinaliza um aumento de actos xenófobos e das restrições no acesso aos serviços de saúde na Grécia e noutros países Europeus como resultado das medidas de austeridade.

81% dos pacientes que apareceram numa clínica dos Doctors of The World em 2012 não tinham possibilidade de aceder a cuidados de saúde a pagar o custo total e 49% tinham habitação temporária ou instável.

Entre os pacientes que falaram de violência, 27% relataram ter sido vítimas de actos violentos depois de chegada ao país de acolhimento. 20% referiram ter-lhes sido negado o acesso a assistência médica por um prestador de serviços de saúde nos últimos 12 meses (especialmente em Espanha, 62%).

“Isto tem a ver com dignidade e viver em segurança sem medo”, afirmou o doutor Nikitas Kanakis dos Doctors of The World da Grécia na apresentação do relatório no International Press Center, em Bruxelas.

“Com a crise social a crescer e a crescer a cada dia que passa, vemos outra vez, sobretudo no Sul, as pessoas que necessitam mais do Estado a serem acusadas mais frequentemente. Temos que falar sobre isto”, acrescentou Kanakis.

 

Irá o sistema de saúde universal desaparecer na Europa?

 

Na Grécia todo o sistema público de saúde está sobre uma enorme pressão devido às medidas de austeridade. Em Espanha, o governo restringiu, por via legal, o acesso à saúde de migrantes indocumentados.

Alvaro Gonzales, dos Doctors of The World do país vizinho, defende que o Estado-Providência e o sistema universal de saúde estão a ser desmantelados e que apenas podem aceder a este último se se está a trabalhar, activo ou se se tem um cartão de saúde.

Os grupos que já eram considerados vulneráveis antes da crise – migrantes ilegais, mas também sem-abrigo, refugiados, toxicodependentes, trabalhadores do sexo e indigentes com cidadania Europeia – têm assistido a uma redução nas redes de segurança social que lhes providenciam apoio básico, defende a organização mundial de médicos.

“É importante sublinhar o facto de isto [esta situação] ser uma questão ideológica, porque não pode ser apoiada de um ponto de vista dos direitos humanos. É completamente injusta e vai contra os tratados internacionais”, assinala Gonzalez.

A crise das dívidas da Zona Euro levou a que alguns governos cortassem drasticamente os seus orçamentos para a saúde pública com vista a conter os défices. Grécia e Espanha estão entre os países que tomaram as medidas mais duras. A França e a República Checa seguiram-lhe os passos.

“Embora muitos dos pacientes venham para a Europa para procurar protecção, eles não estão protegidos. Isto significa que reparar a saúde mental não é possível. Muitas destas pessoas estão isoladas. Têm fracas conexões sociais e vivem em situação precária com um futuro significativamente incerto“, lembra Thierry Brigaud, um representante da organização internacional de médicos em França.

 

 

Cameron critica “turismo social”, Doctors of the World lembram a ética médica

 

Fora da Zona Euro, mas na Europa, também Cameron no Reino Unido criticou e diz pretender atacar aquilo a que chama de “turismo social”, prometendo maior controlo de acesso dos migrantes aos serviços de saúde e à habitação. “O que temos é um Serviço Nacional de Saúde, não um Serviço Internacional de Saúde”, alertou Cameron recentemente, de acordo com a agência Reuters, numa referência aos migrantes provindos da Bulgária e Roménia.

Estará a ideia de Europa ameaçada com esta tendência? O doutor Kanakis tende a pensar que sim: “Estas pessoas [mais vulneráveis] que necessitam de um bom sistema de saúde têm medo de ir lá. As pessoas que mais necessitam da Europa, experienciam-na menos e não podem estar calados”.

Os Doctors of the World reclamam da União Europeia “uma política de saúde pública coerente para a prevenção e tratamento de doenças infecciosas”. De acordo com a ética médica, defendem o direito à assistência médica de todos os pacientes, independentemente do seu estado social ou origem étnica.

 

Exemplo de campanha de sensibilização contra xenofobia na Grécia dos Doctors Of The World:

“ENOUGH!”, um programa destinado a promover a tolerância e a prevenção da violência racista

European Communication Monitor 2012 – Síntese de resultados

Cerca de 2.000 profissionais da área da Comunicação – entre directores-presidentes de agências, responsáveis por departamentos de comunicação e consultores, oriundos de organismos públicos, empresas privadas e de organizações sem fins lucrativos – de 42 países europeus, incluindo Portugal, responderam ao repto lançado, online, durante o mês de Março de 2012, pela EUPRERA (European Public Relations Education and Research Association), em parceria com a EACD (European Association of Communication Directors), a revista Communication Director, e um grupo de investigação de onze universidades europeias de renome, sob a batuta do professor Ansgar Zerfass, da University de Leipzig, Alemanha.

 

O que pensam, hoje, da comunicação estratégica os profissionais do ramo na Europa? Era esta questão central de um inquérito proposto por estas entidades, desdobrada em trinta perguntas. Alguns resultados do European Communication Monitor 2012 – estudo empírico anual de tendências de referência na área de Comunicação – podem ser vistos neste vídeo-síntese:

 

 

Quatro tendências a registar e a acompanhar: 82% das organizações têm mais touch points com os seus públicos do que há 5 anos; questões éticas como as regras de transparência e a comunicação nas redes sociais são mais relevantes do qua há 5 anos para 58% dos profissionais sondados; 3 em 4 dos inquiridos concordam que a “voz corporativa” é criada por todos os membros das organizações em interacção com os stakeholders; 75% dos entrevistados assumem a dificuldade em provar o impacto das actividades alusivas à comunicação nos objectivos das organizações.

Curso de Formação em Ética Organizacional

Fonte: Associação Portuguesa de Ética e Filosofia Prática

Carta Europeia de Ética Médica

A Carta Europeia de Ética Médica foi adoptada em Kos, Grécia, no dia 10 de Junho de 2011 numa reunião do Conselho Europeu das Ordens dos Médicos (CEOM). A agenda deste encontro incluía temas como a apresentação do Observatório Europeu de Demografia Médica e a criação de um novo grupo de trabalho sobre recomendações deontológicas. A cerimónia em que foi apresentada a nova Carta Europeia de Ética Médica incluiu a leitura do Juramento de Hipócrates pelo presidente do CEOM, Emmanuel Kalokerinos e a leitura de cada um dos artigos da Carta pelos representantes das diferentes organizações.
No preâmbulo da Carta pode ler-se: «a expansão e o desenvolvimento da Comunidade Europeia fornece a oportunidade dos médicos estenderem a sua influência, não apenas numa base técnica conjunta, mas também relativamente aos princípios de comportamento que devem ser respeitados na prática profissional. A Carta Europeia de Ética Médica incluiu os princípios nos quais se deve basear a prática profissional dos médicos independentemente do tipo de prática que tenham. A Carta deverá inspirar os princípios deontológicos assumidos pelas estruturas profissionais e pelas entidades de tutela que estejam habilitadas a adoptar tais regras. Esta carta de princípios funda a sua legitimidade no trabalho desenvolvido desde há muitos anos pelo Conselho Europeu das Ordens dos Médicos. A comunidade médica europeia concorda em respeitar a Carta Europeia de Ética Médica».

Segue o link com os 16 princípios constantes deste documento.