União Europeia: Grandes empresas obrigadas a relatório anual em nome da “transparência”

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A sua empresa tem mais de 500 empregados? Se sim, a partir de agora terá que revelar, num relatório anual não exaustivo, informação ao nível de políticas, riscos e resultados em matérias ambientais, laborais e sociais. Uma proposta de Directiva Comunitária adoptada pela União Europeia no dia 16 de Abril exige-o a partir de então.

 

O objectivo desta medida – cuja implementação total está prevista para 2017 – é o “aumento da transparência das Empresas Europeias no desempenho ambiental e social”, segundo o comunicado de imprensa da Comissão Europeia que responde a eventuais “Perguntas Mais Frequentes” relativas a esta novidade legislativa. O Conselho Europeu e o Parlamento Europeu esperam, assim, contribuir para o “efectivo desenvolvimento do emprego e da economia a longo prazo”.

“A transparência leva a um melhor desempenho”. Eis o ponto de partida desta directiva, baseada na convicção de que a transparência é “parte da solução, não do problema”. As empresas que são transparentes têm melhor desempenho ao longo do tempo, custos financeiros mais baixos, atraem e retêm empregados talentosos e são, finalmente, melhor sucedidas, assinala o comunicado.

O respeito pelos direitos humanos, a corrupção, o suborno e a diversidade na administração de empresas são questões que vão estar em cima da mesa aquando da elaboração do relatório, agora obrigatório, que se pretende ser facilitador de informação e não um documento exaustivo.

Os mentores desta directiva comunitária defendem que esta não será um mero instrumento legislativo, mas que permitirá a adequação das políticas à realidade na qual a empresa intervém e que pode atrair mais investidores. “(Estes) estão cada vez mais interessados em informação não-financeira, com vista a terem um entendimento compreensivo da evolução da empresa, da performance ou do seu posicionamento, analisando exaustivamente esta informação nos seus processos de decisão de investimento”.

Para as empresas terem tempo para desenvolverem procedimentos internos, está previsto que a implementação total da medida ocorra até 2017. Até à adopção desta directiva, já havia cerca de 2500 empresas Europeias que reportavam informação social e ambiental regular e voluntariamente à Comissão Europeia.

De acordo com o comunicado da Comissão Europeia, estima-se que este relatório resulte para as grandes empresas num custo directo adicional de menos do que 5000 euros por ano.

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European Communication Monitor 2012 – Síntese de resultados

Cerca de 2.000 profissionais da área da Comunicação – entre directores-presidentes de agências, responsáveis por departamentos de comunicação e consultores, oriundos de organismos públicos, empresas privadas e de organizações sem fins lucrativos – de 42 países europeus, incluindo Portugal, responderam ao repto lançado, online, durante o mês de Março de 2012, pela EUPRERA (European Public Relations Education and Research Association), em parceria com a EACD (European Association of Communication Directors), a revista Communication Director, e um grupo de investigação de onze universidades europeias de renome, sob a batuta do professor Ansgar Zerfass, da University de Leipzig, Alemanha.

 

O que pensam, hoje, da comunicação estratégica os profissionais do ramo na Europa? Era esta questão central de um inquérito proposto por estas entidades, desdobrada em trinta perguntas. Alguns resultados do European Communication Monitor 2012 – estudo empírico anual de tendências de referência na área de Comunicação – podem ser vistos neste vídeo-síntese:

 

 

Quatro tendências a registar e a acompanhar: 82% das organizações têm mais touch points com os seus públicos do que há 5 anos; questões éticas como as regras de transparência e a comunicação nas redes sociais são mais relevantes do qua há 5 anos para 58% dos profissionais sondados; 3 em 4 dos inquiridos concordam que a “voz corporativa” é criada por todos os membros das organizações em interacção com os stakeholders; 75% dos entrevistados assumem a dificuldade em provar o impacto das actividades alusivas à comunicação nos objectivos das organizações.

Ética Empresarial e Responsabilidade Social

É certo ligar o sucesso ou fracasso de uma organização ao seu comportamento ético? Tenho convicção de que sim! Ser ético, hoje, não é mais uma opção. Para pessoas e organizações, é  uma questão de sobrevivência. Com a velocidade com que se processam as transformações, há necessidade de valores internalizados para que haja alinhamento no momento das decisões, que exijam rapidez. Hoje não se pode avaliar uma empresa com os padrões tangíveis de ontem, pois referenciais intangíveis, como marca, imagem, prestígio e confiabilidade, decidem a preferência e garantem a continuidade.

A ética ganha respeitabilidade como forte diferencial de qualidade e conceito público, mas será que já se formou a consciência ética no comando das organizações?

Algumas questões básicas precisam ser devidamente equacionadas para um melhor entendimento sobre a eficácia da ética nos negócios. A ética é determinada pela cultura ?

Numa tribo de canibais, é ético comer o semelhante. Por ser lei, é ético? Por ser costume, é ético? Justifica-se uma “ética de conveniência”?

O discurso ético e a prática das organizações fazem lembrar o axioma popular: de boas intenções o inferno está cheio.

No entanto, julgo estarmos a viver um momento importante de renascimento moral, no esboçar de uma nova consciencialização. Nesse sentido, as boas intenções são válidas como início de processo.

A consciencialização tem esse mérito: provoca desconforto com relação às situações negativas vigentes. É imprescindível, todavia, que existam alternativas concretas, atitudes e comportamentos que denotem mudanças significativas. Surge daí o compromisso das lideranças.

Continuar a ler o ensaio de Francisco Gomes de Matos aqui.