Conta Satélite da Economia Social (CSES) para o ano 2010 | Resumo

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Está inteirado/a do “estado da arte” do terceiro sector? Sabia que, em 2010, havia 5 022 Instituições Particulares de Solidariedade Social, tipo de organização a que a Dianova pertence? O Instituto Nacional de Estatística e a CASES – Cooperativa António Sérgio para a Economia Social uniram esforços para caracterizar o sector em 2010. Depois de, em Outubro, vos termos dado conta, neste blogue, dos resultados preliminares, partilhamos, agora, um apanhado dos principais resultados do Relatório sobre a Conta Satélite Economia Social“Melhorar a visibilidade”  das Organizações Sem Fins Lucrativos e/ou das organizações da economia social foi um dos objectivos que nortearam este documento.

 

O Relatório apresenta os resultados do projeto-piloto da Conta Satélite da Economia Social (CSES) para o ano 2010 e do Inquérito ao Trabalho Voluntário 2012. A caracterização da Economia Social em Portugal baseou-se na análise, por tipo de atividade, do número de entidades (universo) e dos agregados macroeconómicos das organizações da Economia Social (OES).

As principais conclusões, no que diz respeito à CSES, a destacar foram:

_ Em termos de dimensão relativa do sector, em 2010 o Valor Acrescentado Bruto (VAB) da Economia Social representou 2,8% do VAB nacional total e 5,5% do emprego remunerado (equivalente a tempo completo – ETC).

_ A remuneração média (por ETC) nas OES correspondeu a 83,1% da média nacional, embora apresentando uma dispersão significativa.

_ Das 55 383 unidades consideradas no âmbito da Economia Social em 2010, as Associações e outras OES representavam 94,0%, sendo responsáveis por 54,1% do VAB e 64,9% do emprego (ETC remunerado). As Cooperativas constituíam o segundo grupo de entidades da Economia Social com maior peso relativo, em termos do número de unidades, VAB e remunerações.

_ Perto de metade (48,4%) das OES exerciam actividades na área da cultura, desporto e recreio, mas o seu peso em termos de VAB e emprego remunerado (ETC) era relativamente diminuto (6,8% e 5,4%, respetivamente);

_ A acção social gerou 41,3% do Valor Acrescentado Bruto (VAB) das OES, sendo responsável por 48,6% do emprego remunerado (ETC);

_ Em 2010, o sector da Economia Social registou uma necessidade líquida de financiamento de 570,7 milhões de euros. Contudo, as Cooperativas (fundamentalmente devido às que se integram na área financeira), as Mutualidades e Fundações da Economia Social apresentaram capacidade líquida de financiamento;

_ Os recursos das OES foram fundamentalmente gerados pela produção (62,8%) e por outras transferências correntes e outros subsídios à produção (23,8%). As despesas das OES consistiram, principalmente, em consumo intermédio (31,4%), remunerações (26,8%) e transferências sociais (24,3%);

_ Em 2010, existiam 5 022 Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS). Estas representaram 50,1% do VAB, 42,6% das remunerações e 38,2% da necessidade líquida de financiamento da Economia Social.

 

Conta Satélite da Economia Social | Como “melhorar a visibilidade” do 3º Sector

 

No final deste ano vão ser conhecidos os resultados finais de um estudo nacional que introduz o conceito de Conta Satélite da Economia Social. O retrato das Mutualidades e das Cooperativas em Portugal também passa por este documento, desenvolvido pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) e pela Cooperativa António Sérgio para a Economia Social (CASES).

Sabia que o Valor Acrescentado Bruto (VAB) conjunto das cooperativas e mutualidades, face ao VAB nacional, é maior em Portugal do que na Bélgica? Que há mais mutualidades no Porto do que em Lisboa? Que o ramo cooperativo com mais pessoas ao serviço é o Agrícola, seguindo-se o do Ensino? E que as Actividades Financeiras perfazem cerca de 63,6% dos sectores de actividade das Mutualidades em Portugal?

Estes são alguns dos dados preliminares da Conta Satélite da Economia Social, avançados na passada quarta-feira, no âmbito do workshop “Fronteiras da Economia Social”, que decorreu na sede do INE, e no qual a Dianova Portugal marcou presença.

“A medição da economia social é complementar à medição das organizações sem fins lucrativos [OSFL], pode-se ler no documento preliminar preparado pela CASES e pelo  INE, como resposta à pergunta “Porquê uma conta satélite da Economia Social?”. Permitir “melhorar a visibilidade” das OSFL e das organizações da economia social é outro dos objectivos assinalados.

Dos dados apresentados, alusivos às famílias da Economia Social e referentes a 2010, destacam-se, no universo em estudo, as Associações e outros (94,44%), em grande vantagem numérica face às Cooperativas (3,81%), às Fundações (0,91%), às Misericórdias (0,64%) e às Mutualidades (0,20%) – sendo que destas apenas intervêm na área mercantil as Cooperativas, as Mutualidades e grupos empresariais controlados por cooperativas, mutualidades e outras entidades da economia social. E são, por isso, estes os ramos em destaque nesta Conta Satélite.

Quanto à diversidade de organizações da Economia Social a nível nacional, o INE avança que é nas áreas da Cultura, Desporto, Recreio e Lazer que existem mais organizações classificadas como tal (45%), seguindo-se os Cultos e Congregações (15%), os Serviços de Acção e Solidariedade Social (13%), o Ensino e Investigação (9%), o Desenvolvimento, Habitação e Ambiente (5%) e as Organizações Profissionais, Sindicais e Políticas (4%). Na área do Comércio, Consumo e Serviços a fatia é menor (1%), bem como noutras áreas em que estas organizações têm uma presença residual ou mesmo nula (exemplos: Saúde e Bem Estar, Comércio, Consumo e Serviços, Actividades Financeiras).

 

Cooperativas: Agricutura e Ensino à frente no VAB e nos Recursos Humanos

O Valor Acrescentado Bruto por ramo cooperativo é outro dos factores apurados no âmbito da Conta Satélite da Economia Social. É na Ramo Agrícola que este é mais elevado (35,4%), tendo também o Ramo do Crédito uma relevância de assinalar (28,6%). Seguem-se, neste capítulo, ramos como o do Ensino (16,5%), da Comercialização (6,9%) e dos Serviços (5,5%).

Por sua vez, ao analisar o número de pessoas ao serviço por ramo cooperativo, constata-se que a Agricultura e o Ensino se encontram no topo (27,9% e 21,6%, respectivamente), seguindo-se o ramo da Solidariedade Social, que apesar de apresentar um Valor Acrescentado Bruto reduzido (0,7%), tem ao serviço uma percentagem considerável de pessoas no quadro do sector cooperativo (14,4%).

Fica-se a saber ainda através desta Conta Satélite da Economia Social que em 2010 era em Lisboa que existiam mais cooperativas (21,3%), seguindo-se o Porto (11%), Setúbal (5,8%) e Faro (5,8%) na distribuição regional. A Região Autónoma dos Açores e Bragança, por sua vez, encontram-se no fundo da lista (1,1% e 1,9%, respectivamente).

Mutualidades com maior VAB nas Actividades Financeiras

Também as Mutualidades foram analisadas estatisticamente neste documento. No que toca à distribuição regional das mutualidades em 2010, o INE apurou que o Porto fica à frente de Lisboa neste capítulo (34,7% vs 28%), sendo que Setúbal e Faro – tal como na distribuição regional das cooperativas – ficam nas terceira e quarta posições, respectivamente. Já no rol de regiões onde se georeferenciaram menos mutualidades encontramos Beja, Castelo Branco, Coimbra e Viana do Castelo (todas elas a registarem 0,8%).

Foi nas Actividades Financeiras que as mutualidades mais pessoas ao serviço registaram em 2010 (63,56%), seguindo-se os Serviços de Acção e Solidariedade Social (25,66%), Saúde e Bem-Estar (10,74%) e Organizações Profissionais, Sindicais e Políticas (0,04%).

Foi também nas Actividades Financeiras das Mutualidades que o Valor Acrescentado Bruto se estimou como superior (63,56%), seguindo-se os Serviços de Acção e Solidariedade Social (7,05%), a Saúde e Bem-Estar (1,37%) e as Organizações Profissionais, Sindicais e Políticas (0,02%).

Outros dados apresentados na quarta-feira dão conta de que as cooperativas e as mutualidades em Portugal representam, face ao Valor Acrescentado Bruto nacional, um VAB superior ao da Bélgica (cerca de 0,7% vs 0,2%), mas inferior ao da vizinha Espanha (1,5%). Por sua vez, o rácio Volume de Negócios/Valor Acrescentado Bruto foi mais elevado, em 2010, nas cooperativas (3,5%) do que nas mutualidades (0,5%).

 

O que é uma Conta Satélite?

É um instrumento utilizado em vários sectores de actividade, que consiste no levantamento de dados estatísticos sobre a sua evolução. Distingue-se da Conta Nacional – geral – por se focar em sectores específicos. A primeira Conta Satélite das Instituições Sem Fim Lucrativo em Portugal diz respeito ao ano de 2006. A Conta Satélite da Economia Social será editada num relatório a ser publicado e difundido até ao final de 2012, referindo-se a dados do sector social relativos ao ano de 2010.

Censos: Há 10,56 milhões de pessoas a viver em Portugal. O município de Lisboa continua a perder população, -3,4% face a 2011

Mais homens que mulheres, mais imigração que emigração, famílias mais pequenas e menos residentes em Lisboa e no Porto. São estas algumas das conclusões dos dados provisórios dos Censos, hoje divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

Vivem hoje em Portugal 10,56 milhões de pessoas, um crescimento de 1,9%, ou de 200 mil residentes, em relação a 2011. O número de famílias também aumentou (11,6%) nos últimos 10 anos, mas o número médio de membros por família desceu de 2,8 para 2,6. Lisboa e Algarve são os campeões nacionais das famílias mais pequenas.

Os Censos confirmam que Portugal continua ser um país com mais mulheres que homens – existem 92 homens por cada 100 mulheres -, e que as principais cidades nacionais estão a perder população. A perda de população no Porto foi de 9,7% na última década. Em Lisboa a queda de residentes foi de 3,4%.

Outro traço que se mantém é o elevado crescimento dos alojamentos e dos edifícios, que entre 2001 e 2011 aumentaram 16,3 e 12,4%, respectivamente. O INE sublinha que esta tendência é visível ao longo dos últimos 30 anos

Consulte aqui os resultados preliminares.

FONTE: INE

Consumo de drogas e álcool é uma realidade cada vez mais prematura

Metade dos alunos das áreas metropolitanas, entre os 12 e 18 anos, já ingeriu bebidas fortes, um em cada dez usou drogas e há uma ligação “forte”, em 91,4% dos casos, entre estes consumos e comportamentos desviantes. As conclusões são de um estudo da Escola de Criminologia do Porto e foram apresentadas ontem, no âmbito do 72º Curso Internacional de Criminologia, que decorre até amanhã naquela cidade.

Segundo a co-autora do estudo Josefina Castro, confirma-se uma “elevada” prevalência de consumo de álcool entre os alunos das duas áreas metropolitanas – 50,5% admitiram a ingestão de bebidas fortes.
Cerca de 11,4% referiram que já consumiram drogas, sobretudo canábis
(10,9%), com maior prevalência na Área Metropolitana de Lisboa (14%), contra (8,2%) na Área Metropolitana do Porto.

“Quando comparamos estes dados com um inquérito internacional de 2005, verificamos que há um aumento da prevalência no consumo de canábis e um aumento, ainda que menos significativo, nas drogas duras”, disse a docente da Escola de Criminologia. Há uma ligação “forte” entre consumos de drogas ou álcool e atitudes desviantes, diz. Os comportamentos criminais mais confessados foram condução sem carta (21,2%), furto em loja (18,4%) e agressão sem arma (18,4%). Lisboa surge com mais comportamentos delinquentes (54,3%) do que o Porto (44,6%). A excepção está nas agressões à integridade física, equivalente nas duas áreas metropolitanas.

O estudo acrescenta que a humilhação é a experiência mais traumática sofrida pelos jovens. Seguem-se a ameaça de agressão e o furto. Os rapazes são mais violentos do que as raparigas, mas são também as principais vítimas de violência.

Ler o editorial do Destak aqui; consultar mais informação aqui.

União europeia aponta para níveis de estabilização no consumo de cannabis

Segundo o relatório do Observatório Europeu das Drogas e da Toxicodependência apresentado em Lisboa, a utilização de cannabis aparenta estabilizar ou mesmo diminuir apesar de ainda ser a droga mais consumida na Europa. Esta tendência, confirmada pelos dados coligidos, é mais evidente em países como a Dinamarca, Alemanha, Espanha, França, Holanda e Reino Unido. Ainda assim e contrariamente aos dados apresentados, os países da Europa oriental como República Checa, Eslováquia e Estónia atingem números elevados, estimando-se que três milhões de jovens europeus deverão consumir cannabis diariamente, quer seja sob a forma de erva ou de resina.

No lado negocial, o crescente cultivo no velho continente tem a seu favor a redução dos custos de importação e o óbvio incremento das receitas, contudo não conseguindo competir com a produção maioritária no Afeganistão e Marrocos. Um estudo recente, citado pelo relatório do OEDT, refere que o Afeganistão se terá transformado no maior produtor mundial de resina de cannabis (vulgo haxixe), com uma produção anual estimada entre 1500 e 3500 toneladas. No entanto, Paul Griffiths, especialista do observatório, afirma que continua a ser a produção marroquina que abastece os países europeus.

O estupefaciente também conhecido como Marijuana, comportou um grande crescimento no consumo europeu, nas décadas de 90 e no início da presente. Cálculos estatísticos indicam que a substância terá sido experimentada, pelo menos uma vez na vida, por cerca de 75,5 milhões de pessoas e, no último ano, terá sido utilizada por 23 milhões de europeus. É uma das principais razões na procura dos novos tratamentos (85 mil utentes) iniciados na UE.

Mais informações em: