Doenças oftalmológicas: A “cegueira” da Europa face a um envelhecimento da população com “olhos de ver”

A iniciativa de saúde pública global Vision 2020: The Right To Sight está a ter fraca adesão na Europa. Com o envelhecimento galopante da população no continente, várias associações do sector da saúde oftalmológica têm lançado alertas ao poder político. No Dia Mundial da Visão, os deputados do Parlamento Europeu viram-lhes dirigidas mensagens contra “a cegueira” da Europa face à política da Saúde da Visão, segundo o portal Euractiv.

A Organização Mundial de Saúde estima que 80% da cegueira possa ser prevenida, mas também reconhece que a prevalência das doenças oftalmológicas tem aumentado – com a perspectiva de duplicarem entre 1990 e 2020.

Enquadremos esta tendência: em 2050 a proporção da população europeia com 65 anos ou mais será de 29,9%, de acordo com as estatísticas do Eurostat. Prevê-se, ainda, que o número de diabéticos aumente para 35 milhões em 2030. Até 40% destes, deverá ser diagnosticada uma retinopatia. 3% terão “sérios” problemas de deficiência visual.

Neste sentido, no Dia Mundial da Visão, celebrado no passado dia 10, Peter Ackland, director da Agência Internacional para a Prevenção da Cegueira, alertou a elite política do Parlamento Europeu (PE) para o aumento da prevalência da deficiência visual.

Aos eurodeputados foram pedidas medidas urgentes para ampliar os cuidados oftalmológicos, dado o agravamento da deficiência visual, resultante de doenças crónicas que se intensificam com a idade. Degenerescência macular, cataratas, retinopatia diabética e glaucoma estão entre as principais causas da cegueira que pode ser evitada, na Europa, relacionadas com o envelhecimento da população.

“A cegueira evitável tem um grande impacto nos sistemas de Saúde e na sociedade como um todo. Aproximadamente um em trinta europeus experiencia perda de visão e 75% das pessoas com cegueira parcial e em idade activa estão desempregados”, lembrou o eurodeputado grego Ioannis Tsoukalas, no âmbito da celebração do Dia Mundial da Visão.

 

Estudo do E-FAB: Europeus mais preocupados com a perda de visão do que com doenças cardíacas

Um recente inquérito do Fórum Europeu Contra a Cegueira (E-FAB), aplicado a mais de 5000 pessoas em 5 países europeus, revela que a maioria dos inquiridos está mais preocupada com a perda de visão do que em contrair doenças cardíacas, diabetes ou doenças respiratórias. À frente desta preocupação, encontra-se apenas o receio de perda de memória.

Mais de metade dos inquiridos (53%) respondeu que estava preocupada com a perda de visão e com a cegueira na velhice e que os sistemas de saúde devem dedicar mais recursos para prevenir a perda de visão. “Quase dois terços das pessoas no estudo afirmaram que o diagnóstico tardio e a falta de testes à visão regulares são as maiores barreiras à detecção [destas doenças]”, acrescenta Narinder Sharma, directora-geral da AMD Alliance International.

 

Estratégia “Vision 2020: The Right To Sight”, um fiasco?

Para fazer face à previsão de que prevalência das doenças oftalmológicas deve duplicar 1990 e 2020, a Organização Mundial da Sáude e a Agência para a Prevenção da Cegueira criaram a iniciativa “Vision 2020: The Right To Sight”. Mas apenas três países europeus adoptaram as estratégias veiculadas neste programa e a saúde da visão continua a ser “negligenciada” ao nível da política europeia, critica o E-FAB em comunicado.

“Criámos este fórum para aumentar a consciencialização e para conduzir a acção, de forma a salvaguardar a visão dos Europeus e a promover uma atenção maior à saúde dos olhos, para que os Europeus não ceguem, se for evitável. A Vision 2020 sugere que esta é uma prioridade de saúde a nível global, e nós necessitamos de nos assegurar que esta também se vai tornar uma prioridade na Europa”, concluiu Ian Banks, presidente do European Men’s Health Forum.

O eurodeputado Ioannis Tsoukalas defendeu, no Parlamento Europeu, que “ao negligenciar esta área, os governos estão a induzir indirectamente uma grave invalidez nos seus cidadãos, fazendo disparar precocemente as reformas, as pensões de invalidez, custos mais altos para a Segurança Social e a exclusão social”.

Já o porta-voz da Federação Europeia das Associações e Indústrias Farmacêuticas (EFPIA), também presente no Parlamento por ocasião do Dia Mundial da Visão, lembrou que existem ainda doenças como a retinite pigmentosa, sem opções de tratamento disponíveis, e que a aposta na investigação não deve parar.

“Numa sociedade envelhecida e com a crise económica em curso, os cidadãos Europeus estão a olhar para a indústria farmacêutica inovadora como uma entidade que os permite viver mais tempo, vidas mais activas e especialmente mais saudáveis”, concluiu o representante da EFPIA.

 

Portugal em 2030: Uma população envelhecida | “Presente no Futuro”

 

“As decisões que tomarmos hoje vão moldar o País em 2030”. Foi com estas palavras que o sociólogo António Barreto inaugurou esta manhã “Presente no Futuro – Os Portugueses em 2030”, ciclo de conferências a decorrer hoje e amanhã em Lisboa. Como inverter as tendências demográficas previstas para 2030, como uma taxa de fecundidade na ordem dos 1,6%?

Segundo dados do Pordata, em Portugal, em 40 anos, há quase menos 1 milhão de jovens e mais de 1 milhão de idosos. Os dados dizem respeito ao período compreendido entre 1971 e 2009. A tendência mantém-se actualmente. Um estudo recente, encomendado para a iniciativa “Presente no Futuro”, diz ainda que a taxa de fecundidade em 2030 será de 1,6%, valor insuficiente para substituir gerações. Mais de 25% da população terá 65 ou mais anos. Em 2050, 31,8% da população portuguesa terá mais de 65. Portanto, os portugueses terão vidas mais longas, mas haverá menos população activa, se se considerar então, como hoje, a idade activa entre os 15 e os 64 anos.

“Mesmo nos cenários mais optimistas, o envelhecimento aumenta e a população diminui, para valores do século passado. E como estas são tendências de muitos anos, só medidas políticas [de apoio à natalidade] poderão fazer a diferença”, comenta à revista Visão Maria Filomena Mendes, demógrafa e autora do estudo preparado, a pedido da Fundação Francisco Manuel dos Santos, para apresentar em “Presente no Futuro”, a decorrer hoje e amanhã, no Centro Cultural de Belém.

 

Charles Haub: A imigração não basta para inverter tendência

Na primeira sessão de hoje de “Portugal no Futuro”, o demógrafo Charles Haub começou por afirmar que os imigrantes têm ajudado a travar as maiores diferenças nas pirâmides demográficas, mas lembra que o cenário está a mudar: “A fertilidade não é assim tão grande nos países pobres. Veja-se na Turquia onde as mulheres têm, em média, dois filhos”. E acrescenta: “É preciso procurar soluções”, além da imigração que, segundo Haub não é “de longe a solução perfeita, devido às barreiras da língua”.

O panorama lembrado pelo demógrafo não contempla só Portugal, mas o mundo “desenvolvido” e é, na sua perspectiva, uma consequência dos problemas financeiros dos países e da fraca educação. “Não há forma de reverter essa situação”, afirmou, pessimista. “De que serve ter tantas pessoas quando não há formação nem emprego?”  

Portugal encontra-se abaixo da média europeia, com a idade do primeiro filho a subir até aos 30 anos. Haub comparou, esta manhã, dois países com tendências diferentes: Portugal a Ruanda. Enquanto hoje Portugal conta com 10,6 milhões e Ruanda 10,8 milhões, em 2050 teremos 10,7 milhões de Portugueses e 20,6 milhões de pessoas.

 

No  “Presente no Futuro” discute-se Envelhecimento, Família e Trabalho
“O que podemos fazer para mudar o curso de algumas tendências? Que inquietações e sonhos temos para 2030?
. É este o mote, em forma de questionamento, para as sessões deste certame, que conta e contará com a presença de Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente do Brasil e sociólogo, da presidente do Banco Alimentar Isabel Jonet, da artista plástica Joana Vasconcelos, do historiador José Pacheco Pereira, do arquitecto Nuno Portas, da socióloga Luísa Schmidt, do humorista Ricardo Araújo Pereira, e do especialista em tecnologia, estratégia e inovação Andrew Zolli, entre sessenta oradores.

“Presente no Futuro” procura ser um “encontro de reflexão sobre os portugueses que somos e os portugueses que queremos ser”, de acordo com a página oficial do evento.  E incide sobre quatro “grandes temas decisivos” para os próximos anos: o envelhecimento e conflito de gerações; as famílias, trabalho e fecundidade; as desigualdades: povoamento e recursos; fluxos populacionais e projectos de futuro.

Hoje, às 12h30 e às 16h50, as perguntas que se colocam em debates diferentes são “O que é o envelhecimento demográfico?”, “As famílias estão em crise?”, “O Envelhecimento torna as sociedades mais resistentes à mudança?”, “Temos menos filhos porque estamos a empobrecer e somos mais egoístas?”. Com lotação esgotada, as conversas podem ser vistas e ouvidas, em directo, on-line, aqui.

Prémios de promoção de Envelhecimento Activo e Responsabilidade Social

Em Ano Europeu do Envelhecimento Activo e da Solidariedade entre Gerações, o Prémio Manuel António da Mota vai distinguir instituições nacionais – ONGs, IPSSs, associações e cooperativas – que se destaquem pela promoção do envelhecimento digno e de vínculos intergeracionais.

Os projectos concorrentes a um prémio no valor de 50.000 euros devem relacionar-se com o emprego, a participação na sociedade e a promoção de uma vida independente dos séniores. O prazo da entrega das candidaturas é dia 15 deste mês. Consulte o regulamento do Prémio aqui. A organização do prémio, que este ano chega à terceira edição, é da responsabilidade da Fundação Manuel António da Mota.

Outra distinção-homenagem, desta feita na área da responsabilidade social, foi anunciada recentemente. Um ano após a morte de Maria José Nogueira Pinto é lançado um prémio anual dedicado à política e jurista falecida a 6 de Julho de 2011 que “se distinguiu pela sua persistência na defesa da responsabilização social”, segundo o comunicado à imprensa da MSD Portugal (Merck Sharp & Dohme), a entidade promotora e patrocinadora desta iniciativa.

O prémio no valor de 10.000 euros será atribuído ao candidato individual ou colectivo que apresente a melhor proposta “socialmente responsável na comunidade em que nos inserimos”. Serão tomados em conta na avaliação das candidaturas, entre outros critérios, o impacto social e a criatividade dos projectos a concurso.

O prazo de entrega de candidaturas, por correio ou na sede da MSD, será a 6 de Maio de cada ano. A entrega dos prémios ocorrerá um mês depois, numa cerimónia pública, quinze dias após a escolha do vencedor. O júri do Prémio Maria José Nogueira Pinto em Responsabilidade Social é presidido pela deputada socialista Maria de Belém Roseira e inclui Anacoreta Correia, o padre Feytor Pinto, e Jaime Nogueira Pinto, marido da homenageada.

Seminário Internacional “Políticas Sociais e Envelhecimento”

28 de Outubro de 2011
Instituto Superior de Serviço Social do Porto

Programa

17h00-17h45 – “Ageing population in Poland: challenges for social policy and social work research, education and practice” – Jery Krzyszkowski (Universidade de Lodz, Polónia)

17h45-18h30 – “Between productive and frail ageing: social gerontology keynotes in Germany” – Joachim Doebler (Universidade de Ostfalia, Alemanha)

18h30-19h15 – “O envelhecimento demográfico em Portugal inviabiliza o sistema de pensões fundado na solidariedade?” – Adriano Zilhão, José Alberto Reis, Marielle Gros, Sidalina Almeida (Instituto Superior de Serviço Social do Porto, Portugal)

19h15-20h00 – Debate

Moderador – Adriano Zilhão (Instituto Superior de Serviço Social do Porto)

Língua das comunicações e debate – português e inglês (sem tradução)

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Organização: Comissão de Coordenação do Mestrado em Gerontologia Social do ISSSP

Inscrições

Ficha de Inscrição

  • 5€
  • Inscrição gratuita para alunos do ISSSP (com inscrição prévia)

Pagamento por numerário ou cheque à ordem de Cooperativa de Ensino Superior de Serviço Social, CRL

Inscrições até 25 de Outubro de 2011, na Biblioteca do ISSSP ou por e-mail para: biblioteca@isssp.pt

Inscrições e Informações:
Glória Morais
Centro de Investigação em Ciências do Serviço Social – CICSS
Av. Dr. Manuel Teixeira Ruela, 370 – Senhora da Hora (Estação de metro “Sete Bicas”)
Telef.: +351 229577210 – Fax: +351 229577219 – E-mail: biblioteca@isssp.pt – website: http://www.isssp.pt