Conta Satélite da Economia Social (CSES) para o ano 2010 | Resumo

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Está inteirado/a do “estado da arte” do terceiro sector? Sabia que, em 2010, havia 5 022 Instituições Particulares de Solidariedade Social, tipo de organização a que a Dianova pertence? O Instituto Nacional de Estatística e a CASES – Cooperativa António Sérgio para a Economia Social uniram esforços para caracterizar o sector em 2010. Depois de, em Outubro, vos termos dado conta, neste blogue, dos resultados preliminares, partilhamos, agora, um apanhado dos principais resultados do Relatório sobre a Conta Satélite Economia Social“Melhorar a visibilidade”  das Organizações Sem Fins Lucrativos e/ou das organizações da economia social foi um dos objectivos que nortearam este documento.

 

O Relatório apresenta os resultados do projeto-piloto da Conta Satélite da Economia Social (CSES) para o ano 2010 e do Inquérito ao Trabalho Voluntário 2012. A caracterização da Economia Social em Portugal baseou-se na análise, por tipo de atividade, do número de entidades (universo) e dos agregados macroeconómicos das organizações da Economia Social (OES).

As principais conclusões, no que diz respeito à CSES, a destacar foram:

_ Em termos de dimensão relativa do sector, em 2010 o Valor Acrescentado Bruto (VAB) da Economia Social representou 2,8% do VAB nacional total e 5,5% do emprego remunerado (equivalente a tempo completo – ETC).

_ A remuneração média (por ETC) nas OES correspondeu a 83,1% da média nacional, embora apresentando uma dispersão significativa.

_ Das 55 383 unidades consideradas no âmbito da Economia Social em 2010, as Associações e outras OES representavam 94,0%, sendo responsáveis por 54,1% do VAB e 64,9% do emprego (ETC remunerado). As Cooperativas constituíam o segundo grupo de entidades da Economia Social com maior peso relativo, em termos do número de unidades, VAB e remunerações.

_ Perto de metade (48,4%) das OES exerciam actividades na área da cultura, desporto e recreio, mas o seu peso em termos de VAB e emprego remunerado (ETC) era relativamente diminuto (6,8% e 5,4%, respetivamente);

_ A acção social gerou 41,3% do Valor Acrescentado Bruto (VAB) das OES, sendo responsável por 48,6% do emprego remunerado (ETC);

_ Em 2010, o sector da Economia Social registou uma necessidade líquida de financiamento de 570,7 milhões de euros. Contudo, as Cooperativas (fundamentalmente devido às que se integram na área financeira), as Mutualidades e Fundações da Economia Social apresentaram capacidade líquida de financiamento;

_ Os recursos das OES foram fundamentalmente gerados pela produção (62,8%) e por outras transferências correntes e outros subsídios à produção (23,8%). As despesas das OES consistiram, principalmente, em consumo intermédio (31,4%), remunerações (26,8%) e transferências sociais (24,3%);

_ Em 2010, existiam 5 022 Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS). Estas representaram 50,1% do VAB, 42,6% das remunerações e 38,2% da necessidade líquida de financiamento da Economia Social.

 

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EU | “Garantia Jovem” aprovada | Durão Barroso apela à implementação urgente da medida

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A União Europeia assume o compromisso de que os jovens até aos 25 anos sem emprego há pelo menos 4 meses terão uma oferta de emprego, um estágio de qualidade ou mais formação. Os contornos finais da chamada “Garantia Jovem” foram acordados, no dia 28 de Fevereiro, pelos Ministros dos Estados-membros da União Europeia, segundo o portal Euractiv. O presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, aplaude a iniciativa e insta à sua rápida implementação numa União Europeia que enfrenta 23,4% de desemprego jovem.  

 

“Muitos jovens Europeus estão a perguntar-se se alguma vez encontrarão um emprego ou terão a mesma qualidade de vida dos seus pais”, afirmou Barroso, a propósito deste acordo, lembrando que nos últimos dois anos a Comissão Europeia tem procurado colocar o desemprego jovem “no topo da agenda política da Europa”. “Eles [os jovens] precisam de respostas [da União Europeia]”, acrescentou. Entretanto, Barroso pediu aos ministros dos Assuntos Sociais e do Emprego dos Estados-membros urgência na implementação da medida.

 

De acordo com um relatório do Eurofundo apresentado no final de Fevereiro, os custos anuais do Jovens NEET [actualmente sem emprego, educação e estágio] em 2011 atingiram os 153 mil milhões de euros.

 

Em Janeiro, o Parlamento Europeu aprovou uma resolução, apelando aos Ministros dos Assuntos Sociais e Emprego dos 27 que chegassem a um consenso, de modo a aplicar estes esquemas de combate ao desemprego jovem consoante as necessidades de cada país. Os parlamentares europeus instaram ainda a que os planos nacionais de Garantia Jovem fossem elegíveis a financiamento europeu, em particular ao Fundo Social Europeu. Isto depois de superadas várias resistências, conforme a Dianova reportou neste blogue em Dezembro passado.

 

Segundo o jornal Público, no final da reunião de ministros europeus, no passado dia 28 de Fevereiro, Pedro Mota Soares, o ministro português da Solidariedade e da Segurança Social, defendeu que as atenções, no caso da “Garantia Jovem”, deviam recair sobre os países “que estão debaixo de assistência financeira, onde este problema [do desemprego] é ainda maior”, como Portugal.

 

Os números do desemprego e os números da “Garantia”

Um em cinco Europeus estão desempregados. Na União Europeia, o desemprego jovem [dos 15 aos 24 anos] situava-se, em Dezembro, nos 23,4% da população activa, segundo o Eurostat. Na Espanha e na Grécia, o desemprego entre os jovens ultrapassava no final de 2012 os 50%. Já em Portugal, em Dezembro, o nível de desemprego jovem situava-se nos 38,3%.

 

Uma fatia de 6 mil milhões de euros do Orçamento da União Europeia para o período 2014-2020 está reservada para combater o desemprego jovem nas regiões com problemas mais evidentes nesta matéria, segundo o portal Euractiv.

 

Mas de acordo com o European Youth Forum, uma organização da sociedade civil, este valor é modesto: “Os seis mil milhões alocados não são suficientes para aplicar a Garantia Jovem em toda a União Europeia, e nem é sequer provável que ataque o desemprego jovem nas regiões identificadas como tendo uma taxa de desemprego jovem mais elevada do que a média da União Europeia”, afirmou Peter Matjasic, presidente do European Youth Forum. “O que nós precisamos não são apenas palavras para ‘etiquetar’ políticas ou fundos existentes, mas um investimento substancial na requalificação e em colocar os jovens no mercado laboral”.

 

Por sua vez, Pervenche Berès, o presidente do Comité do Emprego e dos Assuntos Sociais do Parlamento Europeu, aplaude o acordo em torno da “Garantia Jovem”, lembrando que o Parlamento Europeu “irá lutar pelo Fundo Social Europeu, para serem alocados pelo menos 25% do Fundo de Coesão da União Europeia”.  

 

Comissão Europeia quer “agir” sobre o desemprego com “Garantia Jovem”

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A Comissão Europeia instou os países da União Europeia a assegurarem que todos os jovens até aos 25 anos recebam uma oferta de emprego, formação ou um estágio de qualidade até 4 meses depois de estes deixarem a educação formal ou ficarem desempregados. No Parlamento Europeu, o pacote de medidas de combate ao desemprego anunciado ontem está, lembra o portal Euractiv, a ser alvo de várias críticas e reservas.

 

Na União Europeia, cerca de 7,5 milhões de jovens estão desempregados ou estão afastados dos sistemas de educação e de formação, de acordo com a Comissão Europeia. Um em cinco jovens europeus não consegue arranjar emprego. E, em média, na Europa, o desemprego jovem é duas vezes mais elevado do que no resto das faixas etárias consideradas nas contas da idade activa. A Grécia e a Espanha são os casos mais problemáticos, mas Portugal também está a padecer deste flagelo.

De acordo com dados de Novembro do Instituto Nacional de Estatística (INE), o universo de jovens desempregados em Portugal passou de 138 mil para 175 mil entre o primeiro e o terceiro trimestre de 2012. O Eurostat, por sua vez, estima que a taxa de desemprego dos portugueses entre os 15 e os 24 anos seja superior a 30% e a quarta maior da União Europeia. O INE deu conta, por sua vez, relativamente ao terceiro trimestre deste ano, de um recorde de uma taxa de 39% entre os mais jovens (dos 15 aos 24 anos).

Neste contexto, a Comissão Europeia aprovou ontem um pacote de combate ao desemprego jovem, que introduz a chamada “Garantia Jovem”, uma ferramenta bem-sucedida anteriormente em países como Finlândia, Suécia e Áustria. Esta “garantia” passa por uma “oferta de um emprego de qualidade”, “educação continuada”, uma “aprendizagem” ou um “estágio” num prazo curto, depois de os jovens ficarem no desemprego ou terminarem os seus estágios e estudos.

Na Finlândia, em 2011, por exemplo, 83,5% dos jovens à procura de trabalho receberam oportunidades de emprego, três meses depois de se inscreverem como desempregados, no âmbito de um modelo de políticas activas que inspirou este pacote de medidas.

Esta é uma resposta à “crise da Zona Euro” que tem feito disparar o desemprego, sendo a “geração de jovens a mais afectada” – uma “situação claramente inaceitável”, de acordo com László Andor, Comissário Europeu para o Emprego, Assuntos Sociais e Inclusão. “Temos que agir”, completou Andor, ontem, em conferência de imprensa. A ideia central é “facilitar a transição escola-trabalho”.

As medidas anunciadas implicam que os Estados estabeleçam parcerias com o sistema educativo, os fornecedores de serviços de formação e os serviços de emprego público e associações de jovens “para assegurar uma intervenção” o mais cedo possível.

“De facto, uma Garantia Jovem tem um custo fiscal para vários Estados Membros. No entanto, os custos de não agir são de longe mais elevados”, defendeu o comissário, que entende estes planos como “investimentos”.

Andor lembrou ainda que a Comissão Europeia está já a contribuir para estes planos de combate ao desemprego através do Fundo Social Europeu e de outros mecanismos de financiamento da União Europeia. O montante (das contribuições) irá depender do resultado das negociações no âmbito do Orçamento Europeu para o período 2014-2020, lembra o portal Euractiv.

 

Parlamento Europeu longe do consenso

Sergei Stanishev, presidente do Partido dos Socialistas Europeus, aplaude a recomendação da Comissão, mas assinala a necessidade de “passar das palavras à acção, especialmente no que toca ao financiamento”. Stanishev acredita que estão a ser realizados esforços no sentido de “dar aos jovens uma oportunidade real e não apenas uma oportunidade cosmética”.

Já Milan Cabrnoch, pertencente ao grupo de parlamentares do ECR (Conservadores e Reformistas Europeus), considera esta resposta “bem-intencionada, mas completamente mal conduzida”. E continua: “A União Europeia não pode apenas criar empregos ou formações”. Para o eurodeputado checo, “a melhor forma de apoiar os jovens a conseguirem um emprego é um mercado de trabalho flexível”.

Também Csaba Öry, eurodeputado húngaro, em representação do Partido Popular Europeu, afirma que o seu grupo “tem reservas acerca da possível introdução da ‘garantia jovem’ ao nível dos Estados-membros”, já que cada país tem as suas especificidades, lembra o deputado. Não considerando esta a “resposta certa” para todos os Estados membros, Öry admite que esta ‘garantia’ pode “servir bem a alguns estados-membros, mas não é a bala de prata para todos”.

 

 

 

Fundos Europeus | “Well Spent” quer inspirar futuro da Política da Coesão

 

É uma campanha de “Lobbying Verde” que pretende influenciar os decisores políticos a elaborar um Orçamento da União Europeia para 2014-2020 generoso para as áreas da Sustentabilidade e do Desenvolvimento Regional. Como? Evocando bons exemplos recentes de aplicação de fundos europeus para as áreas dos Transportes, Resíduos, da Energia, Biodiversidade e Eco-construções nos 27 Estados-Membros. Entre eles, é citado o caso de sucesso do uso partilhado de bicicletas eléctricas em Águeda, Aveiro.  

 

“Pensa que todos os Fundos Europeus são subsídios, corrupção e mais estradas? Pense outra vez”. É assim que Connie Hedegaard, a Comissária Europeia para as Questões Climáticas, introduz na sua página da rede social Twitter a campanha Well Spent [Bem Gasto].

A campanha, assinada por uma troika de Organizações Não Governamentais [CEE Bankwatch Network, Friends of the Earth Europe e World Wide Fund for Nature], começa por retratar uma União Europeia a duas vozes na área do Ambiente. Por um lado, a Europa dos investimentos que promovem os combustíveis fósseis, “projectos de uso intensivo do carbono” e de “destruição da natureza”. Por outro, aquela que “às vezes vai pelo caminho certo”.

E de que falam estes activistas quando elogiam o “caminho certo”, “em direcção a uma Europa mais verde e a um mundo melhor”? Invocam “investimentos amigos do ambiente”, “exemplos excelentes de projectos em toda a União Europeia [em curso] que se devem tornar referências para a futura Política de Coesão”, que mapearam, a cor verde, e partilharam num site que serve de “sede” de campanha.

 

Próxima Estação: Uma economia europeia descarbonizada

 

 

O timing da elaboração e de difusão desta campanha não é inocente. Afinal, a discussão do Orçamento da União Europeia para o período 2014-2020 está à porta e é hora de fazer o balanço do que foi bem feito na Europa entre 2007 e 2013 em matéria de Políticas de Coesão, para justificar uma proposta de aplicação de 25% do próximo orçamento em “projectos e iniciativas direccionadas para uma economia descarbonizada em toda a Europa”.

O objectivo é persuadir a União Europeia a investir na replicação de algumas “boas práticas” em curso em vários Estados-Membros, com apoio de financiamento europeu, como a reconstrução de uma rota de migração de animais selvagens na área que separa os Alpes austríacos das Montanhas dos Cárpatos, a modernização da artéria central do metropolitano de Nápoles, a construção de novas habitações sociais energeticamente eficientes ou readaptação de antigas em França, ou a criação de uma rede de bicicletas eléctricas em Águeda, Portugal.

“Acreditamos que estes casos inspiradores [e] as nossas recomendações podem levar a uma replicação e a uma expansão destas histórias de sucesso e a incutir uma melhor aplicação do orçamento da União Europeia, que resulte em mais benefícios a longo-prazo”, pode ler-se no site oficial da Well Spent.

As expectativas deste “lobby verde” traduzem-se em números generosos, mas o discurso foca-se mais na palavra “investimento” do que na da “despesa”: As ONGs envolvidas nesta campanha acreditam que a Política de Coesão é uma “ferramenta de investimento para promover o desenvolvimento regional” e defendem que um terço do Orçamento “deve ser investido” em Política Regional. No período 2007-2013, o Orçamento para a Política de Coesão foi de 350 mil milhões de euros.

“Durante períodos de crise económica e ambiental, a Política de Coesão necessita de focar-se mais em conduzir investimentos que sejam sustentáveis e inovadores, que de facto beneficiem a população, envolvendo-a directamente na implementação e monitorização dos projectos”. Como? Assegurando “benefícios directos para a região ou comunidade beneficiária”, como “impactos ambientais positivos” e “benefícios económicos efectivos” – isto é, poupanças energéticas “substanciais” e criação e manutenção de postos de trabalho. E usando “sustentavelmente” recursos locais e procurando imprimir nos cidadãos envolvidos um “sentido de propriedade da Política de Coesão”, defende a campanha.

Entre as cinco propostas das três ONGs reunidas para inspirar ou influenciar políticos como Connie Hedegaard, está ainda a ambição de colocar o Desenvolvimento Sustentável no centro da Política de Coesão da União Europeia. Bem como um pedido aos decisores europeus para desenharem um orçamento que apoie medidas para a protecção ambiental e eficiência de recursos, incluindo a protecção da biodiversidade e ecossistemas em todas as regiões da Europa.

Doenças oftalmológicas: A “cegueira” da Europa face a um envelhecimento da população com “olhos de ver”

A iniciativa de saúde pública global Vision 2020: The Right To Sight está a ter fraca adesão na Europa. Com o envelhecimento galopante da população no continente, várias associações do sector da saúde oftalmológica têm lançado alertas ao poder político. No Dia Mundial da Visão, os deputados do Parlamento Europeu viram-lhes dirigidas mensagens contra “a cegueira” da Europa face à política da Saúde da Visão, segundo o portal Euractiv.

A Organização Mundial de Saúde estima que 80% da cegueira possa ser prevenida, mas também reconhece que a prevalência das doenças oftalmológicas tem aumentado – com a perspectiva de duplicarem entre 1990 e 2020.

Enquadremos esta tendência: em 2050 a proporção da população europeia com 65 anos ou mais será de 29,9%, de acordo com as estatísticas do Eurostat. Prevê-se, ainda, que o número de diabéticos aumente para 35 milhões em 2030. Até 40% destes, deverá ser diagnosticada uma retinopatia. 3% terão “sérios” problemas de deficiência visual.

Neste sentido, no Dia Mundial da Visão, celebrado no passado dia 10, Peter Ackland, director da Agência Internacional para a Prevenção da Cegueira, alertou a elite política do Parlamento Europeu (PE) para o aumento da prevalência da deficiência visual.

Aos eurodeputados foram pedidas medidas urgentes para ampliar os cuidados oftalmológicos, dado o agravamento da deficiência visual, resultante de doenças crónicas que se intensificam com a idade. Degenerescência macular, cataratas, retinopatia diabética e glaucoma estão entre as principais causas da cegueira que pode ser evitada, na Europa, relacionadas com o envelhecimento da população.

“A cegueira evitável tem um grande impacto nos sistemas de Saúde e na sociedade como um todo. Aproximadamente um em trinta europeus experiencia perda de visão e 75% das pessoas com cegueira parcial e em idade activa estão desempregados”, lembrou o eurodeputado grego Ioannis Tsoukalas, no âmbito da celebração do Dia Mundial da Visão.

 

Estudo do E-FAB: Europeus mais preocupados com a perda de visão do que com doenças cardíacas

Um recente inquérito do Fórum Europeu Contra a Cegueira (E-FAB), aplicado a mais de 5000 pessoas em 5 países europeus, revela que a maioria dos inquiridos está mais preocupada com a perda de visão do que em contrair doenças cardíacas, diabetes ou doenças respiratórias. À frente desta preocupação, encontra-se apenas o receio de perda de memória.

Mais de metade dos inquiridos (53%) respondeu que estava preocupada com a perda de visão e com a cegueira na velhice e que os sistemas de saúde devem dedicar mais recursos para prevenir a perda de visão. “Quase dois terços das pessoas no estudo afirmaram que o diagnóstico tardio e a falta de testes à visão regulares são as maiores barreiras à detecção [destas doenças]”, acrescenta Narinder Sharma, directora-geral da AMD Alliance International.

 

Estratégia “Vision 2020: The Right To Sight”, um fiasco?

Para fazer face à previsão de que prevalência das doenças oftalmológicas deve duplicar 1990 e 2020, a Organização Mundial da Sáude e a Agência para a Prevenção da Cegueira criaram a iniciativa “Vision 2020: The Right To Sight”. Mas apenas três países europeus adoptaram as estratégias veiculadas neste programa e a saúde da visão continua a ser “negligenciada” ao nível da política europeia, critica o E-FAB em comunicado.

“Criámos este fórum para aumentar a consciencialização e para conduzir a acção, de forma a salvaguardar a visão dos Europeus e a promover uma atenção maior à saúde dos olhos, para que os Europeus não ceguem, se for evitável. A Vision 2020 sugere que esta é uma prioridade de saúde a nível global, e nós necessitamos de nos assegurar que esta também se vai tornar uma prioridade na Europa”, concluiu Ian Banks, presidente do European Men’s Health Forum.

O eurodeputado Ioannis Tsoukalas defendeu, no Parlamento Europeu, que “ao negligenciar esta área, os governos estão a induzir indirectamente uma grave invalidez nos seus cidadãos, fazendo disparar precocemente as reformas, as pensões de invalidez, custos mais altos para a Segurança Social e a exclusão social”.

Já o porta-voz da Federação Europeia das Associações e Indústrias Farmacêuticas (EFPIA), também presente no Parlamento por ocasião do Dia Mundial da Visão, lembrou que existem ainda doenças como a retinite pigmentosa, sem opções de tratamento disponíveis, e que a aposta na investigação não deve parar.

“Numa sociedade envelhecida e com a crise económica em curso, os cidadãos Europeus estão a olhar para a indústria farmacêutica inovadora como uma entidade que os permite viver mais tempo, vidas mais activas e especialmente mais saudáveis”, concluiu o representante da EFPIA.

 

Dianova implementa Plano de Igualdade e Conciliação como Boa Prática a nível do seu Capital Humano

Formação em “Igualdade do Género” ministrada na Dianova Portugal

 

33 Colaboradores efectivos e a contrato, 51% mulheres e 49% homens, passam a beneficiar de um conjunto sistematizado de medidas a nível de igualdade de género e de conciliação da vida profissional e pessoal com expectável impacto positivo no aumento da motivação interna e da produtividade bem como da competitividade organizacional.

Centro de Formação Dianova efectuará a implementação de Planos de Igualdade junto de 6 Organizações Sociais de acordo com o projecto de co-financiamento pelo Fundo Social Europeu e pelo Estado Português

A igualdade entre homens e mulheres constitui um dos princípios fundamentais da carta magna das Nações Unidas, de todos os convénios internacionais, tratados europeus, assim como da maioria das constituições nacionais. Contudo, a mera declaração formal da igualdade entre mulheres e homens não é suficiente para garantir a efectiva igualdade por diversas razões de índole social, económica, cultural e política. Na prática, as discriminações subsistem, com mais ou menos intensidade de acordo com cada país, em áreas como a política, acesso a cargos de decisão, níveis salariais, acesso a empregos diversificados, etc.

“Apesar de já dispormos de medidas ainda que não sistematizadas desde há mais de 2 décadas, sendo a favor de uma acção normativa dirigida à eliminação de todas as manifestações ainda existentes de discriminação, comprometemo-nos a trabalhar para a igualdade de oportunidades para todos(as) os nossos(as) 33 Colaboradores(as) efectivos e a contrato (17 são mulheres e 16 homens), independentemente do seu género, raça, religião, idade, em todos os âmbitos da sua influência, tanto internos como externos.”, refere Marta Santos, responsável pela área de Gestão de Pessoas da Dianova Portugal.

“A incorporação dos valores de igualdade e diversidade de forma transversal desta Organização Social impulsiona uma estratégia integradora de todas as pessoas ao mesmo tempo que potencia um crescimento rentável e sustentável da própria Dianova.”, conclui Marta Santos.

Deste modo, e alicerçado numa candidatura ao Eixo 7 – Igualdade de Género, Tipologia de Intervenção 7.2 – Planos para a Igualdade, do Programa Operacional Potencial Humano, Quadro de Referência Estratégico Nacional (co-financiada pelo Fundo Social Europeu e pelo Estado Português), a Dianova desenvolveu o Plano para a Igualdade e Conciliação, que se caracteriza por um conjunto de medidas específicas, com vista à melhoria na perspectiva não só de género mas também de oportunidades e de tratamento.

A concepção deste Plano, que começou em Outubro de 2011, obedeceu a duas etapas fundamentais:

– Constituição de um Comité para a Igualdade e Conciliação e designação das suas competências: constituído por um membro da Direcção e pela Responsável pela Gestão de Pessoas, tem como competências básicas a promoção e supervisão do cumprimento da Política de igualdade, a identificação de áreas de actuação prioritárias, a definição e implementação de iniciativas no âmbito da igualdade e conciliação bem como a monitorização e avaliação do Plano de Igualdade.

– Diagnóstico Organizacional, foi utilizado o questionário de auto-avaliação do Guia de Auto-avaliação da Igualdade de Género nas Empresas, de Setembro de 2008, desenvolvido no âmbito do projecto Diálogo Social e Igualdade nas Empresas, para apreender a realidade em matéria de igualdade e não discriminação existente na Dianova, no qual estão a ser sustentadas as acções a desenvolver.

O Plano encontra-se estruturado em 9 áreas de intervenção:

  • Estratégia, Missão e Valores, Recrutamento e Selecção, Aprendizagem ao Longo da Vida, Gestão de Carreiras, Diálogo Social e Participação dos Trabalhadores, Respeito pela Dignidade Humana, Comunicação e Linguagem, Conciliação entre a Vida Familiar e Profissional e Maternidade e Paternidade,
  • concretizadas num conjunto de acções, tais como a implementação de um sistema de avaliação de competências, a criação de manuais sobre o uso de uma linguagem inclusiva ou de direitos parentais, ou a inclusão de acções de formação em igualdade de género e não discriminação no Plano de Formação Anual, às quais se associaram indicadores de resultado, bem como a responsabilidade pela sua execução.

Foram realizadas 4 acções de sensibilização/informação e de formação que envolveram os/as 33 colaboradores/as da Dianova, com o objectivo de dar a conhecer todo o processo de implementação do Plano bem como dar a conhecer os resultados obtidos no diagnóstico e medidas a implementar.

A nível de Comunicação Interna e Envolvimento com Colaboradores/as, visando incrementar o conhecimento das medidas, foram produzidos e distribuídos junto de todos/as os/as colaboradores/as os seguintes materiais:

  • Política de Igualdade
  • Guia Direitos de Parentalidade
  • Boas Práticas para a promoção da Conciliação da vida pessoal, familiar e profissional na Dianova
  • Manual de Uso de uma Linguagem Inclusiva e Não discriminatória
  • Plano para a Igualdade
  • Recomendações para uma Linguagem Inclusiva
  • Declaração de Compromisso para com a Igualdade e Conciliação

O Plano para a Igualdade entrou em vigor no último quadrimestre 2012 e foi delineado para o período temporal de 2012-2013. Este plano estará sujeito a monitorização e acompanhamento, através da análise dos indicadores associados a cada acção e será objecto de avaliação anual. Com base nos resultados obtidos, e após análise da situação actual em matéria de igualdade e conciliação, serão definidas novas medidas a implementar.

Ao abrigo desta boa prática, co-financiada pelo Fundo Social Europeu e pelo Estado Português, está ser efectuada a elaboração de estratégias operacionais para a replicação deste projecto pelo Centro de Formação Dianova junto de 6 Organizações Sociais a concluir durante o primeiro trimestre de 2013, capacitando-os a nível do seu Capital Humano para uma maior produtividade organizacional.

OCDE: Portugal é dos países mais desiguais no acesso à educação

60% dos jovens de famílias com poucas habilitações não terminam o ensino secundário em Portugal, estando o nosso país entre os piores da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) neste domínio, conclui um relatório recente desta entidade.

Esta é uma das principais notas negativas do “Education at a Lance 2011”, um relatório exaustivo dos indicadores para a educação publicado recentemente.

Em 2009, em 28 de 33 países da OCDE, 60% ou mais pessoas entre os 25 e os 64 anos completaram pelo menos o ensino secundário.

Por sua vez, Portugal encontra-se no leque dos países em que mais de metade do grupo deste intervalo de idades não completou os estudos do secundário, a par do Brasil, do México e da Turquia.

Apesar da melhoria geral das qualificações em Portugal, a origem social das famílias ainda condiciona o percurso escolar da geração seguinte, conclui o estudo. Quer para baixo, quer para cima: Portugal regista a mais alta probabilidade de um jovem cujos pais tenham estudos superiores entrar na universidade.

Em contrapartida, a Suécia, Finlândia, Irlanda e Austrália são os países da OCDE onde mais jovens de meios desfavorecidos concluem o ensino superior.

 

Governo decide mais do que as escolas

Numa altura em que o ministro da Educação anunciou o objectivo de aumentar a quota de alunos no ensino vocacional, um dado confirma a tendência anunciada por Nuno Crato. Na última década, o ensino profissional tem crescido entre pessoas dos 25 aos 34 anos em Portugal, à semelhança do que acontece na Grécia e em Itália. Por sua vez, Islândia, Noruega e Polónia estão entre os países da OCDE em que menos jovens escolheram o ensino vocacional.

A OCDE conclui ainda que, em Portugal, 78% das decisões relacionadas com o ensino são tomadas pelo executivo e não pelas escolas, um valor muito acima da média da OCDE (24%).

O desemprego entre licenciados aumentou de 2,7% em 2000 para 3,8% em 2012.

 

Outros objectos de análise num relatório de cerca de 600 páginas

“Nos países da OCDE, os governos têm estado a trabalhar com orçamentos públicos encolhidos, ao mesmo tempo que vão desenhando políticas para tornar a educação mais eficaz e mais atenta às exigências crescente”. É esta a introdução a um relatório com quase 600 páginas, que expõe um vasto conjunto de indicadores que comparam sistemas de educação e que permitem “medir o actual estado da educação internacionalmente”.

Quem participa na educação? Quanto se gasta nela? Como é que os sistemas de educação operam? Estas são as perguntas que são respondidas em “Education at a Lance 2011”, através de um vasto leque de resultados educacionais, comparando, por exemplo, a performance dos estudantes em assuntos-chave como o impacto da educação nos vencimentos e nas oportunidades de emprego para os adultos.

A análise foca-se ainda nas reformas das propinas implementadas desde 1995, contém indicadores sobre as áreas da educação escolhidas pelos estudantes, dados sobre o envolvimento dos estudantes na leitura e indicadores sobre a integração no mercado laboral dos estudantes dos programas vocacionais e académicos.