Cada vez mais mulheres entram no mundo do crime

As mulheres estão a afirmar-se no mundo do crime. A delinquência feminina, desencadeada sobre-tudo por raparigas jovens, está instalada em Portugal e de uma forma muito mais refinada do que a masculina, garante Maria João Leote de Carvalho, investigadora da Universidade Nova de Lisboa. A PSP diz que está a acompanhar a tendência.

É um fenómeno que tem de ser seguido e que está presente em várias ocorrência policiais que pude analisar”, diz a investigadora, salientando: “Trata-se de uma delinquência muito mais organizada, agindo sob outras formas de protecção e de organização criminal já adulta que acaba por levar ao afastamento das raparigas em idade da tutelar educativa (entre os 12 e 16 anos). Estas aparecem mais posteriormente.”

Estatisticamente é difícil saber se é um fenómeno com tendência a aumentar, até porque, segundo o Observatório Permanente da Justiça Portuguesa (OJP), a escassez e fraca fiabilidade dos indicadores estatísticos da justiça não permitem uma reflexão cabal sobre a temática da delinquência. Assim, afirma Maria João Leote de Carvalho: “Do ponto de vista estatístico não se pode dizer se está ou não a acentuar-se. Mas aquilo que percebemos quando contactamos com algumas raparigas é que se trata de uma linha perfeitamente instalada, de forma organizada, e de transmissão feminina.” Ou seja, “acontece no seio da própria família e abrange não só as gerações mais novas, mas também as gerações mais velhas. Em algumas famílias abrange avós, filhas e netas. É uma certa transgeracionalidade da criminalidade”.

Autora de uma tese de doutoramento sobre delinquência de jovens entre os 12 e os 16 anos, a investigadora adverte: “É um problema que existe. Se observamos algumas lojas de centros comerciais, percebe-se como há actuações diferentes de rapazes e raparigas e como algumas raparigas são iniciadas pelas próprias mulheres mais velhas. São percursos que pude detectar.”

Trata-se também de um aspecto da emancipação feminina? “Assim como há uma emancipação da mulher noutras áreas e há uma transformação do papel da mulher em todas as áreas do social, se calhar também temos de pensar na transformação do papel feminino na área da delinquência, por muito que nos custe enfrentar o lado negativo dessa emancipação”, afirma.

A delinquência feminina em Portugal está geralmente conotada com raparigas estrangeiras. Mas a investigadora adverte: “Percebemos que há fluxos de imigração organizada para prática de criminalidade – redes organizadas de crime transnacional. Mas está longe de ser um problemas dos estrangeiros. Não se pode fechar a análise nessa área”.

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