EUA: Design colaborativo procura soluções para adolescentes sem-abrigo

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É uma história ainda por encerrar, mas que começa a dar frutos. Entre eles, a mobilização, a troca de ideias de estudantes de Design e Arquitectura, adolescentes sem-abrigo que dormem nas ruas de Portland, no Estado de Oregon, e uma fundação que lhes prestam auxílio. O design colaborativo e interventivo quer impactar a comunidade de Portland, envolvendo-a e procurando soluções “inovadoras” para permitir que os sem-abrigo tenham uma melhor qualidade de vida, conta-nos Jody Turner, num artigo publicado na Stanford Social Innovation Review.

As razões para um adolescente abandonar a casa para ir morar para rua são várias. Entre elas, uma das mais comuns é o sentimento de se ser um outsider.

Recentemente, a fundação Outside In (a operar na área da saúde, junto dos sem-abrigo) juntou-se à Portland State University (PSU) para “repensar o alojamento para os sem-abrigo adolescentes”. Ou seja, pensar em soluções como sistemas sociais, a partir de um quadro do design interventivo e colaborativo, saídas de conversas entre designers desta universidade, dos próprios adolescentes em situação de sem-abrigo e de quem os auxilia no terreno.

Este assunto não é propriamente novo ou estranho a Sergio Palleroni, arquitecto e professor no Institute For Sustainable Solutions, da PSU, activista social e ambiental, empenhado em encontrar soluções de design para a comunidade. Palleroni esteve envolvido na exposição “Design With the Other 90%: CITIES”, que propõe 60 soluções urbanas para cidadãos a viverem em instalações temporárias em todo mundo – foi o “ponto de apoio”, concebendo conteúdos para a exposição e ajudando os estudantes a desenvolver as suas próprias soluções.

E foi precisamente esta exposição que serviu de inspiração e de ignição para o arranque do projecto Portland Teen Homeless.

 

Nove soluções, rumo à conexão e segurança dos sem-abrigo

Com Teddy Cruz, Palleroni ajudou os seus alunos do Mestrado de Architecture Design a definirem nove soluções “sólidas e bem ponderadas” dirigidas aos sem-abrigo adolescentes da cidade de Portland.

Cada proposta teve como princípio encarar o abrigo como um “’organismo’ que conecta os adolescentes com as suas ‘famílias de rua’ ou as tribos sociais de apoio”. Segundo esta lógica, o foco deveria estar, portanto, na criação de “estabilidade para a juventude sem-abrigo que se sente desconfortável com a sociedade” e na melhoria da “comunicação com uma sociedade desconfortável com os sem-abrigo”, lembra Jody Turner no artigo que publicou ontem na Stanford Social Innovation Review. Artigo no qual destaca este projecto como paradigma de uma “mudança no design rumo à colaboração”. “Uma tendência” que a fundadora da Culture Of Future, uma consultora de estratégia de marca e mercado, diz começar “a emergir dentro das empresas, entre os empreendedores e nos currículos das escolas de Design”.

 

Convite à participação da comunidade de Portland

As maquetes resultantes destas propostas pretendem apresentar os abrigos como sistemas sociais projectados para “conectar adolescentes física e emocionalmente, literal e figurativamente, através de ‘espaços abertos’ e pontos de intersecção onde estes se possam reunir e sentir-se seguros”.

Na próxima etapa do processo, os estudantes vão obter o feedback da comunidade de Portland acerca das suas propostas.

Sergio Palleroni afirmou, na primeira apresentação pública das nove sugestões dos seus mestrandos da PSU, que o grupo que está a desenvolver este projecto planeia “continuar este processo público de design durante este ano com brainstormings abertos ao público e workshops”. Depois deste estímulo público, “o nosso objectivo é ver algumas das melhores ideias generalizadas em estúdio e fora dele”, afirmou o professor-activista.

 

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Outubro é o Mês Europeu da Cibersegurança

 

Arranca hoje o Mês Europeu da Cibersegurança. A iniciativa conta com a agência europeia ENISA na assessoria, que pretende transformá-la num “instrumento eficaz de consciencialização sobre os desafios da segurança da rede e da informação”. No âmbito deste certame, em Portugal está agendado para esta quinta-feira o “Infosec Day”.

 

“Os incidentes de segurança na rede raramente são reportados, mesmo que possam afectar milhões de pessoas ou negócios”. Era esta a principal conclusão do relatório Cyber Incident Reporting in EU, realizado pela ENISA (European Network and Information Security Agency), agência da União Europeia para a área da cibersegurança, publicado em Agosto e divulgado pela Dianova.

O secretismo que envolve estes incidentes era identificado neste documento, no qual era ainda analisada a legislação europeia em vigor em matéria de segurança na rede: “Os incidentes cibernéticos são a maioria das vezes mantidos em segredo e, quando descobertos, deixam os clientes e os decisores políticos no escuro quanto à frequência, ao impacto e à origem”, afirmaram os co-autores do documento, Marnix Dekker e Christoffer Karsberg.

Um mês depois da publicação deste relatório crítico, a ENISA está a assessorar a implementação e a organização deste certame, internacional, de duração mensal, que tem como mote a deixa “Seja consciente, esteja seguro” [“Be Aware, be safe”].

O conceito deste “Mês da Cibersegurança” foi inspirado em projectos semelhantes ocorridos noutros pontos do globo, referindo o site da ENISA que “um dos elementos mais críticos para o sucesso desta actividade será desenvolver uma estrutura e um esquema de coordenação eficaz entre as entidades participantes”.

Este projecto está em linha com a produção do grupo de trabalho União Europeia/Estados Unidos, em matéria de cibercrime e cibersegurança, saída da Cimeira da União Europeia/Estados Unidos, que decorreu em Lisboa a 20 de Novembro de 2010.

 

“Infosec Day” ou as novas tendências de cibersegurança em discussão

Em Portugal, a Shadowsec, a UNICRI (Instituto de Investigação Inter-regional de Crime e Justiça das Nações Unidas) e o Gabinete Nacional de Segurança prepararam quatro dias de workshops alusivos ao tema (entre hoje, 1, e quinta-feira, 4) e uma jornada de intervenções de peritos no chamado “Infosec Day”, que chega à segunda edição neste ano.

As oficinas versam, por exemplo, sobre as parcerias público-privadas no combate ao Cibercrime e as Investigações Digitais (amanhã, dia 2, com Giuseppe Vaciago, da UNICRI) ou a Protecção de Dados (quarta-feira, dia 3, com João Ribeiro, da Comissão Nacional de Protecção de Dados).

Já dia 4, estarão em discussão as principais tendências nacionais e internacionais sobre cibersegurança. Entre os oradores estarão Maria José Morgado, magistrada do Ministério Público, a falar sobre a legislação do Cibercrime, e Francesca Bosco, da UNICRI, a apresentar a estratégia deste instituto para combater as “ciber-ameaças”.

Veja o programa completo do Infosec Day aqui.

Pode ler mais sobre a Campanha de Consciencialização “Stop.Think. Connect” aqui.

Conferências de Economia Social: “A outra economia não é uma utopia, já existe”

O homenageado Paul Singer nas “Conferências de Economia Social” (Foto: CASES)

 

Representantes da economia social do país estiveram ontem, em Lisboa, a partilhar feitos e desafios do sector. A sustentabilidade das cooperativas, misericórdias, mutualidades, IPSSs e associações, e as respectivas relações com o Estado, a Comissão Europeia, as leis e a economia privada, estiveram no centro das apresentações públicas e da discussão. Ainda houve tempo para a atribuição do primeiro Prémio Cooperação e Solidariedade António Sérgio.

“Parece uma utopia, mas não é”. Foi assim que Paul Singer começou por enaltecer “uma outra economia que já existe” no arranque das “Conferências de Economia Social”, organizadas pela CASES – Cooperativa António Sérgio. Uma economia que se desenvolve nos “interstícios das contradições do capitalismo”, uma alternativa à actual crise, acrescentou. Singer, nascido há 80 anos na Áustria, economista, professor e que actualmente “está” (não “é”) secretário nacional da Economia Social do Governo brasileiro tinha acabado de ser homenageado na abertura do certame.

Foi fundador do PT (Partido Trabalhista) brasileiro durante a ditadura militar, fez parte de uma geração que se desiludiu com o Socialismo – aplicado de cima para baixo –, que defendeu. Hoje Paul Singer acredita que as alternativas à crise do capitalismo, ao “capital financeiro hegemónico”, está, mais do que num regresso ao “keynesianismo” (que elogia), na economia “solidária”, como prefere chamar à actividade do terceiro sector à qual se tem dedicado. Optimista, citou casos de conglomerados de cooperativas de sucesso existentes no Brasil, em que as diferenças entre o empregador e o empregado estão atenuadas, e o do caso da emancipação dos catadores de lixo no seu país. No fim da sua intervenção, o homenageado parafraseou o filósofo e educador Paulo Freire: “Ninguém emancipa ninguém, emancipamo-nos em conjunto”.

 

“Famílias da economia social” devem endossar “lobby

Foram especialmente sessões informativas sobre o papel e os últimos desafios das IPSSs e das misericórdias, o Fundo Social Europeu e o caso bem-sucedido do fundo-confederação canadiano FondAction que passaram pelo auditório da Calouste Gulbenkian na segunda-feira. Mas também houve desabafos e críticas à legislação e à classe governativa, ali representada pelo secretário de Estado da Solidariedade e da Segurança Social Marco António Costa. Na plateia e em cima do palco.

Manuel de Lemos, presidente da União das Misericórdias Portuguesas e ex-deputado, foi o mais contundente com aquilo a que chama “a atitude errática” dos governos no pós-25 de Abril. Depois de afirmar que o país precisa urgentemente do terceiro sector, criticou a “demagogia” dos políticos que defendem que o Estado apoia o sector social. Lemos opta pelo jogo de palavras para concluir que “o Estado se apoia no sector social” e que dificulta o caminho dos que “querem e sabem fazer, bom e barato”. A tónica do seu discurso centrou-se na ideia de que a auto-sustentabilidade das misericórdias depende das políticas públicas, que deviam ser desenhadas pelo Estado, mas também pelas organizações sociais como parceiros empenhados no terreno. O presidente da UMP lamentou, neste contexto, que as misericórdias estejam a ser condicionadas na prestação dos cuidados continuados.

Uma das ideias mais repetidas ao longo das várias intervenções foi a de que o terceiro sector devia fazer mais lobby, com “regras”, para se fazer ouvir melhor junto do poder político – executivo e legislativo. Para ganhar visibilidade, disseminar valores, participar na concertação social, influenciar a alteração da legislação para o sector – foram-se complementando, uns aos outros, os intervenientes que defendem uma maior aproximação das “famílias da economia social” (expressão sugerida por alguém na plateia).

Uma das incitadoras do lobby das instituições da economia social foi Rosa Maria Simões, a presidente do Instituto de Gestão do Fundo Social Europeu, que apresentou aos presentes o Quadro Estratégico Comum 2014-20020 e as áreas prioritárias de apoios da Comissão Europeia para este período (educação, emprego, alterações climáticas e energia, investigação e desenvolvimento, e pobreza e exclusão social) e os objectivos para a Europa de 2020.

Na plateia fizeram-se ouvir questões sobre a falta de apoio à capacitação de profissionais do sector social, a fraude das “falsas cooperativas”, a inadequação de alguma terminologia que exclui projectos na área da agricultura de alguns concursos do sector social, ou as dificuldades de financiamento de algumas organizações sociais impostas também por leis desadequadas. É dado, neste contexto, o exemplo de um acórdão do Tribunal Constitucional que não permite a gestão de uma farmácia por uma IPSS enquanto prestadora de serviços a terceiros.

Afirmando que a sua visão não é a de um Estado “mandatário”, mas “participativo” e “cúmplice”, o secretário de Estado Marco António Costa ressaltou a importância do terceiro sector em época de crise, em que o “comprometimento activo” deve caber a todos. A inovação social, as leis de bases a serem aprovadas na Assembleia da República para o sector, a cooperação entre o Estado a nível local e os representantes da economia social e solidária e o desenvolvimento em curso da legislação em torno das “empresas sociais” foram os principais destaques do discurso institucional.

 

O caso da FondAction

 

O canadiano Leópold Beaulieu, da FondAction, veio falar da sustentabilidade da organização que preside

 

Do Quebec, esteve presente Léopold Beaulieu, presidente da FondAction – Fundo de Desenvolvimento da Confederação dos Sindicatos Nacional para a Cooperação e Emprego. O caso de sustentabilidade social bem-sucedido deste fundo criado por iniciativa sindical em 1996 foi a razão principal desta conferência.

O modelo deste fundo que apoia vinte organizações locais, nacionais e internacionais assenta, segundo Beaulieu, em “novas formas de gestão mais participativas”, numa “economia mais verde”, que aposta no desenvolvimento sustentável, na prestação regular de contas, no regresso ao “fundamento das finanças” ligado à economia real “com perspectiva de longo prazo”, numa “governance” que dá atenção a todos os “stakeholders”. Beaulieu lembra, neste sentido, o relevo do sector financeiro associativo, das cooperativas de créditos aos bancos éticos, passando pelas instituições de microcrédito e os modelos de propriedade colectiva que dão respostas às “necessidades das pessoas”.

Como ser paciente e sujeito activo no serviço nacional de saúde?

E se os utentes do Serviço Nacional de Saúde se identificassem como proprietários do mesmo e trabalhassem em parceria com os profissionais de saúde para o aperfeiçoar? Num artigo publicado hoje no jornal britânico The Guardian, a directora do Centre for Innovation in Health Management, Becky Malby, coloca esta questão, dando sugestões de como envolver os pacientes, transformando-os em agentes activos de mudança.

 

 

Ao longo do artigo de opinião, são quatro as “questões cruciais” para as quais Becky Malby chama a atenção e que, segundo a autora, devem ser respondidas no sentido de alcançar uma “co-produção bem-sucedida” entre profissionais e utentes. E a “co-produção” (ler “cooperação”), como entendida pela directora de uma rede constituída por médicos, gestões do sector público, consultores e académicos apostados na mudança organizacional, com a intenção de “melhorar os serviços públicos”, significa “explorar talentos dos utentes dos serviços, de modo a melhorá-los”.

A primeira pergunta de Malby remete para a interacção equilibrada: “Podemos partilhar experiências de igual para igual?”. Na co-produção, o primeiro passo a dar é “ouvir”. Os utentes dos serviços podem contar “estórias” pessoais e os profissionais têm “necessidade de contar” as suas. O princípio é “ouvir as boas e más experiências que ajudarão os utentes e os profissionais a verem o potencial de trabalharem juntos”. A articulista dá o exemplo de duas plataformas online em que esta partilha ocorre: Patient Opinion e Patient Stories.

A segunda questão levantada diz respeito a como “fazer melhor uso de cada pessoa”. Becky Malby dá o exemplo dos ex-toxicodependentes que podem ser “excelentes mentores” para toxicodependentes em recuperação. Neste âmbito destaca o projecto Patient Leaders, que foi criado por dois pacientes que queriam ter um papel de liderança dentro do Serviço Nacional de Saúde. Este nível de co-produção atinge-se, defende a autora, quando os utentes do serviço que “aprenderam a partir da sua experiência de gerir a sua saúde” se transformam em “recursos para toda a comunidade” e, assim, podem “inspirar outros, de um modo que um profissional nunca poderá”.

Desenhar em conjunto soluções é “muito mais desafiante do que apenas ouvir os utentes e fazer uso dos seus talentos”, mas apenas funcionará se esta tarefa se tornar um “hábito”. “Podemos resolver melhor os problemas juntos?”, é a terceira pergunta. A resposta da directora do centro para a inovação na área da gestão de saúde: “Partilhar o almoço, conhecer cada um como pessoas reais com vidas reais e sair para ver o que os outros têm feito”.

O artigo termina com uma pergunta desafiante acerca da potencial dupla função dos pacientes: ser utente e proprietário ao mesmo tempo. “Podemos partilhar a propriedade do Sistema Nacional de Saúde?”. A autora de “Involving service users in design: Four steps to co-production”, o artigo publicado hoje na secção The Guardian Professional, recorda que o financiamento dos serviços públicos de saúde em Inglaterra está sob ameaça, havendo “resistência daqueles que estão presos ao paradigma do perito” e diz acreditar que este modelo pode ser “ultrapassado”. Como?

Um exemplo é citado: o do Care Trust Plus, a funcionar em Lincolnshire, que tem funcionado no sentido envolver todos os stakeholders (partes interessadas). O organismo inventariou todos os seus proprietários, juntou-os para estabelecerem juntos a que valor social a organização deveria aspirar. O grupo concordou que era necessário mensurar este valor para ajudar a fazer avaliações em conjunto sobre o que fazer, tomando algumas decisões de forma a rever o impacto desses passos.

“Co-produção – trabalhar em conjunto para melhorar o uso dos serviços— é, afinal, mais benéfico se os utentes dos serviços forem ouvidos”. É esta a convicção de Becky Malby, que a quer espalhar a ideia por Inglaterra.

Boston, uma cidade em modo “networking”?

Imagine que vive numa cidade com um terceiro sector omnipresente, altamente competitivo, onde cada organização se encontra sob a pressão constante de competir para aumentar a sua influência na comunidade, com financiamentos limitados e líderes hostis entre si.

Essa cidade pode ser Boston, a maior cidade do estado de Massachusetts, nos Estados Unidos. Ou melhor, esta cidade podia ser Boston, até a Barr Foundation – habituada a actuar nas áreas da educação e das artes – começar a propor, a partir de 2004, aos directores executivos de algumas destas organizações sem fins lucrativos um programa sabático de três meses com os seus próprios concorrentes, longe da sua área de acção. E “longe” pode significar o estado de Chiapas, no México, mas também Haiti, Brasil,  Zimbabué ou África do Sul.

O objectivo da Barr Fellows Network, através deste programa de transformação social, é reduzir o sentido de competição e desconfiança entre os líderes e respectivas organizações, de modo a potenciar a cooperação entre agentes de mudança da cidade e, consequentemente, melhorar a qualidade de vida de Boston e da sua população.

Os executivos da Barr Foundation notaram, pela sua experiência e pelo estudo de outras iniciativas colectivas, que a maior barreira ao impacto social reside geralmente a nível individual. Apostaram, assim, num projecto para revigorar os líderes longe do seu habitat natural e alimentar relações individuais. Oito anos depois de lançado o Barr Fellowship, e apesar das reticências de vários participantes na fase inicial do período sabático, a ideia de que as redes de mudança social são animadas não pelas organizações, mas pelas pessoas, ganhou sustentação prática.

Em 2010 vinte e quarto líderes rumaram a Chiapas, México, zona montanhosa, rica em florestas tropicais e habitada por populações indígenas consideráveis. Desligaram-se das suas organizações por completo, dos seus telemóveis e dos seus papéis habituais. Inicialmente, as relações entre estes eram distantes ou nulas, noutros casos hostis. O plano de actividades incluiu encontros com activistas locais e líderes indígenas, que construíram escolas e clínicas para a população e governam 32 municípios sem apoio do governo mexicano. Os visitantes ocidentais foram inteirados de como é praticada a mudança social em situações de extrema pobreza e risco político, situação que faz rever as suas perspectivas de organizações sem fins lucrativos nos Estados Unidos.

Gibrán Riviera, mediador do Interaction Institute for Social Change, comenta o ambiente sentido nestas jornadas intensivas e disruptivas no hemisfério sul: “As relações mediadas por identidades organizacionais são frequentemente limitadas ao formal e ao transacionável. Esta jornada de aprendizagem [conduziu os líderes das organizações presentes] a uma ligação mais profunda e mais humana”. Os riscos desta operação eram elevados: relações que punham em causa crenças pessoais, questões ideológicas, de etnia e classe. Pat Brandes, consultor estratégico da fundação que engendrou esta rede, diz que esta experiência “contracultural” desbloqueou o desconforto. “O controlo foi substituído pela confiança. Os líderes estão a ultrapassar fronteiras (…). Esta é uma aprendizagem crítica para a nossa sociedade multirracial e multiétnica”.

Este “empurrão” dado pela Barr Foundation já teve alguns efeitos práticos, depois do programa ter abrangido, em oito anos, 48 participantes. As candidaturas a bolsas propostas pela administração Obama têm sido melhor coordenadas e preparadas, mais de duas dezenas atribuídas, porque as organizações conhecem-se melhor e cooperam mais. “O poder desta rede é o de fazer estabelecer relações profundas que fazem de Boston um melhor lugar”, afirma John Barros, director executivo da organizaçã0 Dudley Street Neighborhood Iniciative  e participante no programa sabático de 2007.

A monitorização e análise da evolução comportamental desta rede criada em 2004 têm sido realizadas regularmente por avaliadores externos e internos, por via da participação em inquéritos online e entrevistas. Nesta avaliação, os indivíduos que participaram nestes programas sabáticos reportaram que atiraram para trás das costas o ego, o conflito e a ideologia para gerar uma “coragem colectiva”. A nível geral, a influência junto do poder aumentou. A rede ultrapassa as preocupações iniciais das organizações. Um participante do programa da Barr Foundation de 2007, Meizuh Lui, conclui: “A solidariedade fez crescer a conectividade local, podemos perceber melhor as causas na origem da pobreza e da desigualdade”.

Texto escrito a partir de ““Networking A City” , artigo publicado na Standford Social Innovation Review

Grupo de profissionais Suecos da área social visitam Dianova

No passado dia 6 de Setembro, entre as 10 e as 13h, um grupo de 6 profissionais da área social da Suécia realizou uma visita de carácter institucional e cultural à Dianova Portugal, durante a qual tiveram a oportunidade de trocar impressões com cidadãos suecos que se encontram em programa de tratamento na Comunidade Terapêutica Quinta das Lapas.

Após a recepção de boas vindas, foi realizada uma breve apresentação corporativa e sobre os resultados da área de tratamento, o Grupo efectuou uma visita arquitectónico-patrimonial e ambiental ao Solar e Jardins da Quinta das Lapas, a que se seguiu uma visita à Comunidade Terapêutica e conversas informais com os Utentes suecos em tratamento.

De acordo com Ana Delgado, responsável pela gestão da visita, “a visita ao espaço do bosque e da Comunidade Terapêutica foi muito positivo e correspondeu ou superou as expectativas do grupo. Valorizaram muito o espaço físico e tranquilidade do ambiente envolvente, mas também a nossa dinâmica e a forma como estruturamos o Programa Terapêutico. Colocaram algumas questões práticas e específicas, procurando comparar procedimentos e know-how. A conversa informal que mantiveram com alguns dos nossos Utentes suecos foi muito enriquecedora e até emocionante; sentiram que os Utentes estavam bem integrados quer na dinâmica, quer na filosofia do Programa; e valorizaram o trabalho que estão desenvolver connosco.” Continuar a ler

Prémio Dianova | Lusófona: Cooperação, Inovação Social e Educação