Estudo: Até 2004 diminuíram os custos sociais com a toxicodependência em Portugal

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Os centros de atendimento a toxicodependentes são mais procurados desde 1999, ano em que foi implementada uma nova estratégia de luta contra a droga em Portugal. Por outro lado, o sistema de saúde passou, desde então, até 2004, a gastar menos com a toxicodependência, revela um estudo da Universidade Católica do Porto, que será apresentado hoje.

O tom da estratégia nacional adoptada em 1999 assentava numa perspectiva “humanista”, podia-se ler no documento que plasmava a novidade legislativa. “O toxicodependente [é considerado], no essencial, como um doente”, condição que “exige a garantia de acesso a meios de tratamento a todos os toxicodependentes que se desejem tratar”. Outra das apostas, nesta matéria, focava-se na promoção de “condições para uma efectiva reinserção social”.

No ano seguinte, era aprovada uma lei que descriminalizava o consumo, a posse e aquisição de substâncias psicotrópicas e estupefacientes até determinadas quantidades. A pena de prisão, para estes casos, deixou de existir, para dar lugar a contra-ordenações e a um encaminhamento mais directo dos visados pelas autoridades para o sistema de saúde, para tratamento.

“Com a implementação da estratégia nacional de luta contra a droga, assistiu-se a uma diminuição de cerca de 12% dos custos sociais da toxicodependência, entre 1999 e o período imediatamente posterior (2000-2004)”, assinala o resumo do estudo encomendado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos à Universidade Católica do Porto, facultado à agência Lusa, e que vai ser apresentado nesta terça-feira.

A procura de centro de atendimento a toxicodependentes aumentou, mas ainda assim o Estado passou a ter uma despesa global anual menor: 168 milhões de euros em 1999, contra 134 milhões de euros por ano entre 2000 e 2004, de acordo com os dados do Centro de Estudos de Gestão e Economia Aplicada da Faculdade de Economia e Gestão da Universidade Católica Portuguesa (Porto).

A investigação revela ainda que o consumo de drogas injectáveis caiu 8% entre 1999 e 2005, sendo que se trocaram 2,5 milhões de seringas por ano, desde 2002, valor que pode “explicar a diminuição verificada no número de toxicodependentes infectados com sida ou hepatites B e C” e o decréscimo do número de mortes prematuras relacionadas com a toxicodependência.

Além da implementação de políticas de sensibilização e de redução de danos, outro motivo que contribuiu para a redução dos custos sociais é apontado na investigação: o facto de o número de pessoas presas por infracções à lei da droga ter decrescido.

Este estudo surge no âmbito de uma avaliação de duas políticas públicas, cujas percepções públicas eram antagónicas: as alterações legislativas associadas à reintrodução de propinas no ensino superior em 1997 (negativa) e à estratégia de dissuasão do consumo de drogas em 1999 (positiva). Neste último caso, foi analisada a evolução dos custos sociais do Estado com a toxicodependência entre 1999 e 2004.

 

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Tendências | Esta sopa é saudável? A resposta à distância de um clique ou de um telemóvel

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Gostaria de conhecer o impacto para a saúde das sopas, de champôs, de certas bebidas ou dos queijos que a/o seduzem das gôndolas do hipermercado ou da mercearia da esquina, quando vai às compras?

Uma organização francesa disponibiliza, desde a semana passada, um serviço gratuito que permite fazê-lo, auxiliando-a/o no momento de decidir. Para isso, precisa de ter uma aplicação específica no telemóvel ou visitar o site da entidade que presta o serviço… e de estar em França. Esta novidade é-nos apresentada pelo portal Euractiv.

 

“O nosso objectivo principal é lançar uma luz sobre as escolhas dos consumidores e descodificar a informação”, afirmou Baptiste Marty, o presidente e fundador do instituto Noteo, a entidade por detrás deste serviço. E na era da globalização, este conceito expandir-se-á por toda a Europa e por todo o mundo? Esta é uma pergunta para a qual, para já, a Noteo ainda não deu resposta.

O sistema foi lançado em França no passado dia 27 de Novembro e permite aos consumidores avaliarem o impacto para a saúde e para o ambiente dos produtos que compram, atribuindo uma classificação “verde” ou menos verde a cada artigo. Ao efectuarem a leitura do código de barras, através de uma aplicação de telemóvel ou da visita ao site da Noteo, os consumidores podem aceder à listagem de químicos presentes em cerca de 45 mil produtos diferentes.

Em França, já existiam sites que permitiam medir o impacto ambiental de determinados produtos domésticos, mas este serviço vai mais além: mede também os efeitos para a saúde do seu consumo.

No portal Euractiv são avançadas reacções e traçados cenários. De um lado, os ambientalistas esperam que serviços como os da organização Noteo constituam um incentivo às empresas para se tornarem mais “verdes”, agora que os componentes dos produtos são colocados a nu. Do outro lado, as empresas, cujos produtos tiverem uma pior classificação, “estarão preocupadas que o serviço afugente os consumidores”. Mas a Noteo diz que “ter uma lista de compras mais verde não significa necessariamente mudar de marca [caso um produto tenha uma má classificação], apenas de produto”.

Este serviço surge no mercado após mais de 5 anos de recolha exaustiva de informações sobre os artigos e contemplou uma média de 400 dados informativos para determinar a decisão sobre a classificação para cada produto. A equipa da Noteo inclui um toxicologista, um nutricionista e um especialista para analisar o ciclo de vida dos produtos, apoiados por um comité científico.

 

O mesmo dinheiro, uma saúde melhor

De acordo com o jornal Le Monde, a Noteo assegura que é possível para um comprador médio melhorar a sua saúde e o impacto ambiental dos produtos que compra, mantendo em simultâneo o mesmo orçamento.

É dado um exemplo, para sustentar esta ideia: o instituto comparou dois cestos de compras, cada um com 7 produtos de higiene e beleza – entre os quais champô, gel de banho, pasta de dentes e um desmaquilhador, todos do mesmo fabricante. Um cesto leva a classificação de 1,5/10 para a saúde e 3,4 para o ambiente, devido a componentes químicos “menos desejáveis”. O outro recebeu 7,1 e 7,4, respectivamente. O preço dos produtos em cada um dos cestos era igual.

 

A importância do “impacto ambiental” para os Europeus

De acordo com o Eurobarómetro de 2009 sobre as atitudes dos Europeus rumo a um consumo e a uma produção sustentáveis, 83% dos consumidores disseram preocupar-se com o impacto ambiental dos produtos que compram. Ainda assim, na hora de decidir a compra, a “qualidade” e o “preço” do produto pesam mais do que o “impacto ambiental” (97% e 89%, respectivamente).

Com a crise económica a não dar tréguas na Europa, a Comissão Europeia acredita que os consumidores vão ainda estar mais atentos à questão do “preço” no futuro.