Conferências de Economia Social: “A outra economia não é uma utopia, já existe”

O homenageado Paul Singer nas “Conferências de Economia Social” (Foto: CASES)

 

Representantes da economia social do país estiveram ontem, em Lisboa, a partilhar feitos e desafios do sector. A sustentabilidade das cooperativas, misericórdias, mutualidades, IPSSs e associações, e as respectivas relações com o Estado, a Comissão Europeia, as leis e a economia privada, estiveram no centro das apresentações públicas e da discussão. Ainda houve tempo para a atribuição do primeiro Prémio Cooperação e Solidariedade António Sérgio.

“Parece uma utopia, mas não é”. Foi assim que Paul Singer começou por enaltecer “uma outra economia que já existe” no arranque das “Conferências de Economia Social”, organizadas pela CASES – Cooperativa António Sérgio. Uma economia que se desenvolve nos “interstícios das contradições do capitalismo”, uma alternativa à actual crise, acrescentou. Singer, nascido há 80 anos na Áustria, economista, professor e que actualmente “está” (não “é”) secretário nacional da Economia Social do Governo brasileiro tinha acabado de ser homenageado na abertura do certame.

Foi fundador do PT (Partido Trabalhista) brasileiro durante a ditadura militar, fez parte de uma geração que se desiludiu com o Socialismo – aplicado de cima para baixo –, que defendeu. Hoje Paul Singer acredita que as alternativas à crise do capitalismo, ao “capital financeiro hegemónico”, está, mais do que num regresso ao “keynesianismo” (que elogia), na economia “solidária”, como prefere chamar à actividade do terceiro sector à qual se tem dedicado. Optimista, citou casos de conglomerados de cooperativas de sucesso existentes no Brasil, em que as diferenças entre o empregador e o empregado estão atenuadas, e o do caso da emancipação dos catadores de lixo no seu país. No fim da sua intervenção, o homenageado parafraseou o filósofo e educador Paulo Freire: “Ninguém emancipa ninguém, emancipamo-nos em conjunto”.

 

“Famílias da economia social” devem endossar “lobby

Foram especialmente sessões informativas sobre o papel e os últimos desafios das IPSSs e das misericórdias, o Fundo Social Europeu e o caso bem-sucedido do fundo-confederação canadiano FondAction que passaram pelo auditório da Calouste Gulbenkian na segunda-feira. Mas também houve desabafos e críticas à legislação e à classe governativa, ali representada pelo secretário de Estado da Solidariedade e da Segurança Social Marco António Costa. Na plateia e em cima do palco.

Manuel de Lemos, presidente da União das Misericórdias Portuguesas e ex-deputado, foi o mais contundente com aquilo a que chama “a atitude errática” dos governos no pós-25 de Abril. Depois de afirmar que o país precisa urgentemente do terceiro sector, criticou a “demagogia” dos políticos que defendem que o Estado apoia o sector social. Lemos opta pelo jogo de palavras para concluir que “o Estado se apoia no sector social” e que dificulta o caminho dos que “querem e sabem fazer, bom e barato”. A tónica do seu discurso centrou-se na ideia de que a auto-sustentabilidade das misericórdias depende das políticas públicas, que deviam ser desenhadas pelo Estado, mas também pelas organizações sociais como parceiros empenhados no terreno. O presidente da UMP lamentou, neste contexto, que as misericórdias estejam a ser condicionadas na prestação dos cuidados continuados.

Uma das ideias mais repetidas ao longo das várias intervenções foi a de que o terceiro sector devia fazer mais lobby, com “regras”, para se fazer ouvir melhor junto do poder político – executivo e legislativo. Para ganhar visibilidade, disseminar valores, participar na concertação social, influenciar a alteração da legislação para o sector – foram-se complementando, uns aos outros, os intervenientes que defendem uma maior aproximação das “famílias da economia social” (expressão sugerida por alguém na plateia).

Uma das incitadoras do lobby das instituições da economia social foi Rosa Maria Simões, a presidente do Instituto de Gestão do Fundo Social Europeu, que apresentou aos presentes o Quadro Estratégico Comum 2014-20020 e as áreas prioritárias de apoios da Comissão Europeia para este período (educação, emprego, alterações climáticas e energia, investigação e desenvolvimento, e pobreza e exclusão social) e os objectivos para a Europa de 2020.

Na plateia fizeram-se ouvir questões sobre a falta de apoio à capacitação de profissionais do sector social, a fraude das “falsas cooperativas”, a inadequação de alguma terminologia que exclui projectos na área da agricultura de alguns concursos do sector social, ou as dificuldades de financiamento de algumas organizações sociais impostas também por leis desadequadas. É dado, neste contexto, o exemplo de um acórdão do Tribunal Constitucional que não permite a gestão de uma farmácia por uma IPSS enquanto prestadora de serviços a terceiros.

Afirmando que a sua visão não é a de um Estado “mandatário”, mas “participativo” e “cúmplice”, o secretário de Estado Marco António Costa ressaltou a importância do terceiro sector em época de crise, em que o “comprometimento activo” deve caber a todos. A inovação social, as leis de bases a serem aprovadas na Assembleia da República para o sector, a cooperação entre o Estado a nível local e os representantes da economia social e solidária e o desenvolvimento em curso da legislação em torno das “empresas sociais” foram os principais destaques do discurso institucional.

 

O caso da FondAction

 

O canadiano Leópold Beaulieu, da FondAction, veio falar da sustentabilidade da organização que preside

 

Do Quebec, esteve presente Léopold Beaulieu, presidente da FondAction – Fundo de Desenvolvimento da Confederação dos Sindicatos Nacional para a Cooperação e Emprego. O caso de sustentabilidade social bem-sucedido deste fundo criado por iniciativa sindical em 1996 foi a razão principal desta conferência.

O modelo deste fundo que apoia vinte organizações locais, nacionais e internacionais assenta, segundo Beaulieu, em “novas formas de gestão mais participativas”, numa “economia mais verde”, que aposta no desenvolvimento sustentável, na prestação regular de contas, no regresso ao “fundamento das finanças” ligado à economia real “com perspectiva de longo prazo”, numa “governance” que dá atenção a todos os “stakeholders”. Beaulieu lembra, neste sentido, o relevo do sector financeiro associativo, das cooperativas de créditos aos bancos éticos, passando pelas instituições de microcrédito e os modelos de propriedade colectiva que dão respostas às “necessidades das pessoas”.

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Partilhar conhecimento sobre bom investimento social

Task force sobre Investimento Social: O seu contributo necessita de apenas 24 horas para fazer a diferença!

Euclid Network, juntamente com a FEBEA lançou oficialmente o nosso Taskforce sobre Investimento Social em Cracóvia, nos dias sete e oito de Septembro, durante a segunda conferência da Europe Active, em que banqueiros sociais e financiadores alternativos reunidos solicitaram o Mecanismo Europeu de Investimento Social (ESIF) para financiar os seus negócios sociais. Este Taskforce tem como objectivo coordenar os próximos passos no desenvolvimento dos princípios orientadores de um modelo de trabalho para ESIF.

Durante a nossa presença num evento paralelo à conferência, os princípios orientadores para a sua criação foram debatidos e concluídos num comunicado – que Karl Richter o nosso Coordenador de Projetos da Taskforce trouxe para comentários no final de semana! Este será submetido à Comissão Europeia no âmbito de consulta pública lançada pelo Comissário Barnier para explorar a forma como os fundos de investimento privados podem apoiar a Iniciativa Social das Empresas (prazo 14 de Septembro).

O comunicado está disponível aqui para os seus comentários e subscrição.

Acompanhe o resto da notícia no site da Euclid

Filantropia e Investigação Social

Webconferência apresentada por Lucy Bernholz, especialista na área Filantrópica.

O que realmente importa para a filantropia e investimento social no resto de 2011? Que problemas da indústria, você terá de entender para atingir os seus objetivos sociais deste ano?

Lucy Bernholz, descrita pelo The Huffington Post como “uma influência na filantropia”, irá delinear as actuais tendências globais da filantropia e discutir o que elas significam para fundações, instituições filantrópicas e organizações sem fins lucrativos. A apresentação vai retirar de sua monografia altamente reputada, “Filantropia e Investimento Social: planta de 2011”, uma previsão anual da indústria. Ela irá também actualizar as suas previsões, com base nos cinco primeiros meses do ano.

Bernholz gasta o seu tempo a tentar entender como podemos criar, financiar e distribuir os bens sociais compartilhadas na era digital – que ela chama o futuro do bem. Ela escreve muito sobre filantropia, tecnologia, informação e política no seu premiado blog. Colabora com o SSIR e é investigadora convidada na Universidade de Stanford, no Centro de Filantropia e Sociedade Civil. Bernholz é uma oradora experiente e comentadora mediática sobre inovação social, filantropia e autor de numerosos artigos e livros sobre o compromisso de doar, como por exemplo “Criar Mercados de Capital Filantrópico: A evolução deliberada”. Ela tem um Bacharelato na Universidade de Yale e um Master e Doutoramento pela Universidade de Stanford.

Ler o artigo completo aqui.

13ª Conferência da Federação Europeia das Comunidades Terapêuticas

A Phoenix Futures e a Ley Community tem o prazer de anunciar que a 13ª Conferência da Federação Europeia das Comunidades Terapêuticas (EFTC), será realizada no Keble College, em Oxford, Inglaterra. Esta é a primeira vez, na sua história de 30 anos, que a Conferência bienal da EFTC será realizada no Reino Unido – o lar do movimento da comunidade terapêutica na Europa. A conferência vai-se concentrar em três temas centrais:

Comunidades Terapêuticas e Ciência – prestará a Comunidade Terapêutica (CT), um tratamento baseada em evidências?

Retenção e Eficácia de Tratamento – o que poderão fazer as CT’s para melhorar as taxas de conclusão?

Cuidados Posteriores e Integração – como deverão as CT’s interagir com outros grupos para garantir uma recuperação sustentada?

A conferência terá a duração de quatro dias a partir do dia 20, até 23 de Septembro de 2011. Para consultar o programa, pesquisar no blog do evento ou fazer o registo, diriga-se ao Website da Conferência.

O local foi escolhido para proporcionar uma atmosfera de comunidade durante o evento. Todos os delegados poderão permanecer nas salas da faculdade, todas as refeições serão servidas na sala de jantar e o entretenimento nocturno será no bar do colégio. A Keble foi fundada em 1870. É hoje uma das maiores faculdades de Oxford e comprometida com os mais altos padrões académicos. A Keble College abriu as suas portas para apenas trinta alunos, em 1870, e a Capela foi inaugurada no Dia de São Marcos, em 1876. O arquitecto foi William Butterfield, cuja impressionante alvenaria policromática, “o mais aprovado estilo zebra” aos olhos dos seus críticos, serviu como uma afirmação desafiadora de uma posição da igreja distintamente elevada. Clique aqui para fazer um tour virtual do Colégio.

I Encontro Agricultura Social: Realidades e Perspectivas

A Associação de Paralisia Cerebral de Coimbra encontra-se a organizar, em parceria com a Escola Superior Agrária de Coimbra, o I Encontro Nacional de Agricultura Social.
Este Encontro terá lugar no Auditório da Escola Superior Agrária de Coimbra, no dia 15 de Abril de 2011 e contará com a participação de personalidades de diferentes países europeus, onde o tema da Agricultura Social se encontra bastante desenvolvido e, também, com o contributo de algumas experiências desenvolvidas em Portugal por diferentes organizações.

A Agricultura Social inclui todas as actividades que utilizam os recursos agrícolas, seja das plantas ou dos animais, com o objectivo de promover (ou gerar) serviços de saúde, sociais ou educacionais, a diferentes grupos de pessoas.
Este I Encontro em Portugal sobre o tema da Agricultura Social pretende lançar o tema na agenda pública, envolver os diferentes actores e criar uma dinâmica nacional.

Este Encontro será o primeiro em Portugal a abordar o tema da “Agricultura Social” e tem como objectivos:

  • Apresentar o tema da “Agricultura Social” e lançá-lo na agenda pública, promovendo a discussão e o debate;
  • Reunir os diferentes stakeholders envolvidos na “Agricultura Social” e conhecer as diferentes experiências desenvolvidas no terreno;
  • Traçar o “estado da arte” da “Agricultura Social”, suas perspectivas e desenvolvimentos futuros ;
  • Alertar para a necessidade de um trabalho comum ao nível do enquadramento politico e legislativo;
  • Criar uma dinâmica nacional que contribua para transformar a situação actual num sistema reconhecido a nivel público e politico ( no sector social, de saúde, da justiça e educativo) como um modelo inclusivo.

Consulte aqui o programa do Encontro e inscreva-se.

Para qualquer informação ou esclarecimento adicional, contactar:

Rosa Maria Costa – tel:.239 792120

Nota:
O valor da inscrição é de 15€ /participante. Este montante inclui o almoço, coffee-breaks, pastas e documentação. As inscrições estão limitadas ao número de lugares disponíveis. Deste modo , deverá efectuar a sua inscrição e proceder ao respectivo pagamento até ao dia 08 / 04 / 2011. Poderá fazê-lo por transferência bancária para o Banco BPI – NIB 0010 0000 16224510005 84 ou por cheque à ordem de APCC – Associação de Paralisia Cerebral de Coimbra . O recibo será entregue pelo Secretariado, no dia do Encontro. Será dinamizado um espaço no hall de entrada do auditório, com produtos provenientes da Agricultura social, das organizações participantes

III Convenção Nacional RSO PT

A Rede Nacional de Responsabilidade Social das Organizações – RSO PT – no seu terceiro ano de actividade, continua a assumir como missão prioritária a dinamização de actividades de promoção e implementação da Responsabilidade Social em Portugal, incentivando atitudes significativas e concretas em prol do desenvolvimento sustentável.

No próximo dia 13 de Abril realiza-se a Convenção anual RSO PT, no Auditório do CTCV – Centro Tecnológico da Cerâmica e do Vidro, em Coimbra. Ver em anexo aqui!

Na Convenção da Rede RSO PT, mais do que o Balanço da Actividade de 2010, ambicionamos privilegiar o debate para a identificação de contributos consensuais para a dinamização das actividades futuras da Rede. Mas a RSO PT também pretende fazer uma reflexão conjunta sobre outros temas em destaque na sociedade, e que são inerentes à Responsabilidade Social, pelo que teremos convidados a partilhar conhecimentos e práticas sobre Voluntariado e Economia Social.

Recordamos que os trabalhos da parte da manhã são reservados aos membros REDE RSO PT, mas que a parte da tarde é de livre acesso os interessados nos temas em debate no Seminário “Portas Abertas” (inscrição obrigatória).

Marque a sua presença e divulgue o evento!

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