Consumo da Cocaína é mais elevado na Europa Central e Ocidental

A cocaína é consumida por 17 milhões de pessoas entre os 15-64 anos, equivalente a 0,37% da população mundial dentro deste intervalo etário. Consumo este dominado pelos mercados Norte Americano  e Europa Ocidental e Central, de acordo com dados estatísticos UNODC 2013 http://www.unodc.org/unodc/secured/wdr/wdr2013/World_Drug_Report_2013.pdf

Em Portugal, a cocaína surgiu em 2012 como a terceira droga preferencialmente consumida pelos portugueses, na população total (15-64 anos) e na população jovem adulta (15-34 anos), com prevalências entre os 0,2% e 1,4% (ao longo da vida e nos últimos 12 meses) da população. Verificou-se uma diminuição das taxas de continuidade do consumo na população total (18,3%) e na jovem adulta (31,2%), de acordo com dados estatísticos do SICAD 2012 http://www.sicad.pt/BK/EstatisticaInvestigacao/Documents/Tendencias_Cocaina_RA_2012.pdfImagem

 

Efeitos predominantes

A cocaína age sobre uma das áreas chave do cérebro relacionada com o prazer, bloqueando a eliminação da dopamina da sinapse causando a acumulação da mesma, gerando uma estimulação contínua dos neurónios receptores, o que provoca um estado de euforia. O seu abuso provoca tolerância, necessitando assim o cérebro de doses maiores e mais frequentes para obter o prazer inicial.

 

Os efeitos sentem quase imediatamente ao seu uso e desaparecem em minutos ou horas, gerando sensação de euforia, energia, alerta mental particularmente a nível de visão, audição e olfacto. O seu uso pode diminuir temporariamente os desejos de comer e dormir. Alguns consumidores sentem que sob o seu efeito os ajudam a realizar tarefas físicas e intelectuais de forma mais rápida.

 

A curto prazo, os seus efeitos fisiológicos são contracção dos vasos sanguíneos, dilatação das pupilas e aumento da temperatura, do ritmo cardíaco e da tensão arterial. Em grandes quantidades pode levar a comportamento mais extravagante e violento, com tremores, vertigens, espasmos musculares, paranóia e, em doses consecutivas, a reacção tóxica similar ao envenenamento por anfetamina. Em raras ocasiões, a morte súbita ocasionada por paragens cardíacas ou convulsões seguidas de paragem respiratória.

 

A longo prazo, regista-se para além da dependência, intranquilidade, irritação, ansiedade e alucinações auditivas. Salientam-se ainda efeitos neurológicos que produzem embolias, convulsões e dores de cabeça; complicações gastrointestinais que causam dores abdominais e náuseas; irregularidades cardíacas, aceleração do ritmo cardíaco e respiratório, podendo os sintomas físicos incluir visão nublada, dores no peito, febre, convulsões e coma.

 

A interacção entre cocaína e álcool é potencialmente perigosa uma vez que o organismo converte-as em etileno de cocaína que tem um efeito no cérebro mais tóxico. Ainda a registar a transmissão de HIV/Sida e Hepatites, quer pela partilha de seringas não esterilizadas, por via de gravidez (sabendo-se que os neonatos de mães cocainómanas têm baixo peso neonatal, cabeças de circunferência menor e tamanho mais pequeno) e da sua utilização com fins recreativos e relações sexuais não protegidas.

 

Tratamento. Em caso de abstinência, o tratamento resume-se aos sintomas, uma vez que as síndromes major agudas vão desaparecendo com o passar dos dias. Contudo, deve-se proporcionar medidas de apoio como exame físico e neurológico, análise toxicológica, história do padrão de abuso de substâncias psicoactivas e perturbações psiquiátricas anteriores, alimentação e repouso.

 

Em caso de perturbações psicóticas a patologia tende a desaparecer no espaço de dias a 1 semana. Deve-se proceder a despiste de sinais de patologia física grave, monitorização das funções vitais e tensão arterial elevada, ambiente calmo e auto-confiante dada a possibilidade de comportamento agressivo delirante (podendo recorrer-se a medicação para controlar o comportamento), administração de fármacos para controlo da ansiedade ou hiperactividade. Após alta, deve ser derivado para unidade de reabilitação de droga (tratamento de modificação do comportamento, terapia cognitivo-comportamental ou comunidade terapêutica que incluem programas de reabilitação vocacional e outros serviços de apoio, tais como a Comunidade Terapêutica Quinta das Lapas Dianova) visando a resolução do problema e tratar eventuais perturbações psiquiátricas.

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APARTAMENTO DE REINSERÇÃO SOCIAL DIANOVA: uma resposta de reinserção social

Concluído o Tratamento, de per se um factor crítico de sucesso, a reinserção social e profissional é condição sine qua non para uma plena integração e factor condicionante de eventual recaída. Nesta fase igualmente crítica, a pessoa reabilitada coloca-se questões fundamentais:

  • E agora, que perspectivas tenho face ao futuro?
  • Onde posso dirigir-me para solicitar apoio técnico e/ou financeiro?
  • Que medidas estão à minha disposição para iniciar uma actividade de qualificação ou laboral?

Consciente da importância que a Reinserção assume no processo de consolidação do tratamento e perante as dificuldades sentidas por alguns dos utentes em situação de extrema exclusão social, a Dianova disponibiliza uma resposta integrada: o Apartamento de Reinserção Social, protocolado pelo Instituto de Segurança Social, I.P., para 6 Utentes.

Esta Unidade permite uma intervenção global na reorganização do plano socioprofissional dos toxicodependentes em fase conclusiva de tratamento, como medida facilitadora e/ou regresso ao mercado de trabalho, promovendo-se a igualdade de oportunidades de emprego.

Localizada na Quinta das Lapas, em Monte Redondo – Torres Vedras, o programa tem uma duração média de 6 meses, com acompanhamento psicossocial.

admissão de Utentes obedece a critérios específicos, nomeadamente:

  • Ter cumprido um programa de tratamento, com credenciação do mesmo;
  • Demonstração de motivação e vontade própria de adesão;
  • Aceitação das regras de funcionamento;
  • Delineação de Projecto de Vida.

Se está em vias de processo de conclusão de tratamento da toxicodependência e carece de uma resposta de reinserção social contacte-nos através do te. 261 312 300 ou saiba mais em http://dianova.pt/os-nossos-servicos/apartamento-de-reinsercao-social

CENTRO APOIO PSICOSSOCIAL +SAÚDE… ACESSÍVEL A TODOS

O CAP+Saúde surge como uma preocupação da Dianova em disponibilizar uma intervenção terapêutica e psicossocial acessível e de qualidade à Comunidade em geral e sobretudo às Pessoas em maior situação de carência económica e vulnerabilidade social e/ou emocional.

Localizado em Lisboa (junto ao Hospital D. Estefânia e com gabinete em Monte Redondo – Torres Vedras), oferece 6 serviços com uma Equipa de 5 profissionais experientes dirigidos a Jovens, Adultos e Famílias, com o objectivo de promover oportunidades para uma nova aprendizagem adaptativa, de auto-realização e de satisfação pessoal.

  1. Avaliação Psicológica: Conhece a causa dos seus Problemas que o/a perturbam?
  2. Acompanhamento Psicológico / Psicoterapêutico: Encontra-se emocional ou socialmente vulnerável?
  3. Intervenção na Adolescência: Com que frequência te revês no mito do “super-homem”?
  4. Orientação Vocacional e Profissional: Já sabes que área vocacional queres prosseguir?
  5. Avaliação e Intervenção em Necessidades Educativas Especiais: O seu filho/a sofre de dificuldades de aprendizagem?
  6. Intervenção Familiar: Dificuldades de comunicação e relação familiar?

Marque a sua Consulta através do tel. 261 312 300 ou 919 031 678 ou visite-nos em www.apoiopsicossocial.dianova.pt

1ª análise estratégica do mercado europeu das drogas divulgada a 31 de Janeiro

 

O consumo da cocaína e da heroína está a decrescer na Europa, segundo relatório da OEDT

 

Na próxima quinta-feira, dia 31, vai ser publicado o primeiro relatório sobre o mercado das drogas europeu. O “EU drug market report – a strategic analysis” foi realizado a “duas mãos”, pela Europol e pelo Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência.

“O tráfico de drogas é uma actividade comercial altamente lucrativa e, na Europa, continua a ser um negócio-chave para os grupos de crime organizado nos dias de hoje. Compreender a realidade do mercado das drogas Europeu requer uma abordagem holística, seguindo a cadeia económica, desde a produção ao consumo, passando pelo tráfico”. Eis o mote do comunicado de imprensa emitido, hoje, pelo Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência no seu site oficial.

Os mercados sob a mira das duas agências europeias envolvidas nesta análise – que cruza dados estatísticos com interpretações de especialistas – foram essencialmente os da heroína, da canábis, da cocaína, das anfetaminas, das metamfetaminas, do ecstasy e de novas substâncias psicoactivas. “Adoptando uma abordagem pragmática e aplicável”, as agências afirmam ter identificado “conclusões-chave para informar políticas futuras”.

Este relatório vai ser apresentado, na próxima quinta-feira, em conferência de imprensa, pela Comissária Europeia para os Assuntos Internos, Cecilia Malmström.
Mal tenha acesso ao documento, a Dianova partilhará nas redes sociais e noutras plataformas de comunicação as principais ideias contidas no relatório.

 

Relatório OEDT | Novas drogas legais alarmam Europa, cocaína e heroína em queda

O consumo da cocaína e da heroína está a decrescer na Europa, segundo relatório da OEDT

 

Várias tendências sobressaem no Relatório Anual do Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência, divulgado ontem. Entre elas, está a “crescente complexidade” do mercado de estimulantes e a descoberta cada vez mais regular de novas drogas na Europa, sobretudo catinonas e canabinoides sintéticos. No sentido contrário, o consumo de cocaína e heroína e o índice médio de novos casos de VIH entre consumidores de droga injectada estão em queda, em geral, no velho continente.

 

“A Europa enfrenta um mercado de estimulantes caracterizado pela crescente complexidade, em que os consumidores encontram ao seu dispor uma grande variedade de drogas em pó e comprimidos”. É assim que tem início a nota à imprensa do Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência (OEDT) que dá conta das principais tendências da “evolução do fenómeno da droga na Europa” no último ano. A agência da União Europeia de informação sobre droga manifesta ainda “preocupação” com o crescente número de drogas emergentes, a maioria delas sintetizadas na China e na Índia.

Até ao momento, em 2012, já foram descobertas 57 novas drogas na Europa, mais oito do que em 2011. A tendência mantém-se em curva ascendente desde 2005, sendo que em 2009, por exemplo, tinham sido notificadas 24. Neste ano, quase todas as semanas, o sistema de alerta rápido da União Europeia tem detectado uma nova substância psicoactiva.  Este aumento reflecte um fenómeno de procura e de oferta de “alternativas lícitas às drogas ilícitas”, comercializáveis nas chamadas “smartshops”, presentes na Internet ou em lojas físicas.

E qual é o perfil destas novas drogas? Dois terços delas pertencem aos grupos das catinonas sintéticas (mefedrona e MDPV) e dos canabinoides sintéticos (presentes em produtos “spice”). No entanto, outras substâncias são enquadradas em grupos químicos menos conhecidos.

Segundo um inquérito do Eurobarómetro de 2011, 5% dos jovens entre os 15 e os 24 anos afirmaram já ter consumido euforizantes legais, as chamadas “legal highs”.

O relatório do OEDT revela ainda pormenores sobre a produção e circulação destas drogas: “As autoridades europeias responsáveis pela aplicação da lei têm descoberto instalações associadas à importação, mistura e embalagem. Os [seus] relatórios apontam para o envolvimento do crime organizado tanto na embalagem como na comercialização das substâncias em causa”.

Nesta semana, o jornal PÚBLICO noticiava que o Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Toxicodependências (antigo IDT) deverá avançar ainda em Novembro deste ano com uma proposta de criminalização das substâncias psicoactivas que compõem a maioria das chamadas “drogas legais” à venda nas smartshops, sob a forma de pílulas, ervas, incensos, suplementos e fertilizantes. Enquanto não chega a lei, João Goulão, presidente deste organismo, considera que a ASAE pode e deve continuar a fiscalizar as smartshops, “no âmbito da fiscalização da saúde pública, uma vez que há evidência de episódios graves”.

 

Consumo de heroína e cocaína cai

De acordo com o relatório do OEDT, a Europa está a entrar numa “nova era” de padrões de consumo e produção de drogas. É sugerida a ideia de que “a heroína desempenhará um papel menos central no consumo de droga na Europa”. É também referido que a Europa está a substituir a importação de canábis pela sua produção interna.

As apreensões da cocaína, por sua vez, estão também em declínio, nas tradicionais portas de entrada na Europa desta substância provinda da América do Sul, inclusive em Portugal. O tráfico tem-se expandido geograficamente, entrando cada vez mais no continente pelo leste.

No que diz respeito ao consumo, é um facto que 90% de todos os utentes consumidores de cocaína referidos por 29 países europeus estão concentrados em apenas cinco países, revela o relatório. São eles Alemanha, Espanha, Itália, Países Baixos e Reino Unido. Em Portugal, por exemplo, entre os consumidores de drogas apenas entre 10 e 15% têm preferência pela cocaína.

Também o índice médio de novos casos de VIH diagnosticados entre consumidores de droga injectada diminuiu na Europa, inclusive em Portugal. No entanto, alerta o relatório, na Grécia e na Roménia, registaram-se “preocupantes surtos de infecção” nos últimos meses.

Drogas | Estudo revela que mulheres são discriminadas em campanhas de prevenção

As campanhas de prevenção de consumo de drogas não estão pensadas para que cheguem de igual modo a mulheres e homens, o que pode levar a que a sua eficácia seja diferente. Esta é a principal conclusão de um estudo das campanhas publicitárias  difundidas em Espanha entre 2002 e 2011. Os resultados desta análise centrada na perspectiva do género foram divulgados ontem pela UNAD.

Estudo assinala invisibilidade da mulher nas campanhas de prevenção

A análise qualitativa de campanhas de âmbito estatal relativas à prevenção de consumo de drogas e a problemas associados foi realizada por um grupo multidisciplinar de especialistas nas áreas do Género, Droga, Prevenção, Publicidade e Comunicação, tendo sido coordenada pela Unión de Asociaciones y Entidades de Atención al Drogodependiente (UNAD).

E qual é o objectivo do estudo? “Melhorar a eficácia das campanhas de prevenção do consumo de drogas no colectivo de mulheres”, pode-se ler no site desta organização não-governamental sedeada em Madrid, numa altura em que há um incremento da “feminização do consumo de drogas e de adições de substâncias psicoactivas”, legais e ilegais.

Vários estudos recentes revelam que o consumo de drogas e álcool está a aumentar entre as mulheres. A UNAD lembra que, na última década, também cresceu o número de mulheres que recorrem a centros de atenção especializada por reconhecerem um problema de adição. Em 2011, nos centros da organização espanhola, 33,56% das pessoas atendidas eram mulheres.

Segundo a Encuesta Estatal sobre uso de Drogas en Enseñanzas Secundarias (ESTUDES), análise focada em estudantes dos 14 aos 18 anos em escolas secundárias, em 1994 o consumo de canábis entre estudantes do sexo feminino era de 18%, em 2008 de 32,8%. A mesma tendência se dá no caso do consumo de cocaína. Passou de 1,9% em 1994 para 3,8% em 2008. Já no consumo de álcool e hipnosedativos, as jovens ultrapassam os jovens.

A UNAD aponta, mesmo considerando que a questão do consumo associado ao género ainda foi pouco estudada, como uma das causas para estes números “a inadequação das campanhas de prevenção que se desenvolvem, tanto por parte das administrações públicas, como pelas organizações sociais”.

 

Metodologia do estudo

Sob avaliação nesta análise estiveram textos, imagens, grafismo, contextos, situações e relações incluídos em campanhas de marketing social estatais com a finalidade de inspirar a mudança de comportamentos e atitudes. “Reduzir o consumo de drogas e aumentar a idade de início do consumo” foram identificados pela UNAD como os objectivos das campanhas de “publicidade de prevenção” estudadas.

Numa primeira fase, foram recolhidas todas as campanhas de prevenção de consumo de drogas em suporte informático que iam ser objecto de estudo e envidas para cada profissional para avaliação. Após a aplicação de dois questionários – um para avaliar cada uma das campanhas e outro para fazer uma avaliação global – ocorreram reuniões com toda a equipa de peritos envolvidos, que fizeram uma análise exaustiva de cada campanha. Nestes encontros foram divulgadas as respostas aos questionários, debateram-se mensagens publicitárias e foram compiladas conclusões. Por fim, foram estudadas e elencadas em conjunto propostas para futuras campanhas de publicidade.

 

UNAD propõe linguagem inclusiva e monitorização das campanhas

Se a primeira conclusão destacada nesta análise reconhece que as campanhas de prevenção de consumo de drogas não estão pensadas para que cheguem de igual modo a mulheres e homens, a segunda – ligada à anterior – é que a linguagem utilizada nas campanhas reforça os papéis tradicionais do homem e da mulher.

Os resultados dos questionários respondidos por peritos das áreas dos media, dos estudos de género e das drogas apontam para a percepção consensual de que a maioria das campanhas não tem em conta a questão do género, e que, aliás, não é notada nenhuma “evolução positiva significativa” nesta matéria na década estudada. Por exemplo, nenhum dos intervenientes no estudo disse conhecer campanhas específicas para mulheres.

Outras notas dos especialistas: o consumo diferenciado entre homens e mulheres não está presente na maioria das campanhas e as campanhas parecem claramente realizadas por homens. A invisibilidade das mulheres neste tipo de publicidade não se coaduna com a realidade dos números, defende o estudo. As últimas campanhas contra o álcool dirigidas a jovens mostram sempre um rapaz com claros indícios de embriaguez, quando os últimos dados revelam que a prevalência de consumo de álcool nas raparigas supera a dos rapazes.

Os estereótipos, arquétipos e papéis sexuais e sociais são mencionados várias vezes ao longo do relatório. Foi notado que os vídeos mostram sempre a imagem da mãe sofredora, vulnerável, a acompanhar mensagens de culpa. Nas campanhas é ressaltado um “estereótipo determinado”, associando o consumo a rapazes e raparigas com bom ar e com nível económico. Os especialistas lembram que a voz off masculina, nos anúncios, transmite ideias de autoridade e credibilidade, enquanto a voz off feminina expressa angústia, ansiedade e preocupação.

Com vista à realização de campanhas mais inclusivas, o estudo aponta como propostas “pôr enfâse no consumo problemático de substâncias cuja adição é maior em mulheres”, como é o caso dos psicofármacos, e eliminar das campanhas publicitárias o cânone da beleza, que não corresponde à realidade.

Recomendar a utilização de linguagem não sexista, ter em conta novos modelos de família e criar um organismo específico responsável por realizar pareceres sobre o impacto do género na publicidade institucional são outras das sugestões do estudo divulgado ontem pelo UNAD. Bem como a coordenação entre a empresa publicitária, a instituição que põe em marcha a campanha e um organismo específico para avaliar se as campanhas contemplam a questão do género, e a influência junto do Ministério da Saúde, dos Serviços Sociais e da Igualdade para fazer cumprir a lei da igualdade na política da saúde.

 

Outros dados do estudo

– Muitas substâncias não são abordadas nas campanhas

– As campanhas mostram mensagens muito dramáticas

– É necessário diferenciar consumo esporádico do abusivo

– Existem muito poucas campanhas de prevenção dirigidas aos consumidores

Cocaína já é tão comum aos 13 anos como a canábis

Os adolescentes estão a trocar os charros por drogas mais pesadas e substâncias sintéticas. Aos 13 anos, experimentar cocaína parece ser já tão comum como o uso de canábis – 1,9% dos adolescentes admitem já o ter feito. Os consumos parecem estar a mudar, sobretudo no início da adolescência, e os 15 anos são exemplo destas tendências mais recentes: o consumo de LSD duplicou e surge ao lado da heroína como drogas experimentadas por 2,9% dos jovens nesta faixa etária. Entre 2007 e este ano, o consumo de cocaína aumentou de 2,5% para 3,1%, enquanto a canábis caiu de 13,6% para 9,1%.

São dados preliminares de um novo inquérito ao consumo em meio escolar, realizado este ano e revelado ontem pelo Instituto da Droga e Toxicodependência (IDT) numa conferência de imprensa que assinalou os dez anos da descriminalização do consumo de drogas em Portugal. Um indicador ainda mais preocupante é o aumento da percentagem de uso de droga injectável, que caiu de 36% para 7% entre os utilizadores mais pesados nos últimos dez anos. Entre os adolescentes de 15 anos duplicou e 1,5% admitiram há dois meses já o ter feito – na amostra dos 18 anos apenas 0,7% responderam afirmativamente. São percentagens pequenas mas é o mesmo que dizer que um em cada 100 adolescentes com 15 anos já experimentou este tipo de consumo.

Aos 13 anos nota-se o aumento do consumo de cocaína e LSD, aos 14 aumentam ainda as anfetaminas, os cogumelos mágicos e a heroína e aos 15 anos, além de todas as drogas referidas atrás e que crescem aqui mais acentuadamente, regista-se o aumento da droga injectada. Aos 18 anos, o LSD também cresce, mas menos (o recorde de consumo observa-se na faixa etária dos 16 anos), assim como as anfetaminas. A canábis mantém-se a droga mais usada em todas as idades, mas parece estar a cair até aos 16 anos. Aos 18 anos, 27,9% admitem já ter consumido.

Os inquéritos nas escolas portuguesas tiveram lugar em Abril e Maio e do total de 15 mil respostas estão ainda por processar 3 mil. João Goulão, presidente do IDT, admite que se percebem algumas alterações significativas. “Temos de estar atentos”, diz. “Estamos certos de que o fenómeno da toxicodependência em Portugal está a diminuir, mas não temos segurança para dizer que o uso de drogas também esteja.”

O problema é que se para os consumos problemáticos existem os dados das admissões a tratamento – a toxicodependência grave caiu de 100 mil para 50 mil e os tratamentos abrangem a maioria – os primeiros consumos ou o consumo descontinuado (recreativo) só podem ser avaliados através de estudos. O IDT tinha planeado para este ano um inquérito à população em geral que não foi autorizado pelo governo anterior e já não deverá avançar em 2011 – custaria 400 mil euros.

A última vez que foi feito, em 2007, mostrava um aumento da incidência de drogas entre os mais jovens, ainda que com dados diferentes dos agora apresentados. Entre os 15 e os 19 anos o consumo ou a experimentação de droga diminuía de 10,8% para 8,6% em relação a 2001, quando parece estar a aumentar. Entre os 20 e os 24 anos os dados já eram preocupantes: o historial de consumo de qualquer substância ilícita aumentou no mesmo período de 14% para 22,2%.

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