Tudo sobre a Cerveja

Já reparou como o dia hoje convida? Está em pleno mês das férias (ou já esteve) , é sábado, as temperaturas estão altas, encontra-se confortavelmente sentado (a) numa cadeira na esplanada ou na varanda, deitado(a) na toalha com a água ali tão perto e as preocupações bem longe. Já leu o jornal, vai folheando a revista e depara-se com um artigo sobre cerveja. Mesmo a calhar, agora que ia pedir uma imperial/fino ao empregado ou iria levantar-se para trazer uma garrafa/lata fresca do frigorífico. É um gesto nobre, principalmente sabendo que, de acordo com dados de 2009 da Ernst & Young, esta indústria dá trabalho directo a 3200 pessoas, 72 900 cidadãos se contarmos com as áreas da produção e das vendas.

Passe a mão pela garrafa, leve o copo à boca, dê o primeiro gole e fique também com este número na cabeça: o Estado português alcançou, em 2009, receitas de 973 milhões de euros relativas a impostos relacionados com a venda e produção de cerveja. Mas há mais. Deixe a histórica bebida escorregar livremente pela garganta e, naquele instante em que a cabeça se inclina para trás e o raio de sol incide directamente nos seus olhos, enquanto bebe, saiba de que forma está a contribuir para este negócio. Em 2010, segundo as estatísticas relativas aos associados da Associação de Produtores de Cerveja (APCV), foram produzidos oito milhões e 312 mil hectolitros em Portugal. Dos quais apenas 152 mil hectolitros referem-se a cerveja sem álcool. E quanto ao consumo interno, ainda de acordo com a APCV, foram cinco milhões e novecentos mil hectolitros, uma média de 59 litros por cada português, num ano. Não se engasgue. Pouse o copo na mesa, coloque a garrafa à sombra, encoste-se para trás e continue a ler.

Em Portugal existem seis grandes empresas que se dedicam à cerveja. A saber, a Central de Cervejas (todas as variedades de Sagres e Imperial), a Drinkin (todas as variedades de Cintra), a Empresa de Cervejas da Madeira (Coral e Zarco), a João de Melo Abreu Lda. (Melo Abreu Especial e Munich), a Sumolis (Tagus e Magna) e a Unicer (todas as variedades de Super Bock, Tuborg, Carlsberg, Clok e Marina). Juntas, são responsáveis por sete fábricas em território nacional que, em 2010, produziram mais de 75 mil toneladas de malte. Não existe uma data específica a apontar como a da descoberta da cerveja. Estima-se que exista há quase tanto tempo como a agricultura e os dados apontam para que o homem conheça o processo de fermentação dos cereais há, pelo menos, dez mil anos. As primeiras bebidas alcoólicas datam desse período e a sua descoberta terá sido ocasional, aquando da fermentação não provocada de um qualquer cereal.

Os sumérios foram dos primeiros povos a perceber que a massa do pão, quando molhada, fermentava. O seu sabor era bastante apreciado e foi sendo aperfeiçoado, chegando esse antepassado da cerveja actual a ser visto como uma bebida divina. Os dados arqueológicos não mentem e comprovam que cerca do ano 7000 a.C, na região do Nilo que hoje atravessa o Sudão, já existiria essa bebida. Outras confirmações vêm das regiões do actual Irão e antigas Mesopotâmia e Suméria. Nesta, foi mesmo encontrada uma placa de barro datada do ano 4000 a.C. em que estão desenhadas duas figuras humanas a beber através de palhas o líquido de um pote, provavelmente cerveja. E os sumérios possuíam mesmo um hino a Ninkasi, a deusa desse néctar especial. Quem fazia o pão era também responsável pela bebida levedada e, nesse campo, as mulheres foram as primeiras taberneiras. Geriam as padarias, serviam a bebida e iam aperfeiçoando as receitas com a inclusão de ervas aromáticas na cerveja.

Os babilónios foram os senhores que se seguiram na evolução da bebida que era mais popular do que o vinho. No período em que este povo esteve na mó de cima, já eram conhecidos mais de vinte tipos diferentes de cerveja em que não faltavam mel, cevada ou trigo. A importância da bebida era tal que Hammurabi, rei da Babilónia, introduziu novas leis no seu código de forma a estabelecer, por exemplo, uma ração diária de cerveja de acordo com o estatuto social de cada indivíduo. Entre dois e cinco litros por dia foi o estabelecido. E havia ainda uma lei que protegia os babilónios da cerveja de má qualidade. Os produtores que prevaricassem seriam condenados à morte por afogamento. Continuar a ler