Três projectos já financiados na Bolsa social

Com praticamente dois anos de existência, a Bolsa de Valores Sociais (BVS) prepara-se para refundar o modelo de investimento do projecto numa altura em que conseguiu obter 100% de financiamento para três projectos cotados. No próximo mês vão entrar mais dois projectos para esta Bolsa, que pretende atingir o meio milhão de euros de financiamento em 2011.

Audiodescrição.pt – Ouço, Logo Vejo, Cozinhar o Futuro e Unidade Móvel de Apoio ao Domicílio são os três projectos cotados na BVS que já obtiveram 100% de financiamento, num total de 235 mil euros. Audiodescrição.pt foi o último projecto a ser concluído e parte da iniciativa da Companhia de Actores. O objectivo é a implementação da audiodescrição em todas as manifestações artísticas e culturais do País. São 20 mil euros para a aquisição de material técnico essencial à difusão deste recurso a nível nacional.

Satisfeito com a conclusão dos três projectos – estão cotados 22 na BVS e vão entrar dois em Setembro, atingindo 2,5 milhões de euros em investimentos sociais, 1300 investidores e 500 mil euros investidos -, Celso Grecco (foto), fundador em Portugal do projecto que implementou no Brasil, adianta ao DN que está a ser preparada uma nova forma de investir, aliando retomo financeiro ao social.

O modelo será apresentado na II Assembleia Geral de Accionistas, em Novembro. Celso Grecco revela que “será possível apoiar organizações sociais criteriosamente seleccionadas e, num determinado período de tempo, receber até 100% do dinheiro investido de volta”. “Este será mais um conceito inovador que a BVS vai lançar em Portugal, inédito no mundo”, frisa. “Mais do que a inovação em si própria, vai tratar-se de uma nova forma de apoiar organizações sociais que estão a gerar empregos e riqueza – razão pela qual precisam de investidores ao invés de apenas doadores – e que estão dispostas a retomar o investimento, ainda que sem lucro ou dividendos”, diz Celso Grecco.

Este responsável lembra que na BVS o donativo é sempre dinheiro “perdido”, pois “só funciona uma vez: deu, está dado e não tem volta”. “O que vamos fazer é criar um instrumento financeiro que permite que a doação seja devolvida”, frisa. Segundo Celso Grecco, “a devolução pode ser parcial (se o projecto correr mais ou menos bem), total (se for bem-sucedido) ou nenhuma, se as coisas não correrem como esperado”. Segundo Celso Greco, o novo acordo com as autoridades financeiras e do mercado de capitais de Portugal está a ser concluído.

Fonte: Diário de Notícias

Presidente da Bolsa de valores de Lisboa abre horizontes à «Terra Chã»

Perante as adversidades faz sentido concentrar energias na busca de soluções e não em lamentações. Esse esforço, por mais duro que seja, gera dinâmicas, sendo exemplo mobilizador e agregador de sinergias. É necessário um desenvolvimento económico sustentado, associado a objetivos como, por exemplo, a preservação do meio ambiente e o apoio social. O projeto da Cooperativa Terra Chã é um dos exemplos da tentativa de prosseguir objetivos de natureza ecológica e social mas encontrando a sustentação económica para que se possa desenvolver.
Aqui muito resumidas, estas foram as primeiras notas que o presidente da Euronext Lisbon (Bolsa de Valores de Lisboa – BVL), Luís Laginha de Sousa, quis deixar na visita que fez a 1 deste mês à Cooperativa Terra Chã, no âmbito da parceria da BVL com a Bolsa de Valores Sociais (BVS) onde a «Terra Chã» tem cotado o seu projeto do Centro de Interpretação da Abelha e da Biodiversidade/Central Meleira, sendo um dos 25 projetos do país aí cotados. Recorde-se que o projecto em questão visa “conciliar a construção de uma central meleira para os apicultores cooperantes e para a região e um conceito de centro de interpretação centrado no papel da abelha na conservação da biodiversidade, como estratégia para a sensibilização do publico para os valores de conservação da natureza“.
Depois de apreciar as instalações da cooperativa, Laginha de Sousa reuniu com um painel constituído pelos órgãos sociais, trabalhadores e diversas entidades parceiras da cooperativa (BVS, Quercus, Montepio, PNSAC, etc). Também a Câmara de Rio Maior se fez representar. Uma certa e prolongada demora na manifestação de interesse por parte de potenciais investidores preocupa a cooperativa. A este respeito, “as instituições têm que saber abrir se ao exterior, porque muitas vezes, com um leque mais alargado de interlocutores consegue se ter uma melhor percepção de quais de vem ser os nossos objetivos”, ponderou Laginha de Sousa.

Fonte: Região de Rio Maior

Mensagem BVS presente nos pacotes de açúcar da Delta

“As boas acções estão sempre em alta. Invista em projectos sociais transformadores” é a mensagem que todos vão poder ler a partir da segunda semana de Fevereiro, em cinco milhões de pacotes de açúcar da Delta. É com este mote que a Delta Cafés se junta à Bolsa de Valores Sociais para apelar à compra de acções sociais dos mais de vinte projectos inovadores presentes na plataforma online.

Esta campanha inaugura a estratégia de branding da BVS para 2011 de tornar a Bolsa de Valores Sociais mais conhecida e familiar e resulta do reconhecimento da BVS por parte da Delta Cafés como um exemplo de sucesso em matéria de inovação social. Esta é também uma das áreas em que a empresa portuguesa aposta de forma a poder dar o seu contributo ao desenvolvimento social em Portugal. Esta iniciativa da Delta Cafés não teve qualquer custo para a Bolsa de Valores Sociais.

Fonte: bvs.org

Entrevista a Celso Grecco, autor da Bolsa de Valores Sociais.

Nome: Celso Rocha Grecco. Nasceu: S. Paulo, Brasil. Viaja constantemente de lá para cá. Formação Académica Licenciado em Comunicação e Marketing Herança Humanitária «Do meu avô materno, um homem muito espiritual, natural de Lamego». Filhos: Dois rapazes, um estuda Psicologia e o outro Direito. Convicção: «O mundo está mais ruim, mas temos mais instrumentos para agir»

Como é que tudo começou?

Muito lá atrás comecei com jornalismo. Depois aceitei um convite para uma agência de Publicidade e Marketing, no departamento de relações públicas. Paralelamente estava envolvido, por convicções pessoais, em projectos sociais.

Diz que um dia se cansou de vender coisas de que as pessoas não precisavam…

Cansado já estava, mas a vida me abriu uma oportunidade. Ali por 98/99 o Brasil colocou na agenda das empresas a responsabilidade social, falava-se muito da importância das empresas darem o seu contributo para uma sociedade mais justa, e os meus clientes da agência diziam: «Olha, Celso, agora temos de fazer um projecto de apoio a organizações sociais, você gosta desses assuntos, nos ajuda nisso.» E aí percebi que havia uma oportunidade de fazer profissionalmente, com método e rigor, aquilo que eu fazia pro bono nos tempos livres.

Nessa altura fundou a Atitude?

Exacto. Uma consultora de comunicação para a sustentabilidade e responsabilidade social, ajudando clientes a criarem os seus projectos. Porque uma das críticas que faço aos programas das empresas é que eles são, ainda na sua grande maioria, periféricos ao negócio da empresa. A empresa trabalha na área da tecnologia, e na hora de fazer o seu programa de responsabilidade social resolve fazer uma coisa com educação, por exemplo. Então o que seria uma chance de um grande contributo torna-se algo marginal, um departamento, ou alguém dos recursos humanos ou do marketing que fica encarregado de distribuir cheques para umas organizações sociais, para causas, sem que isso tenha uma conexão lucrativa profícua entre a empresa e o que ela está fazendo.

Por isso a Bolsa do Brasil lhe pediu um projecto?

A Bolsa de Valores do Brasil queria um projecto, mas não sabia qual. E eu disse: «Olhem, vocês têm uma verba, digamos que seja de um milhão, e se forem escolher apoiar organizações o limite do vosso contributo vai ser ditado apenas pelo factor limite do dinheiro.» E isso é muito pouco. E aí sugeri-lhes a ideia da Bolsa de Valores Sociais, uma ideia nova, mas dentro do expertise deles.

Uma bolsa de valores sociais?

A Bolsa de Valores, seja de Tóquio, de Nova Iorque, ou de Portugal, é um ambiente de criação de um valor: de um lado junta empresas que precisam de angariar recursos financeiros, e para que isso seja possível assumem compromissos com transparência, com governância, com credibilização, e vão ao mercado e oferecem um pedaço das suas empresas, sob a forma de acções. Do outro lado, tem um investidor que diz «acredito nesta empresa, quero ser sócio desta ideia», e vai lá e compra. E a Bolsa zela por essa relação, estabelece as regras, se houver algum problema interfere, e cria valor para a empresa e cria valor para o investidor. E a minha ideia foi: «Vamos replicar isso que sabem fazer bem, com as organizações sociais, que também precisam de recursos.»

Ler entrevista completa em destak.pt

Nova aposta da Bolsa de Valores Sociais na compostagem

Chama-se Centro de Compostagem – EC3 – e é um dos projectos mais recentes cotados na Bolsa de Valores Sociais. Constitui uma iniciativa a nível local, em Ferreira do Alentejo, com vista à redução dos resíduos orgânicos. Mas, mais do que isso, promove a sensibilização ambiental, especialmente entre os mais novos e os idosos

Transformar uma escola abandonada e em crescente degradação num “foco de propagação” de boas práticas ambientais associadas à compostagem foi o que Albertina Raposo, docente no Instituto Politécnico de Beja e coordenadora pedagógica do projecto EC3, em conjunto com o Centro de Estudos Vasco da Gama, conseguiu fazer. A escola primária n.º 1 de Gasparões, no concelho de Ferreira do Alentejo, é agora um ecocentro de compostagem caseira -, que assenta numa forte vertente pedagógica ao nível da Educação Ambiental.

Como explica Sofia Poeiras da Silva, técnica responsável do EC3, “têm sido promovidas acções de formação dirigidas à comunidade com a entrega de compostores aos interessados, a participação em eventos, de que são exemplo a Ovibeja, o Roadshow Ferreira Sustentável, entre outros e workshops de compostagem caseira”. No que respeita a estes últimos, de destacar actividades como “a construção/montagem de compostores, informação sobre o processo de compostagem, recolha de resíduos para compostar e informação sobre as condições necessárias para obter um composto de qualidade, observação de minhocas associadas ao processo de vermi-compostagem no laboratório do Centro, entre muitas outras”, como enumera a responsável.

Ler notícia completa em oje.pt

Bolsa de Valores Sociais: O que é?

As organizações sociais não existem para resolver problemas sociais, mas sim no sentido de criarem “vacinas” para esses problemas. É este o princípio subjacente à criação da Bolsa de Valores Sociais (BVS), cujo objectivo é replicar o ambiente e os conceitos de uma Bolsa de Valores. E foi com este lema que a BVS assinalou o primeiro aniversário, em Novembro.
O modelo da BVS beneficia as organizações sociais desde que estas cumpram critérios exigentes de selecção. As condições obrigatórias para entrar neste “mercado” são a transparência, governança e demonstração de resultados do seu impacto.
A BVS tem de momento 22 projectos sociais cotados em quatro áreas de combate – pobreza, exclusão, solidão e doença. Esta Bolsa assume-se como um laboratório social, identificando e cotando as organizações que comprovem ter capacidade para desenvolver metodologias que abordem a causa dos problemas e não as consequências, sendo que 100 dos recursos financeiros doados pelo “investidor” são canalizados de imediato para o projecto cotado.
Os custos operacionais da BVS são suportados na íntegra pelos parceiros e co-fundadores – a Euronext e as fundações EDP e Gulbenkian – e também pela Caixa Geral de Depósito, o seu banco oficial.
Celso Grecco, mentor e consultor da BVS, refere que “a actual conjuntura mundial não advém do sector social, mas sim do sector privado em conjugação com os governos, que não regularam os mercados financeiros. Os problemas estão aí, e o sector social é parte da solução, nunca do problema”. E remata que, “se a crise agravou os
problemas sociais, cabe aos empreendedores fazer um trabalho de contenção das dificuldades das pessoas e das comunidades”.

Bolsa de Valores Sociais comemora hoje o primeiro aniversário

A Bolsa de Valores Sociais (BVS) completa hoje, segunda-feira, um ano de actividade, tendo canalizado para duas dezenas de projectos menos de metade do meio milhão de euros apontado como objectivo, mas com a contribuição de particulares mais generosa do que a das empresas.

Este é o resumo a fazer da instituição que tem cotados 22 projectos sociais, num montante superior a 2,5 milhões e meio de euros, embora o investido até sexta-feira tenha sido de 245.574 euros, ou seja, 9,72% das necessidades. Falta confirmar o receio do presidente e criador da BVS de um erro de 60 mil euros a mais num dos projectos.

Celso Grecco espera chegar a 31 de Dezembro com 300 mil euros de investimentos, mas reconhece que a BVS, criada pela Atitude – Associação pelo Desenvolvimento do Investimento Social, com o apoio da Euronext (Bolsa de Valores de Lisboa) e das fundações Caloust Gulbenkian e EDP, não alcançará os objectivos: meio milhão de euros de investimentos e o financiamento de dois projectos a 100%.

Na sua auto-apresentação, a Bolsa de Valores Sociais replica o ambiente de uma Bolsa de Valores e o seu papel é facilitar o encontro entre Organizações da Sociedade Civil criteriosamente seleccionadas, com trabalhos relevantes e resultados comprovados na área da Educação e do Empreendedorismo, e investidores sociais (doadores) dispostos a apoiar essas Organizações através da compra de suas acções sociais.
Ao promover os conceitos de investimento social e investidor social, a Bolsa de Valores Sociais propõe que o apoio às Organizações da Sociedade Civil seja visto não sob a óptica da filantropia e da caridade, mas sim do investimento que deve gerar um novo tipo de lucro: o lucro social.

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Ler a crónica no Destak: Em busca de vacinas contra a pobreza