Jogos Paralímpicos arrancam hoje com 30 atletas portugueses

RTP2 transmite cerimónia de abertura às 19h30

O Iluminismo está de volta à Europa, pelo menos como tema central da cerimónia de abertura da 14ª edição dos Jogos Paralímpicos, esta noite, em Londres. Dezassete dias após o final dos Jogos Olímpicos, a capital britânica recebe, até 9 de Setembro, 4200 atletas representantes de 165 países. Oscar Pistorius, o primeiro atleta paralímpico a correr numas Olimpíadas, acredita que esta edição vai “alterar muitas das percepções sobre as pessoas que vivem com deficiências”.

“O mote é este extraordinário período da história europeia e a grande revolução intelectual que teve lugar [durante o Iluminismo]”. É assim que Sebastian Coe, responsável pelos Jogos, define ao jornal PÚBLICO o que se vai passar na cerimónia de abertura esta noite em Londres, a cerca de 70 quilómetros da aldeia que acolheu em 1944 a primeira edição [Portugal participou pela primeira vez em 1972 com equipa  masculina de basquetebol em cadeira de rodas].

A festa de inauguração no Estádio Olímpico tem início às 19h30 (na  televisão portuguesa  é transmitida na RTP2) e vai contar com mais de 3000 voluntários. Os bilhetes já esgotaram para a sessão de hoje. Cerca de 2,4 milhões de bilhetes já foram vendidos para os próximos 12 dias.

A transformação da Aldeia Olímpica em Aldeia Paraolímpica aconteceu em cinco dias. Na verdade, não havia assim tanto para ser adaptado: “A Aldeia não teve de ser paralimpificada. As casas de banho, a sinalética, o pavimento privilegiaram a acessibilidade desde o início [dos Olímpicos]”, contou o director de integração paralímpica, o nadador e campeão paralímpico Chris Holmes, à BBC News. Houve ajustes nos recintos, onde há agora mais lugares reservados a cadeiras de rodas: no estádio, por exemplo, são agora 568. Nos Jogos Olímpicos, eram 394.

Oscar Pistorius, o sul-africano de 25 anos que fez história ao tornar-se no primeiro atleta com duas pernas amputadas a correr nos Jogos Olímpicos, este ano, acredita que Londres nos próximos doze dias pode ensinar muito ao mundo. “O Reino Unido é definitivamente um país que lida com a deficiência de um modo absolutamente fantástico. (…) Há muitas pessoas aqui que já não se focam na deficiência, focam-se na habilidade dos atletas”, disse Pistorius ao jornal britânico The Guardian.

Pistorius, que vai competir em quatro momentos nos Paralímpicos após ter chegado às semifinais dos 400 metros nos Jogos Olímpicos, está consciente que “ainda há um longo caminho a percorrer” no modo de olhar para a deficiência, acreditando que o segredo está na educação. “Este é o único caminho para superar os estigmas e o sentimento de que este é um assunto tabu”.

O atleta lembra também a acessibilidade que diagnosticou a Londres, manifestando o interesse em “ver o impacto que vai deixar” em todo o mundo: “Penso que estes serão um dos Paralímpicos mais acessíveis que nós tivemos. Acredito que vão mudar as percepções de muitas pessoas não só acerca do desporto paralímpico, mas também sobre as pessoas a viverem com deficiência”.

 

Portugal concorre em cinco modalidades

4200 atletas vão representar 165 países, sendo que há quinze países que se vão estrear nesta edição. Da comitiva portuguesa vão estar em competição 30 atletas em cinco modalidades. Metade deles fará provas de atletismo. De resto, nove atletas vão competir no boccia – uma modalidade exclusivamente paralímpica  –, quatro na natação, um na equitação e um no remo.

Em suma, menos cinco representantes e menos duas modalidades do que nos Jogos de Pequim, em 2008, onde Portugal conquistou sete medalhas (em natação, boccia e atletismo). Motivos para a redução de atletas, segundo Carlos Lopes, o chefe da missão portuguesa, ao PÚBLICO: as quotas de participação “muito apertadas” atribuídas pela organização. “Os [portugueses] que estão em Londres são, efectivamente, os melhores”, acrescenta o ex-atleta. Entre eles, estão nove estreantes.

As competições começam já amanhã, entre as quais quinze finais no centro aquático. Até dia 9 de Setembro muitas outras modalidades desportivas vão passar por ali: do tiro com arco ao ténis de cadeira de rodas, passando pelo judo, pelo ciclismo, a esgrima e o “goalball” [um jogo exclusivamente para invisuais e amblíopes], entre outros.

De Portugal, em boccia BC1, João Paulo Fernandes é a grande aposta, depois de ter sido campeão nas últimas duas edições dos Jogos. Na natação, as expectativas recaem sobre João Martins, medalha de bronze em Atenas e Pequim. Na recém-regressada categoria da deficiência intelectual, Inês Fernandes, segunda classificada do ranking mundial no lançamento do peso, e Lenine Cunha, terceiro da hierarquia no comprimento, destacam-se entre os quatro representantes de Portugal.

 

Protestos agendados para sexta-feira

Mas nem só de desporto vivem os Jogos Paralímpicos. Alguns activistas dos direitos das pessoas com deficiência do movimento UNCUT ameaçam um ”dia de acção” para sexta-feira, dia 31, junto à sede da Atos, empresa internacional de tecnologias de informação que está a patrocinar o evento.

E por quê? O governo britânico e a Atos assinaram um contrato no valor de 100 milhões de libras, no qual a empresa é designada para levar a cabo os controversos testes que determinam quais os requerentes do apoio por invalidez estão “aptos para trabalhar”. “É uma ironia chocante que a Atos seja o principal patrocinador do London 2012, quando está a destruir as vidas das pessoas com deficiência em nome do governo”, chamou a atenção Tara Flood, medalha de ouro nos Paralímpicos de Barcelona em 1992, ao The Gardian.

A organização do evento (a Locog), pela voz do director Paul Deighton, defende-se das críticas com um argumento tecnológico: “A Atos é um parceiro na área tecnológica incrivelmente valioso. Eles garantem um portal para os voluntários, eles fornecem um sistema para gerir o processo de informação e a distribuição de resultados”.

Num dos cartazes já impunhados por ocasião desta luta de movimentos civis podia ler-se “Nós não somos robôs. Os computadores da Atos decidem os nossos futuros em quinze minutos”.

Em Portugal, o Instituto do Desporto e o Comité Paralímpico têm trocado nos últimos dias argumentos contraditórios quanto à alegada falta de pagamento das bolsas de apoio aos atletas do comité desde Março.

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Exercício físico pode reduzir vontade de fumar, defende estudo britânico

“Há uma forte evidência de que a actividade física reduz drasticamente o desejo de fumar”. É esta a conclusão principal de um estudo realizado pela Universidade de Exeter, no Reino Unido, e publicado no jornal especializado Addiction. O tema não é novo na área da investigação, nem é consensual.

 

 

Os investigadores analisaram os dados de 19 ensaios clínicos prévios e descobriram que os fumadores que tinham a esperança de deixar de fumar e que reservavam algum do seu tempo para fazer exercício físico tinham mais facilidade em reduzir o desejo de fumar. Não é, contudo, claro que este dado se tenha traduzido numa maior probabilidade de estes deixarem totalmente o hábito.

“O exercício parece claramente trazer benefícios temporários e como tal pode ser altamente recomendado”, afirmou Adrian Taylor, um professor de Exercício e Psicologia da Saúde da Universidade de Exeter que dirigiu o estudo, citado pela Agência Reuters.

Nas experiências realizadas a posteriori da interpretação dos ensaios clínicos, os fumadores participantes do estudo ficaram aleatoriamente comprometidos com um exercício – marcha em passo acelerado ou andar de bicicleta – ou com algum tipo de actividade “passiva” – como ver um vídeo ou estar sentado sossegadamente.

Nenhum dos fumadores que participaram no estudo estava inserido num qualquer programa de cessação tabágica ou a consumir produtos de substituição da nicotina, tais como pastilhas.

A equipa de investigadores descobriu que os fumadores envolvidos afirmaram que tiveram menos desejo de fumar – depois de exercitarem o corpo – do que tinham antes de se submeterem a este estudo.

O que ficou por descobrir foi o motivo por detrás desta tendência, embora Taylor aponte uma hipótese: O exercício pode servir como distracção e estimula o estado de espírito das pessoas. Posto isto, estas podem não sentir tanta necessidade de fumar para se sentirem melhor, defende o coordenador do estudo. Porém, um estudo de 2006, também efectuado em duas universidades britânicas (Bristol e Surrey) chegava, por sua vez, à conclusão contrária. O efeito do exercício na redução do desejo de fumar não era causado pela distracção cognitiva, defendia essa investigação.

Jogos Olímpicos de Londres | O desporto de alto nível e o doping

RTP transmite sessão de abertura, hoje, às 21 horas

 

A trigésima edição dos Jogos Olímpicos tem abertura oficial marcada para as 21 horas de hoje na capital britânica. Em competição, até dia 12 de Agosto, vão estar 10.490 atletas dos quatro cantos do mundo. Em resumo, o calendário, os protagonistas portugueses que entram em cena amanhã, sábado, e o doping como uma das sombras de um evento que acontece em Londres pela terceira vez.

 

A preparação da cerimónia inaugural – cujo custo foi estimado em mais de 34 milhões de euros – está a cargo do realizador inglês Danny Boyle, que mantém em segredo o nome do último portador da chama olímpica, entre outros pormenores do espectáculo. O cineasta que nos anos 1990 rodou Trainspotting (a partir do livro de Irvine Welsh) na Escócia, um exercício de estilo sobre uma espécie de “reino unido da toxicodependência e da auto-destruição”, dirigiu um número de dança protagonizado por enfermeiros e médicos do serviço nacional de saúde britânico, dispostos num cenário que inclui vacas e ovelhas vivas. Mundos díspares, os da saúde, das drogas e do desporto? Nem sempre, como dizem os números de casos de doping despistados na antecâmara do maior evento desportivo do globo.

Na quarta-feira, a Agência Mundial Anti-doping (AMA) noticiou que, até meados de Junho, pelo menos 107 atletas dos 71.649 analisados em todo o mundo nos seis meses anteriores à competição foram proibidos de participarem nos Jogos Olímpicos em Londres devido a casos de doping. “Tenho o prazer de dizer que não vão estar connosco”, ironizou John Fahey, presidente do AMA, avisando os eventuais prevaricadores que “as suas possibilidades de evitar a detecção são as mais pequenas de sempre”.

As federações dos países com atletas entretanto afastados dos Jogos Olímpicos deste ano já começaram a divulgar nomes dos excluídos. Entre os quais estão o grego Dimitris Chondrokoúkis, campeão do mundo de pista coberta, em 2012, no salto em altura, o lançador do disco húngaro Zoltan Kövago e os halterofilistas turcos Fatih Baydar e Ibrahim Arat. O primeiro acusou um controlo positivo a um esteróide anabolizante, o segundo recusou o teste de controlo anti-doping e os últimos foram eliminados por suspeita de doping.

Segundo a página oficial do certame London 2012, a equipa de despistagem presente nos Jogos Olímpicos de Londres levará avante “um número sem precedentes de testes para garantir a saúde e os direitos dos atletas e para que a integridade dos jogos seja preservada”,  no sentido de “assegurar uns Jogos justos”. Pelo menos cinco mil amostras de urina e sangue dos atletas vão ser recolhidas, antes e depois da competição, conforme a jurisdição do Comité Olímpico Internacional (COI). Um número que representa um aumento superior a 10% dos números anunciados nos Jogos Olímpicos de Pequim de 2008.

John Fahey afirmou que esta edição será a mais rígida da história para “oferecer uns Jogos Olímpicos tão livres de doping quanto for possível”. Para cumprir este objectivo, mais de 1000 pessoas irão trabalhar no processo anti-doping, entre os quais 150 cientistas. O laboratório anti-doping estará a operacional 24 horas por dia, 7 dias por semana.

A AFP avança que nesta edição os peritos anti-doping vão introduzir um novo teste para a detecção de substâncias proibidas – que distingue o hormônio de crescimento humano que o corpo produz naturalmente do sintético, inserido por meios artificiais. A nova técnica (teste “bio-marker”) alia-se à já existente desde 2004, sendo ambas “complementares, não iguais”, como explicou David Howman, director da AMA. A fraude pode ser apenas notada “semanas, não apenas horas” depois da inserção no corpo, acrescentou.

 

O calendário das provas

A cerimónia oficial de abertura acontece hoje – com a presença da rainha Isabel II e  mais de cem políticos internacionais, entre os quais a presidente do Brasil Dilma Rousseff e Cavaco Silva – coincide com o dia do arranque das provas de tiro ao alvo, mas as provas de futebol já tiveram início na quarta-feira. As competições na maioria das modalidades – do badminton à ginástica artística, passando pelo boxe e voleibol – arrancam amanhã. As disputas de medalhas no atletismo começam no dia 3 de Agosto.

Por sua vez as disputas de medalhas no judo, no halterofilismo e na natação podem ser vistas a partir de amanhã, conforme o calendário organizado pelo jornal Expresso.

Hoje, na abertura dos Jogos a delegação portuguesa, liderada pela porta-estandarte e judoca Telma Monteiro, vai ser composta por 30 atletas, dos 77 apurados para Londres 2012 (veja perfil dos atletas aqui). Entre os ausentes estão os atletas portugueses que amanhã entram em cena, como Telma Santos e Pedro Martins, que competem na modalidade badminton. Também amanhã Diogo Carvalho e Sara Oliveira vão nadar os 100 metros de mariposa. Manuel Campos vai tentar a qualificação na ginástica artística.

 

Inglaterra não repete “Jogos da Austeridade”, nem segue megalomania chinesa

Estes são os terceiros Jogos Olímpicos de Verão no “país que inventou o desporto moderno”, lembrou o presidente do COI numa conferência de imprensa no passado sábado. Os primeiros aconteceram em 1908. Os segundos, em 1948, foram mais mediáticos por serem os primeiros após a Segunda Guerra Mundial. Na altura foram designados de “Jogos da Austeridade”, numa Europa em destroços. A poupança, na altura, foi acompanhada de lucros. Em 2012, num período de crise europeia, as previsões dos gastos para esta edição apontam para os 12 mil milhões euros, um valor aquém dos 34,6 mil milhões apontados aos jogos de Pequim em 2008.

À edição impressa do PÚBLICO de hoje, Martin Polley, professor da Universidade de Southampton e especialista em história dos Jogos Olímpicos, afirma que é abusivo considerar que Londres vai viver a parte dois dos Jogos da Austeridade: “O plano original de construir um pavilhão de basquetebol foi abandonado, (mas) noutras áreas não vi um esforço significativo de poupança. O Comité Olímpico Internacional exige excesso em todas as áreas, especialmente no que diz respeito à sua própria hospitalidade”. Ainda assim, foram construídas menos três infra-estruturas permanentes do que as previstas – sete – e um pavilhão de basquetebol que foi edificado em Londres vai ser reutilizado nos Jogos do Rio de Janeiro em 2016.

 

Seguem-se, também em Londres, os Jogos Paralímpicos de Verão de 2012, que se realizarão entre 29 de Agosto e 9 de Setembro.

Breves de quinta-feira

Instituto da droga cria centro
O Instituto da Droga e da Toxicodependência (IDT) vai criar na Amadora um centro de recursos para a inserção de toxicodependentes, devido à crescente procura na unidade móvel do Programa de Substituição de Baixo Lumiar. O espaço foi cedido O pela autarquia da Amadora, que valoriza a necessidade de “melhorar a resposta na reintegração social”. A unidade móvel irá manter-se.
Fonte: Correio da Manhã

Jovens de Lisboa são os que mais cannabis consomem
Lisboa é a cidade portuguesa com os maiores índices de comportamento de risco do País. Lisboa apresenta o maior consumo de cannabis do País sendo que 42 dos jovens noctívagos já consumiram. A cocaína e o ecstasy apresentam também elevadas percentagens de consumo na capital portuguesa com 12 e 8 respectivamente. Os dados são de um estudo da Agência Europeia de Informação sobre Droga. De acordo com o estudo 23 dos jovens já foram ameaçados com armas de fogo em ambientes nocturnos e 5 já se envolveu em lutas físicas pelo menos uma vez. O estudo refere ainda que os jovens que saem à noite têm dez vezes mais probabilidade de experimentar drogas.
Fonte: Destak

Risco de Alzheimer pode ser reduzido
Mais de metade dos casos da doença de Alzheimer parecem ser desencadeados pelo estilo de vida e sete factores concretos, como o tabagismo, diabetes, hipertensão, obesidade, ou falta de actividade física parecem decisivos no aumento do risco da doença. São contas de investigadores da Universidade da Califórnia, em São Francisco (EUA), que desenvolveram um modelo matemático para calcular a redução do risco de contrair a doença para cada um dos factores. O estudo, publicado na Lancet Neurology, foi apresentado também em Paris, numa conferência internacional sobre a doença de Alzheimer.De acordo com a equipa de Deborah Barnes, a mudança para hábitos de vida mais saudáveis poderia obter uma redução de risco da doença da ordem dos 25%. Ou seja, seriam menos três milhões de casos anuais no mundo.
Fonte: DN