Dia Mundial da Saúde Mental | Panorama Nacional

Cerca de 450 milhões de pessoas sofrem de perturbações mentais em todo o mundo, segundo a Organização Mundial de Saúde. Destas, mais de 350 milhões padecem de depressão. Em Portugal, a prevalência de distúrbios mentais situa-se nos 23%, acima da média europeia. Hoje assinala-se o Dia Mundial da Saúde Mental, com críticas ao poder político, alertas de números e um congresso no Porto.

 

Há vinte anos que esta efeméride é celebrada globalmente para promover uma “discussão aberta sobre as perturbações mentais, os investimentos na prevenção, na promoção e nos serviços de tratamento”, pode-se ler no site da Organização Mundial da Saúde (OMS). Mas António Palha, presidente da Sociedade Portuguesa de Psiquiatria (SPP), em declarações à Agência Lusa, admite não notar mudanças desde então em Portugal, no que diz respeito às ofertas de reabilitação e inclusão social dos doentes mentais crónicos.

Esta é uma das considerações que está a marcar mediaticamente o Dia Mundial da Saúde Mental, no âmbito de uma crítica cerrada ao Plano Nacional de Saúde Mental. Palha afirma que este se encontra “distanciado das necessidades reais da população portuguesa” e lamenta que se tenham encerrado e desmembrado unidades de Psiquiatria sem garantias de alternativas.

O presidente da SPP defende que “o orçamento para a saúde mental é uma pequeníssima parte daquilo que deveria ser e, sem essa modificação qualitativa, é impossível fazer um plano coerente”. Criticando ainda o não cumprimento das leis e das linhas de orientação internacionais na área da saúde mental pelo Ministério da Saúde, bem como o atraso nos cuidados continuados e as lacunas da reabilitação em Psiquiatria, Palha refere-se ao Plano Nacional de Saúde Mental como “apenas ideologicamente fundamentado, sem possibilidades de resposta às necessidades concretas da população portuguesa nos dias de crise financeira de hoje”.

À Antena 1, a Sociedade Portuguesa de Psiquiatria acusa ainda o Ministério da Saúde de ter tido pressa em fechar unidades asilares, como o Miguel Bombarda, em Lisboa, mas de ter perdido o rasto aos doentes mentais – entre os quais, esquizofrénicos – que estavam internados nesses hospitais psiquiátricos. A SPP compromete-se, entretanto, a levar a cabo um estudo para localizar estes doentes, porque suspeita que alguns possam estar pior do que estavam.

 

Mais de 30% dos alunos universitários do Porto consomem psicotrópicos

Entre hoje e sexta-feira, vai decorrer na Universidade Católica, no Porto, o III Congresso Internacional da Sociedade Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental (SPESM), onde este organismo vai apresentar um estudo sobre a saúde mental dos estudantes universitários do Porto.

Segundo a Lusa, um dos resultados desta investigação assinala que mais de 30% dos 1800 alunos universitários do Porto inquiridos consomem psicotrópicos e dizem não ter prazer nas coisas que fazem na vida.

O estudo que vai ser revelado no âmbito deste Dia Mundial da Saúde Mental foi realizado de 2010 para cá e aponta outras percentagens alarmantes: 44,5% dos estudantes inquiridos dizem consumir fármacos (20,8% de tranquilizantes, 7,7% de sedativos e 5,1% de hipnóticos). Isto num país onde a prevalência das doenças mentais é superior à média europeia (23% contra 17%), e onde a prevalência da ansiedade é de 16,5%.

O congresso da SPESM que se estende até sexta-feira no Porto, subordinado ao tema “Da Investigação à prática clínica em Saúde Mental”, pretende ser, segundo a organização, “uma viagem pela investigação realizada em saúde mental, pelos padrões de qualidade que se traduzem em ganhos em saúde para as pessoas e novas áreas emergentes que requerem cuidados”.

Este organismo defende que uma “primeira ajuda emocional” passa pelo envolvimento de toda a comunidade – colegas de trabalho e família –, o que pode dar resposta a doenças mentais leves.

Neste sentido, em entrevista à Agência Lusa, o psiquiatra Júlio Machado Vaz alerta que é um “erro” entrar “logo de cabeça” pelo psiquiatra e pelo psicólogo, quando começam a surgir sintomas como “demasiada” ansiedade, apatia ou tristeza. Sugere, antes, a consulta do médico de família: “O nosso médico de família, a equipa da nossa unidade de saúde familiar, ou do nosso centro de saúde (…) estão grande parte das vezes preparados e têm uma outra vantagem enorme que é: têm um conhecimento daquela pessoa ao longo do tempo”, alega o médico psiquiatra.

 

O que é considerado “Saúde Mental”?

A Saúde Mental refere-se a um amplo conjunto de actividades directa ou indirectamente relacionado à componente de bem-estar, incluída na definição da Saúde pela OMS: “Um estado de bem-estar físico, mental e social completo e não meramente a ausência de doença”. Entre as muitas categorias de doenças mentais contam-se as fobias, a ansiedade, o stress pós-traumático, o transtorno obsessivo-compulsivo, a doença bipolar, as doenças psicóticas e a depressão.

O médico psiquiatra Júlio Machado Vaz prefere caracterizar a saúde mental como “a capacidade de nos adaptarmos aos estímulos exteriores com o mínimo sofrimento e mantendo-nos a funcionar de uma forma adequada”.

De acordo com um estudo do SPESM, Portugal encontra-se “no topo da lista dos países da Europa com maior prevalência de doenças psiquiátricas, valores que ao longo da vida ultrapassam os 40%”.

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