Tendências | Reino Unido: A generosidade é para os mais velhos?

No Reino Unido mais de metade das doações caritativas é realizada por pessoas acima dos 60 anos. As pessoas com menos de 30 anos são seis vezes menos generosas do que aquelas acima dos 60. Pelo menos é o que revela um recente estudo da Universidade de Bristol, realizado a meias com a Charities Aid Foundation (CAF).

 

Estas duas instituições analisaram as doações caritativas efectuadas entre 1978 e 2010 no Reino Unido, com base em faixas etárias e datas de nascimento dos doadores.

E o que descobriram? Em 2010, por exemplo, 32% das pessoas acima dos 60 anos inquiridas tinham feito doações caritativas nos últimos quinze dias, o dobro face às pessoas com menos de 30 anos (16%). “Os jovens não estão a conseguir manter os padrões de generosidade dos seus antepassados”, assinala o relatório.  O jornal The Guardian ilustra os dados deste estudo através de gráficos.

O próprio título do relatório em questão põe a tónica no alarme: “Mind the Gap” (“Cuidado com o fosso”, uma alusão à popular mensagem escutada a toda a hora no metropolitano londrino). A CAF alerta para a “bomba-relógio geracional” no campo da caridade e para a “perda de hábito de dar”, dirigindo-se aos mais jovens. É uma “crise de doações de longo-prazo”, acrescenta.

O relatório dá conta inclusive dos níveis de generosidade: os britânicos com mais de 60 anos são seis vezes mais generosos do que os sub-30. Há trinta anos, por sua vez, esta diferença era menor: os sub-30 eram três vezes menos generosos do que os maiores de 60. Por exemplo, os britânicos acima dos 75 doam 10 vezes mais (como proporção dos seus gastos totais) do que os britânicos com menos de 30 anos.

O relatório refere, neste sentido, que “os mais recentes grupos de pensionistas estão a disfrutar de padrões de vida mais elevados do que os seus predecessores”.

Por outro lado, o valor das doações de natureza caritativa tem crescido. Entre 1978 e 2010, a média das doações passou de 4,57 euros para os 11,49 (em termos reais). Em 2010, por exemplo, entre a população total, a média de doação semanal no Reino Unido era de aproximadamente 3,1 euros.

Nesta investigação é salientado que as tendências sócio-económicas e demográficas devem ser consideradas para interpretar estes números. De acordo com os censos de 2011, 16% da população total de Inglaterra e Gales tem acima de 65 anos.

O relatório propõe acções urgentes, como levar as doações para plataformas online para atrair os mais jovens para esta prática.

 

“O que mudou?” ou as críticas de Ed Howker ao Estado, aos mercados e às charities

“Por que é que há um fosso geracional nas doações de caridade?”, pergunta Ed Howker no título do um artigo de opinião publicado na edição do passado domingo no jornal britânico The Guardian. O co-autor do livro “Jilted Generation: How Britain Has Bankrupted Its Youth” lembra que os jovens são “apenas os últimos participantes numa tendência – as percentagens de donativos das famílias com membros com menos de 50 anos entraram em declínio há décadas”. O estudo, por exemplo, refere que 32% dos agregados familiares contribuíam para a caridade em 1978, enquanto que em 2010 o valor situava-se nos 27%.

“O que mudou?, questiona Howker. “Chegámos a um tipo de sociedade em que o governo necessita de voluntários para substituírem o lugar dos funcionários públicos remunerados, enquanto as instituições de solidariedade pagam a pessoas para organizarem doações”.

O texto termina com o dedo na ferida, um dedo apontado ao Estado e ao Mercado: “Convidamos os jovens a depositarem a sua fé na caneta de um burocrata ou na mão do mercado invisível, mas não na sua própria boa consciência. Entretanto, os mais velhos dão cada vez generosamente para a caridade, porque suspeitam que não podem contar nem com o sistema, nem mesmo com a combinação de ambos para resolver os problemas do mundo [‘enquanto lês isto e hesitas’]”.

Sida e Cancro: Racionamento de tratamentos “legítimo” e “desejável”, diz CNECV

“Vivemos numa sociedade em que, independentemente das restrições orçamentais, não é possível, em termos de cuidados de saúde, todos terem acesso a tudo. Será que mais dois meses de vida, independentemente dessa qualidade de vida, justificam uma terapêutica de 50 mil, 100 mil ou 200 mil euros?”

A questão – que está a gerar uma onda de polémica na opinião pública (inclusive nas redes sociais) – foi colocada nestes termos por Miguel Oliveira da Silva, presidente do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida (CNECV), esta manhã, na Antena 1.

Um parecer pedido pelo Ministério da Saúde a esta entidade propõe exactamente ao Estado um racionamento dos tratamentos mais caros para o cancro, o VIH/Sida e para as doenças reumáticas, bem como dos meios complementares de diagnóstico.

“É uma luta contra o desperdício e a ineficiência, que é enorme em Saúde”, afirma Oliveira da Silva, que defende que este racionamento “não só é legítimo, como, mais do que isso, é desejável”. Acrescenta ainda que este processo deve ser “muito transparente e muito claro, envolvendo todos os interessados [médicos, gestores e doentes]”. O governo “deve e pode” racionar, sugere.

O parecer deste órgão consultivo ao executivo surge no âmbito de uma política de cortes de despesas na Saúde, em linha com o subscrito no memorando de entendimento com a troika (FMI, Comissão Europeia e Banco Central Europeu). Os medicamentos para o cancro, para a sida e fármacos biológicos para doenças reumáticas representam mais de metade da despesa dos hospitais neste sector, avança o jornal PÚBLICO.

Paulo Macedo, ministro da Saúde, já tinha manifestado a intenção de negociar novos preços com as farmacêuticas e racionar o consumo de modo a reduzir despesas. A 17 de Julho, porém, Macedo falou ao Jornal de Negócios num limite para os cortes no sector que tutela : “Reduzir significativa adicional na saúde? Não vejo nada sem alterar o modelo estrutural. Mas porque é que tem de haver mais cortes na saúde? Eu acho que não deve haver mais cortes na saúde. É essa a minha posição”.

O Conselho de ética vem agora sugerir que devem ser analisados os custos e benefícios de cada exame, medicamento ou tratamento do cancro, do VIH/Sida e das doenças reumáticas. Os critérios devem basear-se em estudos e opiniões das partes envolvidas, acrescenta o parecer.

 

Bastonário da Ordem dos Médicos critica “parecer redutor e desumano”

Oliveira da Silva afirmou ainda à Antena 1 que este racionamento deve estender-se a certas ecografias, TACs, ressonâncias magnéticas e análises. O responsável pela apreciação tornada agora pública espera que “Portugal não continue a comportar-se como fosse um país rico”.

O bastonário da Ordem dos Médicos, José Manuel Silva, já reagiu a estas declarações. Recua mesmo no tempo para trazer à memória a linha de pensamento do ditador romeno Ceausescu. “Vamos regressar ao princípio Ceausescu de que o mais barato é o doente morto? Quem vai perguntar aos doentes se prescindem de viver mais dois meses porque é caro?”, questiona José Manuel Silva em entrevista à Rádio Renascença.

O bastonário ainda não leu o parecer, porque este se encontra indisponível, mas espera que não seja “tão simplista, redutor e desumano” como apresentado esta manhã. E acrescenta que não subscreve “um parecer que defende o racionamento, palavra inaceitável, em vez de racionalização”.

Nota: O parecer ainda não está disponível no site da CNECV.

Hepatite C: Cura para infecção em 2025?

Após a aprovação dos primeiros fármacos antivirais de acção directa para pessoas com infecção por Hepatite C, os ensaios clínicos revelam que houve um aumento da resposta virológica sustentada. Um estudo prevê inclusive a cura a 100% para 2025.

Estes foram algumas das informações partilhadas por peritos internacionais numa “conferência especial” – como lhe chamaram as entidades promotoras – subordinada ao tema “Terapia da Hepatite C: Aplicação clínica e desenvolvimento de fármacos”, em Praga, República Checa, entre 14 e 16 de Setembro. A organização do certame ficou a cargo da European Association for the Study of the Liver (EASL) e da American Association for the Study of Liver Diseases (AASLD).

“Assegurar que os delegados [de saúde] são informados sobre todos os dados clínicos mais recentes” dos ensaios de antivirais de acção directa (DAA) para o tratamento da infecção por hepatite C e “compreender as limitações dos actuais tratamentos e os potenciais benefícios de novos tratamentos” eram dois dos principais objectivos desta conferência, segundo a página oficial da EASL na Internet.

Neste sentido, foi revelado que, após a aprovação dos primeiros fármacos DAA, os ensaios clínicos demonstraram que, em doentes com infecção por genótipo 1, a resposta virológica sustentada aumentou de 40% para o intervalo de 70 a 80%, próxima da cura.

Também um estudo da Health Protecton Agency, do Reino Unido, evidenciou o custo-eficácia desta terapêutica a médio-prazo (10-15 anos), aplicada em pacientes com doença moderada, isto é, cirrose compensada.

“Este é o início de uma época de grande esperança para o tratamento da infecção por Hepatite C, havendo mesmo quem vislumbre a cura em 100% dos casos em 2025”, afirmou em nota à imprensa o deputado português Ricardo Baptista Leite, presente no congresso onde “ficaram evidentes os avanços históricos que se estão a alcançar” nesta matéria.

Na conferência de Praga foram ainda discutidos assuntos como a interrupção do tratamento baseado nas avaliações da sua futilidade, a consciencialização dos médicos para os efeitos secundários das terapias e para as limitações dos dados clínicos acerca dos novos fármacos. Foi ainda partilhada opinião especializada sobre opções de tratamento ideal para pacientes que nunca foram tratados antes e para pacientes que tiveram anteriormente um tratamento ineficaz com “Interferon” e “Ribavirin”.

Tendências: Recrudescimento do consumo de álcool e drogas em tempo de crise

 

Os consumos de álcool e drogas estão em curva ascendente, segundo “dados empíricos”. Uma das razões: Aliviar o sofrimento em tempo de crise. Esta mensagem, em tom de alerta, foi deixada por João Goulão, director-geral do SICAD, na passada sexta-feira, em Coimbra, no 2º Encontro da Associação Portuguesa de Adictologia.

 

Há um “recrudescimento” do consumo de álcool e de heroína “muito ligados ao alívio do sofrimento”, alertou Goulão. Esta percepção advém de “dados empíricos” que chegam a partir do terreno ao Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD) e que a organização ainda não consegue “traduzir em números”, mas que está a preocupar os profissionais que trabalham na área das dependências.

“Primeiro grande reflexo” da crise, “a substância mais preocupante neste contexto é o uso, excessivo e diário, de álcool”, referiu à agência Lusa João Goulão, que acrescenta que o consumo heroína, sobretudo via injectável, também se encontra a subir.

“Em situações de angústia ou desespero, o ser humano acaba por se agarrar a qualquer coisa que lhe faça, pelo menos, esquecer temporariamente” o sofrimento. É esta uma das justificações apontadas para esta tendência por João Curto, psiquiatra, também presente no encontro, para o aumento deste tipo de consumos, que tinham vindo a baixar nos últimos anos.

O perfil de um certo segmento de consumidores foi traçado pelo director-geral do SICAD: alguns são ex-toxicodependentes e ex-alcoólicos reincidentes, que antes “conseguiram construir as suas vidas mesmo com alguma precariedade, mas [que] estão na primeira linha da fragilidade social”, que têm sido por exemplo afectados pelo desemprego e por problemas económicos. “Têm dificuldades em lidar com a frustração e com a adversidade, com alguma frequência [estas pessoas] são tentadas a voltar aos padrões de vida anteriores”.

João Curto, também presidente da Associação Portuguesa para o Estudo das Drogas e Dependências, lembrou ainda que o consumo de heroína não é exclusivo de nenhuma faixa etária. Há pessoas a iniciarem o seu uso depois dos 50 anos, muitas em situação de desemprego. “É nitidamente uma consequência da crise, por desemprego, por falta de meios de subsistência para a família”, notou Curto.

O tema principal do encontro da Associação Portuguesa de Adictologia, que contou com a presença do ministro da Saúde, Paulo Macedo, foi o sistema de saúde e a organização de serviços públicos especializados em adicções.

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