Mulheres começam a fumar mais cedo, homens fumam mais

Dois quintos dos homens dos países desenvolvidos consomem tabaco. O Egipto está nos antípodas da Polónia quanto ao consumo de tabaco no feminino. Eis alguns dados incluídos num estudo internacional apresentado hoje no Lancet, publicação especializada no ramo da saúde.

 

O estudo sobre o consumo de tabaco entre adultos foi realizado entre 2008 e 2010 pela University at Buffalo School of Public Health and Health Professions de Nova Iorque e debruçou-se sobre variáveis como o género, os países e o acesso a tratamentos efectivos de cessação tabágica.

“Apesar de 1,1 mil milhões de pessoas terem sido abrangidas pela adopção de políticas mais efectivas de controlo do tabaco desde 2008, 83% da população mundial não está abrangida por mais de duas destas políticas”, lembra, citado pela agência Reuters, Gary Giovino, que liderou a investigação. Entre estas medidas, incluem-se legislação no sentido de banir o fumo em espaços públicos, a proibição da publicidade ao tabaco e a inclusão de avisos gráficos nos maços de tabaco.

Estes dados são divulgados inclusive numa altura em que Comissão Europeia está atenta ao exemplo australiano de eliminar os logotipos das marcas de tabaco dos maços (a lei australiana entra em vigor a 1 de Dezembro de 2012), uma iniciativa legislativa em linha com as recomendações da Organização Mundial da Saúde, que está a ser acompanhada de perto por países como Inglaterra, Noruega, Canadá e Nova Zelândia. Segundo o portal Euractiv.com, Antony Gravili, porta-voz da Comissão Europeia, afirmou ontem que “estão a ser discutidas várias coisas, incluindo a possibilidade de um embalamento genérico “.

Na Austrália, as principais tabaqueiras do mundo – a British American Tobacco, a Imperial Tobacco, a Philip Morris e a  Japan Tobacco –  viram goradas as expectativas de declaração de inconstitucionalidade da nova lei pelo tribunal superior do país.

 

Contrastes de padrões de consumo de tabaco

A equipa de investigação nova-iorquina comparou padrões de consumo de tabaco e estudou a cessação em pessoas de 15 anos para cima em 14 países em vias de desenvolvimento e emergentes, entre os quais China, Índia, Bangladesh,  México, Filipinas, Tailândia, Turquia, Ucrânia, Uruguai e Vietname. Estes dados foram comparados com os da Inglaterra e dos Estados Unidos.

Registaram-se taxas de consumo díspares. Entre os homens a média ficou na ordem dos 41%, contra 5% nas mulheres. Uma larga variação na prevalência do fumo entre as nações foi observada: 22% de homens no Brasil, cerca de 60% na Rússia, a título de exemplo. A maioria dos países desenvolvidos tem baixas taxas de desistência, assinala o estudo revelado nesta sexta-feira.

Outros contrastes: As taxas de fumo no feminino vão dos 0,5% no Egipto até cerca de 25% na Polónia. Por sua vez, o estudo revela que Estados Unidos e Inglaterra apresentam taxas de consumo entre as mulheres entre os 16% e os 21%, respectivamente.

O estudo dá conta ainda de que cerca de 64% dos consumidores fumam cigarros manufacturados, embora o tabaco de mascar e o tabaco em pó sejam bastante consumidos na Índia e no Bangladesh.

Nos lugares cimeiros da lista dos países com mais fumadores incluem-se a China (301 milhões) e a Índia (cerca de 275 milhões).

A investigação chama a atenção ainda para uma iniciação cada vez mais precoce do fumo entre a população feminina, para elevadas taxas de consumo entre os homens, ao contrário do que acontece com as taxas de cessação.

Reforçar “a visão de que os esforços para prevenir a iniciação e para promover a cessação do consumo de tabaco é necessário para reduzir a morbilidade e a mortalidade associadas” é uma das sugestões dos autores do estudo.

Por sua vez, Matthew L. Myers, presidente da campanha para Crianças Livres do Tabaco, sediada nos Estados Unidos, já comentou os novos dados: “Sem uma acção urgente, o consumo de tabaco ceifará mil milhões de vidas neste século”. O activista exortou também os países mais pobres a “agir agora”.

Em 2030, se esta tendência se mantiver, prevê-se que o tabaco possa matar 8 milhões de pessoas por ano. A Organização Mundial da Saúde (OMS) diz que o tabaco mata mais de metade dos seus consumidores. Cerca de 6 milhões de pessoas morrem por ano em todo o mundo, com mortes relacionadas com o tabaco, incluindo mais de 600 mil fumadores passivos. As estatísticas são da OMS.

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