Como ser paciente e sujeito activo no serviço nacional de saúde?

E se os utentes do Serviço Nacional de Saúde se identificassem como proprietários do mesmo e trabalhassem em parceria com os profissionais de saúde para o aperfeiçoar? Num artigo publicado hoje no jornal britânico The Guardian, a directora do Centre for Innovation in Health Management, Becky Malby, coloca esta questão, dando sugestões de como envolver os pacientes, transformando-os em agentes activos de mudança.

 

 

Ao longo do artigo de opinião, são quatro as “questões cruciais” para as quais Becky Malby chama a atenção e que, segundo a autora, devem ser respondidas no sentido de alcançar uma “co-produção bem-sucedida” entre profissionais e utentes. E a “co-produção” (ler “cooperação”), como entendida pela directora de uma rede constituída por médicos, gestões do sector público, consultores e académicos apostados na mudança organizacional, com a intenção de “melhorar os serviços públicos”, significa “explorar talentos dos utentes dos serviços, de modo a melhorá-los”.

A primeira pergunta de Malby remete para a interacção equilibrada: “Podemos partilhar experiências de igual para igual?”. Na co-produção, o primeiro passo a dar é “ouvir”. Os utentes dos serviços podem contar “estórias” pessoais e os profissionais têm “necessidade de contar” as suas. O princípio é “ouvir as boas e más experiências que ajudarão os utentes e os profissionais a verem o potencial de trabalharem juntos”. A articulista dá o exemplo de duas plataformas online em que esta partilha ocorre: Patient Opinion e Patient Stories.

A segunda questão levantada diz respeito a como “fazer melhor uso de cada pessoa”. Becky Malby dá o exemplo dos ex-toxicodependentes que podem ser “excelentes mentores” para toxicodependentes em recuperação. Neste âmbito destaca o projecto Patient Leaders, que foi criado por dois pacientes que queriam ter um papel de liderança dentro do Serviço Nacional de Saúde. Este nível de co-produção atinge-se, defende a autora, quando os utentes do serviço que “aprenderam a partir da sua experiência de gerir a sua saúde” se transformam em “recursos para toda a comunidade” e, assim, podem “inspirar outros, de um modo que um profissional nunca poderá”.

Desenhar em conjunto soluções é “muito mais desafiante do que apenas ouvir os utentes e fazer uso dos seus talentos”, mas apenas funcionará se esta tarefa se tornar um “hábito”. “Podemos resolver melhor os problemas juntos?”, é a terceira pergunta. A resposta da directora do centro para a inovação na área da gestão de saúde: “Partilhar o almoço, conhecer cada um como pessoas reais com vidas reais e sair para ver o que os outros têm feito”.

O artigo termina com uma pergunta desafiante acerca da potencial dupla função dos pacientes: ser utente e proprietário ao mesmo tempo. “Podemos partilhar a propriedade do Sistema Nacional de Saúde?”. A autora de “Involving service users in design: Four steps to co-production”, o artigo publicado hoje na secção The Guardian Professional, recorda que o financiamento dos serviços públicos de saúde em Inglaterra está sob ameaça, havendo “resistência daqueles que estão presos ao paradigma do perito” e diz acreditar que este modelo pode ser “ultrapassado”. Como?

Um exemplo é citado: o do Care Trust Plus, a funcionar em Lincolnshire, que tem funcionado no sentido envolver todos os stakeholders (partes interessadas). O organismo inventariou todos os seus proprietários, juntou-os para estabelecerem juntos a que valor social a organização deveria aspirar. O grupo concordou que era necessário mensurar este valor para ajudar a fazer avaliações em conjunto sobre o que fazer, tomando algumas decisões de forma a rever o impacto desses passos.

“Co-produção – trabalhar em conjunto para melhorar o uso dos serviços— é, afinal, mais benéfico se os utentes dos serviços forem ouvidos”. É esta a convicção de Becky Malby, que a quer espalhar a ideia por Inglaterra.

Deixe um comentário

Ainda sem comentários.

Comments RSS TrackBack Identifier URI

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s