Jogos Olímpicos de Londres | O desporto de alto nível e o doping

RTP transmite sessão de abertura, hoje, às 21 horas

 

A trigésima edição dos Jogos Olímpicos tem abertura oficial marcada para as 21 horas de hoje na capital britânica. Em competição, até dia 12 de Agosto, vão estar 10.490 atletas dos quatro cantos do mundo. Em resumo, o calendário, os protagonistas portugueses que entram em cena amanhã, sábado, e o doping como uma das sombras de um evento que acontece em Londres pela terceira vez.

 

A preparação da cerimónia inaugural – cujo custo foi estimado em mais de 34 milhões de euros – está a cargo do realizador inglês Danny Boyle, que mantém em segredo o nome do último portador da chama olímpica, entre outros pormenores do espectáculo. O cineasta que nos anos 1990 rodou Trainspotting (a partir do livro de Irvine Welsh) na Escócia, um exercício de estilo sobre uma espécie de “reino unido da toxicodependência e da auto-destruição”, dirigiu um número de dança protagonizado por enfermeiros e médicos do serviço nacional de saúde britânico, dispostos num cenário que inclui vacas e ovelhas vivas. Mundos díspares, os da saúde, das drogas e do desporto? Nem sempre, como dizem os números de casos de doping despistados na antecâmara do maior evento desportivo do globo.

Na quarta-feira, a Agência Mundial Anti-doping (AMA) noticiou que, até meados de Junho, pelo menos 107 atletas dos 71.649 analisados em todo o mundo nos seis meses anteriores à competição foram proibidos de participarem nos Jogos Olímpicos em Londres devido a casos de doping. “Tenho o prazer de dizer que não vão estar connosco”, ironizou John Fahey, presidente do AMA, avisando os eventuais prevaricadores que “as suas possibilidades de evitar a detecção são as mais pequenas de sempre”.

As federações dos países com atletas entretanto afastados dos Jogos Olímpicos deste ano já começaram a divulgar nomes dos excluídos. Entre os quais estão o grego Dimitris Chondrokoúkis, campeão do mundo de pista coberta, em 2012, no salto em altura, o lançador do disco húngaro Zoltan Kövago e os halterofilistas turcos Fatih Baydar e Ibrahim Arat. O primeiro acusou um controlo positivo a um esteróide anabolizante, o segundo recusou o teste de controlo anti-doping e os últimos foram eliminados por suspeita de doping.

Segundo a página oficial do certame London 2012, a equipa de despistagem presente nos Jogos Olímpicos de Londres levará avante “um número sem precedentes de testes para garantir a saúde e os direitos dos atletas e para que a integridade dos jogos seja preservada”,  no sentido de “assegurar uns Jogos justos”. Pelo menos cinco mil amostras de urina e sangue dos atletas vão ser recolhidas, antes e depois da competição, conforme a jurisdição do Comité Olímpico Internacional (COI). Um número que representa um aumento superior a 10% dos números anunciados nos Jogos Olímpicos de Pequim de 2008.

John Fahey afirmou que esta edição será a mais rígida da história para “oferecer uns Jogos Olímpicos tão livres de doping quanto for possível”. Para cumprir este objectivo, mais de 1000 pessoas irão trabalhar no processo anti-doping, entre os quais 150 cientistas. O laboratório anti-doping estará a operacional 24 horas por dia, 7 dias por semana.

A AFP avança que nesta edição os peritos anti-doping vão introduzir um novo teste para a detecção de substâncias proibidas – que distingue o hormônio de crescimento humano que o corpo produz naturalmente do sintético, inserido por meios artificiais. A nova técnica (teste “bio-marker”) alia-se à já existente desde 2004, sendo ambas “complementares, não iguais”, como explicou David Howman, director da AMA. A fraude pode ser apenas notada “semanas, não apenas horas” depois da inserção no corpo, acrescentou.

 

O calendário das provas

A cerimónia oficial de abertura acontece hoje – com a presença da rainha Isabel II e  mais de cem políticos internacionais, entre os quais a presidente do Brasil Dilma Rousseff e Cavaco Silva – coincide com o dia do arranque das provas de tiro ao alvo, mas as provas de futebol já tiveram início na quarta-feira. As competições na maioria das modalidades – do badminton à ginástica artística, passando pelo boxe e voleibol – arrancam amanhã. As disputas de medalhas no atletismo começam no dia 3 de Agosto.

Por sua vez as disputas de medalhas no judo, no halterofilismo e na natação podem ser vistas a partir de amanhã, conforme o calendário organizado pelo jornal Expresso.

Hoje, na abertura dos Jogos a delegação portuguesa, liderada pela porta-estandarte e judoca Telma Monteiro, vai ser composta por 30 atletas, dos 77 apurados para Londres 2012 (veja perfil dos atletas aqui). Entre os ausentes estão os atletas portugueses que amanhã entram em cena, como Telma Santos e Pedro Martins, que competem na modalidade badminton. Também amanhã Diogo Carvalho e Sara Oliveira vão nadar os 100 metros de mariposa. Manuel Campos vai tentar a qualificação na ginástica artística.

 

Inglaterra não repete “Jogos da Austeridade”, nem segue megalomania chinesa

Estes são os terceiros Jogos Olímpicos de Verão no “país que inventou o desporto moderno”, lembrou o presidente do COI numa conferência de imprensa no passado sábado. Os primeiros aconteceram em 1908. Os segundos, em 1948, foram mais mediáticos por serem os primeiros após a Segunda Guerra Mundial. Na altura foram designados de “Jogos da Austeridade”, numa Europa em destroços. A poupança, na altura, foi acompanhada de lucros. Em 2012, num período de crise europeia, as previsões dos gastos para esta edição apontam para os 12 mil milhões euros, um valor aquém dos 34,6 mil milhões apontados aos jogos de Pequim em 2008.

À edição impressa do PÚBLICO de hoje, Martin Polley, professor da Universidade de Southampton e especialista em história dos Jogos Olímpicos, afirma que é abusivo considerar que Londres vai viver a parte dois dos Jogos da Austeridade: “O plano original de construir um pavilhão de basquetebol foi abandonado, (mas) noutras áreas não vi um esforço significativo de poupança. O Comité Olímpico Internacional exige excesso em todas as áreas, especialmente no que diz respeito à sua própria hospitalidade”. Ainda assim, foram construídas menos três infra-estruturas permanentes do que as previstas – sete – e um pavilhão de basquetebol que foi edificado em Londres vai ser reutilizado nos Jogos do Rio de Janeiro em 2016.

 

Seguem-se, também em Londres, os Jogos Paralímpicos de Verão de 2012, que se realizarão entre 29 de Agosto e 9 de Setembro.

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Estudo da DECO alerta para a venda ilegal de tabaco a menores

 

A edição de Agosto/Setembro da revista Teste Saúde traz à baila a questão da venda ilegal de tabaco a menores de 18 anos, recorrendo a um estudo realizado em cinco municípios do país, pela DECO – Associação da Defesa do Consumidor, com a colaboração de adolescentes no terreno. Das 105 lojas visitadas, apenas 33 cumpriram a lei, isto é, recusaram vender tabaco a menores entre os 13 e os 16 anos.

O estudo anónimo – “sem pretensões de representatividade estatística”, segundo a DECO – foi realizado entre Março e Abril de 2012 nos municípios de Lisboa, Porto, Coimbra, Faro e Évora, com o objectivo de testar o cumprimento da lei que proíbe a venda de tabaco a menores em mão ou através do accionamento de uma máquina de dispensa automática.

O processo de trabalho in loco era elementar. Dois adolescentes, não identificados como colaboradores da DECO, sob supervisão de um adulto, entravam em estabelecimentos comerciais que vendiam tabaco [os nomes dos locais visitados podem ser consultado aqui], pediam um maço de cigarros e procuravam o aviso de “Venda proibida a menores”. Após cada visita, relatavam o episódio num inquérito.

Os registos dão conta de 59 lojas que exibiam em local bem visível o aviso da interdição de venda a menores, mas em apenas 16 destes estabelecimentos não se efectuou negócio. Dos 38 locais com máquina de dispensa automática, apenas 15 rejeitaram a venda aos menores envolvidos no estudo.

 

O que diz a lei?

No Artigo 15.º da Lei n.º 37/2007, a proibição de venda de produtos do tabaco é dirigida “a menores com idade inferior a 18 anos, a comprovar, quando necessário, por qualquer documento identificativo com fotografia”. A legislação diz ainda que é proibida a comercialização através de máquinas de venda automática, sempre que estas não estejam munidas de um dispositivo electrónico ou outro sistema bloqueador que impeça o seu acesso a menores de 18 anos”. O incumprimento do artigo 15 determina a aplicação de uma “sanção acessória de interdição de venda de qualquer produto do tabaco”.

Segundo o artigo a que a Dianova teve acesso, a ser publicado em Agosto na Teste Saúde, as atitudes registadas durante o estudo contribuem para o “alastrar do tabagismo entre os jovens, cujo organismo, ainda em desenvolvimento, é particularmente sensível aos efeitos nefastos do fumo”.

Em 32 das 105 lojas visitadas, os funcionários questionaram a idade ou um cartão de identificação aos potenciais compradores. Em seis destas ocasiões, a venda foi efectuada, apesar da menoridade assumida e conferida.

Faro e Coimbra foram os concelhos em que o acesso ao tabaco pelos adolescentes se tornou mais difícil: metade das lojas ofereceram resistência à venda. Já em Lisboa e no Porto, quase três quartos dos comerciantes desrespeitaram a lei. Em Évora, 87% dos estabelecimentos aceitaram vender cigarros a menores.

 

DECO pede fiscalização eficaz da lei e sensibilização dos infractores

Algumas dispensas de maços de cigarros foram acompanhadas de mensagens dos funcionários das lojas como “Sabem que a venda a menores é proibida?” ou “É para o pai, não é? [com um piscar de olho]”, “Posso vender, mas tenham cuidado, escondam-no” ou “Vendo, mas contra a minha vontade”.

De modo a combater situações destas e fazer cumprir a lei, a DECO exige “fiscalização eficaz e punições exemplares para os infractores” e defende a sensibilização dos vendedores sobre “os efeitos do fumo na saúde, em especial nos jovens” e o alerta para a responsabilidade que têm os comerciantes prevaricadores no “processo que conduz à dependência”.

A associação dos consumidores propõe ainda a proibição de venda de tabaco nas zonas circundantes a escolas do ensino básico e secundário, como já é de lei com o álcool. “O acesso fácil aos produtos” está na lista de factores determinantes para a iniciação ao tabagismo, além da curiosidade e da influência dos amigos.

O artigo “Tabaco: Venda ilegal” dá ainda conta dos métodos mais eficazes para deixar de fumar, “com base na literatura científica”, e dos respectivos preços. Contém ainda testemunhos de três ex-fumadores e informação sobre substitutos de nicotina. Neste contexto, o cigarro electrónico é desaconselhado como tratamento, não havendo garantias de qualidade, segurança e eficácia no seu uso.

Certificado de acessibilidade do ICVM já pode ser solicitado

Uma iniciativa do Instituto de Cidades e Vilas com Mobilidade (ICVM), o Certificado de Acessibilidade pode ser solicitado desde o início deste mês. Há três níveis de acessibilidade a reconhecer – “Funcional”, “Amigável” e “Excelência” –, após uma auditoria rigorosa. O intuito desta distinção, segundo o ICVM, é promover o acesso universal a actividades económicas, sociais, culturais e turísticas, em espaços públicos ou privados, fazendo cumprir a lei.

 

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“As cidades e vilas, na sua maioria, não correspondem às reais necessidades da sua população”. É esta a primeira linha do capítulo “Certificado de Acessibilidade: Para que serve, em que consiste, que benefícios traz” incluído na brochura de apresentação do documento.

Comece-se por conhecer a população portuguesa com mobilidade reduzida: cerca de três milhões e meio, incluindo 2 milhões de idosos, 1 milhão de pessoas com algum tipo de deficiência ou incapacidade e 540 mil crianças com menos de 5 anos. Alistem-se ainda alguns obstáculos registados por cidadãos com dificuldades motoras: postes de electricidade e caixotes de lixo a obstruir a circulação ou o estacionamento indevido de carros em zonas reservadas a veículos de pessoas com mobilidade condicionada.

Um dos objectivos desta distinção é simplesmente reconhecer o cumprimento de uma lei que remete para a eliminação de barreiras arquitectónicas e urbanísticas. Garantir a universalidade, a qualidade e a promoção da acessibilidade dos espaços públicos e privados, bem como a inclusão, a autonomia e a segurança de pessoas com dificuldades de mobilidade, incluindo as temporariamente debilitadas, é um propósito subjacente à Lei nº 46/2006 e à Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência da ONU.

Uma das novidades que este certificado traz é a identificação dos espaços reconhecidos, através de um dístico com o símbolo da acessibilidade universal, a ser afixado em local visível. Outra é uma base de dados disponível online dos locais já distinguidos pelo ICVM (para consulta aqui). Estas novidades permitem as pessoas com mobilidade reduzida planearem as suas deslocações atempadamente.

A iniciativa já mereceu os reconhecimentos institucionais da Associação de Municípios Portugueses, do Turismo de Portugal e da AHRESP – Associação de Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal, que destacam respectivamente a sua “importância ao nível das políticas públicas desenvolvidas pelos Municípios”, “a oportunidade e mérito que o projecto encerra na melhoria da qualidade de vida e de integração das pessoas com necessidades especiais” e a “vantagem competitiva [que pode constituir] para as empresas que nele [certificado] decidam apostar”.

A entidade promotora da distinção acredita que esta, entre outros benefícios, permite às empresas e associações oportunidades de negócio e diferenciação face à concorrência, e pode ajudar a nível mais macro a criar um novo ‘cluster de mercado’ ou abrir portas a um “turismo acessível”, uma tendência lucrativa [o mercado do turismo acessível vale na Europa 90 mil milhões de euros]. A nível de imagem e reconhecimento, o ICVM coloca a tónica na igualdade de oportunidades e na integração de pessoas com incapacidades.

A certidão estabelece três níveis de acessibilidade (Funcional, Amigável e Excelência), sendo que, no mais elevado, é averiguado se o equipamento auditado emprega pessoas deficientes. É adquirido depois da solicitação do certificado, de uma auditoria rigorosa e do pagamento dos custos de atribuição (que variam entre os 300 e os 1000 euros, mais IVA, consoante a tipologia do equipamento). Caso sejam cumpridos os requisitos, a obtenção do selo deverá demorar cerca de um mês.

Contactada pela Dianova, Paula Teles, presidente do ICVM, afirma que ainda é cedo para avançar com dados sobre os espaços já certificados. Uma certeza é que à altura do lançamento do certificado mais de 250 entidades já tinham manifestado a intenção de o adquirir.

O certificado de acessibilidade não substitui quaisquer documentos provenientes de entidades públicas de fiscalização e tem a validade de dois anos. Podem candidatar-se à certificação e ao respectivo selo grandes superfícies e shoppings comerciais, edifícios, equipamento e serviços públicos, hotéis e restaurantes.