David Young, de consultor do BCG a líder no terceiro sector (Entrevista)

David Young foi director administrativo do Boston Consulting Group (BCG), empresa na qual trabalhou entre 1988 e 2005. Em 2006 decidiu mudar para o terceiro sector, abraçando o desafio de integrar a World Vision International, uma organização de desenvolvimento, apoio humanitário e advocacia, dedicada ao trabalho com crianças, famílias e comunidades, e ao combate à pobreza e injustiça social, por exemplo por via do microcrédito. Hoje é COO [chefe executivo de operações] desta ONG.

Oito anos depois da mudança pessoal, em entrevista recente ao BCG Perspectives Young explica como as competências adquiridas no sector empresarial têm valor acrescentado e podem ser aproveitadas no sector social. “Devemos reconhecer que o que construímos através da experiência de consultoria é uma ferramenta poderosa para enfrentar os problemas mais desafiantes e indefinidos”.

Consultar é “a arte de entrar numa organização. Ganhamos uma capacidade de entrar e ter empatia suficiente, disponibilidade para ouvir e o desejo de alcançar um entendimento profundo da situação antes de começarmos a actuar”. Pensar como um consultor, com a finalidade de resolver problemas de ordem global, foi esta a mais-valia e o desafio que viu na sua entrada no terceiro sector.

Na World Vision International  – que conta com o “envolvimento fenomenal” de 44 mil empregados em todo o mundo –, os problemas são “complexos”: Guerra, migração em massa, trabalho infantil, alterações climáticas, e crescimento económico produtivo e pujante “que deixa alguns para trás”. A missão da organização não é menos complexa e ambiciosa: Mudar as vidas de crianças que nasceram em ambientes pobres e fazer aumentar a consciência social sobre os níveis de injustiça e iniquidade que existem a nível macro.

A difícil mudança do sector empresarial para o social deveu-se, em parte, a uma visão racional do seu percurso profissional.“Chegas a um ponto em que precisas de dizer ‘O que é que o mundo à minha volta precisa? Dadas estas necessidades, estou a potenciar ao máximo os meus dons, as minhas competências, a experiência e educação?”. Mas também pesou nesta decisão, admite Young, o seu lado emocional. A consultadoria “é um bom lugar para as pessoas que têm uma paixão profunda e querem induzir mudança”.

Young considerava ter “habilidade para criar mudança” e viu no terceiro sector a plataforma apropriada para causar “um grande impacto nas vidas de muitas pessoas”. E que poderia tomar em conta as “lições directamente aplicáveis” do sector empresarial. “Senti que a mudança, boa e produtiva, que nós vimos nos clientes comerciais poderia ser trazida para o sector das ONGs”.

Além das suas “competências” e da “experiência”, julgava ter uma “perspectiva” que faria a diferença, a de pensar profundamente os problemas: “Consultar permite-te posicionares-te, de olhar mais profundamente para os assuntos. Também a experiência e a viagem permitem-te tornares-te mais consciente do mundo. Prepara-te para te confrontares com alguns dos problemas reais que estão lá fora, além dos muros de uma empresa”.

Na verdade, o ex-director administrativo do BCG não vê assim tantas diferenças entre um sector e outro, à excepção de não estar a trabalhar com mercados públicos e de não mensurar os resultados através do lucro. Outra diferença é de ordem financeira. Tanto que Young aconselha quem está a ponderar mudar do sector empresarial para o terceiro sector a fazer uma “apreciação holística pelas recompensas que irá receber”. Lembra que o foco não deverá ser colocado nas recompensas financeiras, mas nos efeitos e na missão.

Young ao longo da entrevista cita algumas recompensas que já teve nos últimos oito anos de sector social, como libertar uma criança vítima de trabalho infantil e dar-lhe uma oportunidade de ter uma educação, começar um negócio e mesmo empregar outros adultos. “Há crianças que estarão vivas amanhã pelo que a tua organização faz hoje”, acrescenta. Outras recompensas: conferir “dignidade e alívio num momento de grande dor” e perceber que “a mudança está realmente a acontecer” e que a sua organização contribuiu para tal.

 

Leia a entrevista na íntegra aqui.

 

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