“Envelhecimento activo não é desporto, nem botox” (Kalache à VISÃO)

Alexandre Kalache, presidente do Centro Internacional do Envelhecimento, esteve em Oeiras, no dia 8 de Junho, no âmbito de um congresso sobre envelhecimento organizado pela Associação de Amigos da Grande Idade. Em entrevista à VISÃO, o especialista falou da discriminação a que ainda é votado o idoso, classificou a baixa da idade de reforma em França de “populismo barato” e acredita que “a cidade amiga do idoso é melhor para todos”.  

 

Segundo o médico e investigador brasileiro que durante doze anos esteve na linha da frente dos programas de apoio ao idoso na Organização Mundial de Saúde (OMS), o envelhecimento activo “não é desporto, nem botox”. Passa, antes, por “optimizar as oportunidades de saúde, participação e segurança, à medida que cada um envelhece”.

O investigador defende ainda a eliminação da discriminação assente numa imagem negativa do “envelhecimento passivo, calado, de pijama e chinelo, a fazer tricô”. “Envelhecer é muito bom”, acrescenta, porque um sénior “não tem mais amarras, não tem de fazer carreira e agradar ao chefe”.

Kalache veio a Portugal reflectir sobre o Projecto da Cidade Amiga do Idoso da OMS, numa altura em que o país regista uma esperança média de vida à nascença de 79,45 anos para ambos os sexos, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística divulgados em Maio.

No congresso que ocorreu no Tagus Park, foram discutidas políticas e práticas autárquicas para o munícipe sénior em território nacional. À VISÃO, o especialista citou um dos resultados de um inquérito sobre cidades “amigas do idoso”: os idosos citadinos disseram que os seus melhores amigos eram os porteiros. E os inimigos? Os motoristas e o autocarro. “É alto e isso dificulta ainda mais a vida ao velho. Mas se for fácil para o idoso, vai ser fácil para as crianças, para o obeso, para a grávida… Vai ser melhor para todos”, concluiu o ex-director da Organização Mundial da Saúde para o envelhecimento populacional.

O valor social dos idosos é outra questão abordada por Kalache durante a entrevista. Nesta linha, o expert em envelhecimento considera a decisão do novo presidente francês, François Hollande, de baixar a idade da reforma para os 60 anos “um absurdo” e uma medida “insustentável”. “Se [os séniores] trabalharem, não serão um fardo, pagam imposto, consomem, até ajudam a criar emprego, porque estimulam a economia”.

Leia a entrevista na íntegra na VISÃO nº 1007  de 21 de Junho de 2012, pág. 16

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