DROGA EM FACTOS: Cafés holandeses já só vão vender canábis “light”


CANÁBIS

É uma droga produzida a partir da planta Cannabis sativa, mais conhecida por cânhamo – que é também o nome das fibras do seu caule que podem ser usadas, por exemplo, na indústria têxtil. A planta contém mais de 400 químicos, sendo o principal o THC (Delta 9 tetrahidrocannabinol)

HISTÓRIA
Acredita-se que a planta seja oriunda da índia. Há referências aos seus efeitos em textos de medicina chinesa com mais de cinco mil anos.

CULTIVO
A canábis é produzida em praticamente todos os países do mundo. Segundo o site do Instituto da Droga e da Toxicodependência, os EUA são os principais produtores mundiais.

APRESENTAÇÃO
Há três formas: marijuana ou erva, preparada a partir de folhas secas, flores e pequenos troncos da planta; haxixe, que se prepara prensando a resina da planta fêmea; e óleo, líquido concentrado que se obtém misturando a resina com um dissolvente (mais forte). A droga é normalmente misturada com tabaco.

EFEITOS IMEDIATOS
Variam consoante a pessoa, a dose e a potência da canábis. Fisicamente, provoca o aumento da frequência cardíaca, olhos vermelhos e dilatação dos brônquios. Sintomas psíquicos podem incluir euforia, uma maior sensibilidade aos estímulos externos e até mesmo ideias paranóides.

USO TERAPÊUTICO
É usado em alguns casos para tratar as náuseas provocadas pela quimioterapia, havendo também quem reivindique o seu uso no caso de dores de cabeça, Parkinson ou Alzheimer.

CONSUMO
A ONU, no relatório mundial da droga deste ano (referente a dados de 2009), estima que entre 2,8% e 4,5% da população dos 15 aos 64 anos (125 a 203 milhões de pessoas) tenham consumido canábis no ano anterior. Mais que no relatório de 2010.

LEGALIZAÇÃO
O cultivo, posse ou venda é ilegal na maioria dos países, tendo o consumo sido despenalizado ou descriminalizado em alguns (como Portugal). Na Holanda, é legal a venda nos locais autorizados (coffeeshops). Noutros países autoriza-se o uso medicinal, incluindo 16 estados dos EUA.

Primeiro veio o anúncio de que os turistas poderão ser impedidos de entrarnos cojfeeshopsholanáeses. Agora, os famosos cafés autorizados a vender canábis na Holanda foram informados de que as plantas com uma concentração de THC (o principal químico activo) superior a 15% vão ser equiparadas às drogas duras e, por isso, proibidas. Em 2010,80% da canábis vendida superava este valor. “É ridículo”, defendem os proprietários dos 670 coffeeshops do país.

Com base num relatório do Instituto Trimbos que diz que a intensidade dos efeitos psicoactivos da canábis depende da concentração de THC (Delta 9 tetrahidrocanna-binol), o Governo conservador holandês defende que uma concentração superior a 15% “representa riscos inaceitáveis” para a saúde, em particular dos jovens. E se, na década de 1960, o nível médio de THC rondava os 4%, actualmente a concentração média do químico na canábis holandesa ronda os 17,8%, segundo aquele instituto.

O presidente do Instituto da Droga e da Toxicodependência, João Goulão, disse ao DN que a certa altura começou a ser detectada marijuana com uma concentração de THC “superior a 20%, que proporciona à canábis maior potência psicoactiva e aumenta os riscos desta droga”. A decisão do Governo holandês, defende, vem a par de outras restrições anunciadas que parecem ter o objectivo de rebater totalmente a autorização das coffeeshops. “Não o querendo fazer abruptamente, estão a fazê–lo aos poucos.”

Mas os donos destes cafés dizem que a proibição vai piorar a situação. “Tudo isto só vai levar as pessoas a fumar mais charros e eu vou vender mais gramas. Como é misturado com o tabaco, vai prejudicar ainda mais a saúde”, disse à Reuters o presidente da Associação de Coffeeshops de Maastricht, Mare Josemans. Além disso, lembrou que os consumidores têm a capacidade de escolher entre úma canábis mais forte e uma mais light. “É como ir a um bar e escolher entre cerveja e whisky.”

O proprietário do Easy Going indicou ainda ser ridículo impor normas quando o cultivo da canábis ainda é ilegal. A marijuana, como também é conhecida, é tecnicamente ilegal na Holanda, mas sua posse em pequenas quantidades não é crime. Os holandeses podem cultivar até cinco plantas em casa, para consumo próprio, mas a produção em grande escala e transporte é ilegal. Segundo a polícia, haverá entre 30 mil e 42 mil plantações ilegais na Holanda.

Ignorando os pedidos para legalizar o cultivo da planta, o Governo holandês acredita que a proibição da concentração de THC superior a 15% poderá entrar em vigor emAbril de 2012. Caberá aos proprietários dos coffeeshops garantir que os seus produtos estão dentro da lei, podendo a polícia apreender amostras de forma a realizar testes. O problema, dizem os especialistas, é que a concentração do químico pode variar dentro do mesmo lote de produto ou da mesma planta. “Não faço ideia de como vai funcionar na prática”, reconheceu Marjan Heu-ving, do Instituto Trimbos.

Fonte: Diário de Notícias

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