O estado mexicano onde divulgar informações falsas no Facebook da prisão

Maria de Jesus Bravo Pagola, 34 anos, e Gilberto Martínez Vera, de 48, foram detidos no dia 26 de Agosto, após terem alegadamente partilhado no Twitter e no Facebook informações sobre gangues de droga, responsáveis por levar a cabo sequestros e tiroteios nas escolas da cidade mexicana de Veracruz. Nas mensagens, Bravo informava que cinco crianças tinha sido raptadas, que havia ameaças de bomba e que vários homens dentro de um helicóptero tinham disparado contra uma escola primária. “Mantenham-se calmos. Pensem que as crianças devem estar em suas casas. Vão lá buscá-las”, alertou a antiga funcionária pública. Nada do que foi descrito aconteceu, mas as informações lançaram o pânico nas ruas da cidade.

Perante a confusão instalada, o governador de Veracruz, Javier Duarte, acusou a dupla de “terrorismo”, o que em termos legais significa uma pena até 30 anos de prisão. Mas, pressionado pela opinião pública e por grupos defensores dos direitos humanos, Duarte propôs a introdução de uma lei menos dura no código penal do Estado, que foi aprovada na terça-feira. Os mais críticos em relação à resposta do governo dizem que a medida poderá sufocar a liberdade nas redes sociais, muito usadas no México para partilhar informações sobre violência, numa altura em que as pessoas não confiam no que é avançado pelo governo ou pelos meios de comunicação social.

Na quarta-feira, quase um mês depois, as autoridades mexicanas retiraram as queixas contra os dois mexicanos acusados de terrorismo e sabotagem. “Graças a Deus”, gritou Maria assim que lhe comunicaram a ordem de libertação. “Quantas mortes é que a minha acção produziu? Não há crime. Não magoei ninguém. Aquilo que tentei fazer foi travar a violência”, afirmou à CNN.

Se, por um lado, a sua detenção provou, pelo nível de contestação, a união dos utilizadores das redes sociais em defesa da liberdade de expressão, por outro foi um bom exemplo de como a divulgação de informações incorrectas pode acabar mal. E é neste dilema que se encontram as autoridades mexicanas. Com a elevada criminalidade no México, muitos jornalistas já foram perseguidos e mortos, alguns decapitados, e muitos órgãos de comunicação deixaram de publicar notícias sobre homicídios e desordens nas zonas de conflito.

As redes sociais acabam por preencher este vácuo. “Está a tornar-se um padrão em muitas cidades onde existe violência generalizada”, explicou Carlos Lauria, coordenador para as Américas da Comissão de Protecção de Jornalistas, ao “Washington Post”. “Os gangues criminosos exercem controlo sobre a imprensa. Os media param. E na ausência de notícias os cidadãos comuns viram-se para o Twitter e para o Facebook para preencher esse vazio”, acrescentou.

A RELAÇÃO AMOR-ÓDIO COM AS REDES SOCIAIS

Estreia A Coreia do Norte abriu ontem a sua primeira conta no Facebook com o nome de utilizador “uriminzokkiri”, que significa “por conta própria como uma nação”. A informação foi avançada por um funcionário da Comissão de Padrões de Comunicação da Coreia do Sul. Ainda na semana passada, Pyongyang anunciou que tinha criado uma conta no Twitter, após a abertura de um canal no YouTube em Julho.

O país, um dos mais secretos do mundo, bloqueia o acesso à internet aos seus 24 milhões de cidadãos, mas circulam rumores de que a elite no poder tem um interesse especial pelas tecnologias de informação. Entre as mensagens partilhadas ontem na estreia da Coreia do Norte no Facebook estão relatórios a criticar a Coreia do Sul e os Estados Unidos, bem como um vídeo de dança a celebrar a liderança de Kim Jong II, “o guardião da pátria e criador de felicidade”.

Também na China, o Facebook está bloqueado em algumas zonas do país e, onde não está, os utilizadores não o podem usar de forma completamente livre. Mas porque o controlo da informação sempre significou poder, Pequim está interessada em comprar uma grande parte da rede social. Receio Segundo uma notícia avançada pela “Business Insider”, no fim de Junho, o Partido Comunista chinês, no poder, chegou à conclusão que, para manter o seu monopólio, tem de conquistar uma posição privilegiada nas redes sociais, principalmente após a onda de revoltas no mundo árabe.

Fonte: Ionline

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