Metade das mortes prematuras entre os homens seriam “evitáveis”

Sentem-se melhor do que as mulheres, vão menos ao médico de família, são mais vezes vítimas de acidentes rodoviários e de trabalho, fazem menos rastreios e descuidam a saúde mental. Um relatório sobre o estado de saúde dos homens na Europa, divulgado ontem pela Comissão Europeia, defende que metade das mortes prematuras entre os homens seriam evitáveis porque assentam em estilos de vida e comportamentos de risco.

A análise incluiu Portugal e revela que, apesar de em capítulos como a avaliação periódica da hipertensão e colesterol os homens portugueses estarem bastante acima da média, numa das principais causas de morte – o AVC -, o país surge ao lado da Grécia com os piores indicadores. O objectivo do estudo, lê-se no documento publicado no site do Ministério da Saúde, é lançar as bases para um reforço da actividade no campo da saúde masculina e apontar os principais desafios. A conclusão dos investigadores, que compararam dados estatísticos nacionais e os resultados de eurobarómetros, é que o facto de todos os anos morrerem duas vezes mais homens em idade activa do que mulheres (630 mil contra 300 mil) não tem uma explicação exclusivamente genética ou biológica A nível europeu -e na faixa etária dos 15 aos 44 anos ataxa de mortalidade chega a ser 236% maior. “A situação persiste na maioria das condições que, em termos biológicos, deviam afectar homens e mulheres da mesma forma”, escrevem os investigadores.

TABACO

O fumo lidera os factores de risco evitáveis. Segundo o relatório, estima-se que 15% de todas as mortes na União Europeia estejam ligadas ao tabaco – cerca de meio milhão de mortes prematuras por ano. A desvantagem dos homens, embora a diferença tenha vindo a cair nos últimos anos, ainda é clara: nos estudos europeus, 63% dos homens foram fumadores ou experimentaram tabaco em algum momento das suas vidas contra 45% das mulheres. O consumo de álcool tem a mesma leitura, que acaba por traduzir-se no impacto das doenças hepáticas crónicas: em 23 dos 31 países avaliados a taxa de mortalidade associada ao consumo de álcool é duas vezes maior entre os homens.

Outros problemas como a obesidade ou a diabete tipo 2, que têm aumentado a nível global, parecem estar a ter um crescimento mais galopante na população masculina, concluem os investigadores. Na faixa etária dos 15 aos 24 anos, que acaba por ditar a saúde futura, 22% dos homens têm excesso de peso (IMC superior a 25) contra 14% das mulheres. O subdiagjióstico de doenças mentais é considerado preocupante: na Europa há duas vezes mais mulheres admitidas nos serviços com depressão do que homens.

UM PROBLEMA DE PERCEPÇÃO

Além de traçarem um retrato pior da saúde masculina – onde se inclui ainda uma maior incidência de doenças infecciosas -, o facto de cerca 95% das vítimas de acidentes de trabalho serem homens, o relatório da Comissão Europeia identifica alguns problemas mais enraizados Nos sucessivos eurobarómetros os homens tendem a classificar melhor o seu estado de saúde, o que tendo em conta as estatísticas não reflecte a realidade. Embora façam mais exames ao coração do que as mulheres, a participação em rastreios do cancro é de 6% contra 16% entre as mulheres. Como justificação, os investigadores dizem que os moldes de acesso aos cuidados de saúde e a ausência de campanhas direccionadas (sabia por exemplo que a osteoporose afecta um quinto dos homens com mais de 50 anos) podem estar a afastar os homens dos cuidados de saúde. O facto de algumas consultas só estarem disponíveis durante o horário de trabalho e a percepção dos tempos de espera são algumas das barreiras apontadas. Outra mais curiosa, e que poderá fazer algum sentido, é a “falta de compreensão do processo de marcação de consultas e negociação com recepcionistas mulheres.”

Fonte: Ionline

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