Infarmed desaconselha uso de cigarros eletrónicos

A autoridade nacional do medicamento (Infarmed) desaconselha o uso de cigarros eletrónicos alegando que estes, tal como os convencionais, podem induzir dependência, independentemente da quantidade de nicotina dispensada. Numa circular divulgada hoje na Internet, o Infarmed indica que, até ao momento, “não tem qualquer autorização ou registo para este tipo de produtos, nem como medicamento, nem como dispositivo médico”. Assim, é desaconselhada a utilização deste tipo de produtos, por não ser possível assegurar a sua qualidade, segurança e eficácia/desempenho.

O enquadramento do cigarro eletrónico enquanto medicamento, dispositivo médico ou produto de consumo geral, depende do seu conteúdo em nicotina, da sua indicação de uso, e se essa é, ou não, uma finalidade médica. E lembra que “os fins médicos devem ser devidamente fundamentados, com dados clínicos e científicos, e esses dados têm que ser submetidos às autoridades competentes para avaliação”.

Cigarros eletrónicos inúteis para deixar de fumar

Já no ano passado, a Organização Mundial de Saúde (OMS) havia esclarecido que não considera os cigarros eletrónicos como um sistema de ajuda ao abandono do tabagismo e que os mesmos contêm aditivos químicos que podem ser tóxicos. Os cigarros eletrónicos apresentados como uma solução para deixar de fumar “sabotam as estratégias da OMS” de luta contra o tabaco, segundo a organização. Os cigarros eletrónicos são “uma ferramenta para sabotar as estratégias destinadas a encorajar as pessoas a deixar de fumar”, defendeu Eduardo Bianco, diretor regional da Aliança para a Convenção Quadro da OMS pela luta anti-tabaco (CCLAT).

Jovens podem ser aliciados a fumar

A mesma opinião é partilhada pela Confederação Portuguesa de Prevenção do Tabagismo que, em novembro, referiu à agência Lusa que os cigarros eletrónicos vendidos na Internet e apresentados como eficazes para deixar o hábito são prejudiciais à saúde, mantêm a dependência e funcionam como um aliciante para os mais novos começarem a fumar.

Luís Rebelo, presidente da confederação, alertou, na ocasião, para o facto de muitos destes cigarros estarem disponíveis com diferentes sabores adocicados, como o chocolate, podendo funcionar como um aliciante para crianças e jovens se iniciarem no tabagismo, já que “produtos aditivos com sabor e cheiro melhoram a capacidade de fumar para quem está a começar”.

Os cigarros eletrónicos, também chamados de “e-cigarros”, são geradores de aerossóis cuja forma lembra a dos cigarros “normais” e que produzem fumo artificial aromatizado, com ou sem nicotina. As empresas que comercializam esse produto, inventado na China em 2004, afirmam ser menos nocivo que os cigarros tradicionais e defendem que constituem uma solução para ajudar os consumidores a deixar o vício de fumar, o que é contestado pela OMS e por outras organizações não-governamentais.

Ler mais: Expresso

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