O extremo que fintou a droga

Em Sanlúcar de Barrameda, onde Nolito nasceu, mais do que o futebol de rua dominava o consumo e o tráfico de drogas. Os pais do pequeno Manuel caíram nessa mesma tentação, algo que não aconteceu com o agora jogador do Benfica, embora fosse muitas vezes tentado pelos colegas de rua. “A mãe dele entregou-o à avó. Foi ela e o avô que trataram dele desde pequeno, que fizeram tudo para não cair na droga”, começa por contar ao DN o tio José, que partilhou casa com Nolito: “Vivíamos todos juntos, sempre fomos bastante unidos, e talvez por isso o Nolito tenha conseguido vingar no que sempre mais quis fazer, o futebol.”

Começou a dar os primeiros pontapés na bola no seu clube de bairro, a União Deportiva Algaida de Sanlúcar. Como preferiu não seguir os estudos, trabalhava também num talho local para ajudar os avós, mas o futebol era mesmo o seu sonho. “Fisicamente não era muito forte, mas caía e levantava-se as vezes que fosse preciso. Tinha muita adrenalina e muita paixão. O bairro onde morava era complicado, chegaram a dar-lhe droga, mas ele fugiu. Sabíamos que iria vingar mesmo muito novo. Ama o futebol e por isso preferiu ir para o Benfica, onde teria mais oportunidades do que no Barcelona. Mas tenho a certeza de que um dia volta lá, tem valor para mais do que o Benfica”, disse ao DN Pedro, um dos seus primeiros treinadores.

Mãos no céu pelo avô

Quarta-feira marcou, frente ao Trabzonspor, em encontro da primeira-mão da terceira pré-eliminatória da Liga dos Campeões, o seu primeiro golo oficial pelo Benfica. A primeira coisa que fez foi apontar para o céu. A dedicatória há muito que a faz e sempre para o seu avô Manuel, a quem tratou sempre como pai. “Adorava-o. Morreu pouco tempo depois dele assinar pelo Barcelona. Quando era novo, prometeu ao avô que iria jogar no Barça. Conseguiu-o. Hoje, olha para o céu quando marca golos. De certeza que ele estará muito orgulhoso do que já fez pelo Benfica. Desfeita por ter trocado o Barça? Não. Agora é que o Nolito está feliz, a segunda divisão não era para ele. Um diz talvez regresse, mas quis o Benfica e sabia que aí podia ser feliz. Nós aqui estamos muito contentes pelo golo e por tudo o que tem feito. É um grande jogador e um grande homem”, salientou o tio.

A paixão pelo irmão António

Nolito tem um irmão, António, que também estava ao encargo da sua avó. Quando começou a ter capacidade financeira (o primeiro clube que lhe pagou, o Atlético Sanluqueno, dava-lhe 800 euros por mês, agora recebe 800 mil por ano), chamou-o para perto de si, e logo estará em Lisboa com ele, juntamente com a sua mulher e a filha Lola. E Nolito quer trazer mais dois familiares.

Ainda tem vícios de futebol de rua

Pedro, um dos seus primeiros treinadores, é da mesma opinião de Jorge Jesus, que quarta-feira salientou que o espanhol “ainda jogava pouco para o colectivo”. “Jogar numa primeira divisão é diferente dos escalões secundários. O Nolito ainda tem vícios de futebol de rua, mas tem tanto talento que isso é facilmente ultrapassável. Jogar e treinar diariamente com jogadores como Aimar ou Saviola vai ajudá-lo, e muito em breve será titular do Benfica, não tenho dúvidas sobre o seu talento”, referiu, destacando também as suas qualidades fora do relvado: “É uma pessoa de família, humilde, profissional, não sai à noite como alguns jogadores. É cumpridor e o que mais lhe interessa é jogador futebol.”

Fonte: Diário de Notícias

Anúncios

Breves

Aniversário

A Associação Operação Vida comemora oito anos de existência promovendo hoje dois workshops das 09:30 às 12:30 horas e das 14:30 às 17:30 horas. São eles: “Desafios de uma juventude desafiante: a intervenção social com jovens”, cujo orador será Raul Melo (Instituto da Droga e da Toxicodependência) e “Desafios à parentalidade: um olhar sobre a hiperactividade… e não só”, com Ana Rodrigues (Centro de Apoio ao Desenvolvimento Infantil).
Fonte: Tribuna da Madeira

PJ fez em Leixões a maior apreensão de cocaína deste ano no Norte do país
A apreensão de 52 quilos de cocaína no Grande Porto, ontem anunciada, é a maior desde o início do ano na área de intervenção da Directoria do Norte da Polícia Judiciária (PJ), disse um coordenador de investigação criminal. Delfim Torres explicou à Lusa que os 52 quilos de cocaína dão para 520 mil doses, em estado puro, ou 2,6 milhões de doses, já “traçada”, podendo valer, consoante as circunstâncias, entre 2,5 e cinco milhões de euros. “Estamos convencidos de que a droga se destinava ao mercado português, mas as investigações ainda prosseguem”, declarou Delfim Torres. Numa operação em que deteve o alegado traficante – um homem de 48 anos sem antecedentes criminais -, a PJ apreendeu, além da droga, uma pistola Uzi, de fabrico israelita, e outra Glock, igual à utilizada pelas forças policiais. A PJ apreendeu ainda centenas de munições, dissimuladas no interior de materiais de cerâmica provenientes do Brasil, que tinham sido descarregados de contentores no porto de Leixões e desalfandegados. A droga e o pequeno arsenal foram
apreendidos na zona de Valongo.
Fonte: Publico

Excesso de álcool prejudica mais as raparigas
Beber álcool em excesso, de uma só vez, pode danificar parte do cérebro que controla a memória e a percepção espacial dos adolescentes, revela um estudo publicado na revista Alcoholism: Clinical and Experimental Research. Estes danos, como problemas a conduzir, praticar desportos que exijam movimentos complexos, usar mapas ou ter sentido de orientação, são maiores nas raparigas do que nos rapazes, visto que os seus cérebros desenvolvem-se mais cedo, comparativamente aos do sexo oposto. O estudo foi realizado por investigadores de várias universidades americanas que fizeram testes neuro-psicológicos e de memória espacial a 95 adolescentes, entre os 16 e os 19 anos.
Fonte: Jornal de Leiria

Apenas 30 por cento dos doentes com hepatite em Portugal estão diagnosticados

A hepatite é traiçoeira. É como um fruto reluzente que não dá quaisquer sinais de estar podre por dentro. É uma doença silenciosa que quando se manifesta é porque – provavelmente – será tarde de mais para o fígado recuperar. A Organização Mundial de Saúde (OMS) decidiu, por isso, criar uma data comum para alertar para este problema: hoje assinala-se pela primeira vez a 28 de Julho o Dia Mundial das Hepatites, data de nascimento de Baruch Blumberg, Nobel da Medicina que descobriu o vírus da hepatite B na década de 60 e a respectiva vacina. Fomos ouvir médicos e doentes, sobre os dois tipos de hepatite mais comuns: B e C.

Estimativas da OMS apontam para que existam mais de 350 milhões de pessoas com hepatite B crónica e pelo menos 250 milhões com hepatite C. As zonas mais afectadas são China, Índia, África e Europa de Leste mas, com os movimentos migratórios, são cada vez mais os países que criam bolsas com esta infecção que pode provocar inflamação do fígado e que pode evoluir para fibrose, cirrose e cancro primário do fígado. Portugal é um dos países com média a baixa prevalência – ou seja cerca de 100 mil pessoas têm hepatite B e quase outras tantas hepatite C, sendo que 70 por cento não sabem. Mas a comunidade imigrante já representará mais de 30 mil das infecções. O HIV, a título de exemplo, atinge 20 a 30 mil portugueses.

A hepatite é traiçoeira. É como um fruto reluzente que não dá quaisquer sinais de estar podre por dentro. É uma doença silenciosa que quando se manifesta é porque – provavelmente – será tarde de mais para o fígado recuperar. A Organização Mundial de Saúde (OMS) decidiu, por isso, criar uma data comum para alertar para este problema: hoje assinala-se pela primeira vez a 28 de Julho o Dia Mundial das Hepatites, data de nascimento de Baruch Blumberg, Nobel da Medicina que descobriu o vírus da hepatite B na década de 60 e a respectiva vacina. O PÚBLICO foi ouvir médicos e doentes, sobre os dois tipos de hepatite mais comuns: B e C.

Estimativas da OMS apontam para que existam mais de 350 milhões de pessoas com hepatite B crónica e pelo menos 250 milhões com hepatite C. As zonas mais afectadas são China, Índia, África e Europa de Leste mas, com os movimentos migratórios, são cada vez mais os países que criam bolsas com esta infecção que pode provocar inflamação do fígado e que pode evoluir para fibrose, cirrose e cancro primário do fígado. Portugal é um dos países com média a baixa prevalência – ou seja cerca de 100 mil pessoas têm hepatite B e quase outras tantas hepatite C, sendo que 70 por cento não sabem. Mas a comunidade imigrante já representará mais de 30 mil das infecções. O HIV, a título de exemplo, atinge 20 a 30 mil portugueses.

“O corpo habitua-se”

Norberto é reformado, tem 62 anos, e vive em Lisboa. Há mais de 20 anos, perante algum cansaço e depois de umas análises à sua mulher terem revelado contacto com o vírus da hepatite B, fez análises de rotina que acusaram a doença. “Quando a médica me disse que tinha hepatite B primeiro foi como beber um copo de água. Só quando saí da consulta é que percebi. Parecia que o mundo tinha desabado. Na altura era igual a uma sentença de morte e eu tinha um filho pequeno”, contou. Algum tempo depois foi parar às mãos de Leopoldo Matos, hepatologista e director do Serviço de Gastrenterologia do Hospital Egas Moniz (Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental). Seguiu à risca durante um ano as três injecções semanais que aprendeu a dar a si próprio e resistiu aos efeitos secundários iniciais do tratamento, semelhantes aos de uma gripe forte, que os actuais medicamentos já minimizam.

Mesmo assim, Norberto assevera: ” O importante é não desistir e o corpo depois habitua-se. Fui sempre cumpridor com o tratamento e cuidadoso com o álcool que é o nosso inimigo quando temos hepatite. E a verdade é que fiquei curado. Já não tenho sinais do vírus.” No caso da hepatite C já há medicamentos que curam muitos casos. Na hepatite B há uma vacina (que faz parte do Plano Nacional de Vacinação) e, para quem está infectado, terapêuticas que ajudam a reduzir a carga viral, dependendo depois do sistema imunitário de cada doente a capacidade de cura.

Sobre o contágio, Norberto pensa que terá sido nos tempos de tropa onde teve um grande acidente. ” Ficámos misturados os vivos e os mortos, com sangue por todo o lado e fiquei internado seis meses. Mas quando soube da doença nunca escondi. Não podemos ter preconceito. Quando temos uma doença é quando mais precisamos do apoio dos outros.” Mesmo assim prefere dar apenas o primeiro nome. Os antigos militares são um dos grupos de risco, assim como pessoas com transfusões e cirurgias antes dos anos 90, trocas de seringas e relações sexuais desprotegidas. Mas simples idas à manicure, um cruzar de escovas de dentes ou tratamentos dentários podem ser suficientes pois os vírus resistem várias horas, mesmo quando submetidos a elevadas temperaturas.

Ler o resto da notícia no Público

Breves

Traficavam Droga junto às escolas

Um grupo de 13 traficantes de droga, que distribuía os estupefacientes sobretudo junto do “meio escolar”, em Viseu e Mangualde, foi desmantelado pela GNR, que apreendeu mais de quatro quilos de haxixe e pequenas quantidades de cocaína, heroína, ecstasy e anfetaminas, além de uma carabina, dois carros e 24 telemóveis. A investigação foi iniciada por uma ” denúncia de consumo e tráfico de droga numa escola no concelho de Mangualde”, revelou ontem uma fonte do Comando Territorial de Viseu da GNR, adiantando que a droga era adquirida “a Norte do País e comercializada nas cidades de Viseu e Mangualde”. As 13 detenções foram efectuadas em três operações, envolvendo 30 militares colocados nos dois concelhos. Dos 13 detidos, com idades entre os 17 e 48 anos, residentes na região, cinco estão em prisão preventiva, um em prisão domiciliária e os restantes aguardam ainda a aplicação de medidas de coacção.
Fonte: Correio da Manhã

Há 199 reclusos para lá da ‘idade da reforma’ em cadeias portuguesas

António Baptista Gonçalves, 76 anos, foi condenado a 24 anos de prisão por roubo, associação criminosa, posse de armas, coacção e ameaças contra agentes da autoridade. “Recluso exemplar”, em Abril deste ano, saiu numa precária e não voltou. O “Xerife”, antigo líder dos Mau Mau, é um dos 199 reclusos com idade igual ou superior a 65 anos que estão nas cadeias portuguesas, apurou o DN junto da Direcção-Geral dos Serviços Prisionais (DGSP). Os reclusos mais idosos têm 91 e 90 anos. Cumprem pena por crimes do foro sexual. Neste grupo de 199 presos, 98 cumprem pena por homicídio. O segundo maior motivo para pena de prisão é abuso sexual/violação (28 casos). A terceira causa para pena de prisão é o tráfico de droga (19 detidos). Os restantes estão detidos por crimes como ofensas à integridade física (12), incêndio (5), roubo (2), furto qualificado (6), condução sem carta de condução (5) e por outros motivos não clarificados pela DGSP (21).
Fonte: DN

 

Droga mata Amy Winehouse

Fãs já começaram a romaria à casa da cantora britânica falecida ontem de manhã de causas ainda por esclarecer. Todos suspeitam de overdose: começa o mito. Já se faziam apostas para adivinhar quando chegaria o fim, e o fim chegou bem depressa: a cantora britânica Amy Winehouse, de 27 anos, morreu ontem, na sua residência em Camden, no norte de Londres, Inglaterra. Apesar de a polícia, chamada ao local para confirmar o óbito às nhoo, não ter adiantado as causas, não é difícil imaginar que foram os excessos que mataram Amy Winehouse e calaram uma voz e um talento únicos. A cantora, que em Junho passado tinha protagonizado mais um momento triste na sua carreira, actuando sob efeito de drogas em Belgrado, na Sérvia, naquele que foi considerado “o pior concerto de sempre” viu-se obrigada a cancelar a sua tournée europeia, que incluía Portugal. Amy deveria voltar ao nosso país em Agosto para o festival Sudoeste, depois de ter cá estado no Rock in Rio Lisboa 2008.
Fonte: CM

Experiência de um ex-toxicodependente na primeira pessoa

Passava pouco mais das 19 horas quando cheguei à casa de Miguel (nome fictício). Toquei à campainha e vi o jovem que tinha falado comigo dias antes ao telefone. Concordou darme uma entrevista sobre a sua experiência no mundo viciante das drogas. A entrevista transformou-se numa conversa que se soltou debaixo de uma nuvem de fumo de cigarro. Esteve dependente de drogas pesadas, mas tudo começou num charro. Foi com um grupo de amigos que Miguel teve o primeiro contacto com drogas. Com 13 anos começou a consumir haxixe. Inicialmente, fumava às sextas-feiras, mas com o passar do tempo chegou “à fase em que era cool e fumava diariamente”.

Miguel tinha à noção de que o que fazia não era bom. Fazia-o às escondidas, não era moda. “Fumava aquilo por brincadeira, porque achava algo normal”. Tão normal que passou a rotina. Miguel pensava que nunca iria consumir outro tipo de drogas e chegou a ser alertado por amigos que podia entrar noutros mundos. “Mas nós não queríamos saber, era normal o que fazíamos, não havia que estar preocupado”. Do haxixe passou ao consumo esporádico de extasy e esta nova droga “levou-me para perto de outro tipo de consumidores, pessoas que cheiravam cocaína, que fumavam cocaína”. As pessoas que conhecera estavam ligadas ao mundo da noite. Miguel enquanto Dj ficou cada vez mais perto destes novos consumidores. O discurso parou. Acendeu um cigarro. Ao segundo bafo confessa que foi numa passagem de ano que tudo passou para outro patamar. “Pensei que se cheirasse uma vez nunca me ia acontecer nada de mais, e cheirei. Fiquei tão exaltado, entusiasmado, drogado, que me convidaram para fumar cocaína, crack. Nesse dia fumei cocaína e heroína”. Aquilo que Miguel pensara nunca poder acontecer, aconteceu. Experimentou duas das drogas mais viciantes que existem, a cocaína e heroína.

O cigarro libertou-o. Fala-me sobre a sua experiência com cocaína. Começa-se por consumir em ocasiões especiais: passagens de ano ou aniversários. No entanto, este consumo sofre o mesmo processo que o consumo de haxixe. Era uma vez por semana, passaram a ser duas e de duas a todos os dias. É tudo muito rápido. “Eu estudava fora e isso permitia-me ter uma liberdade muito grande… quando fumava, nunca pensava nos efeitos daquilo, até porque os meus amigos que fumavam estavam bem, e sempre pensei que conseguia sair quando quisesse. Sempre pensei que tinha o controlo da situação”. Miguel tornara-se dependente. As facilidades financeiras nunca permitiram a Miguel sentir os efeitos secundários, estava sistematicamente sob o efeito da droga. Para ele o normal era estar drogado. Os rituais sociais desapareciam, “chegava à noite de sexta-feira não pensava onde ia ter com os amigos, mas sim onde ia comprar a droga”. Foi nessa altura que teve a noção que era dependente. Acordava de manhã e a primeira coisa em que pensava era consumir para voltar ao estado, que para ele, era o normal.

A sociedade deturpava-se, Miguel tinha criado uma sociedade particular. “Naquela altura eu parava com poucas pessoas que não consumiam e isso é que era normal, o resto da sociedade passava-me ao lado”. Após perder a namorada por causa do vício, Miguel apercebeu-se que bateu no fundo, tinha perdido a noção da realidade e chegava a consumir 80 a 100 euros de cocaína e heroína por dia. Tentou sair uma, duas, três vezes, mas nunca conseguiu. A vontade de consumir era maior. As tentativas de sair resultavam em consumos maiores. Miguel começou a ver-se como uma pessoa diferente, perdeu a confiança da família. Bastava um novo passo em falso para ser expulso de casa. Foi ele que contou à família que era dependente. Foram os familiares que o ajudaram a frequentar o Hospital Conde Ferreira. “Tinha chegado ao fim da linha. Era agora ou nunca, tinha que ser”.

Durante 7 dias Miguel esteve em tratamento e limpou o organismo. Mas o seu principal obstáculo era psicológico. A sua vontade era consumir, mesmo que não estivesse a sentir a ressaca. Frequentou então uma clínica de psicologia durante 2 meses, onde aos poucos foi perdendo a vontade de consumir. Ganhou novos horizontes na sua vida. Hoje, Miguel reconhece: “se não tivesse a família que tenho, sei que nesta altura estaria morto ou preso”. E consumiu mais alguma vez? Admite que sim. Ainda passou 2 meses a consumir esporadicamente, mas, depois, ponto final. “Ganhei consciência, nunca mais consumi desde então; estou completamente limpo”. Miguel acende outro cigarro, conversamos mais um pouco, a pessoa que eu tinha à minha frente não era mais a que descrevera atrás. Ele está diferente. Toda a experiência que passou não teve só momentos negativos. Serviu para ver a verdadeira amizade. Os amigos foram presença assídua no seu discurso. Foram extremamente importantes para Miguel. E na hora de agradecer, não os esquece. O gosto pelas coisas voltou. Voltou a estudar. Voltou a viver. “Ganhei a confiança da família e o amor que tinha perdido por parte deles, sinto-me outra pessoa”. As cores voltaram a pintar-lhe a vida.

Fonte: JN

Jovens que frequentam a noite de Coimbra são os que mais conduzem bêbedos ou drogados

Coimbra, Lisboa e Funchal são as três cidades a subir ao pódio das localidades portuguesas com maior quantidade de jovens que consomem drogas. A cidade dos estudantes é mesmo a segunda com o maior consumo de cannabis e anfetaminas, com 40 por cento e dois por cento dos jovens a afirmarem já ter consumido este tipo de substâncias, respetivamente.

Os números foram revelados esta semana após a apresentação de um estudo realizado, entre 2007 e o ano passado, pela rede IREFREA (rede europeia de profissionais de prevenção) – e não da Agência Europeia de Informação sobre a Droga como, erradamente, ontem veio a público. O estudo analisou os comportamentos dos jovens de nove cidades. Para além de Coimbra, foi feito em Aveiro, Viseu, Angra do Heroísmo, Funchal, Lisboa, Porto, Viana do Castelo e Ponta Delgada.

144 inquiridos em duas casas noturnas de Coimbra

O estudo incidiu sobre a população que frequenta estabelecimentos de diversão noturna. Em Coimbra, foram questionados 144 jovens, em dois destes estabelecimentos. As respostas dadas mostram que Coimbra conta ainda com um dos maiores índices de comportamentos de risco: 44 por cento dos jovens inquiridos já conduziram sob o efeito de álcool ou drogas. Neste âmbito, Coimbra ganha com o maior índice nacional.

E a intimidade também não escapa. No que toca à sexualidade, 64 por cento dos jovens de Coimbra indagados afirmaram já ter tido relações sexuais sob o efeito de álcool. As drogas também estiveram presentes nos momentos íntimos de 30 por cento dos inquiridos.

Noitadas são tentação

Outra das conclusões do estudo mostra que os jovens portugueses que saem à noite têm 10 vezes mais probabilidade de experimentar drogas, em comparação com aqueles que não frequentam espaços de diversão noturna. Da amostra nacional analisada, cerca de dois em cada três notívagos declararam ter consumido estupefacientes, pelo menos, uma vez na vida. E nem a educação superior salva os jovens de Coimbra, visto que mais de 80 por cento dos inquiridos que saem à noite têm formação universitária.

“É preciso lutar contra esta atual generalização e normalização do consumo recreativo de drogas, bem como contra a adoção de outros comportamentos de risco associados”, alerta Manuel Pinto Coelho, presidente da Associação por um Portugal Livre de Drogas, em comunicado. Segundo o dirigente “o primeiro passo é a informação”.

Fonte: As Beiras

Médico Pinto da Costa reclama prisão para grandes traficantes

Os «grandes traficantes» são o principal problema do uso e consumo de drogas, que seria travado se aqueles fossem metidos na cadeia, afirmou o perito de Medicina Legal, José Pinto da Costa, numa conferência denominada “Juventude: o álcool e a droga”, realizada na noite de quarta-feira, no Fórum Municipal de Esposende, organizado pela Cooperativa Zendensino.

Após 10 anos de vigência da lei de descriminalização do consumo, o também professor anuiu que efectivamente «não adianta nada meter os toxicodependentes nas cadeias, mas sim os grandes traficantes», embora esses sejam «difíceis de apanhar». Além disso, e «enquanto vivermos subjugados à religião liderada por ‘Nosso Senhor’ o dinheiro, o tráfico vai imperar», apontou. É que, «um traficante ganha em 5 minutos o que um homem conseguiria em 100 anos de trabalho honesto», justificou.

Segundo os dados divulgados este mês pelo Instituto da Droga e Toxicodependência, existem em Portugal cerca de 40 mil pessoas que estão a fazer tratamento relacionado com consumo de drogas e outras 15 mil em programas mais exigentes. Estes são dados que inquietam Pinto da Costa, mas o álcool preocupa-o mais, porque essa é uma «droga por excelência que existe em Portugal desde o período neolítico».

E para provar esta teoria lembrou que «D. Afonso Henriques» fazia um jeitinho no álcool, mas «não parece que desse uns ‘chutos’ na veia», ironizou.

Fonte: Diário do Minho