Carlos Caldas propõe o tratamento personalizado do cancro: “Cancro cairia 50% até 2030 se portugueses deixassem de fumar”

“Temos um grande navio e um iceberg gigante a deslocarem-se e o desastre está prestes a acontecer. A não ser que se faça qualquer coisa.” Esta é a metáfora encontrada por Carlos Caldas, professor de Oncologia da Universidade de Cambridge, para descrever a evolução do cancro. “É a primeira causa de morte no mundo ocidental”, afirma. Em comparação com outras doenças, como as cardiovasculares – em regressão -, o cancro está a avançar, “com custos elevadíssimos para os sistemas de saúde, já de si puxados até ao limite”.

Na sétima conferência da indústria farmacêutica, dedicada aos “Desafios da Inovação nos Sistemas de Saúde”, promovidas pela MSD e Diário Económico, Carlos Caldas advoga a mudança de paradigma, numa parceria entre as universidades e a indústria farmacêutica. Desde logo, o custo do desenvolvimento de drogas tem de baixar e o tempo de aprovação dos medicamentos devia ser mais reduzido. “A indústria investe mil milhões de dólares (cerca de 743 milhões de euros) para colocar um medicamento ao serviço da Medicina”, diz.

Para atacar este problema e responder às necessidades urgentes das pessoas e dos sistemas públicos, Carlos Caldas propõe a partilha de dados entre todos os envolvidos neste barco: cientistas universidades e indústria farmacêutica. Olhando para esta última, Carlos Caldas diz que é a indústria que acumula a maioria da informação que deve ser partilhada pela comunidade científica. Para tal, propõe a partilha de dados na Internet de forma a que seja viável construir um mapa de cancros que responda aos desafios do futuro. E até já tem uma plataforma comum: “Personalized Cancer Medicine 2.0”, aproveitando o princípio da plataforma Web 2.0.

Outra das perspectivas deixadas na conferência, realizada ontem em Lisboa, é que o futuro da Medicina aponta para o tratamento personalizado do cancro da mama. “No passado, os medicamentos dominavam, todos os pacientes beneficiavam dos remédios e, depois, ficávamos a saber quem respondia melhor. Juntámos-lhes, frequentemente, a radioterapia ,a quimioterapia e o tratamento hormonal”, salienta.
O futuro terá de ser diferente: “Iremos determinar o perfil molecular do tumor em causa e do gene e, a partir daí, aplicar o medicamento mais adequado a cada paciente”, descreve o especialista. “É o diagnóstico que mais importa”, observa Carlos Caldas.

Deixar de fumar reduz para metade a incidência do cancro

A prevenção do cancro é fundamental para combater a doença e deve ser da responsabilidade de cada um. Por isso, um cientista como Carlos Caldas, não perde tempo com esse assunto na abordagem dirigida a especialistas, políticos e estudiosos que se reuniram na conferência do Diário Económico e da MSD. Mas deixa uma recomendação: “Se todos os portugueses deixassem de fumar hoje, daqui a 20 anos a incidência do cancro poderia cair mais de 50%”.
Nos últimos 25 anos, data em que se licenciou na Faculdade de Medicina de Lisboa, Carlos Caldas regista uma grande evolução na longevidade dos pacientes. “Nesse tempo, a sobrevivência das mulheres com diagnóstico de cancro da mama era de 10 anos para 50% dos casos. Nos dias de hoje, a mulher com a mesma doença, tratada em Inglaterra, tem 80% de sobrevivência nos 10 anos seguintes. Este é um progresso tremendo”, testemunha o professor de Oncologia da Universidade de Cambridge.

“Momento delicado”

Para João Lobo Antunes, presidente da conferência e professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, esta reunião do sector da saúde acontece “num momento delicado, complexo e, em certa medida, imprevisível”. Mas apesar deste contexto difícil, associado ao corte de custos na saúde, à redução do investimento em investigação e desenvolvimento, o cirurgião quis deixar a mensagem que este é também “um desafio de esperança”.

Fonte: Diário Económico

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