Lacunas no tratamento estendem-se ao tabaco

As insuficiências no tratamento tabagístico provocadas pela crise generalizada que já se abateu à reabilitação de drogas e álcool puseram a nú os parcos recursos dos profissionais no activo. Estes têm vindo a deparar-se com situações cada vez mais complicadas, associadas a problemas de saúde, sociais e económicos dos fumadores portugueses que pedem ajuda para deixar os cigarros.

Em vésperas do Dia Nacional do Não Fumador, as estatísticas existentes, aponta para uma ligeira diminuição da prevalência dos fumadores, em Portugal. A especialista, Ivone Pascoal, da Comissão do Tabagismo da Sociedade Portuguesa de Pneumologia, afiança que “esta conjuntura em que vivemos complica muito todo o processo. O fumador, por um lado, até iria poupar dinheiro ao deixar de fumar, (…) por outro lado, ainda tem, infelizmente, de pagar os fármacos para a cessação tabágica.”

O tabaco é o principal factor de risco para o cancro do pulmão, a segunda causa de morte por doença oncológica, em Portugal, segundo a Liga Portuguesa contra o Cancro. Ivone Pascoal explicou que, além da força de vontade -“o ingrediente indispensável” para deixar de fumar -, ajuda muito que o fumador tenha acesso a boas práticas na cessação tabágica, como um acompanhamento e tratamento farmacológico adequado à sua situação. Neste momento, a nível nacional, “não há grande tempo de espera para as consultas, os fumadores já têm acesso a uma consulta de cessação tabágica, mas corremos o risco de, quando chega a altura de escolher o fármaco, (…) eles não o conseguem comprar ou então interrompem o tratamento antes do tempo por falta de dinheiro”, concluiu Ivone Pascoal.

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Violência doméstica volta aos escaparates como um problema bem presente

Nos primeiros dez meses do ano foram assassinadas em Portugal pelo menos 30 mulheres vítimas de violência doméstica, mais uma do que em 2009. Em 20 por cento dos casos, os homicidas, normalmente maridos das vítimas, mataram uma segunda pessoa, quase sempre um filho. Contabilizando todas as situações, são pelo menos 36 as vítimas mortais em contexto de violência doméstica este ano no país.

Entre os fenómenos criminais, o destaque vai para os casos de violência doméstica – 7303 ocorrências –, que já ultrapassam o número de processos por condução sobre efeito de álcool ou falta de carta – 7124. Os crimes relacionados com droga são o terceiro fenómeno criminal mais relevante, com 2456 casos registados. Saliente-se ainda os 364 inquéritos-crime por corrupção e os 594 casos de crimes contra a liberdade e autodeterminação sexual de menores.

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Listas de espera dos centros de alcoologia continuam a crescer

Juntamente com as notícias de cortes no pessoal do Instituto de Droga e Toxicodependência (IDT), vieram a público outras com efeito directo no congestionamento das listas de espera, no Centro de Alcoologia do Sul. Quem procura tratamento nesta unidade de tratamento que cobre praticamente metade do país uma vez que além de Lisboa cobre o Alentejo e o Algarve, tem que aguardar pelo menos dois meses para conseguir uma primeira consulta. Apesar dos casos mais graves serem tratados a Norte, a procura neste departamento tem sido maior que a oferta que se consubstancia num período de ano para quem quiser marcar uma primeira consulta e dois para quem necessita de internamento.

O presidente do IDT, Jão Goulão, considera que esta é uma questão “circunstancial” e garante que o IDT tentará recuperar e diminuir a lista na reestruturação em curso e na organização dos recursos humanos e logísticos detidos. Ainda que a situação se possa agravar com as dispensas pendentes os pacientes podem vir a ser reencaminhados para as estruturas desenhadas nas unidades de psiquiatria dos hospitais. Na Unidade de Alcoologia do Centro do País, a lista de espera para consulta é de 16 dias e para internamento é de um mês, por sua vez na unidade de alcoologia do Norte, o tempo de espera ronda as três semanas.

Esta sobrecarga e adiamento de consultas na sua maioria em situações de crise, merece toda a reprovação do director clínico do Hospital Psiquiátrico de Coimbra. Pires Preto que trabalhou cerca de 12 anos no Centro Regional de Alcoologia do Centro, defende que é necessário socorrer o doente logo que ele reconheça o problema. Tanto mais que o rápido combate ao alcoolismo pode evitar o aparecimento de outras patologias associadas.

Os especialistas do IDT admitem que a crise económica e social que vivemos potencia um maior consumo de álcool e dizem que, em Portugal, se bebe cada vez em maior quantidade e cada vez mais cedo. Os problemas ligados ao álcool marcam o Congresso Nacional promovido hoje e amanhã em Lisboa pelo IDT.