Orçamento de Estado vai cortar nos tratamentos de álcool e droga

O Instituto da  Droga e Toxicodependência (IDT) vai apertar o cinto mercê dos cortes orçamentais na despesa corrente que afectará projectos que serão reavaliados, bem como propostas que serão redefinidas. Para evitar um recuo, os serviços regionais estão a repensar tudo. Certas estruturas de tratamento vão fechar ou reduzir horários e alguns dos 1565 funcionários vão mudar de lugar.

As despesas com o pessoal contratado a termo e precários foi a que sofreu maior rombo nos cálculos finais de racionamento económico. De quatro milhões de euros para licenças de parto e doença e para perto de 200 enfermeiros, psicólogos e assistentes sociais contratados a termo, o valor baixou aos 938.309 mil euros.

“Durante muitos anos, não pudemos reforçar os quadros”, recorda o presidente do IDT, João Goulão. Recorreram a empresas de trabalho temporário, como outros institutos públicos. Inquieta-o, agora que a crise aumenta recaídas de consumo de álcool e de drogas ilícitas, terem de fazer mais com menos.

O novo mapa está por desenhar. As direcções regionais ainda não apresentaram as suas propostas – que devem obedecer a critérios de prevalência de problemas. Fechar-se-ão algumas estruturas de tratamento. E diminuir-se-ão os horários de outras. O presidente do IDT dá o exemplo das estruturas de tratamento de Leiria e Marinha Grande: em vez de terem equipas autónomas a trabalhar cinco dias pode semana podem ter uma equipa a trabalhar três dias num sítio e dois noutro. E não rejeita o fecho de Gaia: os cerca de 900 toxicodependentes ali acompanhados (340 em programas de substituição opiácea) teriam de ir ao Porto ou à Feira.

Irá este corte pôr em causa a estratégia que fez de Portugal um país modelo? “Fizemos sempre um esforço de proximidade”, diz Goulão, preocupado com o que aí pode vir. Há mais de 60 pontos de consulta, incluindo centros de saúde. O corte obriga “à concentração nas unidades mais consistentes”. “E estes doentes têm dificuldade em aderir, em fazer sacrifícios. Vivem entre o desejo de consumir e o desejo de parar. Só se mobilizam com insistência, com proximidade. Sem isso, alguns abandonarão o tratamento.”

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2 comentários

  1. […] da Saúde revoga apoios a fármacos psiquiátricosHá mais alcoólicos a pedir tratamentoOrçamento de Estado vai cortar nos tratamentos de álcool e drogaCidade Algarvia pioneira na rede europeia contra as […]

  2. […] com as notícias de cortes no pessoal do Instituto de Droga e Toxicodependência (IDT), vieram a público outras com efeito directo no […]


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