O álcool é a droga mais perigosa suplantando heroína e cocaína

Os resultados já eram conhecidos mas só agora ganharam força mediática fruto da publicação na revista científica “The Lancet” e da sua exposição num seminário ontem apresentado em Londres. O ex-consultor governamental britânico para as políticas de drogas, David Nutt, veio a público defender um novo ranking sobre os efeitos nefastos das drogas, trazendo resultados atípicos e contrastantes às ideologias vigentes.

Segundo o seu estudo, o álcool é considerado a mais perigosa das drogas, à frente mesmo das chamadas “drogas duras” como a heroína, o crack e a cocaína. Na mesma lista erigida sobre nova metodologia que permite avaliar a perigosidade das drogas com base em 16 critérios, nove quantificam o risco para o consumidor e sete os riscos para a sociedade, o tabaco encontra-se acima das anfetaminas, do ecstasy e dos cogumelos mágicos. A mensagem é clara: os actuais sistemas de classificação das drogas não reflectem o conhecimento que se tem sobre os seus riscos.

Apesar disso, as leituras não são tão lineares quanto possamos interpretar a olho nú. O álcool lidera sobretudo pelo impacto que tem na sociedade ainda que a heroína ou o crack, ainda que com uma perigosidade inferior, significam mais riscos para os consumidores. Contudo, fumar canábis é três vezes menos perigoso do que consumir álcool, quer em termos pessoais, quer em termos sociais.

A nova análise liderada pelo Comité Científico Independente para as Drogas (ISCD na sigla em inglês), criado por Nutt em Janeiro, resulta da avaliação comparada de cada droga para critérios como a mortalidade directa ou relacionada, dependência, efeitos na saúde mental, na criminalidade ou no custo económico. No fundo da tabela aparecem drogas proibidas como o ecstasy, o LSD e os cogumelos.

João Goulão, presidente do Instituto da Droga e Toxicodependência, participou na mostra inaugural da investigação e concedeu algumas palavras sobre o assunto: “É uma metodologia que, não sendo perfeita, pode ser uma nova forma de avaliar, sem pressupostos ideológicos, o que realmente é perigoso”. O especialista, responsável ainda pela aplicação da política portuguesa do álcool, lembra que o Plano Nacional para a Redução dos Problemas Ligados ao Álcool contempla metas que “vão demorar algum tempo” a concretizar e que as medidas a longo prazo “não fazem sentido sem que a proibição de venda a menores de 16 anos seja efectiva” passando pela educação e formação de pais, jovens e vendedores. O álcool é o terceiro maior indicador de risco de morte prematura e incapacidade a nível mundial. Só em Portugal afecta 500 mil pessoas.

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