Abstinentes sujeitos a recaídas no actual contexto económico

As dificuldades económicas motivadas por esta conjuntura de crise estão a levar dezenas de portuguesas a pedirem ajuda nos centros de tratamento de álcool e droga, a maior parte dos quais por recaída. A tendência é ascendente e de difícil e delicada detecção. Já em 2009, as admissões de tratamento na rede do Instituto de Droga e Toxicodependência (IDT) subiram para 10 mil, um cenário que se agravou pelo constante retrocesso económico e pelos cortes e subtilezas previstas no próximo orçamento de estado.

“É algo que se sente empiricamente, sobretudo no álcool”, sustenta o presidente do Instituto, João Goulão. Apesar da subjectividade desta tese que não é suportada pelas causas dos pedidos de ajuda, Ana Feijão, directora da Unidade de Alcoologia de Coimbra, reforça esta observação: “Mais do que casos de pessoas que vêm cá pela primeira vez, estamos a falar de recaídas que se devem ao stress e à pressão. São doentes que estavam bem!”

Os casos sucedem-se um atrás do outro, havendo relatos de suicídios, violência doméstica e procura desenfreada por antidepressivos. Ana Feijão concretiza: “Um doente nosso suicidou-se porque não aguentou a pressão. Tinha um negócio e havia muitas pessoas a dever-lhe dinheiro. Há dois meses suicidou-se um doente que estava abstinente. As pessoas sabem que o álcool mata rapidamente e recorrem à bebida para terem coragem para se matar. É terrível.”

Outros agentes preventivos na área vêm reproduzindo sinais preocupantes que levam a crer um fenómeno social de sérios contornos, com desemprego, tráfico de substâncias e agravamento de dependências, na ordem do dia. “Existem pessoas que não tendo dinheiro para bens essenciais não vão deixar de consumir ou vão ter recaídas. Se a vida for estável, elas conseguem manter-se, de outra forma lembram-se mais das drogas e podem recair”, conclui o vice presidente do IDT, Manuel Cardoso.

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